Pinocchio
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Como eu disse estou com vários novos projetos e esse de Taekook é um deles ♥
Em breve estarei postando os outros e também o ultimo capítulo da dual shot Markson :)
Também tem Neighbours que eu não abandonei, apenas estou revisando aos poucos e estarei voltando com ela, prometo
Enfim, sem mais delongas cá esta está one shot Taekook e espero de coração que gostem ♥
Boa leitura!!!
Taehyung estava perdido em seus pensamentos fazendo seu serviço como um mero faxineiro da sala de teatro do seu colégio, aquela mesmo, no segundo andar daquele prédio gigantesco. Ela ficava completamente visível graças aos esforços da turma espalhando slogans de divulgação por todo lugar. Desde pequeno, o ruivo sonhava em atuar, graças o fato de querer espelhar-se totalmente em seu pai, um ator aposentado, que já havia construído sua fama a muitos anos atrás no exterior. Apesar de todo o esforço, a limpeza era tudo que aquele pobre garoto havia conseguido até então, todo o seu esforço tinha sido em vão naquele dia do teste para ver se conseguia uma vaga na turma. De repente — ainda distraído com os fones colocados nas orelhas e com a vassoura nas mãos varrendo todos os ciscos de restos de alimentos — ele percebe alguém entrando eufórico na sala e ir direto para a mesa de vidro — que ficava localizada bem no centro — onde todos ensaiavam as falas antes de alguma peça ou teste de personagens. Era Jeon Jungkook, o garoto mais popular do colégio, e o melhor ator da turma de teatro. Os papéis principais sempre eram todos dele, e Taehyung estava naquela posição por sua causa, por julgá-lo insuficiente para atuar nos palcos.
— Jungkook? O que faz aqui? — pergunta em meio a sua inocência.
— É senhor Jeon, pra você! — diz em tom alto olhando com uma expressão completamente fria. — Não me atrapalhe, preciso estudar essas falas antes do grande teste amanhã. Apesar de que o papel do protagonista já é todo meu, disso não precisamos nem duvidar.
Nesse momento, dois amigos do moreno entram na sala, cortando a conversa que não fluía muito agradável, também se sentam na mesa junto ao colega. Um deles era Park Bogum, um amigo de infância dele e a pessoa em quem ele mais confiava. O outro garoto era um tanto atrapalhado — sempre ficava com os papeis de alívio cômico nas peças — se chamava Kim Ji Soo. Um grande espetáculo se aproximava e todos da turma de teatro do colégio queriam tentar conseguir um papel.
— Veio cedo treinar Jeon! — exclama Bogum. — O que você conversava com o esse pobre garoto? — pergunta em tom de sarcasmo.
— Na verdade eu ainda eu não sei, ele se assustou quando eu entrei, não entendi porra nenhuma. — explica.
Nesse momento Taehyung larga a vassoura, encostando ela no armário das fantasias e então aperta firme seus punhos, engolindo um seco, como se estivesse se preparando para falar algo que queria dizer a muito tempo.
— Eu... Eu... — o ruivo relutava em dizer. — Queria saber se também posso me inscrever para tentar algum papel na peça. — abaixa a cabeça implorando por mais uma chance.
— Se tá me zoando, não é? — ele ri alto. — Só pode ser brincadeira. Por que você acha que um trapo velho como você conseguiria se sair bem? Se coloque no seu lugar de uma vez! Já te disse no ano passado que o máximo que conseguiria aqui nessa sala era virar o nosso faxineiro.
— Era só o que me faltava. — murmura Bogum. — Um empregado querendo subir de cargo. — todos riem do garoto, que apenas abaixa sua cabeça e continua com o seu serviço.
— Vamos logo ensaiar essas falas meus amigos, não podemos nos distrair com bobagens tão absurdas como essa. — diz Jungkook.
Os três garotos sentados na mesa ficam treinando em voz alta durante várias horas naquela sala mediana, enquanto Taehyung os observa de longe, sonhando e se perguntando se um dia ele faria o mesmo.
De repente, as duas últimas alunas que faziam parte do clube chegam, e carregavam consigo três sacolas enormes com alguns figurinos dentro delas para usarem no teste que fariam.
— Voltamos! — diz Chae Soobin animada, a garota baixinha e de cabelos curtos e negros do grupo. — Aqui estão todos os figurinos que encontramos, mesmo assim podemos complementar com o que nós temos aqui na sala. — ela mostra os objetos que estavam em suas mãos para os garotos.
