Piratas do Caribe e a Guardiã de Todos os Males
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Boa leitura!
Hoje o tempo estava meio nublado como sempre nessa época do ano, mas para mim nada ia atrapalhar esse dia. Hoje era o dia perfeito. Primeiro porque era o dia que finalmente meu pai completaria mais 10 anos servindo no mar com o Holandês Voador e viria para casa. O grande Capitão Will Turner, que eu só vi quando tinha 9 anos.
Segundo, era hoje que iria pedir a mulher da minha vida em casamento. Camille Avery é a moça mais linda e formosa que já conheci. Gentil, educada, doce e com um sorriso que faz meu coração se acelerar e minhas mãos suarem. Quando nos beijamos pela primeira vez um ano atrás confirmei meu amor e hoje iria fazer a pergunta. Ela seria minha.
_ Respire. – Minha mãe disse enquanto arrumava meu melhor casaco no corpo. – Tente não desmaiar quando ficar em frente a ela.
_ Não vou desmaiar, só estou um pouco nervoso. – murmuro sobre a expressão risonha dela. Era incrível como o sorriso não saia do rosto de minha mãe naquele dia, a cada dez anos. O dia que ela e meu pai se encontram. O amor dos dois sempre me inspirou a procurar alguém que eu pudesse amar da mesma maneira, e agora que achei, faria dela minha esposa.
_ Então boa sorte querido, e não se esqueça de que no por do sol vamos a praia encontrar seu pai. – ela diz sorrindo e abrindo a porta para mim. Eu lhe dou um beijo na bochecha e saio pelo caminho de terra até a pequena cidade de Stomegell, a vila que nasceu do nada no porto, construída por marinheiros e até mesmos piratas. Piratas como meu pai, e como minha mãe já foi.
Apertei a caixinha do anel no meu bolso e sorri para a Sra. Moods que estava varrendo a porta da frente do bordel. Nunca fui de frequentar aquele lugar, mas isso não me impediu de fazer amizade com a dona que me conheci desde moleque. Na praça central a pequena feira estava se desmontando por causa do horário tardio, me desviei da barraca de artesanato e entrei nos becos que davam para o porto. A casa de Camille ficava no fim da vila, de frente para o mar, mar esse que tinha a mesma cor dos olhos de minha amada. Minha espada batia levemnete na minha perna presa no cinto. Aquela espada havia sido feita pelo meu próprio pai, e a ganhei na sua ultima visita, por isso sempre andava com ela, como um símbolo de sorte, e sorte era o que mais precisaria hoje.
Os becos daquela parte da vila eram escuros e meio úmidos, com intenso cheiro de maresia e peixe, vem ou outra um gato passava correndo atras de ratos ou um cachorro derrubava uma lata de lixo a procura de comida. Mas assim que cheguei no meio do beco não foi um gato ou um cachorro que veio em minha direção correndo e trombando comigo, e sim uma garota.
A única coisa que reparei é que seu cabelo era escuro que suas roupas estavam um trapo, ela me olhou assustada por alguns segundos e então se levantou de cima de mim em um salto.
_ Não olha por onde anda garota? – indago me levantando e olhando o estrago em meu casaco que agora estava todo sujo.
_ Você podia ter me visto correndo e desviado. – ela retruca dando de ombros e se afastando mancando, seu rosto fez uma careta de dor.
_ Então a culpa é minha? – dou uma risada de incredulidade, mas a garota me ignora olhando para os lados nervosa. – Ei, garota! Qual seu problema?
_ Se fosse só um eu estaria muito feliz. – diz entre dentes. – Eu tenho que ir embora daqui antes que... – um barulho agudo de uma espécie de corneta cortou a frase dela no meio. A garota estremeceu ao ouvir aquilo e deu alguns passos mancos para trás com os olhos arregalados. – Ah não...
_ O que foi isso? – pergunto confuso.
_ Vá embora. – ela diz agitada me empurrando, mas continuo no mesmo lugar. – Vá embora daqui garoto!
