Piltover's Finest

13 Capítulo 12 - 3...


Notas iniciais
Tic... Toc... Tic... Toc...

Correndo desesperadamente para tentar dar um fim àquele pandemônio que se formava na cidade, o carro da xerife finalmente chega à região do zoológico, parando bruscamente e fazendo os pneus cantarem enquanto a mulher mais do que prontamente pulava do automóvel com seu rifle em mãos.

– DEUSES, DIANA, O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?! — tinham que gritar para comunicar-se em meio à confusão de gritos e explosões que se dava no local.

– UMA JOVEM DE CABELO AZUL, XERIFE; APARECEU DO NADA E ESTÁ DESTRUINDO TUDO, SOLTOU OS ANIMAIS DA JAULA E EXPLODIU O ZOOLÓGICO E OS BUEIROS. HÁ RISCO DE DESABAMENTO DOS PRÉDIOS EM VOLTA!

Enquanto falavam, dirigiam-se já para o ponto em que dezenas de viaturas se concentravam, os oficiais prontos para atacar e deter quem quer que fosse o meliante delinquente descabeçado que estivesse por trás daquela catástrofe; mas foi no exato momento em que a xerife se aproximava com a policial, que a louca psicótica que havia começado aquela confusão decidiu sacar um lança-mísseis e disparar contra as viaturas, sumindo na fumaça após isso.

– NÃÃO!!! — a oficial Diana gritou, horrorizada.

A xerife teve tempo apenas de puxar a policial junto consigo para trás da parede de um dos prédios próximos, evitando que fossem atingidas pelos destroços da explosão. Sentiu um zumbido no ouvido, com os sons ficando abafados à sua volta, consequência do enorme estouro ocorrido tão próximo a elas. Saiu de trás do prédio e pôde ter um vislumbre realmente breve, porém marcante, de quem tinha feito aquilo: o cabelo azul, preso em uma enorme trança, a pele pálida e o corpo extremamente magro, quase com uma aparência doente, as roupas, lembrando uma desgastada moda das ruas e becos de Zaun, e as armas... Aquelas malditas armas...

Recuperando aos poucos a audição, pôde então perceber com uma clareza mais aterradora ainda a magnitude do estrago que aquela inconsequente havia causado: as pessoas gritando desesperadas, chocadas com o que acabavam de presenciar; as sirenes de incêndio dos prédios ao redor soando loucamente, assim como os alarmes dos carros que sobraram ali, a verdadeira sinfonia da destruição... As viaturas, assim como os policiais, não estavam mais lá. Haviam sido explodidos, atirados longe, assim como aconteceu com as tampas dos bueiros, e os pedaços do que sobrou — tanto de metal quanto de carne e osso — começavam a se precipitar sobre aquele ponto específico da cidade como num pesadelo horrível de sangue e dor. Ouviu um ruído, como uma série de estalos, e olhou para cima, para um dos prédios que circundava o local, observando a gigantesca rachadura que se formava.

– ...Céus!

Olhou em volta, a respiração entrecortada, observando os cidadãos aterrorizados e perdidos em meio ao caos e ao medo. Precisava tirá-los dali imediatamente; aqueles prédios iam começar a cair! Contudo, estava quase absolutamente sem ajuda no momento, com seus próprios oficiais mortos ou letalmente feridos, precisando também de socorro urgente... Deparou-se, então, com a policial Diana prostrada, chorando sobre o solo em que seus amigos haviam sido brutalmente assassinados. Correu até ela.

– Diana! Diana, levante! Oficial! — Caitlyn puxava-a com força para cima, querendo que se levantasse e a ouvisse, mas a mulher estava completamente desolada e absorta em seu luto desesperado. — DIANA, ME ESCUTE!!! — teve que empurrar a oficial para o lado e dar-lhe um tapa no rosto. Sentiu-se extremamente mal por isso, mas não tinham tempo para chorar. Era preciso agir. — Diana, preste atenção: estes prédios estão desabando e as pessoas estão completamente desorientadas; a gente precisa tirar todos daqui! O quanto antes!

– Tá.

– Então olha aqui, a gente vai fazer o seguinte: eu passo o recado para o povo seguir você, você os leva até a delegacia... Ou melhor, uma escola próxima daqui, com um ginásio grande, algum lugar seguro. Eu sigo vocês depois que tudo aqui se acertar. Você me entendeu bem?

– Sim, xerife.

– Então vamos!

Caitlyn seguiu diretamente para o meio da confusão.

