Pinot Noir
1 Único
Notas iniciais
Nossa, eu tenho que dizer... Essa fic é a minha primeira MadaHina, e, pra ser sincera, eu gostei do resultado dela. Me esforcei bastante para que a personalidade deles se darem da forma como eu vejo na minha cabeça (e eu consegui, yeeeey!). Espero, então, que vocês gostem também!
Ah, mais uma coisa! Ela foi feita para um presente, em um evento do grupo "Curtidores da SasuHina/BR, OFFICIAL®" lá do face.
Sem mais delongas, a fic! Espero que gostem.
Na minha boca – e especificamente na minha, já que ninguém mais tinha uma relação tão perigosa quanto a nossa – o seu pau tinha gosto de finalmente. Foi depois de uma tarde na sua casa vazia, porque noites eram feitas pra descansar da sua vida atarefada, e, portanto, não tinham espaço pra mim, que nós transamos pela primeira vez. Eu queria poder dizer que não seria a única, mas agora, no momento em que me encontro, eu sei que é. Enquanto você tira um cochilo, que eu sei que vai ser rápido pois você tem quem encontrar a noite, eu me pego pensando em coisas que não são viáveis pra gente. Nunca foram. Madara, eu não posso mais transar com você porque eu te amo. Não posso mais porque meu êxtase pela carne não foi o suficiente para me fazer dormir em paz como você. Eu sinto culpa, e por isso não consigo fechar meus olhos. Sei que você vai me mandar mensagem amanhã como se nada tivesse acontecido, como se eu fosse apenas uma amiga. Eu não posso dizer que não sou.
Deitada sobre seu peito, seu suor tem um cheiro muito seu. Eu sei que não posso ficar aqui. Porque eu te amo, então preciso ir embora. Sou uma idiota, porque mesmo agora, levantando em passos suaves para não te acordar, eu não consigo parar de pensar que você vai me amar de volta. Sua manipulação inconsciente me faz ter vontade de chorar aos seus pés e pedir que me ame. Logo eu, que sou tão afeita a súplicas. Eu sempre quis ser o suficiente para você. Sempre quis que sua inteligência fosse menos importante do que seus sentimentos. Sentimentos, como você dizia, são fraqueza, e eu não posso deixar de concordar. Eu queria que você encarasse esse problema por mim, no entanto.
— Sua idiota.
Ao levantar de nossa cama improvisada, vislumbrei como você é lindo e realmente faz a droga do meu tipo. Eu passei tantos anos presa nas escolhas da minha família, nessa cidade do interior, com os mesmos amigos, com a mesma rotina, que, quando você chegou há oito meses, não me apeteceu a ideia.
«»
“Quem é ele?” – perguntei, sabendo que Sakura saberia, já que ela estava por dentro de todas.
“Uchiha Madara” – respondeu, abrindo um sorriso de canto. “Seu rosto não parece muito bom. O santo não bateu?”
Eu não podia negar que era previsível demais.
“É o costume. Os Uchihas não são muito simpáticos, por si só, mas ele... Não sei se me agrada a ideia de ter um vizinho como ele. Os olhos me assombram um pouco”.
Sakura riu levemente, apontando para a minha janela. Parado no meio da rua, com uma maleta na mão, o mais novo Uchiha da cidade me encarava, arqueando sutilmente uma sobrancelha e olhando – céus, como era possível que ele fizesse isso àquela distância – no fundo de meus olhos. Aquele vasto negro que eram seus olhos me fizeram corar e fechar as cortinas rapidamente. Coloquei a mão sobre o peito, respirando descompassadamente, até que me acalmasse.
“Ele me assustou”.
“Acho que ele está mais assustado. A stalker daqui é você”.
“Hã... e-eu? Sakura-chan...” – resmunguei.
“Relaxa, eu estou brincando”.
