Os três metros do véu estavam presos em minha cabeça por flores. A renda delicada subia pelas minhas costas e descia pelos meus braços. O branco nunca fora tão bonito. No dedo eu tinha o solitário que Bento tinha me dado meses antes do casamento. No coração eu tinha enorme felicidade. Nos olhos, a imagem de Bento me esperando no altar da capela.

O véu arrastou as pétalas de rosas vermelhas espalhadas pelo enorme tapete vermelho. A capela toda cheirava a rosas. Tinha arranjos em formatos de arcos com rosas brancas por toda Igreja.

— Até que a morte vós separe.

Naquele momento enquanto fazíamos os votos desejei que nem a morte fosse capaz de nos separar.

—Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe._ disse o Padre em sua bênção final.

***

Não me lembro de ver nossa estância tão bonita.Com tanta gente. Toda família de Bento também estava lá, as irmãs, a mãe que estava sempre sorridente ao lado dos filhos. Ana Joaquina era a que mais se assemelhava com a mãe.

—Cuide bem de meu irmão.-disse Ana com um sorriso no rosto.

—Eu prometo.

— Aqui está o que usted me pediu, meu irmão.- ela sorriu e entregou uma caixa de veludo preto para Bento e tomou novamente o braço do marido e foram dançar.

— Eles parecem ser muito felizes. — eu disse.

— E são, assim como nós seremos. — ele sorriu e me tomou a mão. _Venha.

Passamos pelos convidados que dançavam e chegamos a pequena fonte decorada com flores de onde podíamos ver toda festa.

— Quero te entregar um presente especial. Pedi que fizessem uma joia especial, um camafeu.- disse enquanto passava a joia pelo meu pescoço.

—É lindo.Saiba que joia mais preciosa quem carrega é usted , esposo mio. Eu lhe entreguei meu coração, ele será para sempre seu.

— E eu serei por inteiro, sempre teu. Usted me tem nas mãos ,Uruguaiana. – ele me segurou o rosto com as mãos, me beijou a testa e sem seguida os lábios.

***

— Onde estavam? Maria quer se despedir. – disse Antônia

— Mas já? – disse Bento.

— Ela disse que não está se sentindo bem. Creio que ela esteja prenhe.– disse ela sussurrando

***

Dançamos inúmeras polcas. Meus pés estavam doloridos, mesmo assim ainda dançávamos. Ana Joaquina e minha mãe me ajudaram a trocar o vestido de noiva por outro.

— Acho que os noivos precisam ir embora. – disse Ana Joaquina com um sorriso.

Nos despedimos dos convidados. Um coche nos esperava.

***

A cama era de dossel. Tinha um espelho grande de cristal. O quarto cheirava a madeira nova e a alfazema. A brisa que vinha lá de fora balançava as cortinas brancas.

— Falta uma penteadeira neste quarto.- disse Bento enquanto beijava meu pescoço. _ Não quero que tenha medo. — ele sussurrou

— Eu não tenho.