Plane Crash
25 A lareira
Notas iniciais

POV América
—Então? Não foi tão difícil assim, não é?- Alex se vira para mim enquanto esperamos pelo carro que nos levará de volta para o palácio.
_Isso depende de sua definição de fácil.- respondo e viro de costas para entrar no carro que acabou de chegar. Ele demora um tempo parado na calçada antes de entrar.
_Quê isso? Não foi tão ruim assim. Minha mãe nem fez nada para você copiar!- argumenta.
_Exatamente por isso. Sem ter o que fazer, só conseguia pensar em Clarkson e esse pesadelo todo. — me encosto no banco e fecho os olhos, exausta, apesar de ainda ser cedo, muito cedo.
_Olhe para mim. — encaro seus olhos sérios. — Você viu a quantidade de tanques e soldados armados? — assinto. – Aquilo não é nada América comparado ao nosso poder real, só são os soldados da Capital. Se Clarkson, Maxon ou qualquer um deles ousar fazer qualquer coisa com você ou com nossa filha, cada homem e máquina desse império te protegerá e seguirão até os confins do mundo para ter certeza de que está salva. Entendeu?- Segura minhas bochechas e me obriga olhá-lo. — Nunca mais se entristeça por isso. — ele beija minha testa e volta a se virar para frente.
_Realmente tem que ir nessa corrida de tiros ou sei lá?- me aconchego em seu colo.
—É uma caçada. — explica. — E sim, meu pai está obrigando a passar um tempo só com os homens.
—Não quero passar um tempo só com as garotas. — resmungo. — Quero ficar com você.
—Eu adoraria, mas infelizmente as coisas não são como queremos. Além do mais, Marlee, Celeste e Nicoletta estarão lá, tenho certeza que encontrarão um jeito de se entreter.
De fato encontramos um jeito de nos entreter, do jeito mais simples possível. Nos reunimos em um dos grandes salões e em um dos cantos, ao lado da lareira, espalhamos uma variedade de sofás e poltronas, onde todas as mulheres presentes poderiam se sentar e conversar sobre assuntos aleatórios. Não achei que gostariam tanto assim da ideia, mas até mesmo minhas irmãs resolveram comparecer. Já faz horas que estamos aqui, e nem sinal de nenhum dos garotos. Uma ideia absurda me vem em mente, de Maxon confundindo Alex com qualquer que for o animal que estão caçando e atirar nele. Balanço a cabeça negativamente, tentando tirar essa ideia da cabeça, porque se tem uma pessoa que facilmente atiraria na outra, essa seria Alex. Mas não por ser um assassino frio e calculista, mas pelo simples fato de que ele, desajeitado do jeito que é, se atolaria com a arma e de alguma forma apertaria o gatilho achando que fosse o botão do celular ou qualquer outra coisa sem noção.
—Onde estão esses garotos?- Marlee se pronuncia e a porta se abre do outro lado do salão. Alex aparece primeiro, e atrás dele diversos outros homens os seguem em nossa direção.
Os homens atravessam o salão e se acomodam nos espaços vazios dos sofás e até mesmo no chão.
_Onde está minha princesinha?-Alex me pergunta antes de se sentar.
_Ali.- aponto para o berço montado pelos guardas onde Nastia e Kile dormem profundamente. Carter o segue.
_Carter, será que seu filho poderia tirar as mãos da minha filha?- Alex pergunta impressionantemente ofendido e gargalhamos. Ele se senta ao meu lado, ainda bravinho.
_O que houve?- alguém pergunta.
_Esse bebê que tá dando em cima da minha filha. — cruza os braços e faz bico.
—Eles são bebês Alex! Dormem o dia inteiro. O que acha que vai acontecer?- Celeste tenta perguntar sem rir.
—Se ele for igual à mãe, eu o manteria longe das criadas. — Kriss se pronuncia e todos a olhamos, incrédulos. Marlee abaixa a cabeça e olha para as mãos. Ameaço levantar e dizer alguma coisa, mas Alex me faz sentar novamente e permanecer quieta.
—Quando todos vocês vão embora mesmo?-pergunto.
—Se dependesse de mim ficaria aqui pelo máximo de tempo possível. — Nicoletta confessa e a olho em dúvida. — Aqui não tem trabalho. — dá de ombros e a maioria concorda com ela.