_ O que? Porque? O que está acontecendo? – encaro sua expressão nervosa sem entender nada e ela bufa abrindo a boca para responder, mas somente fica boquiaberta olhando para trás de mim.
No fim do beco vinha um homem alto e corpulento que facilmente daria uns cinco de mim... ou mais. Conforme ele se aproximava eu reparava que sua pele era escura, seus músculos eram extremamente fortes e assustadores, sua postura meio curvada e seu rosto estranho, um olho maior que o outro, nariz achatado e orelhas deformadas. Usava apenas calça e um cinto com uma arma e uma espada. Aquele cara poderia facilmente ser um troll das histórias infantis. Um troll pirata.
_ Ora, ora, ora... – outro cara surgiu, literalmente, pulando de algum lugar acima de nós. Este era magrelo, porém alto, e segurava uma espada curva em cada mão. Seu olhar era meio psicótico e seu sorriso doentio. – Até que enfim encurralamos a ratinha!
_ Encurralar significa deixar alguém sem saída Ripper. – a garota diz ao meu lado adquirindo uma postura rígida. – Nada me impede de correr pelo outro lado do beco!
_ Minha espada te impediria facilmente. – o magrelo, Ripper, diz girando a espada em ameaça.
_ Pare com essa conversinha. – o troll pirata grunhiu avançando alguns passos pesados. – Pegue logo ela!
_ Calma Otto... Primeiro vamos pegar o essencial. – Ripper diz andando lentamente até a garota, o nariz pontudo dele quase relou no rosto dela. – Onde está a caixa?
_ Eu poderia muito bem te dizer onde ela está, e se está onde você pensa que está mas não está. – a garota diz rapidamente fazendo um nó no meu cérebro e provavelmente confundindo os outros também, mas ela exibia um sorriso travesso e gesticulava avidamente. – Mas já que você quer saber onde está e não onde não está eu sou tenho uma coisa a dizer... Não está onde você pensa que está.
_ Sua... – o magrelo se afasta um passo dela e levanta a espada. – Vamos ver se desembucha com a cabeça separada do corpo! – ele exclama e vejo em câmera lenta sua espada descer na direção da menina. Meu braço se mexe por instinto e quando me dou conta minha espada intercepta a espada do Ripper produzindo um som agudo de metais se chocando.
_ Você é muito burro. – a menina diz olhando para Ripper. – Se eu estiver sem cabeça é claro que não vou falar nada!
_ Vejo que arranjou um amigo. – Ripper diz entre dentes se afastando de nós. A menina parece vacilar um pouco na postura confiante. – Otto... – o grandão olha para ele e solta um grunhido. – Esmague!
O troll, grandão, gigante, pirata vem em nossa direção com passos pesados.
_ Alguma ideia? – indago me afastando de ré.
_ CORRE! – a menina diz me puxando pela manga. Avançamos pelo beco ouvindo os gritos dos dois atras de nós. A praça já estava meio deserta naquela hora, o que facilitou nossa fuga. Pulei a fonte da praça e entrei em um dos becos ali que davam um bom atalho, olhei para trás e só encontrei a menina me seguindo de perto, então segui pela rua principal. _ Vem. – digo puxando-a para dentro do bordel. Algumas mulheres que estavam na porta soltaram gritinhos ao nos ver.
_ Turner, o que faz aqui? – uma loira perguntou se recuperando no susto e abrindo um sorriso.
_ Homens, piratas, nos seguindo. – solto ofegante. – Vocês poderiam...
_ Não se preocupe querido, não vamos deixar ninguém entrar. – outra moça, ruiva, falou indo para a porta. Acho que seu nome era Carmem. Outras duas mulheres nos puxaram para dentro do bordel e nos empurraram para dentro de uma sala.
O lugar estava vazio e era bem luxuoso, com moveis de mogno com detalhes em bronze, cortinas pesadas e uma enorme janela com vista para a rua. Eu me apoiei na parede perto da janela e tentei recuperar meu fôlego.
