Pilares

1 Capítulo único.


Notas iniciais
Essa fanfic é unicamente voltada para o drama, então não esperem nada romântico.

Era fácil, no começo, ironicamente. Quando eles precisavam enfrentar um grande vilão e salvar o mundo, era fácil. Eles tinham um objetivo em comum, uma meta, e isso os mantinha unidos. Nenhum deles — nem mesmo Zuko — questionava a moralidade de suas ações. Estavam fazendo a coisa certa, era inegável.

Trabalhavam em conjunto para transformar Aang em um forte Avatar, capaz de proteger o mundo dos humanos e dos espíritos. E ele tornou-se.

Foi quando a guerra acabou, que as coisas saíram dos trilhos.

Ser o Avatar não era fácil.

Manter um grupo de amigos era menos. Quando a guerra acabou, Zuko retornou para a Nação do Fogo e se tornou Senhor do Fogo. As coisas deveriam ser fáceis para ele — não eram. Havia a política, os jogos sujos e a irmã no asilo. Havia o romance conturbado com Mai.

Em algum momento, Zuko tornou-se inconstante. Dormia fora, acordava tarde. Era um bom Lorde do Fogo. Um péssimo amigo. O afeto em excesso ou a falta dele — sempre os dois extremos, nunca um equilíbrio — o transformaram em um homem translúcido, pouco amigável, taciturno. Casou-se com Mai, mas nunca a amou realmente. Em seus lábios, sentia o gosto do batom das Guerreiras Kyoshi — Ty Lee, ou Suki, ele nunca era capaz de dizer.

Quando a irmã morreu, ainda tão atormentada pelos demônios que nem ele, nem Aang, nem ninguém haviam sido capazes de espantar, Zuko quebrou. A cerimônia foi simples e singela. Izumi se tornou Senhora do Fogo.

Zuko caiu na insignificância e se transformou e apenas mais um dos fantasmas que outrora poderiam ter perturbado sua irmã — se ela ao menos estivesse viva.

Aang tentou ajuda-lo. Realmente tentou. Mas estava ocupado demais sendo o Avatar para ser o Conselheiro do Senhor do Fogo e Zuko se foi — não morreu, apenas se foi — incapaz de ao menos recordar-se de alguma lembrança agradável daquele que algum dia havia sido o melhor de seus amigos.

Relacionamentos são complicados. Aang amava Katara. Tinha certeza disso. Tanta certeza que quando pela primeira vez se encontrou intrigado pela aquela que um dia havia sido nada mais que sua boa amiga e mestra de dominação de terra, Aang não quis acreditar.

Aang amava Katara. Katara o amava. Amava? Talvez ela amasse Zuko. Talvez não soubesse disso. Toph amava Sokka e Sokka.... Sokka ainda amava Yue, por mais que, nas noites gélidas, ele buscasse conforto nos braços de Suki.

Aang tentou controlar-se. Conseguiu.

Os outros, nem tanto.

Suki estivera com Sokka, e então com Zuko. Eles brigavam. Não se amavam — nenhum deles. E quando Zuko tornara-se fora de seu alcance, Sokka também não estava mais lá. Era triste, de fato, para a mais valente guerreira Kyoshi, morrer sem ninguém que a segurasse nos braços — como ela havia feito tantas vezes com os outros.

Em honra e graça descanse a líder guerreira Kyoshi — que jamais soube o que era o amor.

Toph gostava da Cidade República — e então não gostava mais. Ela voltava e desaparecia como o vento, e Aang nunca era capaz de encontrá-la. Saia para procura-la, e então encontrava uma aldeia em necessidade, um casal que fugia de um conflito, um espírito perdido...

Ele precisava ser o Avatar. E talvez isso significasse que não tinha tempo para ser Aang.

Sokka era inteligente, e talvez isso fosse sua maior fraqueza. Era tão inteligente que havia sido capaz de dizer o momento exato em que Suki deixara de o amar — ou ao menos, de achar que o amava. Soube dizer quando Aang passou a colocá-lo de lado. Soube dizer quando Toph acordara para a realidade e percebera que sua enfatuação por ele era apenas isso — enfatuação.

E talvez porque sabia disso, era que sentia-se afogado pela culpa que lhe fechava a garganta enquanto ele selava os lábios dela com um beijo.

Katara ficara até o fim, embora nem sempre parecesse feliz com isso.

Aang tentou ser um bom pai. Falhou miseravelmente. Percebeu que era um grande Avatar — talvez o melhor de todos —, e um péssimo amigo. Um péssimo companheiro, e um péssimo marido. Não havia sido capaz de salvar Azula dos próprios raios, e posteriormente, Zuko, das próprias alucinações. Sentira nos lábios o gosto da maquiagem das Kyoshi, embora tal segredo morresse com ele. Tentara amar Kya da mesma forma que amara Bumi, e só então notara que aquela não era forma nenhuma de amor.

Ele era o pilar que os mantivera juntos, ele concluiu. É foi apenas quando as paredes quebraram que Aang percebeu que uma casa não fica de pé apenas com colunas.

Tenzin viveria para contar sobre o grande Avatar Aang.

Sobre o incrível homem que eles jamais havia sido.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!