— Escolhi uma roupa ótima pra você Jungkook, tenho certeza que você vai ficar perfeito com ela. — continua Park Hwan Hee, ela era completamente caidinha pelo moreno, e sequer tentava esconder isso.
— Meu bem, eu já sou perfeito. — murmura curto e grosso. — Amanhã eu vou conseguir aquele papel principal e espero que finalmente desperte a atenção de algum olheiro¹ na plateia.
— Você é o melhor, cara! tenho certeza que vai conseguir chamar a atenção. — afirma Park Bogum.
Vendo todos ali ansiosos para dar o melhor de si, o ruivo percebe uma lágrima escorrendo de apenas um lado de seu rosto, sem conseguir controlá-la. Tudo que ele mais queria era estar com aqueles outros garotos, não como um funcionário da limpeza de uma sala de teatro, mas como um ator juvenil do colegial.
— Vamos fazer uma festinha aqui hoje a noite? — pergunta Hwan Hee. — eu trago as bebidas e as batatas apimentadas. — continua a morena.
— Eu posso trazer alguns frangos fritos da barraca do meu pai. — diz Bogum. — Meu velho não vai nem perceber se eu pegar algumas.
— Amo festinhas! — Ji Soo se anima. — Pode deixar que eu trago minha barriga vazia para encher com os aperitivos de vocês. — prossegue.
— Só vocês mesmos para quererem beber um dia antes do teste, não é galera? — Jungkook murmura enquanto se levanta da mesa e da umas batidinhas na sua calça escura para tirar a poeira. — Eu topo, caso contrário vocês dariam um jeito de me arrastar mesmo.
E é ouvindo aquela conversa — mesmo sabendo que era errado fazê-lo — que Taehyung toma uma decisão que poderia resolver todos os seus problemas, mas também poderia apenas piorá-los.
— X —
O colégio já havia fechado na hora que os amigos se reúnem em frente ao enorme portão cercado por grandes barras de ferro. Jungkook é o último a chegar e estava emanando confiança ao seu redor, com aquela jaqueta de couro escura que realçava seus cabelos castanhos e seus olhos da mesma cor que brilhavam conforme a luz do luar que batia em seu rosto.
— Trouxe a chave Jungkook? — questiona Hwan Hee.
— Mas é claro, acha que viria até aqui sem ter como entrar? — o garoto sabia que ela tinha uma queda por ele, mas não tinha interesse então preferia ser evasivo do que dar esperanças para a garota.
— Você tem é sorte! — diz Ji Soo. — O diretor tem tanta confiança em você que te deu até cópias da chave.
— Na verdade ele tem é medo. — interrompe Bogum. — A família de Jungkook tem tanto dinheiro que derrubaria essa escola em questão de segundos.
— Uau, você é um deus mesmo! — exclama em direção ao moreno.
— Chega de papo furado, vamos entrar logo senão eu vou congelar aqui fora. — murmura no fim.
Os garotos entram após Jeon Jungkook destrancar os portões com as chaves que tira do bolso de sua jaqueta. Eles estavam cheios de sacolas com várias cervejas e outras bebidas, fora alguns petiscos dentro, mesmo que em pouco tempo eles teriam que dar o melhor de si para entrarem na peça, naquele momento os garotos só queriam curtir e relaxar um pouco de toda a tensão. Todos estavam calmos, inclusive o moreno, que já tinha a absoluta certeza de que o papel principal seria seu.
Eles andam pelos enormes corredores do colégio — que ficavam um completo breu depois que o sol se punha — e sobem as escadas com vários degraus inclinados para cima, até que finalmente chegam na sala de teatro.
— Vou lavar as mãos. — diz Jungkook assim que entra primeiro.
— Ficaremos te esperando na mesa. — diz seu amigo de infância.
Os amigos fazem uma roda no centro da sala depois de afastarem alguns móveis para os cantos da sala. Eles viravam aquelas garrafas de uísque puro e as cervejas garganta abaixo como se fosse água e riam alto conforme ficavam mais fora de si depois que o efeito do álcool começa a fazer efeito.
De repente, Jungkook vê um vulto passando no corredor, graças a porta que estava entreaberta. Todos ali ficam assustados depois que o garoto conta o que viu.
— Ai meu deus é um fantasma! Eu não quero morrer. — dizia Soobin.
