Plane Crash

53 Capítulo Bônus Anastacia


Notas iniciais
vcs não vão se livrar de nós tão fácill kkkkkkkk boa leitura

Pov Anastacia

Sinto a suave brisa em minha perna não coberta pelos lençóis. Percebo a claridade vinda da parte de fora, pelo simples fato de que eu e meu marido a esquecemos aberta na noite anterior. Resmungo alguma coisa inaudível, que nem eu mesma consigo entender e viro meu rosto para o lado contrário, esperando fugir da luz e poder voltar para meus sonhos, nos tempos em que olhava no espelho e enxergava a vida repleta de maravilhas, antes de saber as crueldades de um mundo duro. Mas esse mesmo mundo selvagem, que não impede que o sol nasça antes do meio dia e persiste em me acordar, é o que vivo, e, portanto, devo seguir suas leis naturais e acordar quando sou chamada, mesmo que todos os músculos do meu corpo gritem me mandando fechar as cortinas e voltar a dormir.

_É hora de acordar minha imperatriz favorita. — ouço sua voz rouca em meu ouvido direito e seus lábios em minha bochecha, a barba rala roçando em minha pele.

—Então existem outras imperatrizes?- pergunto ainda sem acordar e, mesmo sem olhar, consigo pintar seu rosto sorridente e as covinhas no canto de sua boca em minha mente.

—Você realmente precisa acordar.

—Não!- resmungo. — Só mais um pouquinho. — abro meus olhos e encaro os seus olhos cor de caramelo, a poucos milímetros de distância. — Por favor. — faço biquinho e ergo a sobrancelha, com a grande esperança de que ele sinta pena de mim e resolva me deixar debaixo das cobertas.

_Tem uma festa para comparecer. Nós dois.

—Pelo menos um de nós é responsável o suficiente. — me deito com a barriga para cima, completamente desperta.

—Ser responsável pelo seu relacionamento com a cama é meu trabalho mais difícil. — bota a mão no coração, fingindo exaustão. — E o mais agradável, suponho. Acordar ao seu lado todos os dias é o melhor sonho que se tornou realidade. Dormir com a imensidão de seus olhos em mente me faz aguentar à noite solitária e acordar com os mesmo, me ajuda a superar as horas distantes de você.

Sorrio, corada, e o beijo. O xingo mentalmente. Estamos atrasados, mas para isso ele não se importa com o horário, enquanto me acordar do meu sono profundo é mais do que divertimento. Não que eu esteja reclamando, que melhor jeito de começar o dia do que esse? Poderíamos ter ficado assim pelo resto do dia, se não fosse pela batida na porta. Nos separamos rapidamente e puxo os lençóis para cima para me cobrir, mas ao ver o rostinho redondo e pálido de Dimitri entre o vão da porta, relaxo e abro o maior dos sorrisos.

_Benjamin teve outro pesadelo, mamãe. — diz em sua voz manhosa e fofa de criança. Não precisei dizer nada, ele empurrou a porta um pouco mais forte, com uma mão livre e adentra no quarto, o irmão mais novo segurando sua outra mão. Os dois correm desengonçadamente e pulam na cama alta, depois de diversas tentativas e da ajuda do pai.

_Parabéns mamãe!- os dois gritam em uníssono e se jogam em cima de mim. Não ligo para a dor, a felicidade em tê-los todos ali é maior do que qualquer outra coisa.

—Obrigada meus amores. — Abraço seus corpinhos pequenos e eles começam a reclamar, tentando se soltar de meus braços.

Dimitri é a cópia perfeita do pai quando pequeno, com apenas 5 anos, os cabelos lisos e loiros, a pele clara e os olhos castanhos o diferem completamente do irmão mais novo, Benjamin, de apenas 3 anos, que possui os meus olhos claros e o costumeiro cabelo cor de fogo, a marca da família. Me casei com Kile quando tinha vinte anos e logo em seguida Dimitri apareceu. Até hoje consigo me lembrar do dia, quando pela primeira vez soube que ele era mais do que meu melhor amigo, e a partir desse momento, nossa amizade de infância se tornou um amor para a vida inteira, um amor capaz de consumir todas as minhas energias, capaz de me fazer perder o fôlego toda vez que o vejo, capaz de me fazer esquecer do mundo quando estou com ele.

—Querem se arrumar com a mamãe e o papai?- pergunto sorrindo e eles assentem com a cabeça animados. Nos levantamos, preguiçosos, e começamos a nos arrumar. Tentamos pelo menos. O que deveria levar poucos minutos acabou levando horas. Meus filhos simplesmente não conseguiam parar quietos, nem ao menos para colocarem a calça, pelo contrário, pegavam nossas roupas e começavam a correr por entre o closet, gigante, fazendo com que o pai tivesse que ir atrás, e de um momento que parecia insignificante, se tornou uma memória. Uma lembrança para no futuro contar-lhes e mostrar o quão bagunceiros eram.

