Pieces of Her
14 Chegando a Konoha.
Notas iniciais
Sexta-feira (18 de Setembro)
Olhava para o pulso vigiando a hora, não poderia perder esse vôo. Ufa! Ainda estava em tempo de fazer o check-in. Ajeitou no ombro a bolsa, que continha poucas roupas da Hyuuga e olhou para a mesma, ao seu lado. Sua expressão não era das melhores, respirou fundo, sabia que a morena não queria ir consigo e fora um saco convencê-la a ir até lá, tanto que ele mesmo não conseguira, sua Okaa-san falara algo com ela no telefone que a fez mudar de idéia, não sabia o que ela falara, mas, pelo menos, deu certo.
– Me espera aqui, ok? – falou o loiro, vendo-a assentir e sentar-se em um dos muitos bancos azuis vazios, próximo de onde estavam. Ele iria pegar as passagens, sozinho, assim ela não precisaria ficar muito tempo em pé. Olhou de um lado para o outro do aeroporto, estava um pouco nervosa, nunca andara de avião antes e nunca imaginou que aquele lugar fosse tão cheio.
Era noite, talvez já passassem das 23h, não tinha certeza, e mesmo assim tinham milhares de pessoas andando apressadas com suas malas, falando ao telefone, por ali. Com certeza, essa era o lugar mais cheio da cidade! E, apesar de, anteriormente, não querer ir, estava um tanto quanto empolgada com a nova experiência que teria. Empolgada para a parte do avião, não de falar com a mãe do loiro. Ela a assustara, bom, um pouco.
Estava decidida a não ir, não tinha nada para fazer numa cidade minúscula que sequer ouvira falar, ainda mais para agradar Naruto, queria mais que ele explodisse, não ligava para o que o loiro queria ou não. Revirou os olhos, por ela, ele podia ir e só precisava deixar o dinheiro, para que ela pudesse comprar um cigarro, precisava de um, sentia-se em abstinência já. Mas então ele a passou o telefone, dizendo que alguém queria falar com ela e que susto levara com a voz que gritou do outro lado da linha. Kushina dissera que era importante que ela fosse e caso não ela aparecia no apartamento do filho para lhe dar a boa surra que sua mãe não havia dado. Como aquilo mexera com a mais nova, tanto que ali estava ela, afinal era mesmo algo que uma mãe faria, mãe essa que ela não teve.
– Já podemos ir? – perguntou quando viu o loiro se aproximando, a voz um pouco alta para que ele a pudesse ouvir. Esperava que sim, não gostava do rumo que tomava seus pensamentos. O loiro assentiu, segurava nas mãos as passagens de ambos, seu pai já estava avisado da hora em que chegariam para ir buscá-los na cidade vizinha a Konoha, onde ficava o aeroporto mais próximo, e faltava apenas 1h para decolar o avião, o que indicava que já podiam embarcar. Hinata se levantou e seguiu o mais velho que parecia saber onde estava indo. – É aquela fila? – olhou para a fila, estava meio cheia. Ele negou com a cabeça e apontou para o outro portão.
– Ali só serve pra quem ta levando malas. – explicou, deixando a Hyuuga passar a sua frente para entrar no portão primeiro. Foram encaminhados para dentro do avião e passaram a procurar seus assentos. Hinata olhava para o avião, que era considerado pequeno pelo povo do aeroporto, mas que para ela parecia enorme, tocando as poltronas vazias e macias. – Aqui. – apontou para a cadeira deixando a morena se sentar enquanto enfiava a bolsa no compartimento em cima das cadeiras. Hinata sentou-se e observou o loiro colocar a bolsa com facilidade no lugar, ela teria que subir em cima de um banco para conseguir, era muito alto ou será que ela que era muito baixa?! Naruto fechou direitinho e assumiu seu lugar ao lado da morena, ela o encarava deixando-o encabulado. – O que foi? – perguntou.
– Só reparei agora que você é muito alto. – respondeu sincera, virando-se para se acomodar a cadeira, iria demorar a chegarem e queria estar confortável. Ele corou e tirou debaixo deles um pequeno cobertor individual que tinha, jogando sobre o corpo da morena, ficaria frio e mesmo com o casaco dele que apareceu no corpo da morena antes de saírem do apartamento, sem que ele nem soubesse como ela pegara, ela sentiria frio se dormisse, como parecia pretender. Hinata puxou um pouco mais o cobertor, terminando de cobrir o braço e fechou os olhos, tentando relaxar. Temia sentir medo de altura, então era melhor dormir.
