Plague Inc

3 Capítulo 3


— CRACK! – Zack chutou uma porta de madeira e esta se partiu em pedaços. Os três entraram na casa apontando as armas para todos os lados, mas estava vazia.

— Hm... Sem querer ser chato Zack, mas... cara, se formos entrar de casa em casa, vamos demorar pra carai véio.

— Eu só estou procurando umas coisas...

— Num barraco velho? – riu Jason.

— É só que... – Zack parou a frase na metade ao avistar um estranho brilho dentro de um armário. Ele se aproximou com cuidado e abriu a porta semiaberta do pequeno armário de madeira – Ahá! – ele começou a rir comemorando e pegou uma caixinha vermelha de metal. Os outros dois se aproximaram curiosos.

— Que isso?

— Munição – respondeu Zack rindo.

— Ah, tá brincando que tem isso nessas casas! Isso quer dizer que vamos enfrentar zumbis que atiram?!

— Não cara, não é nada disso... É que os soldados que passaram por aqui antes da gente foram deixando munição e remédios no caminho, pra caso a gente precise.

— Que maneiro. Mas peraí... Os outros sabem disso?

— Eu espero que sim. – Zack ainda sorria achando graça de tudo. Ele chacoalhou a cabeça ainda rindo e então saiu da casa – Ai, ai... Simbora povo que eu tô doido pra enfiar a pexeira no apendicite de alguém! – e fez alguns golpes no ar para aquecer-se.

— Hu. Tá todo animado ae, mas aposto que quando esquentar a parada tu vai tá se cagando de medo.

— Que seja! Adoro sentir medo!

— Hu. Falou o bonzão.

Continuaram por cerca de dez minutos fazendo a mesma coisa: invadindo casas, pegando itens, munição e remédios. Também fizeram uma checagem geral do mapa e do local. Atravessaram todo o vilarejo que na verdade era uma fazenda (sim, encontraram galinhas, vacas e espantaram alguns morcegos) e chegaram novamente a uma floresta seca. O sol já se erguia no alto esquentando violentamente e obrigando os rapazes a tirar blusas e casacos para aliviar a temperatura.

— Ughaih!!! – cerca de quatro zumbis apareceram por entre as árvores, pegando o quarteto de surpresa. Alguns dos inimigos estavam armados de garfos de jardinagem, outros tinham bestas e um último carregava uma dinamite com o pavio queimando.

— Eita merda!

O sujeito arremessou a dinamite contra os três, mas Kurt conseguiu atirar a tempo e esta explodiu no ar. Houve uma grande pressão após a explosão, obrigando os rapazes a se abaixarem. O ex-dono da dinamite foi atingido pela pequena explosão e morreu. Os demais infectados pareceram meio atordoados com o golpe e foram facilmente dizimados com poucos tiros.

— Acho que estamos pegando a prática – comentou Arthur recarregando seu rifle.

— Ah cara... – reclamou Zack.

— Que foi? Tá ferido?!

— Não... Mas tem um baita buraco na minha jaqueta – ele puxou a jaqueta marrom para o lado, para ver melhor e notou que pelo menos sua jeans estava bem.

— Afe... Que medíocre! – irritou-se Jason. Mas ele e Kurt também começaram a analisar os próprios uniformes para conferir se estavam intactos.

— Que viadice isso – riu Zack. Jason ofendeu-se.

— Ah, você que parece viado com essa roupa cheia de mequetreques!

— Hu, e você acha que com essa camiseta colada vai parecer mais forte!

Kurt deu risada.

— Não ri não, menino do moletom amarelo!

— Ah, qual o problema da minha blusa?

— Nenhum! Se você não levar em conta que dá pra te ver há dois quilômetros de distância!

— Tá, tá! Chega vocês três! – interrompeu Arthur – Vamos continuar a missão!

Logo depois de atravessar uma extensa faixa de árvores secas e vários centímetros de folhas cobrindo seus pés, chegaram a um casarão antigo que obviamente parecia abandonado. Um ponto roxo piscava no mapa eletrônico indicando que algo estranho havia naquele lugar.