Todos já estavam na festa quando finalmente chegamos. Por ser manhã, as comemorações seriam no jardim, o meu lugar preferido do palácio, porque tal mãe tal filha. Uma banda toca debaixo de uma tenda ao fundo, enquanto famílias e amigos se alterna entre o espaço, conversando e degustando a culinária russa, que eu particularmente não sou muito fã. Ninguém parece notar nossa presença, por isso deixo que meus meninos se distanciem, correndo enquanto tropeçam sem seus ternos até seus amiguinhos, filhos de outros membros da corte aqui presentes. Me aproximo de meus irmãos, que, como sempre, se destacam na multidão pelo fato de nunca pararem de discutir.

—Está louco? Esse tempo todo no sol deve ter feito seu cérebro queimar, só pode!- Shalom acusa e caminho na direção dos dois, de braços cruzados.

—Se eu pego muito sol, você está precisando de um pouco. Desbotado.

—Ferrugem. — o mais velho não se deixa para trás,

_Fantasma!- Arthur continua. Ele sabe que Shalom odeia ser chamado assim só por ser albino.

_Cabeça de cenoura!

—Chega!- intercedo. — Vocês não conseguem ficar nem um minuto sem brigar?- suspiro cansada.

_É o amor, irmã. — os dois dão um meio abraço e me olham, como que para provar um ponto.

_Vocês não consegue nem ao menos ficar trinta segundos abraçados sem xingarem um ao outro.- os dois se entreolham e se viram para mim novamente.

_12, 11, 10, 9,8,7,6,5,4,3,2,1 e... trinta segundos! Olha quem estava errada. Como sempre, é claro. — os dois se soltam e bufo. Deixo com que continuem brigando e pego uma taça de champagne, parando para observar todo mundo.

Me perdi de Kile quando fui conversar com meus irmãos e o vejo ao lado da irmã mais nova, ambos imersos em suas conversas para notar o filho mais velho correndo por entre suas pernas, seguido por uma nobre amiga, Isabel. Os dois correm por entre pernas e mesas, deixando garçons apavorados, derrubando copos e qualquer coisa que encontrem pela frente. Até que tropeçam em meu pai, o rei de Illea, e param extasiados e amedrontados, mas Maxon simplesmente sorri e passa a mão por sua cabeça, genuinamente alegre, e os dois voltam a correr pela festa.

Já tentamos mostrar para os dois as redondezas dos jardins, mas em toda festa as coisas são iguais. Isso ainda vai dar em casamento, penso, relembrando meus momentos com Kile e admirando com o quanto os dois parecem conosco. Papai percebe que ainda o observo e caminha em minha direção.

_Bom dia, minha amada. Feliz Aniversário. — ele me abraça e termina de recitar texto de parabéns.

—Bom dia pai. — o saldo.

_Aquele ali- ele olha para Dimitri- pode parecer com o pai, mas é igualzinho você. — o olho sem compreender. — Lembro de quando tinha seis e foi nos visitar em Angeles, era meu aniversário e você fez questão de querer subir no palco. Você sempre gostou de aparecer- rio, pois é verdade. — Sua mãe não queria deixar, mas a convencia de que uma criança precisa aproveitar a vida, então deixei que subisse. Acho que nunca me arrependi tanto de algo na minha vida.

—Ai deus. O que eu fiz?

—Você derrubou o cantor, que caiu do palco e quebrou a costela e, depois, não sei como, rasgou o tambor da bateria. — ele inspira. — Com a sua cabeça. — gargalho e ele me acompanha.

_ Eu devo ter dado muito trabalho.

—Nada que não seja apreciado agora.

—Obrigada pai.

Não existem palavras para descrever Maxon, meu pai, e o quão importante ele se tornou para mim. Não sei nem dizer quanto tempo demorou para que meu coração já o considerasse como meu, quanto tempo levou para que meu amor por ele crescesse a ponta de se tornar insubstituível, só sei que foi rápido. No começo, nossa relação era de tio e sobrinha, eu sentia que poderia contar para ele tudo aquilo que não poderia dizer para Alex, mas logo percebi que as coisas não funcionavam assim.

Mesmo já sendo grande o suficiente, Maxon não poupava nas broncas e nos conselhos, não passava a mão na minha cabeça e ria das besteiras que fazia, como esperava que fosse acontecer. Foram tantas lições aprendidas, provavelmente seria uma princesa mimada se não fosse por ele. Mas isso teve consequências, principalmente para meu outro pai, que se sentiu desvalorizado. Ao perceber isso soube que poderia compartilhar coisas com Alex também, como por exemplo meu relacionamento com o Kile, no começo meu pai Maxon não aprovava, por me achar nova, por morarmos na mesma residência, mas depois de muitos argumentos do meu pai Alex, Maxon resolveu aceitar meu casamento.

Minha relação com cada um dos dois é diferente, e eu não seria quem sou se não fosse pela criação desses dois homens maravilhosos, que me deixam maluca. É difícil sabem a quem recorrer, é difícil se relacionar com um, mas sem esquecer o outro e é praticamente impossível não comparar. Nunca soube para quem ligar primeiro quando tenho uma novidade. Nunca sei para quem pedir conselhos e sugestões, sempre sinto que magoarei o outro. Apesar de que acabo ligando para os dois e um sempre pergunta o que o outro disse, no fim acabam concordando, como se fossem irmãos, como se completassem o pensamento.