– Cidadãos! — gritou com todas as suas forças, mas o povo, desorientado, não a ouvira. Avistou um dos poucos muros do zoológico que ainda estava parcialmente de pé e correu para ele, subindo e tentando outra vez. — CIDADÃOS! — um ou outro olhara, mas ainda com uma expressão totalmente aterrorizada e perdida, em choque. A xerife então tomou seu rifle nas mãos e atirou para cima três vezes, um dos únicos sons que certamente faz qualquer pessoa se paralisar e ouvir. — PRESTEM ATENÇÃO: A ÁREA AQUI É MUITO PERIGOSA, PRECISAMOS TODOS IR PARA UM LUGAR MAIS SEGURO. POR FAVOR, SIGAM A OFICIAL DIANA, ELA VAI TIRÁ-LOS DAQUI. OS QUE PUDEREM AJUDAR OS FERIDOS, EU PEÇO, NÓS PRECISAMOS DA AJUDA DE VOCÊS. VÃO! — ela observou aquela bagunça finalmente tomar um rumo mais ou menos organizado. Respirou fundo. Seu trabalho não terminava ali.

– MÃÃÃE!! Ô MÃÃÃE!!! ...buuh... — a xerife seguiu com os olhos a origem daquele som, avistando então, de cima do muro, uma criança escondida em meio aos escombros, perdida, chorando e gritando. — MÃÃÃÃEEE!!! Buáááhh...

Desceu imediatamente do muro e começou a enveredar-se por aquele mar de gente, tendo que lutar contra a correnteza para chegar ao lugar onde estava a criança.

– MÃÃÃ... AAAAAHH!!

O prédio começou a verdadeiramente ceder, derrubando poeira e pedaços de concreto pela rua, enquanto todo o povo começava a gritar e correr ainda mais rápido, mais desesperado, empurrando para a frente, quase arrastando a xerife para longe. A xerife lutou, os dentes cerrados buscando força para enfrentar a multidão que a pressionava, e se espremeu por entre as pessoas com determinação, até finalmente se soltar daquele sufoco e chegar ao lugar onde a criança estava. Escondida justo em baixo do prédio que estava desmoronando.

– VEM CÁ! — estendeu os braços para a criança, tendo que fechar um pouco os olhos para proteger-se da poeira e dos estilhaços que caíam em profusão aqui e ali. A criança hesitou um pouco, mas então rastejou rapidamente e se atirou com força nos braços da xerife, bem a tempo de escapar de um bloco de concreto que caiu onde ela antes estivera. — Vamos.

Caitlyn levantou-se, levando a criança no colo. Era uma menina. A xerife olhou ao redor; o comboio de sobreviventes já estava longe... Tentou correr, mas as pedras que caíam quase a fizeram cair com a menina no colo. Tinha que tomar cuidado e desviar-se, mas era muito difícil! Desequilibrou-se uma vez, desviando de uma das pedras que caía, mas conseguiu retomar rapidamente a corrida; contudo, outro bloco inadvertidamente assustou-a, fazendo com que caísse e ralasse os joelhos no chão, dando tempo apenas para Caitlyn perceber um gigantesco bloco que caía, rolar para o lado com a criança e...

Pensou, naquele ínfimo instante, em Vi e no seu inacreditável acontecimento na mina. Queria que ela estivesse ali.

~¨~

A delegacia estava um caos e isso era claramente perceptível mesmo atrás de uma porta de ferro. Tinha um mau pressentimento quanto a isso, um péssimo pressentimento. Estava inquieta, ouvindo lá fora a troca de informações tensa entre os oficiais.

– Os refugiados estão concentrados onde?

– Diana levou-os para o maior colégio do bairro, mas a xerife não está com eles.

– DEUSES! JAYCE ESTÁ DIZENDO QUE CAITLYN FOI ENCONTRADA EM MEIO AOS ESCOMBROS DO PRÉDIO CAÍDO!!...

Ao ouvir aquilo, Vi pulou de sua cama dentro da cela e colou-se à porta, agonizada.

– ...ESPERE... ESTÁ TUDO BEM, ESTÃO DIZENDO QUE ESTÁ TUDO BEM; ELA FOI ENCONTRADA COM UMA CRIANÇA NOS BRAÇOS, ESTÃO SÓ UM POUCO FERIDAS.

Finalmente Vi pôde voltar a respirar, largando-se no chão da cela com um suspiro aliviado. Mas, quanto mais deixava o tempo passar, mais perigoso se tornava aquele jogo. Pensou em adiantar sua investida.

~¨~

3...

Empurrou para o lado algumas pedras que se amontoavam. Tossiu com a quantidade de pó suspensa no ar, enquanto as viaturas da polícia, os carros de bombeiros e as ambulâncias se aproximavam. Por sorte, por muita sorte, conseguira desviar-se do bloco maior e ficar num espaço que formara uma espécie de casulo apertado conforme as pedras caíram. Olhou para a menina encolhida, agarrada com força a ela, com a pequena cabeça enterrada em seu peito.

– Ei, está tudo bem com você? — a criança assentiu com a cabeça, uma lágrima escorrendo dos olhinhos, ainda fortemente cerrados, com medo. A lágrima arrastou consigo um pouco da poeira depositada no rosto da menina e no colo de Caitlyn. — Ótimo, minha querida... — abraçou-a, levemente balançando a criança para confortá-la. — Calma, nós vamos encontrar sua mãe...