_ Malditos... – escuto a menina praguejar atras de mim. Ela também olhava pela janela um pouco mais escondida. No fim da rua os dois piratas surgiram correndo e pararam na porta do bordel, mas logo foram enxotados pelas mulheres. De que jeito elas fizeram isso eu não sei. – Para ser tão amigo delas vocÊ deve frequentar muito esse lugar. – ela murmura meio critica e eu me viro para encara-la.
_ Eu salvei você. – digo cruzando os braços e a observo melhor. Suas roupas pareciam ser antes um vestido, que agora estava rasgado até as coxas. Suas pernas foram cobertas por um calça, ela usava bostas altas, um cinto, um casaco surrado marrom e tinha uma bolsa a tiracolo.
_ Sim, é... – ela abaixou os olhos e previ que receberia agradecimentos. – Não devia ter feito isso.
_ O q... Eu salvei você! – exclamo indignado. – Não devia dizer um obrigado?
_ Talvez. – ela responde dando de ombros e eu suspiro impaciente. – Meu nome é Serena. – eu espero um sobrenome mas é só. Serena tinha cabelos escuros, olhos também escuros e feições bem delicadas. Seu rosto estava sujo, assim como o cabelo e as mãos. E seus olhos tinham um pouco de contorno preto.
_ William Turner. – digo de volta meio contrariado e ela me encara com a testa franzida. – O que foi?
_ Você é o capitão do Holandês Voador? – ela pergunta confusa de uma maneira bem inocente, o que me faz rir.
_ Não, esse é meu pai. – respondo sorrindo ao me lembrar do meu pai. Meu pai que... – MERDA!
_ O-o o que? – ela indaga assustada enquanto eu xingo mais uma vez chutando uma cadeira da sala. – William!
_ Meu pai chega hoje. – digo olhando para o céus escuro. – Ele já deve ter chegado... Eu prometi para minha mãe que ia esperar a chegada dele com ela.
_ Sinto muito se atrapalhei. – ela diz educadamente e eu me surpreendo.
_ Nossa, está sendo gentil e educada agora? – eu arqueio as sobrancelhas e ela bufa.
_ O que você fez mais cedo foi burrice sim, aqueles caras são encrenca, não devia ter se metido. Por isso eu fui ignorante. – ela explica cruzando os braços. – Mas pelo o que sei, seu pai vem só de dez em dez anos não é? – eu afirmo com a cabeça e ela dá um sacudida com os ombros. – Isso é algo realmente importante, e eu sinto muito mesmo de estr te privando a companhia do seu pai. Então, vamos sair daqui.
Eu aceno com a cabeça e saímos pelo corredor. Agora que estamos mais calmos eu consigo ouvir risadas, musica e gemidos pela casa. Na porta a Sra. Moods estava enxotando um bêbado e ela sorriu ao me ver.
_ Turner, as meninas me contaram o que houve... Se metendo em confusão como sempre hum? – eu suspiro e passo com Serena.
_ A confusão que sempre me acha Sra. Moods. – digo dando uma olhadela para Serena. A mulher ri e entra no bordel nos deixando na rua sozinhos.
_ Bom, é melhor você correr para casa e encontrar seu pai. – Serena diz ajeitando o casaco. – E obrigada... por tudo...
_ Não foi nada. – digo dando de ombros por educação e ela sorri se virando e encarando o resto da rua. Me viro na direção contraria e sigo pela rua por alguns segundos mas minha consciência não me deixa ir. Maldita seja ela.
Serena ainda está parada lá abraçando o próprio corpo, encolhida no muro do bordel.
_ Você tem para onde ir? – indago suspirando e ela me olha desconfiada. Ela decididamente não tinha esse direto. Eu devia estar desconfiado da garota que fugia de piratas estranhos mas ainda assim estava querendo ajudar.
_ Eu vou achar um lugar. – ela responde tentando parecer indiferente mas aquilo não me convenceu.
_ Você pode ficar lá em casa por essa noite. Meus pais não vão se importar. – digo tentando parecer seguro e confiável. Serena me olhou surpresa.
_ Está falando sério? – ela pergunta se aproximando de mim.
_ Sim. – eu espero ela ficar ao meu lado e me viro novamente. – Vamos.
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