Plague Inc
7 Capítulo 7
Assim que Zack e Linos deram o sinal, a porta abriu e todas as garotas entravam apontando lasers para todas as direções da igreja.
— Vazia – disse Linos soltando a porta e erguendo-se.
— Bom, então acho que vamos ter que nos separar outra vez – comandava Zack – Cada um irá investigar o que...
Mas parou de falar ao observar a namorada parar diante de si, caminhar lentamente em direção ao altar da capela e encarar a sua frente com curiosidade:
— O que foi agora, querida? – ele aproximou-se e questionou rindo.
— Tá ouvindo isso?
— Ouvindo o que? – ele perguntou curioso.
— Tem alguém chorando.
— Chorando? – Karin perguntou alto demais e aproximou-se do casal – Como assim?
— Xiiiu... – pediu Zack que apurou os ouvidos e então conseguiu ouvir um soluçar do outro lado da parede. – Ela tem razão!!! – ele alertou agitado o que fez todos os demais ficarem nervosos.
— E qual o problema de ter alguém chorando? – Karin questionou impaciente como se aquilo fosse perda de tempo.
— É simples – respondeu Linos já bem próximo e aborrecido pela ignorância da companheira – Zumbis não choram.
Então iniciou-se uma grande movimentação para se descobrir como atravessar a parede de pedra da igreja. Casey ergueu uma grande bandeira de camurça que estava pendurada na parede ao lado do altar e uma porta de madeira mofada revelou-se atrás da cortiça.
— Ei gente!
Apreensiva, ela girou a maçaneta e abriu a passagem sem dificuldades ao mesmo tempo em que os demais se aproximavam curiosos e irritados por ser algo bem óbvio. Um vulto passou na frente de Casey que se assustou e ergueu a arma:
— Quem está aqui?!
— Aaahh!!! – e alguém veio gritando em sua direção com uma tora de madeira e lhe acertou no braço, fazendo a loira cair de lado.
Zack, Karin e Linos logo entraram apontando as armas em direção ao sujeito:
— Não se mexa! – gritou o mais velho. O sujeito, que aliás, era uma garota de uns treze anos, soltou a tora e ergueu as mãos assustada. A garota estava suja, tinha os cabelos cor de mel desgrenhados, usava um uniforme de colegial indicando que pouco tempo atrás devia ter estado na escola e seu rosto imundo estava ainda mais sujo por causa das inúmeras lágrimas que derramara naquele lugar.
— Quem são vocês?! – ela perguntou apavorada.
— Calma, está tudo bem. Somos da polícia. – ele explicou de forma simples – Viemos te ajudar.
A menina então correu até o rapaz e o abraçou com força, voltando a chorar:
— Não quero mais ficar aqui! Não quero!
Todos se entreolharam de forma significativa. Linos ajudou Casey a se erguer e logo esta gemeu ao sentir a dor no braço direito:
— Me desculpa... – disse a garotinha.
— Está tudo bem. – ela sorriu – Mas este era meu braço bom.
— Certo então. Agora só precisamos dar o fora daqui rápido!
E tentaram. Mas assim que saíram da pequena sala, deram de cara com Serjan parado no centro da igreja de forma ameaçadora.
— Ora, ora... São mais rápidos do que imaginei. Então já conheceram a pequena Tifany. – e ao ouvir seu nome, a garota se escondeu ainda mais atrás de Zack.
— O que fez a ela?! – Chilly questionou irritada.
— Nada. Os únicos que estão fazendo alguma coisa são os inúmeros vírus que injetei no corpo dela. Esta, meus caros, é Tifany Manson, filha de Simon que, creio eu, é Chefe de vocês.
Todos se remexeram surpresos e desconfortáveis com a revelação. Nunca souberam que Simon tinha filha, e muito menos que tinha uma família.
— Espera aí... Simon sabe que ela está aqui?! – Casey perguntou começando a entender.
— Mas é claro! Por que acha que ele os mandou aqui? Não vão me dizer que realmente acreditaram que ele estava preocupado com a população daqui e queria salva-los? Hum. Estava errado: vocês são mais ingênuos do que imaginei.
— Então é por isso que a missão foi de forma tão inesperada! Por isso que ele mandou tanta gente! MELHOR!!! É por isso que ele está mudando tudo na SiSu! O capitão Nero tinha razão: ele está sendo chantageado por você!
