Plague Inc

8 Capítulo 8


Zack e Casey estavam parados no hall de entrada da mansão, observando tudo ao redor. Estavam completamente sozinhos. Não havia guardas, infectados, Serjan ou qualquer outra ameaça aparente.

— Olá amigos. – ouviram a voz do velho numa espécie de alto-falante – Sejam bem-vindos a minha humilde residência. Se estão se perguntando como se dará essa visita, é simples: tentem chegar até mim. Estou no último andar, em meu escritório, esperando ansioso para ver rostinhos tão inocentes. Se chegarem aqui, responderei suas perguntas e lhes presentearei com o que quiserem. Apenas venham até mim.

Casey preparou as foices e girou-as entre os dedos. Zack recarregou a shotgun e engoliu um pouco de saliva. Ninguém queria dar o primeiro passo, mas Zack, como o cavalheiro que é, tomou a frente:

— Primeiro as damas. – ele disse.

Casey lhe olhou aborrecida e revirou os olhos. Ergueu a perna, sentindo que lhe pesava duzentos quilos e calmamente deu um passo a frente. Nada aconteceu nos primeiros segundos, mas logo o rangido de máquinas soou no hall e cerca de doze cabines se ergueram de buracos ao chão.

A garota recuou nervosa com a cena e Zack a puxou para perto de si. As cabines se abriram e deixaram escapar uma dúzia de infectados:

— Certo, pode ser que consigamos passar pelo level 1 – brincou Zack erguendo a arma enquanto a namorada erguia, trêmula, as duas lâminas na frente do próprio rosto.

A horda de zumbis saiu se arrastando em direção aos humanos. Zack já conseguiu acertar dois com apenas um tiro e Casey correu pra cima do terceiro. Com um salto cravou as duas pontas na cabeça do morto-vivo, derrubando-o no chão com os joelhos. Retirou as foices de seu crânio e ergueu-se do chão para avançar sobre o próximo.

O recruta da equipe Beta decidiu economizar a arma e sacou uma leve pistola do bolso, disparando nas cabeças de quantos alvos encontrava. Poucos minutos se passaram e todos estavam mortos de vez, caídos pelo tapete vermelho e caro do hall.

— Hum... Mesmo estando surpreso por terem chegado aqui – disse Serjan por entre os alto-falantes espalhados pela propriedade – Ainda sim tinha esperanças de que fossem um pouco menos inteligentes. Mas não vamos tirar conclusões precipitadas, não é mesmo? O primeiro andar aguarda vocês.

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O grupo Gama começou a ouvir roncos de motores e animaram-se por poderem pertencer a agência da SiSu. Chegaram numa base militar onde, de forma inexplicável, militares caminhavam armados enquanto zumbis se deslocavam em fileiras para diversas barracas.

— O que é isso?

Aproximaram-se da base e logo reconheceram Doryu, Zerek e Sairake sob comando da operação.

— Ei! Equipe Delta! – gritou Karin que conhecia os rapazes – Que sorte encontra-los aqui!

— Hôh pessoal! – riu Doryu – Estão vivos! Milagre hein...!

— Pois é... O que estão fazendo aqui?

— Ah, chamamos de “adestramento”. Eles estão sendo treinados para trabalharem sob nosso comando. Talvez consigamos usar alguns. Ainda é cedo pra dizer se o esquema funciona.

— Cara, bizarro... Mas ei? Será que dava pra vocês nos emprestarem um desses? – e ela apontou pra um veículo militar.

— Por quê? O que está havendo com vocês?

— Bem... Nós estamos bem, mas talvez Zack e Casey estejam com problemas.

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Logo a frente, uma escada se bifurcava para o andar superior. O casal também se dividiu e decidiu cada um subir por um lado. Não se precisou esperar muito, pois logo ao atingir o terceiro degrau, uma turma de infectados caiu – não se sabe de onde – sobre os degraus. Alguns tiveram o azar de cair sobre o corrimão e ter suas colunas quebradas.

Os que se mantiveram inteiros ergueram-se desajeitadamente para cumprimentar os visitantes. Zack manteve-se disparando contra as cabeças enquanto Casey terminava de cegar o fio de suas lâminas.

