Piel de Lava

5 Era sua irmã


Contra minha vontade saímos para cavalgar.

—Caetana, pode ser apenas uma das irmãs dele.

Ignorei a fala de Isabel e continuei a sua frente.

—Não foi você mesma que disse que ele tinha várias irmãs?

—Ele tem três irmãs.Todas elas são casadas, ao menos foi o que ele disse.

—Tá, mas...

—Shiiii!_cortei a fala de Isabel._Gosto de cavalgar em silêncio._disse e sai em disparada.

—Caetana!_ouvi Isabel me chamar.

Ainda em disparada cruzei com Bento.Ele disse algo mas ignorei, passei batida.Quando olhei para trás ele falava algo com Isabel.

—Não vais querer saber o que ele estava falando comigo?

—Não._disse seca._E é melhor...

—Agora quem não quer te ouvir sou eu!_disse ela saindo em disparada.

—Pare este cavalo, Isabel Eleutéria!

***

—Deus! Vocês duas não ouviram quando o pai de ustedes disse que não deveriam se atrasar?_disse minha mãe._Estão cheirando a cavalo!_Isabel ousou escapar um riso._As duas, agora para a casa de banho! Frio,pois ustedes demoraram e a água esfriou.

—Sim Senhora,mama.—Eu disse.

Consuelo, que ouviu o que minha mãe dissera, levou uma chaleira com água fervendo e colocou na banheira.Eu e Isabel entramos e ficamos sentadas uma de frente para a outra.

—Sabe o que Bento me disse?

—Não me interessa.Nada que vem daquele homem me interessa.

Isabel jogou água em meu rosto e riu.

—A algum tempo atrás vosmecê só falava e pensava em Bento.Bento Gonçalves,o gaúcho que...

—Isabel,chega.Eu estou me sentindo mal.Quer saber, se enamorar é algo horrível._disse e uma lágrima escorreu e se juntou a toda água da banheira.

—Caetana, não fique assim minha irmã._disse Isabel me abraçando.

***

—Como estão bonitas._disse mamãe com um sorriso._O vermelho lhe cai muito bem, Caetana.

—Também acho._disse Isabel.

Eu estava vestida com um vestido vermelho e com o cabelo preso em um coque.Enquanto Isabel usava um vestido azul claro, com detalhes delicados, como ela era.

—Obrigado

***

A mesa estava como sempre, farta.Fazia tempos que meu pai não oferecia um jantar a alguém.

—Eles já devem está quase chegando._disse mamãe._Que belo, vosmecê marido._disse mamãe sorrindo quando viu meu pai.

Ustedes que estão maravilhosas, minhas prendas._ele disse beijando as mãos de mamãe.

—Com licença. _disse Consuelo._É que seus convidados acabaram de chegar.

—Ótimo._mamãe sorriu.

Eu e minha irmã nos entreolhamos. Eu estava nervosa e era evidente.

—Está tudo bem, Caetana._disse Isabel apertando minha mão.

Fomos todos a sala onde os convidados estavam.Mamãe e papai foram os primeiros a cumprimentam Bento e aquela moça.

Buenas Senhor Bento._disse Isabel, e em seguida cumprimentou a moça.

Buenas, Bento._eu disse.

—Caetana_ele sorriu e beijou minha mão._Bem, creio que ustedes ainda não conhecem Antônia._disse ele sorrindo para a moça que parecia tão triste.Não pode deixar de ver que ela estava toda vestida de preto._Antônia é minha irmã. Acabou de chegar do Rio Grande Sul para passar um tempo aqui.

—Irmã._Isabel sussurrou em meu ouvido.

Aquilo foi como tirar um peso das minhas costa.Tirar uma pedra do meu coração.

—O Uruguai é um lugar muito bonito._disse ela com um sorriso acanhado.

—O Uruguai ficar muito bonito nesta época ano._disse mamãe.

Em seguida ela conduziu todos a sala de jantar.Meu pai , como chefe da casa se sentou na cabeceira da mesa, minha mãe a sua direita.Bento como era convidado se sentou a sua esquerda e Antônia ao seu lado.Do lado direito da mesa, eu e Isabel nos sentamos.

Durante o jantar algumas palavras foram trocadas.Foi muito agradável.Meu pai gostava da presença de Bento.

Quando o jantar terminou, meu pai e Bento foram para o escritorio.Negócios e guerras são sempre o centro das conversas masculinas.

Nos mulheres voltamos à sala.

— O que fez uma moça como vosmecê vir ao Uruguai com o irmão?_Perguntou Isabel. Minha irmã as vezes era tão esperta, mas as vezes tão ingênua.Era óbvio, vestida daquele jeito e com feições triste, aquela moça acabava de ficar viúva.

—Fiquei viúva a pouco tempo.

—Sinto muito._ dissemos em uníssono.

—Bento achou que um tempo aqui fazendo companhia a ele fosse amenizar a dor do luto._ ela sorriu triste com no canto dos lábios.

—Se não se importa em responder minhas pergunta._ disse mamãe._ Do que vosso marido morreu?

—Na peleja.Giuseppe era muy moço, cheio de vida. E adorava as pelejas. Morreu lutando, como o pai dele, como meu pai._ela deu um suspiro longo._ Como muitos homens no Sul.

Senti um aperto no peito.Eu nem tinha Bento e sentia medo de perde-lo.

Permisión._disse minha mãe se levantando.

Os olhos de Antônia seguiram minha mãe passando pelo corredor. Estava sentada entre mim e Isabel. Ela respirou fundo, e olhou para mim

—Bento quer se encontrar com vosmecê para que possam conversar.

Eu a encarei e em seguida olhei para Isabel. Era óbvio que ela já sabia de algo.

Pelo corredor Bento vinha acompanhado de meus pais.

—Diga a ele que vou_sussurrei._Mas onde...

—Não se preocupe com isso._ela se levantou.