– CAITLYN!

Jayce correu em direção a elas, a expressão perplexa, seguido por uma equipe de bombeiros do resgate e paramédicos. Caitlyn esforçou-se para se levantar com a menina. O bombeiro deu-lhe apoio, afastando ainda alguns blocos de concreto que a atrapalhavam, enquanto os paramédicos se prontificavam a atendê-las.

– Não, por favor... Vejam ela primeiro.

Entregou a menina aos cuidados dos paramédicos e então endireitou-se para falar com Jayce. Sentiu algo em seu corpo queimar. Observou então os joelhos quase esfolados e os arranhões que se distribuíam por todo o corpo. Humpf. Nada de que não pudesse se recuperar sozinha.

– Merda, Caitlyn, eu estava prestes a mandar encerrar as buscas! — Jayce ofegava. — ...ficamos extremamente preocupados na delegacia.

– Eu imagino... Quase morri de susto também.

O oficial sorriu, sarcástico. "Quase morreu de susto"... Um prédio quase havia caído na cabeça dela e ela só diz que "quase morreu de susto". Hah. Essa era a xerife.

– Ninguém conseguiu pegar a bastarda que fez isso, eu acredito... Como estão meus oficiais?

O homem deu um olhar entristecido para a xerife e então baixou a cabeça. Caitlyn respirou fundo.

– Céus... Eram pessoas boas...

– A zauniana que fez isso... Ela deve pagar, xerife. — o homem falava numa voz rancorosa de ódio, embora trêmula.

– Nós vamos pegá-la, Jayce... Só não deixe o luto nublar sua mente.

Colocou as mãos nos ombros do oficial que conhecia há tanto tempo, e então abraçou-o. Em sua cabeça, mil perguntas giravam... Uma delas era se ainda o conhecia realmente.

~¨~

Três dias para sua grande fuga. Contava, na verdade, com menos tempo que isso. Mas queria ainda continuar com a margem dos três para poder esperar que Caitlyn ainda aparecesse. E então partiria.

~¨~

Depois de um bom banho na delegacia para livrar-se do suor e da poeira de construção acumulados sobre ela durante aquela madrugada desastrosa, a xerife vestiu um moletom da polícia e insistiu em voltar para sua sala imediatamente, para continuar correndo o mais rápido possível com sua investigação particular.

Ligou o computador e começou a repassar as informações que tinha, até voltar para a pasta com as fotos dos mapas da cidade. Passava tão rapidamente as imagens, tanto na tela quanto em sua cabeça, que conforme uma nova imagem piscava no monitor outra ainda estava colada à sua retina, fazendo assim com que as imagens se sobrepusessem e...

Espera. Sobreposição...

Voltou alguns cliques e observou bem. Mandou imprimir a foto do mapa de Piltover, enquanto copiava numa folha fina de seda as marcações da imagem da primeira transparência. Com o mapa da cidade impresso, colocou a folha de seda sobre ele, sobrepondo a estrela do desenho com a rosa-dos-ventos...

– Não...

Levou uma mão à boca, ao mesmo tempo maravilhada e indignada com a descoberta. Repetiu o mesmo com o mapa do mercado e a outra transparência... Não, não podia ser; aquilo devia ser mero acaso, Jayce deveria ter feito aquilo após ela pedir o remanejamento da guarda... Mas isso não justificava as marcas no mapa do mercado, essa ocorrência viera depois...

– Caitlyn, por que você não está na enfermaria?!!

– Johan, você não faz ideia do que eu acabei de descobrir...

– Tudo bem, você pode me contar, mas não sem antes tratar esses buracos em você.

Ao mesmo tempo em que falavam, uma das enfermeiras da delegacia entrou e começou a fazer curativos nos diversos machucados de Caitlyn, que absolutamente não se importava com aquilo.

– Antes, deixa eu te perguntar uma coisa: alguém na delegacia comentou algo sobre o atentado ter sido cometido por alguém de Zaun?

– O que? Não, absolutamente não, pelo menos até onde eu saiba...

Caitlyn tapou os lábios com os dedos, delineando-os pensativamente... Um oficial que não tinha atendido à ocorrência afirmava, aparentemente com total convicção, como se tivesse participado do acontecimento e visto até melhor que ela própria, que o terrorista tratava-se de um zauniano... Uma zauniana, na verdade, para ser mais específica. Que outra pessoa poderia saber previamente deste tipo de ligação?

– ...Andrès ouviu algo sobre isso? Algum acordo de Dohran envolvendo Zaun e os cristais?

– Hum, nunca nos passou nada sobre isso. Se houve um acordo desse, provavelmente não foi feito por celular.

– Então só há mais uma pessoa para a qual perguntar...

~¨~

O barulho do molho de chaves se movendo novamente foi ouvido em frente à sua cela. Da fato, novamente aquela porta se abriu e um guarda, de expressão séria e mau-humorada, surgiu, impondo-lhe mais uma vez as malditas algemas.