—Você, America, é sortuda por não ter reuniões para ir ainda. — Daphne entra na conversa.
—Porque você não participa das reuniões America?- Maxon abre a boca pela primeira vez desde que se sentou ao lado de Kriss.
_Meus sogros acreditam que meu trabalho como mãe vem antes do trabalho como futura czarina. — dou de ombros- Não posso reclamar, passar meu tempo com Alex e Nastia é muito melhor do que qualquer trabalho como princesa. — ele levanta a sobrancelha, surpreso.
_Você deve estar muito feliz então. Em ter encontrado um marido que não a faça trabalhar. Kriss se pronuncia outra vez. Cerro o punho, mas Alex me envolve primeiro, me impedindo de mover qualquer músculo.
_Ela só está com ciúmes. — sussurra em meu ouvido. — Porque você é extremamente maravilhosa e ela nunca chegará aos seus pés. — ele me encara com seus grandes olhos e praticamente esqueço do que aconteceu.- Não se preocupe.- termina e me dá um selinho antes de voltar a olha para frente, onde Maxon nos olha furioso.
—Pelo menos ela não é a segunda opção de ninguém. — Celeste a corta enfurecida e contenho a risada.
_Acho que devíamos beber alguma coisa. — alguém diz percebendo o silêncio tenso que se instala e tenta mudar de assunto. Agradeço mentalmente. Chamamos uma criada e em pouco tempo funcionários atravessam o salão trazendo diversos tipos de bebidas alcoólicas. Um deles passa por mim e recuso educadamente.
_Poderia trazer um chocolate quente, por favor?- Alex pergunta para a criada mais perto.
_Não vai beber, America?- olho para quem perguntou e vejo a loira que conheci no dia da festa.
_ Não posso, ainda estou amamentando. — respondo e Alex olha para a garota com quem estava conversando.
—Natasha?! O que diabos está fazendo aqui?- Alex praticamente grita, chamando a atenção de todos no recinto. Natasha? Como a Natasha ex- namorada?
—Não posso visitar meu soldado preferido?- ela sorri cínica.
_C...como você ainda consegue entrar ai? Porque tenho certeza que já te proibi de passar pelas portas uma dúzia de vezes. — ela não responde. -Ahhh claro! Esqueci que você já dormiu com todos os guardas desse palácio, desse jeito não deve ser difícil mesmo conseguir.
—Eu sou filha do Primeiro-Ministro, Alexandrovich- o rosto de Alex se contorce.- Eu praticamente moro aqui. Ahhh claro!- imita o sotaque de Alex- Você estava preso em uma ilha se aproveitando de garotas indefesas enquanto tudo isso acontecia.
—Gostei dessa garota.- ouço Kriss sussurrar para si mesma. Não sei se fui a única a ouvir, mas se os outros também entenderam, fizeram o mesmo que eu e simplesmente ignoraram.
—Então suponho que eu terei que te aguentar até a próxima eleição certo?- ele faz uma pergunta retórica para si mesmo, mas ela não deixa de responder, completamente satisfeita com a situação.
—Definitivamente. Alex resmunga e xinga baixinho para depois se virar para mim.
—Sabe aquela coleção de insetos no quarto de Ivan?- pergunta diabólico e assinto sem compreender. — Bom, acho que já achei uma solução perfeita pra eles. — ri sozinho.
—E você Lin?- o garoto ao lado do Príncipe da Nova Ásia o cutuca, o fazendo falar pela primeira vez na noite.
_O que, Christoff?- sorri brincalhão.
_Porque tão tímido?- o pergunto- Você não parecia assim durante nossa dança. Você me disse algumas coisas bastante impressionantes. — o encaro e ele me lança um sorriso torto.
_É o que acontece quando seu amigo rouba sua futura noiva. Não é mesmo, Alexander?- Alex, que esteve distraído olhando para sua própria bebida, alterna seu olhar entre nós, tentando entender o que estava acontecendo. As pessoas nos olham também, tentando compreender sobre o que estamos falando, principalmente Maxon, que não consegue desgrudar os olhos das mãos de Alex em minha cintura.
_Eu não roubei ninguém! Ela veio até mim por livre espontânea vontade. — tenta se defender.
—Tecnicamente não. — todos me olham assustados. — Eu fui de livre e espontânea vontade, para o coqueiro atrás de você, porque estava morrendo de sede depois de quase morrer, então você me roubou. — respondo e eles riem.