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Inspirando profundamente, e lidando com o fato que até um ato simples como esse me fazia pensar que eu estava com menos dignidade do que quando entrei, comecei a pensar se pra você tudo não tinha passado de um jogo. Aqui estamos nós, seis depois que nosso contato começou. Sentei novamente, subindo minha mão por seu abdômen ainda não desperto, fazendo pequenos desenhos. Há seis meses atrás eu não sabia que você iria me destruir. E me construir. E me destruir. E me construir... Era um looping infinito em que eu não tinha coragem para sair. Eu não posso negar que de vez em quando a situação parecia melodramática demais.
Senti uma lágrima escorrer. Meu Deus, como isso é patético. Isso é patético até para mim (e olha que eu não sou o tipo de pessoa que espera muito de si própria). Todos os meus amigos me avisaram, as pessoas conseguiam ver essa situação chegando e eu, mesmo assim, embalada pelas sensações que seu corpo me trazia, decidi ignorar todos os avisos e conselhos. Nosso primeiro contato foi em um jantar entre sócios, na sua casa, em que meu pai me obrigou a ir. Mesmo que estivesse bem vestida com aquele vestido longo de verão e por dentro de todas as conformidades daquela situação de trabalho, eu estava nervosa. Já tinha ido com papai em inúmeros jantares como esse, assim como já tinha ido a reuniões, almoços, jogos, viagens. Ainda assim... Eu nunca tinha ouvido o tom de sua voz, nem escutado seu provável sotaque ou sua forma de falar. Era um tanto constrangedor depois do dia da sua mudança e, por isso, eu fugia de você o máximo possível. Consegui, no caso, apenas por dois meses.
«»
Quando a grande porta de madeira se abriu, eu pensei que iria morrer sufocada ali mesmo. Não, você ainda não estava ali, mas ela... Sua esposa era linda. Meu Deus, como era linda! O corpo perfeitamente modelado a um vestido preto – justo e elegante –, os cabelos sedosos cortados perfeitamente na altura dos ombros, um sorriso discreto e maduro. Sei lá, ela parecia o tipo de pessoa que sabia o que pedir para tomar com licor num jantar de negócios. Ela era tudo o que eu não era, para dizer a verdade. Perto de sua esposa, eu era nada. Eu era, de fato, uma garota do interior e deveria me sentir lisonjeada pelo fato de que seus olhos pousaram em mim naquele dia por alguns segundos. Pelos deuses, como você devia me achar esquisita.
“Hinata!” – ouvi um chamado mais ávido e reconheci a voz de meu pai, sentado em uma roda de homens bem vestidos. Percebi que ali, sentada ao lado dele pensando na vida, eu parecia um enfeite empalhado.
“Sim, otou-san?”.
“Eu me dirigia à você, senhorita Hyuuga”.
Corri os olhos pela sala, encontrando te encontrando mais perto do que podia imaginar. Você havia chegado à recepção, então. Engoli em seco, levantando rapidamente e estendendo minha mão, esperando que aceitasse meu cumprimento. Aí você a segurou, sem tirar os olhos dos meus, e a beijou com cuidado.
“Você tem uma bela filha, Hiashi-san”.
“É um dos meus maiores orgulhos”.
“Me acompanharia até a adega, senhorita Hyuuga”.
Aquela mão estendida fez meu coração descompassar. O que você estava fazendo? Pensei por um instante que desejava alguns momentos a sós comigo, mas depois de refletir o quão ridículo aquilo parecia, sorri de canto, corando um pouco.
“É claro”.
A adega, para a minha incrível sorte, ficava ao final de um corredor espelhado, deixando evidente o quanto nós éramos diferentes. Você, Madara, como ousei chamar mentalmente, era incrivelmente mais alto, mais largo, tinha passos firmes e uma postura imponente. Eu, por outro lado, era apenas uma garota magricela, branca demais para parecer saudável, usando um vestido um tanto infantilizado comparado ao de sua mulher. Abracei meu corpo por um momento, andando mais devagar.