– Interrogatório?

– Calada.

– Tá bem... Tá bem... — com sorte, aquele vagabundo seria o sorteado para ser apagado durante sua fuga. Só um pouquinho de dor...

Esperava que aquela fosse sua tão estimada última oportunidade de ver Caitlyn, mas sentia que havia algo de estranho na atmosfera... Sentia, de certa forma, uma peculiar hostilidade que nunca sentia naqueles momentos. Preparou-se, em seu interior, para qualquer coisa que viesse a acontecer.

Quando foi conduzida à sala fechada de interrogatório, deparou-se com uma Caitlyn distante, absorta em pensamentos, fitando o nada enquanto esperava que o guarda ajeitasse a prisioneira em seu lugar. Ao fundo, aquele velho gordo filho de uma puta apoiava-se sentado sobre uma outra mesa, olhando para a parede à sua frente mas de forma diferente de Caitlyn. Não estava desligado da realidade. Pelo contrário, parecia é bem atento com seus arredores, por mais que não olhasse para ela. Desejou com todas as suas forças, como se desejasse para a fada-madrinha, que a mesa em que ele sentava quebrasse uma das pernas com o peso daquele canalha idiota e que ele caísse que nem um saco de bosta, espatifado no chão. Riu discretamente enquanto imaginava a cena.

Foi colocada sentada na cadeira com algum esforço por parte do policial, lançando um olhar bravo para ele quando tencionou empurrá-la para baixo. As algemas foram passadas de forma que seus braços ficassem presos atrás das costas, contornando o apoio da cadeira. Baixou o olhar, ultrajada. Então levantou-o decididamente e prendeu-o no espectro de Caitlyn sentado à sua frente. O autômato levantou uma mão, apertando um botão no que parecia ser um gravador portátil. Levou-o junto à boca.

– Xerife Caitlyn, de Piltover, acompanhada do oficial Johan, interrogando Vi sobre a gangue de Dohran e suas relações com colaboradores...

– Bom dia pra você também, xerife...

– ...são 10 horas e 42 minutos. Senhorita Vi, podia...

– Hah, eu não acredito nisso... — ria, sarcástica, enfurecida, incrédula.

– ...nos falar sobre como são as relações de...

– Caitlyn, pára com isso, essa não é você.

– ...Dohran com possíveis aliados e colaborad...

– Caitlyn, pára com isso, olha pra mim!

– ...colaboradores e qual seu envolvimento com o caso dos crista...

– CAITLYN, PÁRA!

Ao fundo, o oficial mais antigo prontificou-se a interferir naquilo, mas a prisioneira calou-se, quase levantada da cadeira (não podia levantar-se realmente, a forma como estava presa não a permitia), enquanto a xerife apenas parou de falar e finalmente lançou-lhe um olhar direto que fez a mulher se enregelar completamente, arfando enquanto retornava ao seu lugar. O olhar de Caitlyn... Era... Era arrasador. Destruíra-a completamente, apenas com aquela intensa... Não era fúria... Não era... Decepção. Era algo... Não sabia explicar. Aquela não era a xerife que conhecera. Não, aquela não era a cupcake; aquilo que havia tomado o lugar dela era outra pessoa, era uma oficial fria e mesquinha, como todos os outros, porém mais... Era...

– Caitlyn...

Era "o pior tipo de autoridade que Vi odiava. Figurando no topo da lista." ...não... Não.

– Por favor, Vi, eu estou num ponto extremamente complicado de uma investigação, então...

– Dohran não costuma contratar gente pra fazer o trabalho dele; é um pouco uma questão de orgulho. Se fez isso, como fez no mercado, deve estar desesperado. — falou uma pessoa fechada e cabisbaixa que tomava o lugar de Vi, que movia a boca automaticamente enquanto tratava de desviar o olhar para o lado. A xerife suspirou longamente. Vi não vira sua expressão.

– Algum colaborador em Zaun? Algum contato.

– Pode ser, tanto faz.

– Poderia ser mais específica?

– Desliga essa merda de gravador.

– Estamos no meio de um interrogatório, Vi...

– Desliga. A merda. Desse. Gravador.

– Com licença, mas acho que devo interferir para pedir uma pausa nesse interrogatório... — disse Johan, aproximando-se. Vi imediatamente levantou o olhar raivoso para segui-lo, fuzilando-o a cada passo com dor e desprezo misturados. O oficial parou ao lado de Caitlyn, que apenas desviou o olhar. — Caitlyn, vá tomar um pouco de água...

– Eu...

– Pode ficar calma, não vou continuar o interrogatório sem você. Deuses, você precisa de um pouco de paz...

Arrumando os cabelos, a xerife deixou a sala em sua postura altiva e suprema de sempre. O oficial esperou alguns segundos e então puxou a cadeira onde a xerife estivera sentada e acomodou-se, de frente à prisioneira que o olhava com expresso ódio.

