Plaisir D’amour

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Apenas uma ideia que estava me atormentando depois do último episódio. Primeira fic, começando com um ship ~~polêmico~~ :P

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When you feel my heat, look into my eyes;

It's where my demons hide.

Não fora a sua recém-descoberta escuridão que a fazia se sentir mais próxima daquela mulher. Não, de jeito nenhum; sempre entendera Regina, era só o seu medo que a impedia de se aproximar. Afinal, Snow White é humana. Provou a si mesma que não era nenhum exemplo de perfeição, nenhum ser sagrado que não comete pecados. No momento em que sussurrara o nome de Cora na vela, no instante que vira a mulher caída nos braços da filha e sentira aqueles olhos castanhos tão quentes perfurando a sua alma, soube que tinha escolhido um caminho sem volta.

Mas então, novamente, era feita de carne, osso e pecados.

Rainhas pecam. Princesas também pecam.

E agora ela deixava essa estranha e velha afeição que sentia pela mulher que lhe ensinara o significado de amor verdadeiro brilhar nos seus olhos azuis esverdeados. Aproximava-se de Regina. Sem medo. Sem arrependimento. Sentia lá no fundo do seu coração que afeição seria um eufemismo para o que realmente estava sentindo.

Don't get too close,

It's dark inside.

Regina continuava com a sua mão repousada sobre o peito de Snow. Sentia as batidas daquele coração enegrecido. De certa maneira, estava feliz em saber que a mais pura alma que já conhecera tinha se rendido à sedutora mágica. Feliz em saber que podia desistir da cansativa batalha com Snow e consigo mesma. Não precisava mais lutar, aquela mulher estava se destruindo sozinha – era só uma questão de tempo. Também estava muito feliz em saber que aquela inocente garota tinha, finalmente, se rendido aos seus encantos. Via isso brilhando nos olhos de Branca. Um brilho tão forte que quase era refletido pelos olhos castanhos. Não era exatamente uma novidade para Regina. Nos tempos em que brincava de ser madrasta de Snow, foram inúmeras as vezes que pegara a menina encarando para os seus lábios, para o seu corpo, a espiando pelas brechas das portas. Só nunca acreditou que ela fosse capaz de esquecer seu amor verdadeiro para correr atrás da Rainha Má.

E se dissesse que nunca sentira vontade de experimentar aqueles lábios rubros como o sangue ou de acariciar aquela pele branca como a neve, estaria mentindo.

Mas como poderia?

I can't escape this now,

Unless you show me how

Snow não sabia mais o que estava fazendo quando levantou a mão e, com a ponta do dedo indicador, acariciou a cicatriz no lábio de Regina. Já tinham sofrido tanto, perdido tanto. Estava na hora de uma trégua. Tirou os olhos dos lábios brilhantes entreabertos para encarar os olhos mais bonitos e significativos que já encarara.

Melhor dizendo, sabia muito bem o que fazia. Só estava com medo de ser rejeitada.

Regina estava maravilhada demais imaginando como a mulher a sua frente devia estar se sentindo ao estar se rendendo a um sentimento tão antigo e tão, tão errado. Maravilhada demais para impedir Snow de tocá-la; Para se livrar do toque suave e gentil da mão da sua maior inimiga deslizando pela lateral do seu rosto. Fascinada por aquele lado da não mais tão pura e inocente Snow White.

Regina que quebrou a distância entre seus rostos, sentindo a respiração acelerada de Snow acariciando a sua pele; sentindo o cheiro tão conhecido de baunilha e rosas invadirem os seus pulmões, o coração sob a palma da sua mão bater ainda mais forte. Parou antes que a sua boca pudesse se encontrar com os lábios vermelhos. Tão tentador, tão... Errado. Olhou fundo nos olhos de Branca só para ter certeza, só para apreciar, mais uma vez, a inocência se esvaindo daquela mulher. Teria o maior prazer em ajudar, em retribuir o favor; Em acabar de arrancar a pureza de Snow exatamente como ela tinha feito consigo há tantos anos atrás. Mas, apesar de tudo, Regina estava pronta para se entregar a mulher que destruíra toda chance de amor que já teve na vida. Ah... As ironias do destino!

Branca nunca tinha visto aquele olhar antes. Nunca vira como a sua ex-madrasta era cheia de amor para dar, nunca a havia visto com a guarda tão baixa, tão entregue... Por um momento se perguntou se era assim com Daniel. Nunca deixara de se sentir culpada pelo que ocorrera, agora só se sentia culpada em dobro. E Regina estava bem ali, há pouquíssimos centímetros de distância para arrancar tudo de si.

Fora aceita?

And the saints we see

Are all made of gold.