A dificuldade naquele espaço não era enfrentar os alvos, mas sim, se manter equilibrado naquele chão acidentado:

— Casey! – Zack gritou da outra escada – Eles não vão parar de aparecer! Precisamos subir de qualquer jeito!

— Entendi!

Com um empurrão de ombro, a garota derrubou um zumbi pela beirada e tentou subir um pouco mais. O rapaz conseguia derrubar mais inimigos e até jogar alguns para trás de si. Casey estava tendo mais dificuldades para abrir caminho.

— Anda Casey! Mais rápido!

— Estou tentando!!!

Ela prensou um infectado de lado e tentou subir, mas o de trás agarrou sua canela e Casey caiu sobre os degraus:

— Zack!!! – ela gritou – Zack!!!

Ao ver a cena, o rapaz mirou no zumbi de trás e após o quarto disparo conseguiu lhe acertar e fazer com que soltasse a perna da namorada. No entanto, outro inimigo ainda estava de pé e montou em cima da garota.

Casey tentava segurar sua cabeça para não ser mordida, mas a força do zumbi era absurda. Desesperado, Zack não conseguiu pensar em mais nada após constar que sua munição acabara. Subiu no corrimão, se preparou e com um forte impulso saltou para a outra escada. Conseguiu agarrar a beirada e se pendurar ali. Com um esforço se ergueu por cima da grade e logo que se pôs em pé tirou o zumbi de cima de Casey e o jogou para trás.

A menina estava assustada e suava nervosamente:

— Achei que não fosse conseguir... – ela gemeu tentando se recuperar. Zack abaixou-se ao seu lado e a abraçou.

— Vamos ficar bem. Falta pouco.

Ajudou-a se levantar e subiram o resto às pressas, pois novos zumbis se aproximavam.

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— Certo. Jones vai deixa-los na área 46 e depois terá que retornar. De lá vocês seguem.

— Beleza. Mas a SiSu avisou que vem buscar seu time também?

— O que?

— Ué, a área 46. Não é lá que a SiSu combinou de resgatar a gente?

Doryu riu confuso:

— Do que está falando? A área 46 é o local mais perigoso do planeta.

— O que? – foi a vez de Chilly perguntar.

— É, gatinha! É lá que fica o laboratório do Serjan.

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Assim que alcançaram o patamar superior, deram de cara com um corredor que se dividia entre esquerda e direita:

— E agora?

— Quer dividir?

— Nem a pau!

Zack riu e entrou no corredor:

— Cuidado!!! – gritou Casey e empurrou o namorado para baixo, a tempo de desvia-lo de um disparo. Ambos ergueram os olhos na direção do inimigo para notar a mais desastrosa visão: uma criatura cinza de corpo mole e desproporcional apontava sua mão na direção do casal enquanto seu braço se contorcia para formar uma espécie de estrela feita de seu próprio osso. Logo um novo disparo veio e a estranha criatura começou a caminhar cambaleante na direção do casal.

— Meu Deus...! O que é isso?!

— Não sei... E não quero descobrir! Vamos!

Decidiram seguir pelo lado oposto, rezando para terem mais sorte. Correram pelo corredor que parecia estar vazio, até revelar o contrário. Um quarteto de cães infectados rosnava para os “visitantes”, mostrando-lhes os convidativos dentes afiados. O casal permaneceu imóvel, acreditando que isso fosse evitar que os “peludos” avançassem. Mas como se a ordem fosse dada o grupo partiu latindo pra cima dos dois.

Zack pensou na velocidade da luz e ao avistar uma porta ao seu lado direito, abriu-a com um forte chute. Pegou Casey pela mão e entrou na sala com a garota, trancando a porta logo em seguida. Os cães começaram a arranhar a madeira da porta indicando que não representaria uma barreira por muito tempo.

Assim que o primeiro susto passou, a dupla finalmente notou que haviam entrado numa espécie de torre que se erguia para cima e para baixo por uma escada de madeira em espiral. Vários feixes de luz entravam por janelas ovaladas ao longo da torre. No topo, o som de um relógio gigante tilintava monotonamente.