— Para com isso menina, você se olha no espelho todos os dias! Impossível ter medo de assombrações. — brinca Ji Soo.
— Ai Jeon, me proteja. Estou medo. — murmura Hwan Hee enquanto ia se esfregando no moreno, aproveitando da situação.
— Para com isso garota, desencosta que eu não sou ponto de ônibus para ficar se agarrando desse jeito. — fala o moreno. — Eu vou ver o que era aquilo, seus bandos de medrosos.
— Vou com você. — diz Bogum já se levantando e seguindo o rapaz.
Os dois vão nas pontas dos pés e abrem a porta por completo, fazendo-a ranger graças a madeira desgastada. Mesmo que não admitisse, Jungkook estava com o coração esmurrando sua caixa torácica, e queria logo saber o que era aquela sombra que havia visto.
E então, ele sai do meio da escuridão total que tomava o corredor. Taehyung era a tal figura desfigurada que o moreno tinha avistado.
— Garoto? O que acha que faz aqui? Como entrou? — pergunta, aliviado por não ser uma assombração.
— Eu só... Eu...
— Ai fala logo, parecer gago. — irrita-se.
— Segui vocês até aqui, ouvi a conversa mais cedo então sabia aonde viriam a noite. Eu entrei correndo antes que você virasse para fechar o portão da entrada. — o garoto entrega a verdade.
— Então aquele calafrio que senti lá fora era você passando do meu lado?
— Provavelmente... Sinto muito. — desculpa-se.
Os dois ficam se encarando por alguns minutos e ali o coração de Jeon Jungkook começa a disparar ainda mais do que estava a pouco tempo atrás, apenas ao olhar aqueles olhos profundos de Taehyung, mas o garoto não sabia o motivo daquilo.
— Mas o que você quer aqui com a gente, hein? — pergunta o moreno para disfarçar sua tensão.
O ruivo respira fundo, pegando bastante ar e soltando-o em seguida.
— Vim aqui para insistir que me deixe assinar a inscrição para o teste amanhã, senhor! — diz como se fosse um soldado e estivesse falando com seu superior.
Bogum e Jungkook começam a rir da cara do pobre jovem, que cora suas bochechas de vergonha com a reação deles.
— Meu caro, você só perdeu seu precioso tempo vindo aqui porque eu já te disse inúmeras vezes que é impossível alguém como você ser um ator. As pessoas nascem com o talento, e o único que você tem é o de limpar a sujeira que fazemos nessa porcaria de colégio.
Nesse momento, o moreno cospe na direção de Taehyung e acerta em seus sapatos. O ruivo mantem sua cabeça abaixada e a expressão abatida.
— Vai chorar neném? — pergunta em deboche o amigo de Jungkook.
— Vocês... Eu vou... — ele muda a expressão de repente e aperta seus punhos.
O garoto — agora enfurecido — vai em direção a sala de teatro batendo os pés forte no chão, todos ali se assustam com sua reação espontânea. Ele pega uma das garrafas de bebida espalhadas pelo chão e a joga garganta abaixo, o líquido vai se esvaindo pouco a pouco e os garotos ficam abismados com tudo aquilo.
— Ele vai morrer, tenho certeza. — dizia Ji Soo.
— Vai é ter uma overdose, isso sim! — reforçava uma das garotas.
E então ele joga a garrafa longe assim que termina de beber. O ruivo parecia um pouco atordoado e mal conseguia se manter ereto no lugar, cambaleava sem conseguir conter, até que de repente seus olhos são levados aos de Jungkook com uma expressão diferente das anteriores.
— Você! — ele aponta seu dedo para o moreno. — Seu mesquinho! Acha que é superior a todo mundo só por ter dinheiro? Acha que é o melhor ator do mundo? Pois pode tirar seu cavalinho da chuva sua barata fedorenta e asquerosa... O dinheiro acaba um dia seu moleque mimado e saiba que você é só um fedelho que decora as frases e fala em voz alta para o público... Um verdadeiro ator transforma seu texto em suas próprias emoções e assim consegue passar uma realidade maior para as pessoas que assistem... Então para de achar que você é o melhor Jeon Jungkook, porque deixa eu te jogar a real... Você não é! Seu bosta! — finalmente Taehyung consegue dizer tudo aquilo que estava engasgado dentro de si desde o ano anterior, naquele dia em que pediu ao moreno para fazer parte do grupo e ele recusou.