Quando Snow fora, finalmente, corajosa o suficiente para colar seus lábios, Regina sentira tudo e nada. Perguntara-se, antes de sentir a boca da outra mulher movimentando-se gentilmente contra a sua, se era assim a paz. Fazia-se tanto tempo que não conseguia se lembrar.

A porta da mansão ainda estava aberta. Ali, na varanda daquela casa, as duas se beijavam para quem quisesse ver. Perdidas num mundo só delas, num novo mundo. Um mundo onde Regina não queria ver Snow morta, onde Branca não tinha um marido e uma filha, onde não tinham que ser inimigas, onde não queriam ser inimigas; Um mundo onde o tempo não existia, nunca existira. Onde Regina era apenas Regina e Snow era apenas Snow.

A mais velha retirou a mão há tanto tempo repousada no peito da moça alguns centímetros menor que ela, envolvendo seus braços no pescoço de Branca.

O beijo era calmo, quase tímido. As línguas se acariciavam sem pressa alguma, conhecendo uma a outra. Snow deslizara suas mãos até as costas da morena, a apertando contra si, acabando de vez com a distância entre os corpos.

Isso seria o mais próximo que Regina chegaria outra vez do amor. Um amor, apesar dos pesares, puro e sincero. Longe do suposto amor que uma mãe deveria sentir por uma filha, perigosamente perto de um amor de conto de fadas. Inconveniente em todas as circunstâncias.

Branca suspirara, passando sua mão esquerda gentilmente pelas lágrimas que escorriam pelo rosto delicado da ex-prefeita de Storybrooke. Regina estava entregue demais a si, percebera com um arrepio. Estava tendo a chance que sempre quis ter de cuidá-la, protegê-la e amá-la. E mais do que nunca esse desejo estava gritante dentro de si. Os papeis invertidos, havia muito mais em jogo do que ambas gostariam que estivesse. Um desejo latente que Snow não sabia como por em prática. Jogou Regina contra a pilastra mais próxima, intensificando aquele beijo, dominando a mulher que nunca era dominada. Como se pudesse arrancar todo o sofrimento dela através daquele lascivo beijo. Cuidando de Regina do seu próprio jeito.

Regina emanava calor. Um calor aconchegante, como achar uma fogueira num dia frio de inverno. Mas, como todo fogo, se você chegar perto demais, você se queima.

Don’t want to let you down, but I’m hell bound.

Foi tudo muito rápido. Numa batida de coração estava beijando Regina, sentindo o gosto doce e mentolado dos seus lábios, da sua língua; Outra batida e fora puxada para trás com tanta força que por um momento achou que fosse a mágica de Regina a jogando longe. Os olhos azuis esverdeados, mais azuis do que verdes agora, nunca deixaram os castanhos chocolate. Snow ouvia sim um burburinho no fundo da sua mente, mas o seu mundo ainda estava em câmera lenta e nele só existia a morena com o cabelo ligeiramente bagunçado, o batom borrado e os lábios entreabertos.

“Você foi longe demais agora, Regina.” A vida só acelerou outra vez quando ouviu a voz nada amigável do seu marido e o tapa estalado que Charming havia dado naquele rosto tão bonito. Queria, com todo o seu coração, protestar, defende-la. Mas por quê?

Não podia jogar o seu amor verdadeiro para janela porque sentia necessidade de proteger a Rainha Má, a mulher que inúmeras vezes tentara destruir a sua família. Não podia jogar tudo para o alto por causa de uma paixão estranha e destinada ao caos. Entregar-se de braços abertos à Regina. Não que não confiasse nela, mas a conhecia bem o suficiente para saber que a sede de sangue falava mais alto.

Escolher Regina seria escolher a morte.

Os olhos castanhos outrora tão quentes e receptivos, voltaram a se tornar gelados, sem nenhuma emoção além do desprezo. Branca havia entendido o recado.

Puxou seu marido pelo braço, o puxando varanda abaixo antes que a coisa ali ficasse realmente fervendo. Quando o casal deu as costas, Regina deixou a máscara cair por alguns segundos. Por um momento soube o que era amar novamente, por um momento acreditou que pudesse ser feliz. Quanta besteira!

Snow ainda se virou, quando passava pelo portão, para encarar Regina mais uma vez. Sentiu um calafrio na espinha ao encontrar com o mesmo olhar gélido de sempre. Abaixou a cabeça, saindo da mansão branca sabendo que voltara a ser a pura e inocente garota, culpada de vários crimes; E Regina voltara a ser a mulher que a odiava, a verdadeira vítima daquela confusa história.

No matter what we breed,

we still are made of greed.

Notas finais
Comecei a escrever essa fic achando tudo muito lindo, tudo muito bom e terminei exatamente assim:
http://icetothebrim.com/wp-content/uploads/2012/02/i-have-no-idea-what-im-doing.jpeg
*saindo discretamente*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!