Naruto não tinha sono, mas confessava estar cansado. Graças a Kami, no trabalho, estava tudo dentro dos prazos, mas teve de ler algumas matérias e, infelizmente, barrar algumas, mas tudo bem, isso era tranqüilo, o que o havia cansado mesmo foi ajudar Gaara com a mudança de suas coisas para a nova sala. Caramba! Nunca pensou que papel podia pesar tanto.
Pegou o fone para ver o filme que passava aos passageiros antes de reclinar-se, assistiria até que viesse o lanche, depois dormiria como a morena, afinal acreditava que teria um dia longo amanhã.
...
Sábado (19 de Setembro)
– Minato-kun. – chamou, começava a fazer o almoço para receber o filho e, por isso, estava de frente para um relógio bem grande que ficava pendurado na parede da cozinha. Temia que o marido se atrasasse para buscar o filho. Tudo bem, sentia falta de seu menino todos os dias e a ultima vez que ele foi estava prestes a surtar de tanta saudade, mas nunca se sentira tão nervosa, pois agora tudo era diferente! Seu filho não vinha para ver os pais que o amavam tanto, mas sim, para que eles o ajudassem com uma menina que seria mãe de seu filho. Podia sentir seu coração batendo, de tão forte que eram os batimentos, teria que controlar todo seu lado explosivo para conversar com a morena, pois sabia que lhe dar umas boas palmadas, como se faz com uma criança, não ajudaria em nada. – Minato-kun! – chamou mais uma vez, a resposta demorou tanto que já fora convencida de que não tinha sido ouvida.
– O que foi Hime? – apareceu na porta da cozinha, colocava o casaco quando ela o chamou, o tempo estava ruim, nuvens negras cobriam o céu e o vento estava frio, gostava desse tipo de clima, mas não dava para sair sem se agasalhar.
– Vai se atrasar! – disse e largando o frango que fatiava apontou para o relógio. Ele sorriu aproximando-se dela, abraçando-a por trás de seu corpo, até pela voz de sua esposa podia notar seu nervosismo para o que essa visita reservava e para acalmá-la beijou-lhe a nuca sentindo-a se arrepiar. Kushina respirou fundo sentindo seu corpo relaxar e apesar de adorar ter seu marido dessa forma, agorinha mesmo, não podia ele tinha que ir buscar Naruto. Virou-se para ele, iria o enxotar, mas antes que pudesse seus lábios foram tomados e suspirando, vencida, entregou-se ao beijo. Deixou sua língua guiar-se junto a do amado, contorcendo-a junto com a dele antes de explorar sua boca, como ele fazia com a dela, era uma sensação tão boa que quando afastaram-se ambos sorriam. – Vai logo, Minato-kun. – empurrou seu peito, afastando os corpos. – Vai, vai. – ele assentiu, saindo sorridente da cozinha. Olhou para o pulso, procurava ver a hora, mas suspirou ao lembrar-se que dera seu relógio ao filho, não tinha como saber! Puxou o celular do bolso da frente da calça e viu que marcava 9h em ponto, chegaria a tempo.
...
Hinata esfregava os olhos sentia seu corpo todo torto, nem quando dormia naquelas camas de motéis baratos depois de uma balada longe de casa ficava tão moída quanto agora! Droga! Girou o pescoço, da frente até atrás, tentava melhorar a dor. Naruto apenas observava e ria das caretas de dor que tomavam o rosto da morena enquanto ela se remexia. Ajeitou a bolsa, fazendo-a atravessar seu corpo e sorriu mais alto quanto uma exclamação dolorosa tomou a Hyuuga ao terminar de girar o pescoço.
– Está rindo do que? – perguntou raivosa. Qual era daquele loiro idiota que achava que poderia rir dela? Sequer queria ter ido até ali! E se tivesse ficado no apartamento, não sentiria como se um trator tivesse atravessado seu corpo. Naruto mordeu os lábios e negou com a cabeça, sacudindo as mãos em frente ao rosto para enfatizar que não ria de nada. Era difícil se controlar, pois sabia que ela ficaria daquele jeito.
Como ele sabia? Bem, por dois motivos! O primeiro era que a Hyuuga deitara completamente torta e quando ele tentou ajeitá-la sobre seu peito, para que relaxasse melhor, ela o empurrou e resmungou virando-se para o outro lado, o que a fez ficar ainda mais torta. E segundo que ele mesmo, a primeira vez que andara de avião, sentira-se assim, completamente destroçado, mas ela ainda tivera opção!
