Plane Crash
21 Baile parte 2
Notas iniciais

Desespero é a melhor palavra para me descrever nesse momento. Não consigo parar de mexer as pernas, troco de posição a cada segundo, arrumo meu vestido a toda hora, mas nada parece fazer o tempo. Todos já estão dentro do salão e gostaria muito que houvesse uma porta dos fundos pela qual pudesse entrar, mas não existe, então só me resta ser o centro das atenções.
—América.- Alex me chama e paro de fazer o que estava fazendo- para de se mexer pelo amor de Deus.
_Não consigo.- reclamo. Ele respira fundo e se vira para mim.
_ Clarkson está lá dentro! Tudo pode acontecer!- me desespero e sinto minhas pernas tremerem. _Olhe para mim.- demanda e levanto meu olhar.- Eu te prometo que nada vai acontecer a você e nem a Anastastia. Ninguém pode fazer nada, aqui vocês são intocáveis, estão sob a proteção do Império Russo. Te prometo que se ele tentar fazer alguma coisa, eu pessoalmente o mando para o inferno. Tudo bem?- ele olha bem em meus olhos e relaxo um pouco. Assinto e ele me abraça.
—Alteza, estão prontos?- um guarda chega e nos separamos.
—Pode abrir essa porta.- Alex segura minha mão com força e me passa confiança de que tudo dará certo. Enlaço meu braço no seu quando vejo as portas se abrindo e a música alta me encher o ouvido.
_Sua Alteza Imperial Czarevitch Alexander Alexandrovich Romanov III- o homem anuncia e não fico orgulhosa do que faço em seguida. Gargalho. Rio desesperadamente, esqueço das milhares de pessoas ao meu redor, das etiquetas e tudo. Quem se chama Alexander Alexandrovitch?
—Ha ha, ria mesmo.- ele fecha a cara.
—Me desculpe.- tento controlar as risadas, mas elas saem instintivamente. Arrisco um olhar para o lado e vejo um sorriso escondido em seus lábios. O cutuco enquanto desfilamos entre a multidão e ele solta uma risada.
_Agora você sabe porque não gosto do meu nome.- ele comenta.
_Não é pra tanto! Até que é bonitinho.- faço uma careta.- Eu gosto.- lhe dou um beijo e ele sorri.
Atravessamos a multidão de reis e rainhas que abrem passagem para nós até a pista de dança. Olho para um lado e vejo Nicoletta ao lado de seus pais, ela me lança uma piscadela e sorrio. Ao chegarmos no centro da pista, a platéia se cala, a música cessa para dar ar a uma nova. Instintivamente começo a mexer meus pés, exatamente do jeito que Alex me ensinou. Fecho os olhos e me volto para as lembranças daquela ilha. Sinto o aroma de maresia, a areia fina tocar meus pés e fazer cócegas, ouço as ondas batendo contra as pedras e o chaqualhar das árvores.
—Nunca imaginei que fosse dizer isso, mas sinto falta da nossa caverna.- abro meu olhos e vejo os seus azuis intensos me encararem com compreensão. Ele me gira em torno de mim mesma e me deixa cair, para me pegar no último segundo.
—Podemos criar nossa caverna aonde quisermos, basta estarmos juntos.- se inclina para baixo e me beija, me segurando na cintura para não me deixar cair. Nos separamos e ele me levanta de volta, me girando novamente.- Eu te prometo, America Singer, que passaremos nossos últimos momentos onde tudo começou.- sussurra para mim na hora em que a música termina e o salão se explode em palmas.
Recupero o fôlego e analiso os convidados pela primeira vez.Tinha praticamente esquecido de todas as pessoas ao meu redor, de Maxon principalmente, até vê-lo me encarando, com aqueles grandes olhos marrons, carregados de tristeza e espanto. Abaixo os olhos, em uma mistura de tristeza e vergonha.
_Não se preocupe.- Alex me abraça por trás.- Você ganhou no término,- não entendo- porque todas as mulheres babam por mim e bem, Kriss não é nada.- rio e me viro para ele, ainda no centro da pista.
_Como consegue fazer piada nos piores momentos? Realmente estou curiosa.
—Como eu disse, elas babam.- então imita uma reverência e o puxo de volta para nossos lugares do lado de meus sogros.
