Piece of me
1 Prólogo
NYC, 2001
"Como assim grávida"? explodiu Charlie, perplexo, após minha revelação. Meu Deus, o que será que ele vai fazer comigo?
Enquanto minha mãe, do outro lado da sala, apenas chorava.
"Me desculpe, papai" Senti minha voz vacilar, e lágrimas grossas e quente rolaram pelo meu rosto.
Meu pai andava de um lado para o outro, praguejando, chutando e quebrando tudo que via pela frente,minha mãe estava em choque, apenas soluçava e emitia murmúrios do tipo: "onde foi que eu errei?".
"COMO VOCÊ PÔDE, ISABELLA? TEM APENAS 14 ANOS" perguntou ficando de joelhos frente a mim, seu rosto estava vermelho, exalava raiva, a ponto de entrar em combustão, mas quando olhei no fundo de seus olhos,
enxerguei um sentimento muito pior que raiva, decepção.
Minha mãe se levantou, já recuperada do choro e se pronunciou pela primeira vez:
"Nós vamos resolver isso, Charlie." senti um calafrio percorrer minha espinha, algo em sua voz me fez sentir medo
"Bella" me encarou Emmett, estava tão quieto que até havia esquecido de sua presença, com os olhos marejados e repletos de ternura
"Você é minha irmãzinha e eu sempre vou cuidar de você" disse me abraçando, foi o suficiente para que eu desabasse em lágrimas,
me agarrando ao meu irmão.
"Não me abandone", foram minhas únicas palavras.
"Nunca" recebi de volta.
"Aguente mais um pouco", eu repetia pra mim mesma, enquanto encarava meu rosto pálido no espelho. Não havia um só dia que aquelas lembranças não invadiam minha mente. Eu me arrependo tanto de ter aceitado a proposta ridícula de meus pais, se bem que eu não tive escolha, quando se é uma criança de 13 anos, grávida e totalmente dependente dos pais, não tem muitas opções. Eu não os culpo, Renée e Charlie, eles apenas queriam o melhor pra mim, e estavam tão desnorteados quanto eu. Abdiquei do direito de ser mãe, por conta da não aceitação dos meus pais com minha gravidez. Mas ainda tenho esperanças de ser completamente feliz um dia, de não ter que viver essa mentira que tenho vivido à doze anos, doze longos e torturantes anos. O que me consola, é ter meu filho perto de mim, tão perto e tão longe ao mesmo tempo.
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