– Olha, Vi, eu não quero...

– Que eu saia nunca mais daqui e que Caitlyn tenha uma vida? Pois está dando certo...

– Não, Vi, eu digo que não quero mais criar caso por aqui. Estou cansado, realmente cansado; eu estou velho. E, pelos deuses, como eu queria me ver longe dessa delegacia o quanto antes por esse ano!

– Não me parece... Parece mais que você quer é fazer a cabeça de todos até que virem canalhas escrotos que nem você!

– Tem ideia do quanto você é chata e irredutível pra querer me achar um pé no saco? Me poupe, dê uma boa olhada no espelho antes, se você ainda conseguir...

– Você acha que eu estou por trás disso tudo.

– Tenho motivos.

– Pois eu tenho motivos pra te mandar pro inferno. — tentou levantar-se, quase levando a cadeira junto, mas o oficial recuou e ela, por alguma razão, parou onde estava. Sentou-se novamente.

– Hum... Interessante. Não avançou.

– Vai à merda.

Johan respirou fundo.

– Me escute, apenas por alguns minutos, e não precisa me escutar nunca mais em sua vida se não quiser... Mas eu falo pelo bem de Caitlyn. Deuses, ela tem passado por um período terrível desde que você e seus amigos surgiram... — Vi ofegou, com raiva. — Bem, não vou entrar em detalhes quanto a isso. O fato é que eu só continuo aqui, quase tendo um ataque cardíaco todos os dias e enfrentando cara a cara gente como você devido à promessa que eu fiz ao pai dela antes dele... — parou. Suspirou. — O xerife era meu amigo. E mesmo sabendo que aquela doença ia corroer-lhe até os ossos, não quis desistir de seu sonho, não quis desistir da polícia. Queria mostrar para Caitlyn como ele continuava forte e que ela também, diante das adversidades, deveria ser o bastião de ferro de Piltover. Ele sabia que ela seria a xerife. Acho que, no fundo, todos nós sabíamos. Ele tinha medo apenas de uma coisa, uma única coisa, com a qual me deixou encarregado para o resto de minha velha e quase inútil vida: proteger, a qualquer custo, Caitlyn dos ataques que ele, como xerife, sabia que ela sofreria. Céus, caía nas minhas mãos, do nada, a responsabilidade por uma pessoa completamente jovem, teimosa e com pouca experiência e... Eu fechei aquele último acordo com o xerife. E me lembro dele a cada momento que vejo a Caitlyn se meter em algo muito maior que ela. Descobri com o tempo que a xerife não é o tipo de pessoa que se precisa proteger de fato, mas ainda assim ela é jovem. É jovem e precisa de alguém com experiência sobre a vida, que esteja atento e a alerte quando ela estiver deixando as águas mais rasas e entrando no fosso dos tubarões... E você, até que me prove ao contrário, à minha vista, é um chamariz para o fosso dos tubarões, Vi...

Os dois inimigos calaram-se, reflexivos. Johan aparentava uma ponta de sentimento por trás da velha e espessa carapaça e da cara séria, algo que Vi se negava de todas as formas a aceitar. Ela ofegava, ainda olhando-o com raiva. Mas entendia onde ele queria chegar.

– Se ela estiver correndo perigo de vida, eu juro, Vi: essa pessoa vai viver o inferno até decidir desistir. Mas se você não estiver incluída nisso... — o homem parou para respirar também, de repente ficando ofegante. Esperou a respiração voltar ao normal e retomou. — Se você não estiver incluída nisso, então por favor, pare de agir como uma criança birrenta tornando as coisas ainda mais difíceis e nos ajude.

No breve instante em que se fez silêncio, Caitlyn retornou à sala de interrogatório. Parou por um segundo na porta ao ver os dois frente à frente, aparentemente desgastados. Johan virou-se para ela.

– Ainda não recomece, Caitlyn, por favor... Eu acho que preciso de água também.

– ...ok.

O oficial deixou a sala ofegante. Seguiu até o bebedouro mais próximo, onde parou apoiando-se na parede. Fechou os olhos com força. Sentia novamente aquela forte dor no peito. Olhou o relógio de pulso e então retirou uma cartela de comprimidos do bolso da calça. Engoliu um deles e bebeu a água, aguardando mais alguns segundos até que pudesse disfarçar aquela careta de dor que sabia que se apossava de seu rosto. Quando sentiu que podia retornar, caminhou novamente para a sala de interrogatório. Entrando, observou as jovens sentadas, uma em frente à outra, sem se olhar. Um silêncio mortal sobre a sala. Caitlyn mexia na mão o copo de água que trouxera com ela.

– Ok, podemos retomar. — o oficial falou, dirigindo-se para o fundo da sala novamente. A xerife olhou para ele, baixou o copo de água na mesa e ligou novamente o gravador.

– Xerife Caitlyn retomando o interrogatório após pausa. São 11 horas e 34 minutos. — parou por um instante e observou Vi. — Eu trouxe água. Está servida?