—Larga de ser palhaço e vamos cumprimentar os convidados.
Perdi a conta de quantas bochechas beijei e quantos elogios recebi. Todos com quem conversava só sabiam dizer sobre como eu deveria ter ganhado a seleção, sobre o acidente e como eu estava viva. No começo achei legal responder todas as perguntas, mas me cansei rapidamente, seria mais fácil ter pego um microfone e ter explicado isso para todo mundo.
Evitei Maxon a todo custo, mas uma hora tive que ir até ele. Tentei manter Celeste e minha filha no campo de visão pela maior quantidade de tempo possível, mas se contando de Celeste, as duas sumiram em questão de segundos. Idiota eu, que de todas as pessoas possíveis, escolhi ela para cuidar de Nastia, mas impressionantemente, as duas estavam conversando com Amberly e Kriss.
—Você consegue fazer isso.- Alex aperta minha mão. Respiro fundo e marcho para meu maior pesadelo. A roda se abre quando percebem nossa presença. Um silêncio tenso se instala no lugar e não sei o que dizer para começar uma conversa, mas felizmente não precisei pensar muito, Amberly praticamente pulou em cima de mim.
—Ahh querida! Fico tão feliz que esteja viva!- ela me aperta e me larga depois de alguns minutos um tanto quanto constrangedores.
_Também senti saudades da senhora.- digo honesta. Realmente senti, durante o final da seleção, realmente me apaguei a ela e fiquei triste ao pensar que nunca mais a veria. Ela olha para Celeste ao nosso lado e alterna seu olhar entre eu, Nastia e Alex.
—Você...?- aponta entre nós e sorrio, entendendo o que ela quis dizer.
—Sim, ela é minha filha.- percebo Maxon se engasgando atrás da mãe e tendo inutilmente controlar seu nervosismo.- Que a propósito- me viro para Celeste- nunca mais ficará em seu colo.- pego minha filha em meus braços.- Você bebe e carrega um bebê? Realmente não sabe o que é bom senso, não?- pergunto já sabendo a resposta.
—Quem não tem bom senso é você querida, que resolveu se atrasar pra ficar de agarramento com o babão aqui atrás.- aponta para Alex que nem mesmo prestava atenção na conversa, mas levanta a cabeça na hora ao perceber que todos olham para ele.
—Eu não babo.- tenta se defender.
_V...você estar marravilhosa.- ela faz sua melhor imitação do sotaque de Alex, que fica vermelho na hora.
—Acho que já está na hora de ir, não concorda?- ele diz indiretamente e Celeste não se toca, até que Alex praticamente a empurra para longe dali, a deixando aos cuidados de um príncipe qualquer.
—Então... hum...- coço o pescoço em dúvida sobre o que falar.- fico feliz que tenham vindo. Olho para o rosto de cada um deles, e vejo a felicidade no rosto da rainha, a inveja e a raiva transparecem no rosto de Kriss, Clarkson ainda possui a boca meia aberta de choque e as bochechas vermelhas, provavelmente de ódio por me ver aqui. Maxon está indiferente, como se ainda estivesse entender o que está acontecendo, tentando capitular tudo o que aconteceu desde que nos vimos pela última vez e o que poderia ter acontecido para estar onde estou agora.
_Achei que estivesse morta.- Kriss abre a boca, direta.
_Eu estava.- seu rosto se contorce- pelo menos até uma semana atrás.
—Por um ano os dois ficaram presos em uma ilha deserta. Até serem resgatados semana passada. — Nicoletta se junta a festa e entra no meio da conversa, explicando o que eu não queria explicar. A boca de Amberly se abre de espanto. Ela coloca a mão nos lábios horrorizada.
—Mas... mas.. E sua filha?- é a única coisa que ela consegue dizer.
—Descobri que estava grávida alguns meses depois de termos caído.- remoo as memórias e faço o meu máximo para soar confiante de que o que vou contar é realmente verdadeiro.- Fiquei amedrontada, porque não sabia como Alex encararia isso, afinal ele é um príncipe e eu sou, eu. Mas depois de um ano sozinha com uma única pessoa, tentando desesperadamente sobreviver, você aprende mais sobre a pessoa do que ela mesma.