— Achei que isso já fosse óbvio. Se vieram até aqui sem saber o real objetivo de vocês, então noto que Simon está realmente desesperado.
— E o que você quer com a garota?! – Zack perguntou mesmo a resposta sendo óbvia.
— É meu trunfo. Com ela, tenho Simon em mãos. Com Simon em mãos, tenho a SiSu sob controle. Com a Sisu sob controle, posso fazer o que quiser.
— Puta que pariu! Porra! Caralho! – e Linos começou a soltar todos os palavrões que vinha a sua cabeça. Lyllich olhava para todos de forma apreensiva, percebendo que já estavam sendo cercados e que seria o fim ali mesmo.
— Bem, o que eu tinha pra fazer a essa garota já fiz. O vírus que corre em suas veias neste momento já está avançando e nada poderá reverter isso. Nada a não ser o antivírus que somente EU possuo. Então se quiserem podem até levá-la de volta a Simon, mas ele nada poderá fazer; continuará preso a mim.
— Não se NÓS pudermos acabar com isso!!! – gritou Zack.
— Eu duvido muito! – e com um estalo de dedos, três homens vestidos de negro entraram pela porta apontando bestas na direção de todos.
— Agora!!! – gritou o rapaz e todos correram até as vidraças da igreja e se jogaram, partindo as janelas e caindo de forma desajeitada no chão coberto por folhas secas do jardim. Zack ajudou Tifany a se levantar e todos começaram a correr até uma ponte de madeira.
Os guardas caminhavam logo atrás, passos lentos e despreocupados. Um deles disparou uma flecha que passou perto da perna de Linos. Alcançaram a ponte e pensaram em recuar ao ver o quanto ela balançava de modo inseguro. Não tiveram escolha ao ouvir os gritos incompreensíveis dos guardas.
Escolheram a ponte. Atravessaram sua extensão ameaçadora e continuaram a correr até verificarem que os capangas haviam desaparecido.
— Acho que estamos seguros agora – disse Zack recuperando o fôlego.
— Não, não estamos. Com o vírus no corpo dela Serjan pode rastreá-la quando quiser. – Casey explicou – Sempre saberá onde estamos enquanto ela estiver conosco.
— Mas não vamos deixa-la, vamos?! – o rapaz perguntou achando que a namorada realmente cogitava essa possibilidade. Tifany olhou do garoto para a menina loira com medo do que ela iria responder.
— Claro que não! – e ambos se aliviaram – Vamos fazer muito pelo contrário: vamos até a base de Serjan buscar o antivírus!
E todos, absolutamente todos, ficaram ainda mais apavorados.
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— Bom, eu voto pra tirarmos a Casey do grupo – disse Linos – Ela tá doida e vai matar todos nós.
— Concordo – disse Zack e logo se calou ao notar o olhar da loira.
— Só estou dizendo que é nosso dever! Viemos aqui pra investigar o que acontecia e se possível, ajudar da forma como pudermos. E é isso que vamos fazer! Se não fizermos nada, Simon é que vai acabar arruinando a empresa inteira e logo a cidade inteira vai sofrer as consequências disto.
— Mas essa sua ideia é suicídio! – exclamou Linos – Entrar no covil do cara com um grupo de adolescentes amadores pra conseguir uma cura que nem sabemos se existe de verdade!
— É claro que ela existe!
— E como você pode ter certeza disso?!
— Porque Serjan deve usa-la em si mesmo.
Todos se calaram por um momento, mas logo o falatório voltou:
— Não Casey. Não dá.
— É?! Então me diz você que outro plano temos?!! Ahn?! Digam!!! Ora, vamos! Pra me criticar e dizer que estou maluca todo mundo apoia! Mas pra ajudar ninguém se habilita não é mesmo?!
Silencio novamente:
— Querem saber?! Se vocês vão discordar de mim, dizer que sou uma idiota e me dar as costas, pois façam! Eu irei sozinha até lá, vou encontrar essa cura, ajudar Simon e tudo vai voltar ao normal!
— Agora sim digo que você pirou! – disse Zack – Ir sozinha é pior ainda!
— Dane-se! Ao menos vou morrer sabendo que tentei!
E irritada, a loira deu as costas e começou a descer derrapando pela elevação de terra. Todos ficaram observando-a se afastar e todos se encararam sem saber o que cada um havia decidido.