– A cordialidade também é pra ficar gravada no interrogatório? — Johan lançou um olhar de repreensão na direção dela. — Não, obrigada.

– Bem, podemos voltar então à última questão: Dohran possui algum colaborador em Zaun?

– Não que eu saiba. Quer dizer, não dá pra saber exatamente, entende? "Colaboradores", "aliados"... Isso não existe; eles surgem e desaparecem conforme a necessidade. Claro, tem uns com os quais Dohran prefere manter contato, mas ele pode pensar em pedir ajuda pra qualquer pessoa em qualquer lugar qualquer hora que ele achar estritamente necessário, embora eu ainda ache pouco provável.

– Sondamos a possibilidade de um aliado em Zaun, uma mulher.

– Isso constata exatamente o que eu estou falando.

– Você não tem ideia de quem seja?

– Não, absolutamente não... — riu, como quem acha aquilo um absurdo. — Conheço muita gente de Piltover e arredores, mas não de Zaun...

– Uma carta na manga... — Caitlyn refletiu em voz alta. Olhou para Johan. O senhor fez gesto para que prosseguisse à sua maneira. A xerife hesitou. — ...Vi... Qual é o seu papel em meio a tudo isso? — falou num tom mais brando do que aquele que a implacável xerife usara para interrogar a reles prisioneira.

Vi sentiu golpearem seu peito, fazendo com que expirasse todo o ar de seus pulmões e ficasse sem reação. Mantinha os olhos fixos na xerife, como se pedisse que não fizesse isso com ela... Ué, por que? Já estavam chegando a um ponto de "acerto de contas", não era? Por que então querer fugir daquele tipo de conversa? Não tinha mais nada a perder. Realmente nada. Suas últimas cartas já seriam jogadas na mesa na próxima rodada. É em momentos como esse que a sinceridade toma o peso do ouro, e que o passado já não importa, salvo para o caso de um pedido de reparação. A jovem de cabelo rosa não pensava em pedir aquilo. Mas também não tinha motivos para não falar. Baixou a cabeça por um momento...

– Eu roubei os cristais. Desde o início, eu estava envolvida naquele roubo, assim como já estive em tantos outros que não caberiam nas suas mãos juntas se fossem contar, xerife. — apontou com a cabeça a xerife e Johan. — Pessoas foram feridas porque eu precisava chegar naqueles cristais. Eu ia ajudar a carregá-los para fora quando a mina começou a cair e estaria disposta a derrubar meu próprio amigo Barthrax caso precisasse para ir embora dali... Se não fosse por algo que deu do nada na minha cabeça. Eu cansei daquela merda. Primeiro porque me deixaram sozinha pra morrer, segundo porque eu tava de saco cheio mesmo. Mas não existe lugar pra mim nesse mundo, xerife. Não existe lugar pra mim no seu mundo, xerife. — parou. — A gente tentou. Foi legal. Mas tá na hora de acordar e enfrentar a vida real. Eu não desejo absolutamente nada que venha de Dohran, a não ser sua morte. Assim como vocês, eu posso dizer, pelos deuses, quero que tudo isso acabe logo!! ...como eu disse: pessoas foram feridas porque eu precisava chegar naqueles cristais. Muitas ainda serão. Mas eu juro: isso vai acabar.

Quando ela terminou, Caitlyn mordeu os lábios, os olhos brilhando mas segurando o que sentia quanto àquele esboço de despedida com todas as suas forças. Johan observava a cativa com firmeza. A xerife levou o gravador à altura dos lábios.

– Xerife Caitlyn terminando o interrogatório. São 11 horas e 59 minutos.

Apertou o botão e a pequena luz do gravador se apagou. Ficaram imersos num breve e sufocante silêncio. Johan decidiu então levantar-se e dirigiu-se para a porta da sala.

– Acredito que devo deixá-las conversarem por um momento... Caitlyn, não demore, temos uma reunião em breve. — vendo a xerife assentir com a cabeça e desviar o olhar, o oficial mirou a prisioneira, que olhou para ele. Fez um gesto contido e quase imperceptível com a cabeça para ela. Indicava que, por aquele dia, tinha o seu respeito. E então saiu.

O mesmo silêncio absoluto continuava a preencher a sala, enquanto um festim de pensamentos pairava no ar, compondo a atmosfera incerta que recobria aquela sala estranhamente vazia. Vazia mesmo com as duas ali. Evitaram se olhar nos primeiros segundos... Mas então Vi virou um pouco a cabeça, olhando por sua visão periférica Caitlyn... Virou o rosto completamente para ela, cuja respiração se descompassava tentando conter o fluxo torrencial de sentimentos que a açoitava enquanto teimava em manter-se soberana como xerife. Por reflexo, tentou mover o braço, mas estava presa. Não podia, de forma alguma, tocá-la... O brilho da mais bela estrela... Era belo, mas intocável. Intangível. Ao menos para ela. Sentiu a garganta apertar com angústia...

