Notas iniciais
boa leituraa

Pov Maxon

Ninguém sabia o que tinha acabado de acontecer, mas para Alex deixar minha filha comigo, algo importante com certeza deve ter acontecido. Gritamos por ele, mas nada ouvimos em retorno, só o som de seus passos sumindo ao longe. Nenhum de nós ousamos segui-lo.

_Alguém sabe o que está acontecendo?- Marlee nos olha em busca de respostas. America e Celeste sumiram pouco tempo antes de toda a confusão, será que elas estão bem?

_Porque ele te deixou para cuidar dessa criança? Ela é filha dele, não tem obrigação que se preocupar com isso.- Kriss olha para Nastia com uma cara de nojo e sinto a raiva aumentando dentro de mim. Estava prestes a fazer algo idiota quando sinto uma mão no meu ombro, Marlee, me fazendo permanecer sentado.

Inspiro e retiro minha filha da piscina. Ela sorri para mim, alegre, enquanto a enrolo na toalha e a seco. Me separo do grupo, que continua discutindo e tentando entender o que foi que aconteceu, e brinco com a minha filha, sem me importar que qualquer repare o brilho nos meus olhos.

Pov Alex

Bato na porta do quarto e ouço uma voz me pedindo para entrar. Giro a maçaneta lentamente e coloco meu rosto do outro lado, para ver America deitada na cama, praticamente adormecida.

_Posso voltar depois se quiser. — comento e ela se senta na cama, com um sorriso no rosto.

_Claro que não. Senta. — ela bate na cama, ao seu lado, indicando onde devo me sentar. Caminho lentamente e me deito ao seu lado, a abraçando.

_Já foi...?

—Ver Natasha?- a interrompo e ela assente. — Sim, a vi. — digo sem muita emoção. — E é sobre isso que gostaria de falar com você.

—Eu vou ser condenada, não vou? Pode dizer. Já aceitei. — ela vitimiza puxando as cobertas e tapando seu rosto.

—Não é você que será julgada. Você não fez nada, há testemunhas. Mas Natasha terá um julgamento, e é isso que queria dizer.

—O que quer dizer com isso?- ela se senta.

_Meu pai me passou a regência. — ela me abraça claramente feliz.

_Isso é ótimo! Temos que comemorar!

—Isso significa que sediarei o julgamento. — ela se recompõe. — e você a julgará. — muitas emoções passam por seu rosto: medo, susto, choque e culpa.

_Julgá-la? Você quer que eu a condene a morte? Eu não posso fazer isso, Alex. Não posso!- se desespera. Tomo suas mãos nas minhas e a olho nos olhos.

_América, eu sei que isso te assusta, sei que é pedir demais, mas não é sempre assim. Meu pai decidiu isso porque foi um atentado direto a nossa família, havia várias famílias reais presentes, além disso, a imprensa televisionou tudo. Ela é filha alguém importante aqui, ele não quer criar desavenças e nada mais justo que você decida. Ames você tem o poder nas mãos, você e só você pode me dizer o futuro dela, pode condená-la ou absolve-la, pode condená-la a morte ou dar o perdão imperial, vai dar tudo certo, estarei ao seu lado. — a asseguro. Ela engole em seco, e consente.

—Quanto tempo tenho?- é a única coisa que pergunta.

_Uma hora. — respondo e ela se assusta. — Acho melhor começar a se arrumar. Já avisei suas criadas e elas já estão trazendo sua roupa.

—Vai ser algo grande? Porque não sei se você sabe, mas meu histórico com julgamentos não é dos melhores. — sorrio me lembrando de vê-la na condenação.

—Não se preocupe. Não será nada como aquilo. Haverá alguns nobres e é claro, a corte, mas você só terá que assinar um documento e depois todos poderemos ir embora e esquecer tudo o que aconteceu.