_Por falar em coqueiros, eu amei seu colar, Ames. — Cel muda de assunto.
—O que isso tem a ver com coqueiros?- rio e ela fica brava.
_Vou cobrir America de jóias.- Alex se vira para mim com um sorriso apaixonado.
—Você sabe que não precisa e que não quero. — respondo seria.
_Mas EU quero. — teima. — EU posso e EU vou, porque você merece. — então me beija enquanto todos soltam gritinhos.
—Não quero acordar!-Alex resmunga ainda na cama.
_Ninguém mandou beber tanto ontem e ficar de ressaca.- rio e jogo um travesseiro em seu rosto. Ele me xinga baixinho e se levanta.
Depois de arrumar, descemos para o café da manhã, que estava acontecendo normalmente. Maxon não me olhava de jeito nenhum, Clarkson bajulava qualquer rei que ele pudesse encontrar no caminho, Celeste falava besteira ao lado de Nicoletta, que a acompanhava. Era uma refeição normal, até o guarda entrar pela porta correndo desesperado e tropeçando a cada passo.
Todos param de fazer exatamente o que estavam fazendo e observam enquanto o homem corre até o rei e diz algo para ele e para Alex, que está ao seu lado, para depois sair tropeçando pelo mesmo caminho em que veio. Tento prestar atenção na conversa, mas não consigo ouvir nada.
_Nicolau? O que aconteceu meu amigo?- perguntam na mesa e meu sogro se vira seu rosto cheio de nervosismo e preocupação.
_Um incidentes nas vilas ao norte. Uma geleira desabou, causando inundamentos, avalanches e nevascas, destruindo suas casas. — ele se levanta. — Preciso ir, me desculpe.
_Espera pai!- Alex se levanta também. — Me deixa ir. Por favor. — implora.
—Você não irá Alexander! Acabei de descobrir que meu filho está vivo e não posso correr o risco de outra avalanche te levar embora de mim.
—Mas eu posso ajudar! America pode discordar, mas sou o melhor piloto que esse país tem. Eu sou o príncipe deles! Tenho o direito de ajudá-los!
_Pode ajudá-los daqui. — termina a discussão e sai andando, mas Alex o para antes.
—Como? Comendo a comida que eles estão precisando? Dormindo em uma cama onde cabem cinco deles quando na verdade eles dormem no chão? Indo para reuniões que não irão ajudar em nada a situação? Lá, você pode me usar como golpe de propaganda “Príncipe parte para primeira missão depois de acidente"- ele visualiza- como o quiser! Só não consigo ficar parado vendo meu povo sofrer.
—Você parte hoje. — Nicolau responde frio e sai da sala. Alex suspira de felicidade e volta para a mesa.
POV Maxon
Confesso de que não estava com humor para caçadas. Depois de todo aquele show no desfile eu só queria me deitar e esquecer tudo o que aconteceu, mas esse pessoal não aguenta ficar parado. Eu sabia atirar, ou ao menos tinha uma boa mira, mas não estava com paciência, então simplesmente fiquei no final do grupo, observando enquanto todos matavam pequenos animais. O príncipe Alexander não parecia estar curtindo muito também o momento, o vi muitas vezes tendo problema com sua arma e até cheguei a me afastar um pouco, só por precaução.
Felizmente, ou infelizmente, ainda não decidi, nada aconteceu e voltamos são e salvos para o castelo, onde pela segunda vez acreditava que poderia deitar-me e usufruir de uma boa noite de sono, mas uma reunião em volta da lareira tinha que acontecer. Me assustei ai ver a intimidade de America, não só com o novo namorado, mas com todas as famílias reais presentes. O que eu e meu pai estivemos tentando fazer durante anos, ela conseguiu em apenas alguns dias e mesmo que o ciúme me bata a cada olhar que ela troca com outro homem, sei que não há nada que eu possa fazer para separar aqueles dois. Ou pelo menos eu achava. Agora que Alex partirá para o norte do país em uma missão militar, America estará sozinho no palácio e talvez, apenas talvez, eu possa explicar meus sentimentos, ela me ouça e me perdoa por tudo o que fiz contra nós, porque eu vou me resolver com ela, independente do que custe e de uma vez por todas.
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