Jungkook olhava pasmo para ele enquanto o garoto proferia suas palavras que estavam guardadas dentro de si por muito tempo.
— Eu... Não sabia que se sentia assim Taehyung. — o moreno gaguejava. — Sinto... Muito. — todos olham abismados, ninguém nunca havia visto Jungkook pedir perdão a ninguém, o ruivo era o primeiro que conseguira colocar o ego do garoto para baixo.
Mas na mesma hora Kim Taehyung parece se assustar, como se fosse outra pessoa que tivesse tomado conta de seu corpo e suas palavras por alguns instantes. Ele encara todos na sala e volta a sua expressão deprimente de sempre. O garoto bota para fora toda a bebida que havia tomado tempos atrás, bem diante do moreno, atingindo em cheio a sua jaqueta preferida.
— Puta merda garoto! — exclama Bogum.
De repente tudo fica preto para Taehyung. A última coisa que ele vê é Jungkook ainda paralisado, tentando processar aquelas palavras que eram nada mais nada menos do que a verdade, a pessoa egocêntrica que ele era finalmente havia vindo à tona.
— X —
Alguns minutos se passam, e finalmente o ruivo começa a abrir seus olhos novamente. A primeira cena que ele vê o espanta por completo. O líder do grupo de teatro estava recolhendo toda a bagunça que ele e seus amigos haviam feito a pouco, e estes já haviam ido embora, era apenas os dois.
— Você acordou? — pergunta Jungkook.
— Mas o que aconteceu aqui? — questiona colocando a mão na sua cabeça fazendo uma expressão de dor.
— Bem, depois que se abriu comigo, você simplesmente apagou. — diz respondendo o garoto.
— Espera aí, aquilo não foi um sonho? Eu realmente disse tudo aquilo?
— É... Acho que disse. — murmura o moreno.
— Me des...
— Me desculpe. — interrompe Jungkook. — Você tem toda razão, eu fui um babaca com todo mundo, inclusive contigo. — continua. — Queria ser o melhor em tudo e acabei me esquecendo que muitos buscam esse sonho também.
— Não é bem assim.
— Claro que é! Precisei que vomitasse tudo em mim para que pudesse acordar do meu ego que tanto me possuía.
— Eu vomitei em você? — pergunta assustado.
— Melhor não comentarmos sobre essa parte. Vamos embora, já está tarde.
— Tudo bem, vou indo então. — diz o ruivo com as bochechas coradas de vergonha pelo que havia acontecido.
— Espere, eu te levo até sua casa.
— Não precisa, pode deixar que eu me viro.
— Então pelo menos me espere para sairmos juntos do colégio. Está tarde e é perigoso demais. — insiste.
— Tá legal, eu espero por você.
Jungkook finalmente tranca novamente o portão daquela enorme construção, depois de descerem todas aquelas escadas e passarem pelos gigantescos corredores.
O moreno se despede de Taehyung — isso deixou ambos constrangidos — e se preparava para atravessar a rua enquanto o ruivo seguia reto o caminho para voltar a sua casa, olhava para o chão tentando esquecer tudo que acontecera naquela sala a pouco tempo atrás. Quando de repente ele vê um carro com os faróis apagados ir em direção a Jungkook, ele estava em uma velocidade que seria impossível frear.
Taehyung corre com todas as suas forças para tentar alcançá-lo antes que o carro chegasse perto do garoto e pula em direção ao moreno, sem pensar duas vezes, que já mantinha seus olhos fechados esperando o pior acontecer, mas graças ao ato do ruivo, os dois conseguem escapar da frente daquele carro, que provavelmente estava sendo conduzido por alguém bêbado.
A chuva começa a cair tão de repente. Os dois esborracham-se no chão, deitados um em cima do outro na beira da calçada e começam a ficar encharcados com os pingos que caiam aos poucos. Seus olhos se encontram em meio ao coração deles que palpitavam sem parar, ambos estavam com as pernas bambas e tentando entender tudo que havia acabado de acontecer.
— Você me salvou. — diz o moreno levando uma de suas mãos até seu braço que havia absorvido todo o impacto da queda.
— Achei que não chegaria a tempo... Não podia deixar que nada de mal te acontecesse. — diz Taehyung enquanto sorria envergonhado.
— X —
Jungkook chega no outro dia na sala de teatro e seus colegas se espantam com aquele braço enfaixado e alguns roxos pelo corpo.
