Plane Crash
17 POV Maxon
Notas iniciais

Bem nessa parede estão as histórias que eu não consigo esquecer. Eu tento deixar o meu coração aberto para noas possibilidades, mas ele parece saber que sem você, só me resta o vazio.
Repasso tudo em minha cabeça e tento entender onde erramos? Onde quer que esteja, espero que esteja olhando para o mesmo céu estrelado e saiba que eu voltarei para você. Porque eu sei que você está em algum lugar lá fora. Em um lugar longe e distante, mas eu te quero de volta, como nunca desejei nada antes. Ás vezes me sento na varando e observo a lua, pensando em você. Imagino se você não está fazendo a mesma coisa do outro lado, pensando em mim. Ou eu sou um tolo por ainda acreditar que você está viva? Há um ano atrás me disseram que você morreu. Há um ano atrás me fizeram desistir de você. Mas eu nunca poderia fazer isso. Sei que em algum lugar no mundo você está tentando compreender porque eu te deixei. E acredite, eu mesmo me faço essa pergunta.
Então continuei te procurando, fazendo minha própria pesquisa. Conversei com donos de barcos e empresas de aviões em busca de ajuda, mas nada foi encontrado. Foi preciso todo o tempo e toda a paciência que tive para conseguir convencer Kriss de não retirar as fotos de America e das outras selecionadas do mural. Deitado na cama, suspiro de exaustão. Os dias estão cada vez mais difíceis de serem suportados e minha esposa não ajuda em nada. Não sei se ela mudou ou se foi eu que estava cego por America e nunca percebi quem ela realmente era. Meu pai a adora, claro, como não gostar? Ela tem tudo o que ele sempre quis para mim.
Estou praticamente dormindo quando a porta se abre abruptamente. Me levanto em um salto e observo enquanto um guarda, que não me lembro o nome, praticamente me carrega no colo até o corredor.
—O que está acontecendo?
—Ataque rebelde, Alteza. Temos que ir.- ele me põe no chão e começamos a corredor pelos corredores. Eu não havia nem percebido a confusão, estava tão absorto em meus pensamentos que não escutei os tiros em frente da minha porta. Enquanto procuramos o abrigo real, nos desviamos de corpos mutilados e poças de sangue. Tantas mortes e tantas vidas perdidas. Não reconheço a maioria dos rostos, o que significa que são rebeldes, mas me sinto mal do mesmo jeito. Nunca quis que isso acontecesse. Acredito que eu já deveria ter me acostumado com isso. Os ataques estão mais constantes e é milagre o dia em que nada acontece. Já não sei dizer mais o que é sulista ou o que é nortista. Nem acho que exista mais diferenças nesse momento.
—Corra, Alteza! Entre rápido!- o guarda me empurra pela portinhola do esconderijo real e vejo, enquanto a porta se fecha, dois rebeldes sujos e barbudos aparecerem. Tento fazer com que ela não se mova,grito por ajuda, mas não sou forte o bastante. Mas antes que ela se feche, observo quando a bala acerta o soldado na cabeça e ele lentamente cai no chão, seus olhos sem brilho olhando para mim. Parei de gritar. De cabeça baixa caminho em direção da câmara principal onde espero que minha família esteja sã e salva.
Relaxo meus ombros, sem nem perceber o quanto estavam tensionados antes, ao ver meus pais sentados em seus tronos replicados. Papai olha uns papeis e minha mãe conversa com Kriss animadamente, ou o mais animadamente possível em uma situação como essas.
—Ah querido, fico muito feliz que esteja bem!- minha mãe me envolve em um de seus abraços e é como se eu esquecesse todos os meus problemas. Ultimamente tenho precisado de um desses cada vez mais. Nos separamos e eu olho em direção de meu pai, que não se moveu um músculo ao saber que estava vivo.
—Que bom que está vivo Maxon.- sem nem mesmo tirar os olhos do documento ele disse. Sei que esse é o seu jeito, que ele possui um coração frio e que provavelmente nunca me mostrará nenhum sinal de afeição, mas é pedir demais por pelo menos um sinal de alegria ou pelo menos de alivio por eu estar bem? Eu até mesmo aceito que ele só se preocupe comigo por ser seu herdeiro, pelo menos já é um começo, mas mesmo assim. Nada.
—Você está bem amor? Estive tão preocupada!- Kriss se joga em mim e me abraça, o que não retribuo.