Adentraram a porta que estava em pedaços e checaram rapidamente se havia algum inimigo. Tudo estava em quase total silêncio, só ouviam-se os ruídos da madeira velha sendo pisada.

— Parece que o resto tá vazio – comentou Jason.

— Kurt, você espera aqui e Jason também – alertou Arthur – Zack e eu vamos checar lá em cima.

— Tá.

Os dois subiram a escadaria, seguindo o ponto roxo do mapa eletrônico e entraram em um quarto. Vazio também.

— Não acho que tenha mesmo alguma coisa aqui, cara. – soltou Zack – Vamos embora.

— Tá – mas antes de saírem, Arthur decidiu abrir o guarda-roupa. E não deu outra.

— BUM!

Uma garota negra de calça jeans, botas e regata lilás caiu rolando no chão, com a boca presa por um pano.

— Ana! – Arthur tirou sua faca e cortou as cordas. A menina se soltou e desamarrou o pano.

— Mas que porra! Aquele desgraçado do Serjan me prendeu aqui! Minha tropa continuou sozinha e duvido que algum deles esteja vivo há essas horas! Mas que merda! Vocês só chegaram agora!

— De nada! – disse Zack sarcasticamente – Faz quanto tempo que vocês foram pegos?

— Sei lá meu! Umas doze horas ou mais!

— E você está presa aí todo esse tempo?

— Uhum! – Ana fez uma careta de “pois é” totalmente zangada e começou a andar de um lado para o outro, mexendo os braços e estalando o pescoço.

— Serjan... – disse Zack, esperando uma resposta.

— Sim, que, que tem?

— Quem é?

— Ah, fala sério! Vocês não sabem quem é Serjan?! E que porra estão fazendo aqui?!

— Olha aqui garota – irritou-se Zack – Estamos seguindo as ordens de Gregory e ele não nos disse nada sobre isso. Viemos apenas limpar a vila.

— Gregory é um general de merda! Não merece a patente.

Zack a encarou um pouco surpreso: em toda a sua vida, nunca ouvira alguém falar de Gregory daquela maneira.

— Ok, vamos ter tempo pra por a fofoca em dia depois. – disse Arthur – Ana... – e os dois se abraçaram. A garota era antiga amiga do quarteto. Eram mais próximos quando Ana e Zack namoravam, mas após o fim do relacionamento, foram se vendo cada vez menos até ela ser transferida de esquadrão e sumir por uns tempos.

— Kurt? Jason? Tá tudo bem aí? – gritou Zack, não ouve resposta. Ele e Arthur se entreolharam apreensivos – Vamos descer.

Mas antes que pudessem sair do lugar, uma pessoa caiu de pé no meio do quarto: um velho alto, careca, com uma barba grisalha muito comprida e com um robe safira.

— Pra quê a pressa? – ele estava com Kurt desacordado em uma das mãos e Jason na outra. Jogou os rapazes para o lado como se fossem dois brinquedos e limpou as mãos enrugadas. Jason gemeu de dor e Zack sentiu-se aliviado pelo amigo ainda estar vivo.

— Serjan! – gritou Ana cerrando os dentes.

— Hu, vejo que escapou. Bom, nunca foi minha real intenção mantê-la para sempre aí. E vocês... Devem ser os novos subordinados de Gregory Goyle... Hu, hu... Carne nova...

Zack correu em sua direção e deu-lhe um chute de lado com toda a força. Mas Serjan segurou seu pé e o revirou no alto, fazendo o rapaz cair de bunda no chão.

— Tenha bons modos, meu jovem – disse Serjan com desdém – Bem, não vim aqui para perder tempo com vocês. Sabe... Eu realmente não desejo a morte de vocês. Com toda sinceridade quero que vivam até o final disso porque, bem, o filme tem que durar. Vejo vocês no final do espetáculo.

— Ora seu! – Ana correu pra cima dele, mas então começou a sentir tonturas e desmaiou. Arthur e Zack caíram ao seu lado.