— Mas o que significa isso? — pergunta seu melhor amigo assustado.
— Jeon? Você se machucou? — a garota também queria saber.
— Não, não, eu só gosto de enfaixar o braço as vezes. Claro, né? Ontem a hora que estava saindo do colégio eu quase fui atropelado, por sorte alguém me salvou.
— Cara, você precisa tomar mais cuidado. Vai ter um teste hoje e a peça está muito perto.
— Eu nem sei se eu vou passar Bogum. — responde, e aquilo espanta a todos.
— Para de brincadeira Jungkook! Até parece que o melhor ator da turma não iria entrar pro elenco. Tenho certeza que o diretor vai te chamar assim que o ver atuando. — encoraja Ji Soo.
— Na verdade, não vou participar desse teste. — diz sorrindo sarcasticamente.
— O QUE? — todos perguntam juntos e em um tom elevado.
— Infelizmente isso que aconteceu deve ter sido um sinal para que aprendesse uma lição. Além de que eu tenho o costume de usar os braços para uma boa apresentação, com um deles quebrado não vou ter tanta confiança.
— Chega com essa palhaçada cara, agora vai ficar ligando para os comentários daquele faxineiro? — Bogum se irrita.
— Seu nome é Kim Taehyung... E falando nele, o inscrevi no meu lugar para o teste do papel principal.
— Você está me zoando, não é? Sem essa maninho, é impossível um principiante querer participar de uma prova importante como essa. — o seu amigo insistia em fazer o moreno mudar de ideia.
— Não irei voltar atrás. — diz por fim. — Taehyung, venha cá! — grita para o moreno que limpava a sala com os fones no ouvido, uma vez que ele havia jurado que nunca mais ouviria a conversa dos outros escondido.
— Me chamou, senhor Jeon? — diz gaguejando.
— Corta essa de senhor, você é mais velho que eu ainda por cima. Só queria dizer que te inscrevi no meu lugar para o teste.
— Meu deus, o que? Como assim? — se assusta.
— Apenas relaxe cara. — ele ri. — Vá lá e de o melhor de si. Quero ver a seriedade na sua voz como quando você falou comigo ontem, desconte sua raiva nos palcos e mostre que eu estava errado em não deixar você entrar no clube ano passado.
O ruivo fica sem reação por fora, mesmo que por dentro seu coração estivesse palpitando de felicidade por finalmente poder ter a chance de tentar realizar seu grande sonho.
— X —
Jungkook senta ao lado do examinador que diria quem passaria ou não dos alunos, para que pudessem ingressar em sua nova peça de teatro que estrearia em breve, Pinocchio. O senhor fica chateado com a notícia de que o moreno não participaria — ela havia ouvido falar muito bem do garoto — mas anima-se por ter recomendado alguém em seu lugar para participar da prova.
Ji Soo havia conseguido o papel do grilo falante, graças ao seu jeito de ser mais solto e piadista, Chae Soobin ficara com o da fada azul que transformava o boneco de madeira em um menino de verdade na história clássica, Bogum conseguiu pegar o papel do vilão Stromboli graças ao seu jeito mais frio de ser, a única da turma a não ser aprovada até então havia sido Hwan Hee — provavelmente por passar mais tempo tentando conquistar o coração de seu amado do que ensaiando suas falas.
Mas finalmente o tão esperado momento chega. Bogum mantinha sua cara fechada, torcendo para que o ruivo não se saísse bem, enquanto Jungkook sorria olhando para Taehyung subindo naquele palco gigantesco da sala de eventos do colégio, cercados por cadeiras de acolchoados vermelhos e encostos de braço.
As luzes são voltadas todas ao garoto que tremia e suava por toda parte do corpo. Era a primeira vez dele nos palcos e isso era um tanto quando assustador, uma sensação completamente nova para ele.
Mas um simples sorriso do moreno, foi o bastante para que respirasse fundo e começasse a dar o melhor de si. Até que de repente ele para, encarando todos ali, inclusive o avaliador.
— Tá vendo? Eu disse que ele não passava de um bosta que só serve para limpar sujeira. Vejam só, o pobrezinho está temendo de medo. — ria Bogum em meio ao silêncio repentino que se forma no palco.
Até que em súbito, a atenção de todos é novamente retomada ao ruivo que mantinha uma seriedade em seu rosto.