– Vamos procurar Otou-san, está bem? – não se sentia confortável como a forma que ela o encarava, parecia querer pular em seu pescoço, podia perceber que isso aconteceria se ele desatasse a rir e ele queria muito rir, muito mesmo, por isso, achou melhor morder um pouco mais os lábios, respirar fundo e ir procurar o pai. Ela assentiu e esperou parada a direção que o loiro tomaria, para segui-lo. Nunca estivera naquele lugar antes, que, diga-se de passagem, era minúsculo se comparado ao aeroporto de Tókio, mas poderia se perder caso fosse guiar um caminho. Naruto olhou de um lado ao outro após olhar no relógio, 10h26, chegaram bem na hora, então seu pai já estaria ali. Tentava adivinhar aonde o pai teria estacionado ou, quem sabe, enxergar os cabelos loiros tão parecidos com os seus, cada dia maiores.
Minato já tinha estacionado o carro em frente ao aeroporto, esperava que o avião do filho não atrasasse, afinal só podia ficar parado ali por 5 minutos antes de correr o risco de uma multa. Respirou fundo e se esticou para tentar enxergar o mais novo. Sorriu, graças a Kami seu filho era extremamente alto. Esticou os braços acenando para Naruto que seguia na direção errada.
Naruto sorriu e automaticamente puxou Hinata pelo braço, levando-a na direção do pai. Quase que fora parar do outro lado do aeroporto. A morena ia puxar o braço, reclamar, quem ele achava que ela para a segurar daquela forma? Mas seus olhos prenderam-se em um homem mais velho, muito parecido com o loiro, deveria ser seu pai e uau! Como seu pai era bonitão!
– Finalmente! — disse Minato antes de puxá-lo para um abraço, quando Naruto se aproximou. – Se eu levasse uma multa, você quem ia pagar! – Naruto sorriu, pagaria tranquilamente, mas sabia que aquilo era brincadeira, seus pais nunca permitiram nem permitiriam que ele gastasse algum dinheiro com eles. Soltou o filho e analisou a pequena emburrada ao seu lado, o rosto juvenil não negava a idade que Naruto dissera. – Prazer em conhecê-la, sou Minato. – esticou a mão para um cumprimento, mas a morena apenas olhou, sorrindo amarelo e indiferente. O mais velho arqueou as sobrancelhas, surpreso.
– Não liga pra ela, pai. – disse Naruto, quando viu o silencio se instalar e a mão esticada ao vento começar a se tornar algo constrangedor. Hinata não se mexia para o cumprimentar e nem iria, pelo contrario, ela bufava ao sorrisinho feliz que não saia do rosto do mais velho. Tão bonito e tão estranho quanto o filho, pensava ela. – É uma mal educada! — Minato riu da resposta do filho, parecia estar falando de uma filha. Assentiu e abriu a porta de trás para a menina entrar. Pelo visto tudo que Naruto dissera era verdade, literalmente, Hinata era uma garota problema. Deu a volta do carro abrindo a porta do motorista e Naruto sentou-se ao seu lado, no carona. – Por que Okaa-san não veio? – respirou fundo, estava tão nervoso com o que a ruiva podia querer conversar com a morena, bom, imaginava que a própria estivesse ainda mais, então por que não estava ali para recebê-los?
– Ficou para providenciar o almoço. – explicou. – Disse que vocês chegariam com fome. – sua esposa insistira que queria ficar em casa para fazer o almoço, mas acreditava que era apenas para controlar-se. Do jeito que conhecia a mulher se Hinata fizesse o que fez a ele, não o cumprimentando, ela já teria explodido com a jovem. Hinata prestou atenção ao assunto, seu estomago pareceu reagir a palavra almoço, roncando. Ela estava verde de fome, literalmente! Sentia tanta fome que começava a ter enjôo.
– E o que ela vai fazer? – perguntou sorridente, sentia tanta falta da comida da mãe.
– Ela estava entre lamen e yakisoba, não sei qual ela escolheu. – respondeu.
– Ahhh, tomara que lamen! – a voz sonhadora mostrava o quanto amava o lamen da mãe. – A comida mais perfeita que já comi na vida, tão suculento, temperado e a carne... Oh delicia. – ele parecia viajar, até uma tapa estalar em seu braço e ganhar sua atenção mais pelo barulho do que pela dor.
– Não fale de comida! – amava lamen, mas só de lembrar o cheiro de um sentia o estomago embrulhar, a bile já tomava conta de sua boca e se o Uzumaki não parasse, com certeza, não agüentaria segurar o vomito. Ambos os loiros olharam para trás e arregalaram os olhos ao verem a morena cobrir a boca com a mão, o rosto pálido e com suor, provavelmente, suor frio já que o tempo estava gelado e o vento adentrava o carro pela janela aberta. Naruto e o pai engoliram a seco, por mais que já tivessem parado de falar sobre comida a morena não parecia que agüentaria segurar o vomito e o mais velho lembrava-se bem como era aquilo, lembrava-se da gravidez de sua esposa.