— Hunf, mesmo que seja loucura eu vou ter que ir atrás dela... – disse Zack massageando o pescoço. – E vou levar Tifany comigo.
A garotinha abriu um largo sorriso:
— Quanto a nós... – começou Linos.
— Quanto a vocês – Zack o cortou – Vão voltar e buscar reforços. Contatem a SiSu, peçam ajuda e de preferência contem a Simon o que está rolando. Talvez ele decida nos ajudar.
— Ei, desde que você se juntou a nós fica dando ordens como se soubesse tudo – reclamou Chilly – Não vou seguir ordens suas! Eu não as seguia nem do Rick!
— Concordo – disse Karin e Lyllich riu – Vamos fazer do nosso jeito.
— É?! E o que vão fazer?!
— Buscar reforços – encerrou Linos.
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— Se eles pensam que sou louca e idiota, estão muito enganados! É sempre assim! Pra me criticar, me chamar disso e daquilo todo mundo ajuda! Agora ninguém aparece quando a gente quer ajuda de verdade! Bando de idiotas! Odeio todos! Odeio ainda mais o Zack por preferir concordar com eles a vir comigo! Aquele imbecil! Aposto que se apaixonou pela garotinha! Prefere ela do que eu! Mas quando eu curá-la e Simon me agradecer, todos vão desejar terem concordado comigo!
E resmungando tudo que podia, Casey caminhava sob o sol quente por entre aquela floresta seca e deserta, pisando sobre folhas mortas e estalando-as enquanto quebravam.
— Casey! Casey!!! – ela ouviu chamarem-na. Virou-se e avistou Zack correndo com Tifany ao seu lado.
— Afe, idiotas! – e começou a andar apressada para não ter que falar com a dupla dinâmica.
— Casey!
— O que foi agora?!!! – ela gritou irritada.
— Vamos com você.
— Não, obrigada. Prefiro ir sozinha.
— Deixa de ser orgulhosa. Você não vai conseguir ir sozinha.
Casey se preparou para responder ao comentário, mas ao invés de continuar brigando teve uma ideia melhor:
— Certo então – e forçou um sorriso – Vamos.
Continuaram caminhando por entre a vegetação seca. Tifany fazia diversas perguntas a Zack que respondia como se fosse seu irmão mais velho e quanto mais caminhavam, mais irritada Casey ia ficando com os dois.
— Quietos!!! – disse de repente parando de caminhar e se abaixando.
— O que foi?
— Ali seu idiota!
Zack olhou irritado pra ela e então avistou o que a garota apontava: havia uma mansão antiga logo à frente. Vários guardas encapuzados como os da igreja guardavam a passagem.
— Deve ser aí – disse Casey.
— Então vamos!
— Não seu imbecil! Assim vão nos ver! Precisamos de um plano!
— E o que você sugere senhorita mais inteligente do que todos nós?!
E Casey pensou.
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Enquanto isso, o grupo formado por Chilly, Lyllich, Linos e Karin seguiam para o lado oposto, fazendo o caminho de retorno. Esperavam encontrar alguma equipe amiga para leva-los de volta a agência ou ao menos avisarem a SiSu de que a situação era pior do que haviam mensurado.
— Na minha humilde opinião – ironizou Linos – Não vamos encontrar ninguém aqui porque a SiSu não mandou mais ninguém pra cá. Então, acho que seria mais viável irmos com Zack e Casey para ajuda-los seja lá com o que for...
— Nem a pau! – protestou Karin – Eles estão indo a beira do suicídio com a escolha que fizeram. Não vou arriscar minha vida em uma causa sem ter certeza.
— Bom, é o que estamos fazendo agora.
— É, mas... Bem, temos mais chances de sairmos vivos se voltarmos.
— Acho que teríamos mais chances de sairmos vivos se estivéssemos todos juntos.
Karin sentiu uma veia latejar em sua testa. Chilly e Lyllich ficaram receosas de entrar na discussão, mas torciam pela mudança de ideia da companheira.
— Como eu te odeio Linos!
Imediatamente um dos comunicadores presentes chiou com desespero:
— Crr... Equipe Gama?! Aqui é da SiSu. Estamos nos comunicando para informar-lhes de que um time de busca está indo para essa área resgatar a todos. Repetindo: uma equipe de busca está indo até vocês. Estejam todos juntos na área 46, onde será o ponto de encontro.