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— Ah... Uh... – Ana acordou zonza. Estava caída no meio do quarto. Não sabia quanto tempo se passara desde que apagou, mas também não se importava com isso. Desceu a escadaria e encontrou Zack sentado a uma mesa, brincando de enterrar uma faca na madeira, puxar e enterrar de novo. – Dia difícil, não?

Zack parou com a faca a meio caminho e suspirou.

— Hunf, nem me fale.

— E a Casey? É esse o nome dela, né?

Zack virou-se para encará-la.

— Não sei... Ela partiu com o time dela pra outra região. Não tive como contatá-la.

— Pena, não? Que tem pra comer?

E Zack simplesmente apontou pra uma passagem na direita e voltou a brincar com sua faca. Ana entrou no cômodo e viu a cena mais cômica de sua vida: Jason e Kurt com aventais, tentando fritar ovos ou seja lá o que era aquilo.

— Bonjur madame moisele – disse Jason sorrindo.

— Que porra é essa?

— Isso minha cara, é o que se chama de “café da manhã”.

— Legal, né? – sorriu Kurt passando com uma travessa.

— Não tô acreditando nisso.

— Em cinco minutos tá pronto.

Ana voltou para onde Zack estava e o observou por um tempo. Aproximou-se dele e pôs a mão em seu braço.

— Ela está bem. Eu sei disso.

Zack olhou pra ela e fez que sim.

— Valeu – e ele se levantou, saindo de perto dela. Ana sentiu-se confusa. Zack saiu do casarão e respirou forte. Ele riu ao lembrar o quanto Casey era ciumenta e o quanto ficaria assustadora se visse Zack perto de uma ex. Arthur estava logo à frente, fumando pensativo e observando a paisagem. – Conseguiu contatar alguém?

Arthur se virou surpreso e então voltou a fumar:

— Não. – então jogou o cigarro no chão e passou a observá-lo queimar sobre as folhas secas. – E pelo que andei pensando comigo mesmo, acho que não vamos mais conseguir.

— O que você quer dizer com isso?

Arthur apenas sorriu de forma cansada para o companheiro, tocou seu ombro e entrou na casa, pronto para devorar o que quer que Jason e Kurt estivessem queimando na cozinha. Zack começou a sentir medo do que o amigo pudesse estar insinuando.

Após um desjejum bastante animado, o grupo sentia-se renovado e preparado para prosseguir com a missão.

— Então, vai dizer ou não quem é esse cara? – Zack quis saber aborrecido.

— Hunf... Ele é o responsável por tudo isso aqui. Meu time descobriu onde fica o laboratório dele. Faz anos que começou a desenvolver esse vírus junto com um grupo de iluministas maçônicos do século XX. Mas só ele sobreviveu pra continuar o projeto. Ele está tentando controlar o governo através desse terrorismo biológico pra enfim implantar uma nova ditadura que ele considera ser mais favorável a humanidade.

Cerca de cem metros depois do casarão, iniciava-se um emaranhado de pontes de madeira em cima de uma correnteza. Arthur parou um pouco para eliminar alguns alvos distantes e limpar mais ou menos o caminho. Ele comemorava e gritava a cada tiro, tirando sarro das diferentes mortes, e os demais davam risada.

— Não sei se a gente devia fazer tanto barulho – comentou Ana entortando a cara.

— Qualé! – riu Jason – Relaxa e sente a brisa.

— Não... Ana está certa... – disse Zack – Vejam.

E todos olharam para o local onde ele apontava: havia um helicóptero rondando a região e logo após as diversas pontes, um gigante portão feito de troncos de árvores estava sendo fechado por um grupo de zumbis “treinados”.

— Nunca pensei que eles pudessem ser tão inteligentes – Kurt comentou.

— Acredito que eles estejam sendo controlados pelo tal Serjan por algum comando de inteligência ou coisa do tipo. – calculou Zack – Isso quer dizer que são capazes de fazer qualquer coisa para nos atacar. Devemos dobrar a atenção daqui em diante.

— Desde quando ficou tão inteligente? – surpreendeu-se Ana.

— Tempo demais com a Casey.

E o líder do time começou a descer a primeira elevação daquele mar de morros.

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