– Você está bem? Quer parar em algum lugar? – perguntou Naruto, estava preocupado podia ver em seu rosto que ela não estava legal e tinham pela frente mais 1h de carro. Ela negou e apoiou a cabeça no banco do carro engolindo a todo instante a saliva para tentar controlar-se. Não queria vomitar no meio da rua, o que acabaria acontecendo se parassem ali, conseguiria se controlar do irritante enjôo matinal, que já fazia parte de sua rotina, se ninguém mais falasse de comida.
– S-Só n-n-não falem de comida! – forçou a voz para que pudessem entender e voltou a engolir a bile. Droga! Que a viagem não demorasse muito! Naruto olhou para Minato e viu que seu pai sabia tanto o que fazer quanto ele, ou seja, nada. O mais velho deu de ombros e continuou a viagem. Esperava, com todo seu ser, que ela conseguisse agüentar ou, ao menos, avisar quando não agüentasse mais. Hinata fechou os olhos com força, tentava se controlar e sabia que iria conseguir, pelo menos, até chegar na casa do loiro.
...
Terminara de fazer o almoço e estava sentada no sofá aguardando a chegada dos familiares, a televisão estava ligada, mas olhava mesmo para suas pernas cruzadas onde repousava sua mão com a frigideira grande e vazia. Sim, ela não brincava quando falou que acertaria Naruto. Tudo bem, como a boa mãe que era conseguia entender o filho e até o tentaria ajudar, mas isso não mudava que ele não confiara nela e merecia apanhar! Bufou, uma frigideiradinha não ia machucar muito o homenzarrão que o filho se transformara.
Piscou os olhos e olhou em direção ao barulho de carro próximo a casa, finalmente, eles haviam chegado! Parecia que não iam chegar nunca. Levantou-se calmamente e abriu a porta sorrindo ao ver o filho sair do carro, mas lembrou-se o que levava até ali e apertou mais a frigideira com a mão, controlando-se para não tacar em sua cabeça, podia acertar alguém, até mesmo, quebrar o carro.
– Okaa-san. – saiu andando em direção a mãe, os braços estendidos prontos para um abraço apertado, mas parou quando viu a frigideira ser suspensa e o sorriso maldoso tomar conta do rosto da ruiva. – O-O q-q-que v-vai fa-fazer? – os olhos arregalados denunciavam o quanto temia o que a mãe faria, mas os passos em ré a faziam rir demasiadamente.
– Te ensinar uma lição! – gargalhou, correndo atrás do filho que fugia das prováveis paneladas que levaria.
– Okaa-san, gomen... – corria, dando voltas no carro, desesperadamente. Os cabelos voavam e seus olhos brilhavam de ódio, se ela o alcançasse ele estaria morto.
Minato deu a volta e pulou na grama para escapar da possível agressão que sofreria se ficasse ali, no caminho. Hinata olhava a cena de olhos arregalados e, no fundo, controlava-se para não rir. Naruto corria como um louco e a risada dela poderia ser comparada com a de uma bruxa maléfica dos contos de fada, viu o mais velho afastado olhando e resolveu que seria mais seguro juntar-se a ele. Parou na grama ao lado de Minato e o olhou de canto.
– Eles são sempre assim? – sussurrou, vendo-o assentir, o riso satisfeito a deixava mais confusa.
– Às vezes pior. – respondeu a fazendo arregalar ainda mais os olhos. Aquela família era normal? Tudo bem, que sempre achara o loiro estranho, mas sua família! Caramba! – Vamos entrar! É mais seguro lá dentro! – ela assentiu e olhou para a porta aberta indo rápido até ela quando ouviu o grito do loiro que pedia por socorro e clamava para que sua mãe parasse. Realmente, era mais seguro lá dentro! – Bem vinda! – Minato a recepcionara a humilde casa que ela observava ser, totalmente, diferente do luxuoso apartamento que Naruto tinha na cidade dela, mas antes que pudesse até mesmo responder ao cumprimento o cheiro de lamen, que estava por toda casa, invadiu suas narinas trazendo o enjôo mais uma vez.
– Onde é o banheiro? – perguntou levando a mão para boca, tentando controlar o vomito, que dessa vez seria impossível já que o cheiro estava tão forte. Minato apontou para o corredor que dava ao banheiro e ela correu em sua direção, não agüentaria mais um segundo sequer.
...