— Pinóquio? O que significa esse nome dado a um clássico personagem das histórias infantis? — ele começa a dizer em voz alta.
— Mas que porra ele está fazendo? — pergunta Hwan Hee pra si mesma.
Jungkook fica do mesmo jeito que a garota, sem entender o que ele estava querendo passar com tudo aquilo.
— Pois eu sei o que é ser um Pinóquio. — Taehyung apenas continua. — Todos nós temos um pouco desse personagem guardado em nossos corações, na história ele mentia, e os seres humanos também mentem, seja para esconder algo ou para evitar algum conflito, mas nem sempre com más intenções. Somos Pinóquio por falarmos para nossas mães que estamos estudando quando na verdade ficamos a tarde toda jogando vídeo game. Somos Pinóquio porque omitimos nossa nota do colégio com medo das pessoas nos julgarem. Somos Pinóquio por esconder uma paixão que sabemos que não será correspondida... Nós somos assim... A mentira nem sempre é para um proposito ruim, mas as pessoas julgam quem é como o Pinóquio por simplesmente quererem viver sem conflitos, omitindo nossos verdadeiros sentimentos para conviver em harmonia com as pessoas. Nem sempre gostamos do que um colega diz em sala de aula, mas mentimos para nós dizendo que está tudo bem... As vezes o trabalho está acabando com você, mas mentimos para evitar sermos demitidos dali... Nossos narizes não crescem como o do verdadeiro Pinóquio, mas nossas escolhas sim. A cada dia que passa temos que escolher se é melhor ou não falar a verdade, isso pode machucar alguém ou machucar a si próprio... Todos nós somos Pinóquio... Você é Pinóquio por mentir a si mesmo dizendo ser melhor que todo mundo... Eu sou Pinóquio por esconder meu amor... Eu te amo meu Pinóquio, e veja! Meu nariz não cresceu...
Novamente o silêncio toma conta do grande ambiente. Ninguém expressava sequer uma reação e Taehyung abaixa sua cabeça com as bochechas já coradas depois de tentar dar o melhor de si.
Até que finalmente o avaliador levanta de sua cadeira. Jungkook estava aflito, afinal o ruivo havia fugido cem por cento do roteiro e a cara do senhor não era das melhores, mas a primeira palma faz o coração de todos ali presentes começarem a desacelerar, e depois da terceira, todos já mantinham um sorriso no rosto. Ele havia gostado da apresentação.
— Meu jovem, tem certeza de que é a primeira vez em um palco? Você colocou sua alma nesse texto e detonou todos aqui. Em toda minha carreira posso dizer que você é a pessoa mais jovem que eu conheci que me surpreendeu de uma maneira que fez com que minha boca ficasse aberta. Você tem futuro garoto! E parabéns, o papel principal é todo seu.
Todos da turma de teatro parabenizam o garoto pelo papel importante que havia conseguido e pela sua encenação inesperada, a não ser Bogum, que sai esbravejando da sala de eventos do colégio. Até que só sobram Taehyung e Jungkook lá.
O moreno se levanta da cadeira que estava sentado e começa a descer as escadas que ficavam no meio entre os dois lados onde se localizavam os acentos, indo em direção ao palco onde o ruivo ainda processava tudo que havia acontecido. Jungkook sobe no palanque e fica cara a cara com o garoto.
Os dois ficam se encarando por alguns minutos e as bochechas de ambos coram de repente. O líder do grupo de teatro retira sua jaqueta e a coloca sobre as costas de Taehyung.
— Acho que realmente sou um Pinóquio, como você disse. — diz o moreno em súbito e o outro fica sem entender.
Jungkook, em um movimento inesperado, leva seus lábios até do garoto em sua frente, encostando-os por questão de segundos.
— Sou um Pinóquio por esconder meus sentimentos de mim mesmo. — continua dizendo, agora envergonhado.
Novamente seus olhares se cruzam em meio a situação inesperada, até que Taehyung da um passo a frente. Ele agarra a cintura de Jungkook e o puxa para perto, voltando a colar os seus lábios, mas desta vez eles dançavam lentamente, se encaixando em um perfeito beijo.
— Como eu te disse, meu nariz não cresceu... Eu te amo Jeon Jungkook.
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Notas finais
Deixem um feedback se possível, isso ajuda muito no incentivo a continuar, é triste escrever para o vento :(
Até a próxima ♥
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