— Isso! – comemorou a baixinha. Todos ficaram imensamente aliviados.
— O pedido foi feito por Nero e Rick, seus capitães. Ambos pediram para informar-lhes de que estão recuperados e partirão em conjunto com a equipe de busca. Aguardem nosso contato.
— Agora só precisamos ir atrás do Zack e da Casey pra avisá-los.
— Se ainda der tempo... – alertou Lyllich sem muitas intenções de causar pânico.
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— Bem, você fica aqui e não saia até que eu ou a Casey diga, ok? – o rapaz disse à garotinha enquanto trancava-a numa espécie de contêiner. Assim que fechou a lataria, Zack retirou a shotgun das costas e engatilhou-a.
Casey estava a cerca de dez metros adiante, caminhando lentamente e olhava fixamente para frente. Seus pés sentiam cada pisada sobre as pedras do jardim daquela mansão; cada passo era meio metro mais próximo do covil de inimigos.
— Ei, você! – gritou um dos guardas encapuzados. Casey fingiu não ouvir e continuou a caminhar. Apesar do medo que lhe crescia, manteve seu ritmo lento de caminhada, os olhos espiando de esguelha o homem que se aproximava com uma enorme besta em mãos. – Estou lhe chamando! Você!
E num rápido movimento, Zack lhe cortou a garganta com uma faca sem nem ao menos o sujeito dar conta do que acontecera. Seu corpo desfaleceu no chão em total silêncio ao mesmo tempo em que Casey soltava o ar que segurava.
— Você está bem? – Zack lhe questionou. Era de fato uma pergunta inútil, mas o rapaz queria mostrar que apesar de tudo ainda estava preocupado com a namorada. Casey limitou-se a concordar com a cabeça e tirou seu par de foices vermelhas das costas.
— Quantos são?
— Doze.
— Certo.
O casal se dividiu, indo cada um para um lado e aproximando-se de um grupo diferente de guardas. Casey abaixou-se na frente do primeiro e lhe cortou a barriga. Girou para desviar de um segundo que se aproximara e, parando atrás do sujeito, juntou as foices em uma só como se fosse uma adaga e deu um forte golpe na coluna do guarda. Abaixou-se rapidamente esgueirando-se de uma flechada e para retribuir o disparo, arremessou uma das foices direto na testa do inimigo.
Zack virou os braços na diagonal e usou o cano da shotgun para golpear o queixo de um guarda, logo usou o mesmo golpe contra um segundo que se aproximou pela sua esquerda, derrubou o primeiro que se erguia com um chute de frente e virou-se para o segundo lhe espatifando o peito com um tiro a queima roupa.
A garota tomava conta de uma pequena roda de quatro que lhe cercavam enquanto o namorado resolvia-se com um grupo de seis. A confusão acabou chamando a atenção dos que estavam no interior da propriedade. Logo diversas cabeças espiavam pelos vitrais do casarão enquanto mais uma remessa de seguranças saía da casa atrás da dupla.
Não demorou muito e Serjan foi alertado sobre a bagunça. Este, sem entender direito o recado que lhe fora dado, apareceu no terraço e observou a cena do alto. Viu cerca de vinte corpos vestidos de mantos negros caídos pelo chão enquanto um novo grupo enfrentava duas pessoas sem qualquer lógica.
— Devo tomar medidas máximas, senhor? – lhe questionou um criado. Serjan ergueu a mão no ar.
— Não. Irei resolver isso. – e pigarreou fortemente – Crianças, fico feliz com a visita, mas não creio ter sido da melhor forma possível – começou a dizer em voz alta e mesmo com a distância todos no térreo lhe ouviram. Zack e Casey pararam de lutar e o descuido tornou fácil para que o restante dos guardas lhes prendesse. – Por isso, gostaria de lhes convidar, como ordena o figurino, para que entrem e compartilhem comigo vossa companhia.
Os guardas olharam-se entre si sem entender a ideia de seu superior, mas soltaram os garotos. Estes se desvencilharam massageando pulsos e braços e, sem alternativa, entraram na mansão que tinha suas portas abertas, convidativas e totalmente pretensiosas; era uma ideia absurda, sim. Mas se tudo desse certo era possível que todos saíssem vivos dali.
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