Naruto corria de um lado ao outro, ele não merecia o que via nos olhos da mãe que ela faria quando o pegasse, mas sentia as pernas ranger e doer. Em Tókio levava uma vida, totalmente, sedentária e não praticava esportes fazia tanto tempo, que já estava ofegante enquanto sua mãe parecia estar a todo vapor.
– Por favor, Okaa-san. – parou, as mãos em frente ao corpo, informando que desistira. – Pare! – ela riu, alto. E então acertou com a frigideira em sua cabeça, fazendo o canto de seus olhos lagrimejarem. – Por que fez isso, Okaa-san? – chorava, coçando a cabeça onde, com toda certeza, se formaria um galo.
– Você não me contou! – respondeu, a voz estava triste, decepcionada, mas feliz por ter acertado o filho. – Pensei que confiasse em mim, Naruto-kun! – ele massageou a região da cabeça atingida e o canto de seus olhos estavam ainda mais cheios de lagrimas, mas não pela pancada, por saber que era culpa sua a expressão e a voz decepcionada da mãe.
– Onegai, perdoe-me. – ele estava errado, não contara afinal, sentia medo do que ela podia falar, medo de ver exatamente aquilo que via agora, decepção. Ela assentiu e circulou o corpo do filho com os braços, queria que ele tivesse lhe contato! Queria poder ter certeza que não importasse o que acontecesse seu filho sempre teria certeza que poderia dividir e confiar a ela. – Prometo que nunca mais escondo nada da senhora, Okaa-san. – ela sorriu e suspirou, era bom ter seu filho em casa, mesmo sabendo ser por pouco tempo.
– Tudo bem, mas agora me apresente a famosa Hinata. – pediu afastando-se do filho, sorrindo, o mostrando que já estava tudo bem. Naruto sorriu feliz, mas mais uma vez esfregou a mão na cabeça, a ruiva continuava tendo a mão pesada. Ao lado da mãe se encaminhou para a casa de sua infância, parando na sala curioso, vendo só o pai e nada da Hyuuga. Kushina semicerrou os olhos. – Ué, cadê a menina? – o mais velho abriu a boca para falar, mas antes que pudesse a porta do banheiro se abriu a morena apontou na ponta da sala, olhando para a família reunida. – Você é Hinata? – a mais nova apenas assentiu, se já temia a mulher pelo que falara no telefone agora em frente a ela e com aquela frigideira na mão, temia ainda mais. – Que tal darmos uma volta?
– Eu achei que fossemos alm...
– Prometo que comemos algo na rua. – jogou a panela para o marido no sofá e acenou para fora com a cabeça, vendo a Hyuuga sair. Naruto olhava as duas com uma expressão confusa até que sua mãe piscou para ele, tranqüilizando-o.
Hinata caminhava ao lado da ruiva em silencio, tentava adivinhar o que ela poderia lhe falar, sabe, aqueles sermões chatos que ouvira toda a vida do pai, ou aquelas coisas que os professores te falam na escola, revirou os olhos, não teria um pingo de paciência para ouvir aquilo. Via Kushina falar com todos enquanto caminhavam na rua, todo mundo ali se conhecia?! É, parecia que sim, pois a cada esquina que viraram alguém a chamava.
Kushina avistou a praça de Konoha, o lugar mais legal da cidade e tinha comida, só pipoca, mas ainda assim comida. Olhou para a morena que deixava o olhar entediado tomar-lhe o rosto enquanto caminhava, tinha para si que até o final daquela conversa entenderia a menina e porque de tanta rebeldia. Tocou um banco da praça, sentando-se e deixou a morena sentar-se ao seu lado.
– Quer pipoca? – perguntou, ela prometera que comeriam algo e um pacote de pipoca era o suficiente para esperar o almoço que teriam ao chegar em casa. Hinata negou com a cabeça, usara o almoço como desculpa para não ter que sair com a mais velha, mas, na verdade, seu estomago ainda estava embrulhado. – Por que acha que te trouxe até aqui pra conversar? — a ruiva cruzou as pernas e inclinou o corpo na direção da menina que deu de ombros.
– Não sei, talvez pra me dar aqueles sermões de pai pra filho ou de mestre para aluno. – disse claramente debochada fazendo a outra bufar.
– Você não é mais criança para ouvir sermão de pai pra filho, ou no caso, mãe pra filha. – disse Kushina, a seriedade no rosto e na voz surpreenderam a menina que piscou confusa, então o que ela falaria? – Eu, realmente, quero conversar com você, mas uma conversa de mãe para mãe, coisa que você já deveria ter se tocado que agora é.
Continua...
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