Anne e Mary chegaram pouco tempo depois e correndo contra o tempo, nos arrumamos e descemos para o salão. Era impressionante a rapidez com que os funcionários e minha mãe conseguiram transformar o salão, onde geralmente fazíamos nossas refeições, em uma sede de tribunal. Todos já estavam lá, conselheiros, guardas, famílias reais e amigos, e todos eles se entreolhavam se perguntando por que diabos estavam ali. Bem, em pouco tempo tudo será esclarecido.

As câmeras focam em nós e nos perseguem enquanto atravessamos o tapete vermelho até o palanque, onde dois tronos se posicionam. America segura minha mão, claramente amedrontada. A aperto, tentando demonstrar que estou ao seu lado e que ela não deve temer, mas foi só ao ver nossa filha no colo de Maxon, que ela conseguiu se acalmar. Nos sentamos em nossos devidos assentos enquanto todos se curvam perante nós, em sinal de respeito. Ela me olha, tentando conter a risada, mas para assim que vê meu rosto sério.

—Não se preocupe. Já vai acabar. — sussurro em seu ouvido.

—Porque não pode ser mais privado?- me pergunta de volta.

_Não sei. Cultura talvez. — dou de ombros enquanto vejo guardas distribuindo fones para a plateia. Digamos que por ser um evento oficial, eu devo anunciar em nossa língua oficial, o que muitas das pessoas presentes não falam.

—Quando nos casarmos, podemos mudar algumas culturas? Eu não gosto disso.

_Nós vamos nos casar?- brinco e ela me responde com uma cara séria. — Faremos nossa própria cultura. De acordo?- ela assente com a cabeça.

_Desculpem interromper- um dos guardas aparece em nossa frente. — Mas gostaria de um, Alteza?- ele oferece o fone para America que pega feliz.

_Eu com certeza preciso aprender russo. — comenta.

—Eu com certeza acho que você não vai conseguir. — respondo.

_Tenho a vida inteira para tentar.

Pov America

Nicolau e Kira entraram pouco tempo depois e Alex se levantou, saudou a todos e começou a dizer coisas totalmente sem sentidos para mim, mas o pequeno aparelho em meu ouvido fez mágicas. Eu nem sabia que aquilo poderia existir. E não acho que fui a única. Todos pareciam mais interessados em descobrir como aquilo funcionava do que com o discurso em si. Já tinha perdido a noção do tempo quando ouço meu nome ser chamado.

Me levanto, mesmo sem saber o que fazer. Olho ao redor e vejo a mesa na lateral do palanque, olho para Alex e ele consente. Caminho até lá ainda sem saber o que fazer. Não é como se eu fosse capaz de condenar alguém a morte, mas não é como se eu não pensasse em tudo de ruim que ela já fez por todo mundo e o quanto ela merece ir embora.

Nicolau ao meu lado entrega a caneta e começo a suar frio. O tempo passa, mas parece câmera lenta, não ouço o barulho, só o zumbido do meu ouvido me atrapalhando a pensar. Leio as palavras atentamente e as releio, mas é como se elas simplesmente não entrassem na minha mente. Me mexo desconfortável e inspiro fundo, com os olhos fechados, tentando esquecer de todos ao meu redor, da situação e de tudo, mas não consigo, só sinto todos os olhares me pressionando. Pressiono a ponta da caneta no papel e escrevo o que acredito ser certo. Em poucos segundos deixo a caneta cair na mesa e respiro aliviada. Ouço o silêncio e caminho novamente até o palanque segurando o pergaminho, onde Alex me espera com expectativa. O entrego o documento e ele lê a mensagem atentamente.

_Eu sabia que você faria a escolha certa. — sussurra para mim antes de se virar para a multidão.

— A réu, Natasha Melnikov, recebeu o perdão imperial, mas por consequência de seus atos, está oficialmente banida da Rússia. — o pequeno dispositivo em minha orelha diz em uma voz robótica completamente diferente da de Alex. Por um momento o silêncio se instalou, até que ouço uma voz se destacar na multidão, irreconhecível para mim.

— Да здравствует будущее Царицу! Vida longa à futura czarina!- em pouco tempo todas as vozes do salão se juntaram em coro. — Vida longa à futura czarina!

Notas finais
até a proximaa