“Algum problema?” – perguntou, sem olhar para trás.
“N-nenhum”.
“Chegamos. Escolha um”.
Eu não era a maior conhecedora de vinhos, mas sabia que devia fazer algo de útil para deixar de parecer tão esquisita quanto você havia presenciado. Andei pela adega, passando a mão gentilmente pelas prateleiras de madeira rústica. Como num jogo de sorte, pousei minha mão pelo primeiro vinho que me chamou a atenção. Como uma sombra, você pousou atrás de mim, me deixando encurralada entre a prateleira, tornando dificultado o meu movimento de virar. Talvez fosse essa a intenção.
“Pinot Noir” – afirmou.
Eu conseguia sentir o seu calor nas minhas costas, e isso fez com que eu quisesse desmanchar.
“Não gosta?”
“Sim, eu gosto. Pegue ele para mim, por favor”.
Estendi minha mão e senti que você deu um passo para trás. Quando me virei, vi em sua mão um abridor e uma taça. Segurei a taça enquanto abria o vinho e, em seguida, despejava o líquido como um profissional.
“Eu costumo bebê-lo, no entanto, em momentos mais íntimos”.
Um passo para frente.
“E-entendi”.
“Vamos, experimente”.
Um gole.
“Eu gosto”.
Recolhendo com o dedão uma gota que havia restado em meus lábios, e levando-a aos lábios depois, você sabia que cada movimento tinha gosto de perdição. Eu me senti devorada pelo seu olhar, não deixando de levar em conta suas mãos, que agora estavam em meus ombros.
“Hyuuga”.
“S-sim?”
“Entende porque eu não posso levá-lo para cima, não é?”
“S-im...” – respondi, vendo seus lábios cada vez mais próximos.
“Mas ele já está aberto...” – nesse instante, seus lábios quase roçavam nos meus, numa espécie de beijo provocante e aflito. Eu concordei, não sabendo muito bem com o que estava concordando, de fato. As coisas se mostravam nebulosas para mim.
“Madara?” – era a voz dela. Meu deus! Eu estava prestes a... a...
«»
Ele já estava aberto, então eu sabia que teria que voltar lá. Não era nenhuma obrigação, de fato, mas você com certeza me faria voltar ali. Eu sentia as intenções no ar, não era uma idiota. Você foi tão rápido que, naquele dia... Quando sua esposa chegou à adega você já se encontrava andando para o corredor, com um vinho novo nas mãos. Eu me mantive descompassada por alguns instantes. Madara... Te olhar agora e lembrar de como tudo começou me dói tanto. Se eu fosse mais esperta, teria evitado que as coisas tivessem chegado a esse ponto. Madara, eu não posso mais transar com você porque eu te amo.
Deitei novamente em seu peito, deixando meu corpo em uma postura torta invejável aos contorcionistas. Senti seu braço me circundando, fazendo com que eu me aproximasse. Você estava vendo, nos seus sonhos, que quem estava ali não era a sua mulher magnífica?
— Sou eu, Madara. Eu, Hyuuga Hinata, uma garota aparentemente caipira de dezoito anos. Não sou sua mulher. Sou só... Eu.
— Hinata.
Me assustei um pouco e me afastei para que conseguisse olhar para seu rosto.
— Eu sei quem você é. Não seja tola.
— Então porque eu estou aqui?
— Achei que seria inteligente o suficiente para entender. Se não entendeu, saia da minha casa.
«»
“Não acho que nossa idade influencie tanto assim. Sabe? Meus amigos dizem... Sasuke-kun diz também, que é meio estranho. Desculpe. M-madara, me desculpe. Eu pareço uma adolescente contando isso para você”.
Eu falava de negócios, mas as minhas palavras, colocadas em outro contexto, soariam estranhas e desreguladas.
“Eu não me importo”.