_Sabem o que aprendi naquela ilha?-Alex volta acompanhado da princesa francesa, Daphne eu acho. Maxon estreita os olhos e ameaça dizer alguma coisa, mas a fecha rapidamente. — Nunca façam um parto. Nunca. A pior cena que eu já vi na minha vida. — diz honesto e lhe dou um soquinho no abdômem.
_Alex? Fazendo um parto? Vocês devem estar confundindo as pessoas, porque o Alex que conheci não conseguia ver sangue sem passar mal.- Daphne pergunta assustada.
—Exatamente! Então podem imaginar quantas vezes desmaiei. — ele próprio se zoa. _Esperem!- Clarkson se pronuncia pela primeira. A Singer será a próxima imperatriz da Rússia?- pergunta perplexo.
_Sim Clarkson.- Alex diz frio.- Quando nós nos casarmos ela será a grã- duquesa e a futura Czarina.- seu peito se estufa e ele diz confiante, provavelmente tentando amedrontar Clarkson.
Me perdi de Alex algum tempo depois. As pessoas começaram a se juntar em nossa conversa e aos poucos consegui sair do círculo. Deixo Nastia com sua avó e procuro por Alex pelo salão. Até que sou convidada para dançar, e como uma sociável dama, aceito. E então não me deixam parar de dançar. Toda vez que consigo despistar algum homem e acredito finalmente poder achar o meu, outro aparece na minha frente. Alguns foram engraçados e interessantes, outro nem tanto e seu achava que era impossível encontrar um dançarino pior do que eu, estava completamente errada. Pela primeira vez senti a dor que foi para Alex me ensinar a dançar. Já estava morta e completamente desesperada por uma cadeira. Tinha a certeza de que já havia dançado com todos os homens do salão,menos Alex e Maxon, mas novamente eu estava errada.
—A senhorita me concederia a honra desta dança?-o homem na minha frente faz uma reverência e segura minha mão.- Sei que está cansada, mas só te peço dois minutos.- ele levanta a cabeça e vejo seu rosto pela primeira vez.
O reconheço de imediato, o príncipe de Nova Ásia. Seu traço é peculiar de um jeito estranhamente lindo. Suas feições asiáticas se destacam entre todos os outros. Ele toma minha mão e me conduz até a pista de dança.
_Vi a seleção do Príncipe Maxon.- ele quebra o silêncio e o xingo mentalmente por ter tocado no assunto, como todos os outros anteriormente.- Digo que foi a pior escolha que ele já fez. A senhorita mudaria muitas coisas em Illéa, inclusive o curso da guerra. — o olho espantada e ele sorri.- Para falar a verdade fiquei até um pouco feliz com isso. Não se é possível conhecer uma pessoa verdadeiramente através de câmeras, mas pretendia pedir sua mão em casamento. — se for possível minha boca se abre ainda mais.- Mas houve o acidente e meu amigo Alexander chegou mais rápido.- então, do mesmo jeito com que chegou, ele some da minha vida, me deixando plantada no meio da pista de dança.
Depois de passar o choque, me viro para trás para sair do meio da dança, mas Maxon entra no meu caminho novamente. Maxon e Kriss. Os dois dançam, apesar de Maxon não estar nada empolgado com o movimento e não tirar os olhos de mim. Mas antes que pudesse desviar o olhar, vejo seu braço de mover em direção de sua orelha, e com um delicado movimento, ele a mexe, indicando claramente suas intenções. Tenho vontade de recusar, se me virar e ir embora dali sem dar uma resposta, mas ao invés disso, levo minha mão até minha orelha e faço nosso sinal.
Ando pelos corredores sem pressa. Sei que Maxon está atrás de mim e que não chegará mais perto por claros motivos. Um medo me sobre a espinha, provavelmente foi uma ideia estúpida aceitar isso, mas agora que estou aqui, não há nada que eu possa fazer para provar o contrário. Abro as portas da biblioteca do palácio e o cheiro de livros e invade. Procuro pelas luzes e com dificuldade as acendo, para depois me sentar no banco mais próximo a espera de Maxon. Quando a silhueta do mesmo aparece na entrada, me levanto.
—O que quer, Maxon?
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