O segredo ainda nos ronda. É como viver constantemente com um pé atrás. Tentei várias vezes convencer meus pais russos a contar a verdade enfim, não é como se as pessoas não desconfiassem. E apesar de meu avô Clarkson estar há muito falecido, eles ainda respondem que temem por mim, não sabem como o povo reagiria ao saber que a primogênita do trono não é de sangue e no fundo eles tem razão. Vejo Diana conversar com Maxon sempre que nos encontramos e, ao contrário de Alex e America que temem por mim, eu temo por ele. Não sei por quanto tempo ele vai aguentar isso. Sei que todos tem sua maneira de me proteger, e agradeço, independente de qual seja.

—Não precisa agradecer, é a verdade. Você é uma das poucas luzes em meu mundo na completa noite. — sorrio e o abraço, o que sempre faço quando ele me diz coisas do tipo.

—Que história vai contar hoje?- pergunto excitada e ele sorri. Como prometido dez anos atrás, ele, toda vez que nos encontramos, me conta uma lembrança de sua vida ao lado das pessoas que agora são minha família por escolha própria.

_Nós já terminamos a seleção?

—Sim!- o puxo e me sento em um dos bancos no jardim.

_E quando descobri que sua mãe estava viva?

_Por favor, essa!- ele começa a contar, em vívidos detalhes, como se tudo tivesse acabado de acontecer.

_Me desculpe perguntar, pai, mas o que aconteceu com Kriss?- vejo uma sombra se passar por seus olhos. Ele não sorri.

_Ela continua no hospital. Contratei os melhores médicos para trazê-la de volta, mas nada foi possível. A visito todos os anos, na esperança de que melhore, mas sempre saio decepcionado. Sua família até hoje não se recuperou do choque e os ajudo em tudo o que puder, afinal, já foram minha família um dia.

—Como pode continuar assim depois de tudo de ruim que ela fez?- pergunto verdadeiramente curiosa.

—Acho que essa é história para outro dia. — ele muda de assunto e sei que não devo insistir. -Agora vá falar com seu pai, ele está se sentindo sozinho. — sussurra para mim quando termina e sigo sua dica.

—Feliz Aniversário, meu amor!- Alex se levanta da mesa e o abraço, para depois me sentar na cadeira a sua frente.

—Porque está aqui sozinho?

—Só pensando em quanto tempo minha filha não vai nos visitar.

—Me desculpe, mas o senhor sabe que não me sobre muito tempo. Depois que...

—É...é. Eu sei. Gostaria que não fossemos uma família real às vezes, que a Rússia fosse perto da Itália, mas eu compreendo .- apoio minha cabeça em seu ombro.

_Eu também. Seria muito mais simples. — suspiro. — Mas prometo que, assim que os conselheiros se decidam sobre o novo projeto de lei, iremos para a ilha e ficaremos lá até que se cansem de nós.

—Eu adoraria isso. –Meus pais se mudaram para ilha, que até agora não possui um nome, assim que passaram o trono para mim. De acordo com os dois, precisavam de um tempo para descansar e respirar ar puro. Isso já faz quase cinco anos. Imagino que a nostalgia e as memórias lá sejam grandes demais para que eles pensem em algum dia sair de lá. Foi onde se conheceram, onde descobriram o amor, e a paisagem é arrebatadora, então consigo entender o motivo. Nós, seus filhos, os visitamos sempre que podemos. Estamos todos ocupados com nossos variados trabalhos e família, mas nos reunimos sempre que é possível.

—Tia Lucy e Tio Aspen não vieram?- pergunto decepcionada.

_Estão chegando meu amor. Tiveram uns problemas com os gêmeos, mas já estão a caminho. — me conforta e assinto.

Se eu um dia poderia imaginar minha mãe e tio Aspen juntos? Nunca. A condessa Lucy teve problemas para ter filhos. Por muitos anos acreditaram que ela fosse estéril, mas foi só consultar um médico na Suécia que o problema foi resolvido, meus pais fizeram questão de pagar o tratamento. Até a princesa Celeste teve uma filha! E admito que ela é a mãe mais engraçada e desengonçada que poderia existir. Somos grandes amigas apesar de Crystal ser noiva do meu irmão Arthur, o que é estranho ver meu irmão caçula já noivo, tem um grande coração, além de ser linda como a mãe.

_Gostaria de propor um brinde. — me viro de lado e vejo Maxon no palco, onde os músicos já não cantam mais. — a minha sobrinha predileta. — ele pisca para mim.

_O fogo que clareia e aquece todas as nossas vidas. — Alex, que havia se levantado, completa. Os dois se olham, um sorriso maroto por trás da boca enquanto bebem o champagne, um simples sorriso, com diversos significados e mais interpretações ainda, mas um único segredo.

Notas finais
Bemm, vamos lá, a foto são os filhos de Ames e Alex em breve o primeiro extra Cap Shalom