“C-claro que se importa, seu maxilar está travado” – você me olhou com aquela face característica, como se eu não entendesse nada do que estava falando. Mas eu já tinha entendido algumas de suas barreiras. O maxilar travado seguido de uma sobrancelha arqueada e um sorriso cínico queriam dizer que estava incomodado.
“Acha que me conhece tanto assim?”
“Eu já te conheço o suficiente”.
Foi aí que você abriu mais o sorriso. Soou desafiador aos seus ouvidos, eu sei, mas não foi a minha intenção.
“Sabe o que temos nesse restaurante? Algo inacabado”.
Pinot Noir...
“S-sobre aquele dia. Eu peço desculpas. Uchiha-san...”.
“Madara”.
“Uchiha-san... Eu venho pelos negócios da empresa. Não quero confundir as coisas aqui” – comentei, me sentindo ridiculamente prepotente. “Acho que nós estamos levando as coisas para um lado pessoal demais. M-me desculpe... Eu não sei se posso lidar com isso”.
Era ridículo. Nós já tínhamos conversado antes por mensagens, já tínhamos almoçado inúmeras vezes depois daquele ocorrido na adega e, ainda assim, meses depois, o assunto voltava à tona e eu corava como se estivesse sendo colocada em brasa.
“Você não pode ou não quer lidar?” – perguntou, os olhos cintilando.
“Faz alguma diferença?”
“Eu pareço o tipo de homem que perderia tempo perguntando se não fizesse?”.
Balancei a cabeça, numa negativa.
“Então me responda”.
“E-eu não consigo”.
“Então você tem sorte, Hyuuga-san” – sorriu cinicamente, passando o polegar pelos lábios, me deixando mais tensa do que nunca e parecendo se divertir com isso. “Eu sou capaz de lidar com isso. E quero”.
«»
— Você disse que me quer... – sussurrei, vendo você sentar sobre os lençóis espalhados no chão da adega. – Mas isso não muda o fato de que é casado.
Passando a mão pelo meu ombro nu, percorrendo o caminho apalpado com a boca em seguida, você me fez lembrar o porquê de eu me sentir suja somente depois de termos nos envolvido sexualmente. Você era magnético. Nublava meus pensamentos o tempo todo, fazendo com que a razão que eu prezo tanto em ter se esvaia em apenas um segundo.
— Não, não muda.
— Então eu preciso que pare de me tocar – falei, apenas num sussurro, enquanto ele levava os lábios ao vale entre os meus seios.
— Sim, você precisa.
— Madara.
— Hn?
— Porque faz isso comigo? – perguntei de forma falhada, sendo levada para sentar sobre seu colo. Ele, por sua vez, parou os movimentos, olhando no fundo dos meus olhos, como no primeiro dia, pela janela.
— Porque eu te quero.
— N-não é o suficiente.
— Hinata – suspirou, beijando meu queixo em seguida. – Como é que você ainda não percebeu? Pense um pouco. Estou jogado com você no chão da minha adega, no final da tarde.
— Sua esposa...
Madara afirmou com a cabeça, me incentivando.
— Ela não está aqui.
— E não estará mais. Estamos nos separando...
Puta merda! Não, não, não...
— Céus, não faça essa cara, Hyuuga. Seja menos prepotente, não é por sua causa.
— Não é por isso... E-eu... Você... Esteve fingindo me manipular por todo esse tempo. Com os olhares sutis, com os nossos encontros mal resolvidos naquele restaurante, com as entrelinhas, com o fato de não deixar nada explícito. Madara – falei, da forma mais séria e firme que consegui em toda a minha vida –, porque você fez isso?
— Não foi um fingimento... Eu te mostrei o pior de mim porque queria te dar a chance de ir embora.
Com o maxilar travado, a sobrancelha arqueada e o sorriso cínico, você disse aquelas palavras, que estavam escondidas desde que eu passei pela porta da sua casa.
— Eu não posso mais deixar de transar com você porque eu te amo.
Notas finais
Beijos, e até a próxima!
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