– Caitlyn...

Ela não se moveu, mas suspirou profundamente.

– Caitlyn, por favor, olhe pra mim...

A xerife olhou para o alto, como se buscando ajuda, os olhos vermelhos e inchados, a respiração entrecortada. O rosto ligeiramente esperançoso de Vi começou a perder gradualmente sua vitalidade... Uma raríssima expressão de tristeza tomou-a. A xerife tornou a olhar para baixo, limpando discretamente os olhos, e então virou-se para ela. Vi, de repente, perdeu o ar, seus olhos se encheram e ela sorriu.

– Hah... Você ainda me tira o fôlego em qualquer ocasião... — riu brevemente. Caitlyn ainda a observava com uma expressão fechada. Indignada. "Por que?", a xerife se perguntava, uma expressão cada vez mais angustiada. — Caity, o que...

– Você vai fazer algo. — ela a cortou, e sua voz soou trêmula. Sôfrega. — Eu queria tirar essas suas algemas, mas você vai sair e vai encontrar um jeito de se matar! — não pôde aguentar dizer aquilo sem entregar-se à desolação que a sondava. Desabou a chorar.

– Caitlyn! Não... Olha... Eu não... — tentava acalmá-la, queria que não fosse assim, queria poder de algum modo envolvê-la e dizer que estava tudo bem, mas aquelas malditas algemas... — ...Caity... Olha pra mim...

A xerife limpou o rosto com as mãos, tapando a boca como se aquilo fosse mantê-la no lugar. Ao menos conseguira conter-se e deixar de chorar. Detestava chorar. Mas sentia...

– Caitlyn, desculpa se eu nunca te disse...

– Nunca me disse o que? — falou ríspida; esperava que ela confessasse, de uma vez por todas, que estava trabalhando com Dohran, que havia ajudado a orquestrar aquilo, que preferia se ver livre daquela cadeia e que não ligava para o que quer que acontecesse, que preferia nunca tê-la conhecido, e que tudo aquilo fora um fardo que ela tivera que enfrentar para conseguir cumprir o plano que havia estipulado, que aquilo não significava nada em sua vida... Queria ter uma certeza. Queria que ela fosse indiferente... Para que não desejasse levar aquilo a cabo... E acabar se arriscando muito mais do que Caitlyn desejava que ela fizesse... Vi ficou em silêncio observando-a por um longo momento.

– ...Nunca te disse que eu te amo.

...nada naquela sala se movia. O ar não existia, o tempo não passava. Tudo no mundo, por uma sequência de segundos, havia parado. Não havia nada registrando aquelas falas. Nada registrando aquela cena. Um dia, tudo aquilo se perderia... Vi observou cada mínimo detalhe de Caitlyn, seu rosto, suas feições... Como aquele cabelo, parecendo uma cascata de chocolate, brilhante, lindo, caía de forma perfeita sobre seus ombros... A pele clara, o toque aveludado que lembrava que ela tinha... Os olhos castanhos, enigmáticos, intensos... E aqueles lábios... Demorou-se neles e nos olhos. Eram os mais lindos que já vira na vida. Sentiu como aquela moça preenchia aquele infinito tempo e espaço naquele momento, com um toque de confusão e melancolia que só aumentavam sua fascinação por ela... Só aumentava... o amor, único e verdadeiro, que julgava sentir por ela. Olhou-a por aparentemente intermináveis segundos, gravando cada detalhe, pintando um quadro em sua mente...

– ...deuses... — falou num breve riso dolorido que logo transformou-se num suspiro. — Como eu queria uma foto sua nesse momento...

Caitlyn, que até então olhara para ela com uma surpresa incerta, um braço segurando o próprio corpo e o outro, apoiado neste, com a mão fechada apoiada sobre o peito, aos poucos voltou à sua inconsolável indignação de antes. Os olhos começando mais uma vez a tremular e encher-se de água...

– Você está pensando em fugir... Céus, Vi, você está pensando em fugir!

Contornou a mesa com rapidez inimaginável e uma avidez furiosa, não de forma amável, mas indo com força e estendendo o braço, tencionando desferir um tapa de força incalculada, levada por uma espécie de raiva que sentia, e chegou a trazer a mão muito perto do rosto da outra, que por si já fechava os olhos, esperando o golpe, quando...