—Estou ótimo, querida.- qualquer um poderia sentir a amargura em minha voz, mas ela não pareceu notar, simplesmente abriu um sorriso de orelha a orelha e me puxou para a cadeira mais próxima. Ela é tão bonita, tão gentil, tão educada. Tão perfeita. E eu detesto isso. Eu só queria o senso de humor, o sarcasmo e a agressividade de America nesse momento. Eu sinto tanto sua falta que é quase impossível de descrever. Eu pensei ter te visto lá fora. Eu pensei ter ouvido a melodia da sua voz, mas eu sou somente um garoto preso em sonhos e fantasias. Você morreu, e não há nada que eu possa fazer além de aceitar o fato de que nunca voltará para mim. Provavelmente já teríamos um filho. Eu garantiria que isso acontecesse. Quem sabe um outro já estivesse a caminho. Nós teríamos uma família. Uma grande e feliz família. Seu irmãos e seus pais morariam aqui perto e as coisas seriam tão simples. Ao seu lado, meu pai e seus chiliques não importariam.
Eu me lembro do dia que foi embora. Me lembro das leves gotas que escorriam por sua bochecha rosada. De todos os sonhos que deixou para trás, porque você não precisa mais deles. Assim como não precisa de todos os desejos que fizemos juntos. Eles não importam mais. Posso continuar sonhando o quanto quiser, seu avião não vai magicamente reaparecer para mim. Queria acordar com amnésia e esquecer de todas as pequenas coisas. Como o sentimento de acordar ao seu lado e todas as outras lembranças que eu não consigo esquecer. Porque eu nunca estive pior. Talvez um dia encontraremos um novo final, onde dançaremos em nossas lágrimas.
—Maxon? Maxon?- uma voz ao longe entra por meus ouvidos, mas não dou atenção.- Maxon!- acordo na hora com o grito. Como sempre meu pai exala sua cara de desapontamento e insatisfação.
—O que?
—Não seja insolente comigo garoto!- simplesmente reviro os olhos.
—O que deseja pai?- tento parecer o mais interessante possível, mas não acho que consigo.
—A Rússia nos mandou um convite.
—Rússia?- o interrompo- Não sabíamos que éramos aliados, muito menos amigos.
—Se tudo der certo, no final seremos praticamente família. O Príncipe Alexander está vivo. Pelo que diz aqui ele foi dito como morto um tempo atrás.- minha mãe abre a boca de susto e pavor. Não é todo dia em que um príncipe morre e volta a vida. Se eu fosse os reis acho que também faria uma festa em comemoração. Mas meu pai? Ele diz isso como se fosse a coisa mais normal do mundo.- Eles vão fazer um baile em sua homenagem e é seu dever e de Kriss, garantir que seremos convidados nas próximas comemorações. Reviro os olhos novamente.
O que houve comigo nesses últimos dias? Por dezenove anos aguentei meu pai e suas manias, porque agora simplesmente não suporto mais? Tente lembrar alguma coisa sobre Alexander ou sobre sua família, mas não tem muita coisa para ser lembrado. Nunca fui para a Rússia e a única vez em que ele nos visitaram, tenho certeza de que o achei estranho. Ele era magrelo e alto, andava desengonçado e usava um óculos que eu particularmente nunca deixaria ninguém usar. Mas tirando isso tudo, não tive uma primeira impressão dele. Nem falei com o cara, mas as coisas vão ter que mudar. Só espero que ele seja mais normal atualmente. Se bem que para desaparecer, ser dado como morto e reaparecer não é a coisa mais normal do mundo, provavelmente deve ter ficado louco.
—Claro pai.- assinto com a cabeça e volto para meu lugar ao lado de Kriss.
—Quando partimos?- Kriss entra na conversa.
—Amanhã.- ele diz e sai pisando fundo. Impressionantemente o chefe da guarda chega no exato momento em que meu pai sai e diz que estamos livre para voltar a nossos afazeres. Atravesso a passagem e me assusto. A carnificina é diferente de todas que eu presenciei. O cheiro de morte ronda o corredor, e não sei se algum dia ele conseguirá sair. Corpos estão entulhados em todos os lados. Armas jogadas no chão, misturadas ao vermelho do sangue que praticamente não me deixa ver o chão original. Guardas, criadas, rebeldes, todos eles se misturam, como se nunca estivessem sido separados na vida. Sinto náuseas e tontura, faço meu máximo para não vomitar, mas não consigo. É uma visão que eu nunca conseguirei retirar da minha mente. Por um momento esqueço America, mas ele rapidamente me volta a mente, podia ser ela. Talvez ela não tivesse a sorte de Kriss em fugir todas as vezes. Poderia ser o seu corpo no entulho. Agradeço a deus por não ser ela, e encontro um bom motivo para não a ter escolhido. Mas me lembro, que provavelmente ela não está muito melhor do que todos esses corpos amontoados. Simples seres humanos que já passaram dessa vida.
Sem nome, sem identidade e sem ninguém por perto para dizer que as coisas ruins já passaram, mas quando elas nem mesmo começaram. E, pela primeira vez, a imagino morta. Seu corpo inerte jogado em um canto qualquer. Seu olhos azuis sem vida e sua pele quente, agora fria. Como esperam que eu siga em frente sem nem ao menos saber se está viva?
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