O casal começou a subir a escada as pressas: mesmo que o topo fosse um caminho perigoso, o retorno já garantia essa função. Casey começou a parar de subir para então começar a sentir estranho pressentimento.

— Está tudo bem, Casey?

— Sim... é só que... – e então encarou o namorado que estava alguns degraus mais abaixo – Não quero subir.

Zack a encarou entre confuso e surpreso, e engoliu seco:

— Vai dar tudo certo. – ele disse e então subiu a escada até ficar no mesmo patamar que a garota. Segurou sua mão e colocou em seu rosto, a barba rala pinicando a mão delicada da namorada – Confie em mim porque vou fazer de tudo pra te proteger!

Casey sorriu e então deixou Zack subir na sua frente. Finalmente alcançaram o topo e uma forte luz ofuscou lhes a visão, acompanhado de um ruído de engrenagens:

— Mas... Que lugar é esse?

— É a torre de um relógio...

— O relógio que Serjan usa pra avisar os horários da igreja.

E foi só Zack mencionar o velho que este apareceu na torre, sorrindo-lhes de forma pacífica e desinteressada.

— Enfim chegaram... Ah, como é bom tê-los em minha casa...

O rapaz ergueu sua pistola dispensando cordialidades e engatilhou o revolver:

— Passa a cura, Serjan!!! E diga logo: o que você quer?!

— Hum... Direto ao ponto. Gosto disso. – e estalou os dedos. Um criado trouxe uma bandeja contendo uma seringa com um líquido cor de rosa – Pois aí está, já que faz tanta questão assim.

Zack apontou a arma para o sujeito e aos poucos foi aproximando-se: sabia que havia mais planos ali, mas que outra opção tinha? Assim que chegou a um boa distância e esticou o braço sobre a bandeja, o criado jogou a prata para o alto e com um chute no estômago de Zack, empurrou o rapaz contra a beirada da torre.

— Zack! – gritou Casey correndo para ajudar o namorado. Esta esticou os braços para retirar o criado de cima do rapaz, mas Serjan fez um rápido movimento e a loira sentiu um forte aperto em sua barriga.

— Casey!!! – o rapaz gritou. Ao encarar seu abdômen, a garota pode ver a faca enterrada em seu corpo, começando a manchar de vinho sua camiseta vermelha. O ar começou a faltar de seus pulmões e uma forte convulsão tomou conta de seu corpo fazendo-a tossir sangue. – Casey!!!

Zack desvencilhou-se do criado e preparava-se para correr até a menina, mas seu oponente agiu rápido e enterrou uma faca na mão do rapaz, prendendo-o de volta a grande da torre. Este urrou de dor e tremendo, retirou o objeto de sua pele. Voltou sua atenção para Casey, mas antes que voltasse a correr atrás dela, o criado deu um forte soco na lateral do rosto da menina, o que a fez desequilibrar-se e tombar sobre a grade.

Casey conseguiu segurar-se na madeira a tempo e assim permaneceu pendurada. Zack tentou novamente avançar para salva-la, mas Serjan o deteve com uma espécie de força telepata que prendeu os braços de Zack ao lado de seu corpo. O velho fez um sinal com a cabeça para o criado, e este pisou sobre os dedos de Casey.

Zack foi solto da prisão invisível e correu até a grade para segurar sua mão a tempo; mas não conseguiu. Casey começou a cair ainda com a mão esticada para o namorado enquanto este gritava seu nome. A menina ia cair sobre uma barra de ferro quando um vulto passou por seu corpo e ela sumiu inexplicavelmente.

— Casey?!!! Casey!!! – e Zack começou a procura-la com os olhos por entre as engrenagens do relógio.

— Acalme-se rapaz... Ela está bem. Meu criado a salvou a tempo.

— Pra onde a levou?!!!

— Acalme-se, já disse. Ela está num lugar bom. Pelo menos, num lugar melhor do que aqui, não acha?

Zack espumou de raiva e avançou pra cima do velho. Num milésimo de segundo apagou.

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