Parou onde estava. Completamente imóvel e inerte. A prisioneira abriu os olhos devagar. A xerife estava paralisada à sua frente, a mão congelada no ar... Caitlyn chorava, chorava; chorava profusamente... Não era raiva. Definitivamente, não era raiva... Ela sabia disso. E talvez justamente por isso é que doía tanto. Vi a observava ofegando, ainda sem entender por que a mão não atingira seu rosto, por que sua face não latejava. Caitlyn, subitamente, moveu-se e abraçou-a com força. Tudo no mundo dizia que não confiasse nela. Os oficiais. As pistas. Sua própria investigação... Não podia, mas queria tanto... Queria, de uma vez por todas, saber quem era culpado e quem era — ao menos parcialmente — inocente naquela história; poder levá-la de volta para seu apartamento, passar a noite acordada ao seu lado, amando-a; lidar com o que tivesse que lidar no dia seguinte e depois retornar ao mesmo ponto... Mas era uma verdade terrivelmente inconveniente o que ela dizia. "Tá na hora de acordar e enfrentar a vida"... Um triste fim para um breve sonho.

A prisioneira não sabia o que dizer... O que fazer... Apenas afundou o rosto no ombro dela quando esta a abraçou com mais força... Caitlyn então afastou-se, segurando o rosto daquela rebelde, inconsequente, filha da mãe... Segurando-o com carinho e pesar entre suas duas mãos. Olhou fundo naqueles inigualáveis olhos azuis...

Puxou-a com força para perto e os lábios colaram-se. Colaram-se com uma vontade incomparável, apertados, num beijo quase dolorido de tão intenso. No rosto as lágrimas ainda deslizavam em profusão, passando da pele da xerife para a pele da prisioneira... Sua prisioneira. Descreviam um caminho oblíquo e desorientado, caindo pelos rostos sem que pedissem, caindo furtivas, enquanto a eterna lutadora desobediente entregava seus lábios a sua infinitamente amada guardiã. Sentiam o sabor doce daquele momento pincelado com borrões amargos de uma inexorável despedida que parecia a cada segundo se aproximar, cada vez mais presente sua sombra pairando sobre elas... Caitlyn teve que separar-se por um instante para soluçar e conseguir respirar devido ao choro. Perdia o fôlego. Vi amaldiçoou novamente as algemas dentro de si, impedindo-a de ampará-la, mas a cupcake, sua cupcake, voltou a puxá-la e envolvê-la. Seu beijo lhe tirava o fôlego, mas de uma forma positiva, diferente daquela maldita tristeza que sentia... Os lábios dançaram, desejosos, desesperados, aproveitando cada milésimo de segundo antes que se separassem para seguirem futuros incertos. A rebelde mordiscou o lábio inferior da xerife. A xerife deixou que o fizesse, e então distribuiu curtos e leves beijos seguidos sobre sua boca. Cessou-os e encostou seu rosto ao dela, testa com testa, e respirou fundo, apertando em seguida os lábios para conter as lágrimas que, por sua vez, não cessavam. Abriu os olhos e olhou novamente no fundo daqueles olhos azuis, respirando leve e sofregamente.

"Eu vou sentir sua falta..."

"Muito."

A xerife levantou-se, passou as mãos pelo rosto e então saiu da sala.

– Levem-na...

Passou como um raio pelos corredores da delegacia, ainda usando a manga da roupa para secar o que restava daquela despedida em seu rosto.

Na sala de interrogatório, os policiais entraram para começar sua tarefa de realocar as algemas, ajeitar a prisioneira, levantá-la, guiá-la para fora da sala, conduzi-la de volta ao pavilhão... Enquanto os homens cuidavam mecanicamente disso, Vi, numa atmosfera torpe, fechou os olhos e relembrou num disparo de flashes cada segundo daquelas últimas semanas. Quando abriu-os por um momento, estava já passando pelos corredores da delegacia. Sentia-se lenta, arrastada. Fechou-os novamente. A cada instante, uma nova imagem piscava em sua mente. No geral, as únicas imagens que repetia e nas quais se focava foram todas as vezes que Caitlyn olhou-a de frente, direto nos olhos... O primeiro interrogatório. Descansando atrás da barraca do mercado. Sendo arrastada para as celas pela primeira vez. O toque em seu ombro na escada da oficina. O almoço na lanchonete. Fazendo um curativo em seu braço. Ao gritar com ela no ginásio da delegacia. A noite no telhado mais alto da cidade. Após derrubar um carro em alta velocidade. Deitada na cama do hospital, logo após acordar. Sendo tirada à força do quarto. Na sala de interrogatório. Em sua cela. No escritório. E ali. Agora.

– Entre.

Ouviu a voz abafada do policial soar longínqua em seus ouvidos. Abriu os olhos. Estava na porta de sua cela aberta. Deu um passo para dentro. A porta fechou-se atrás de si, mergulhando-a lentamente, aos poucos, mais uma vez no escuro. Fechou os olhos uma última vez. "Ali". "Agora"... Seu pedido havia sido atendido. Agora era hora de se preparar para lutar...

Abriu os olhos com determinação.

Notas finais
Tic... "Kiss me hard before you go... Summertime sadness. I just wanted you to know that, baby, you're the best." - Summertime Sadness; Lana Del Rey *Que emoção! Eu mesma tive que fazer a imagem do capítulo... :D Ainda não expressa exatamente tudo o que eu queria, mas... Dá pro gasto. ^^