Pictures of You

2 Capítulo 1 - Cinco anos depois.


Exaustão. Essa era a palavra que definia Karina naquela noite.

Com o braço por cima do ombro de Pedro, se apoiando, enquanto ele a segurava pela cintura, ela entrou em seu apartamento, e assim que fechou a porta o rapaz quebrou o silêncio.

–Onde quer que eu te deixe?

–Na cama. -ela falou rápido e sem pensar, mas tratou de mudar a resposta assim que viu o sorriso malicioso no rosto dele. -Esquece, eu posso ficar aqui no sofá, depois eu me viro.

–Continua a mesma orgulhosa de sempre. -ele comentou, se sentando em uma poltrona.

–E você continua o mesmo moleque irresponsável e folgado de sempre. Sabia que você já pode ir?!

–Não quer que eu ligue pro seu Gael, ou pra tia Dandara?

–Ah, claro! 'Oi seu Gael, então, eu atropelei sua filha, mas já tá tudo o.k., só liguei pra avisar. Beijo!' –Karina fez uma imitação falha da voz de Pedro, e tinha cinismo no rosto. -Não, obrigado. Tchau.

–Primeiro: Eu não falo assim. Segundo: Eu não tenho culpa se você é uma louca que atravessa a rua quando o sinal está fechado para pedestres. Terceiro: Não foi bem um atropelamento, você só machucou o tornozelo e...

–E vou precisar me afastar do meu emprego e da minha profissão por uma ou duas semanas. Sem contar que vou precisar de ajuda para me locomover. Típico de você, meu dia indo de mal a pior, e você aparece pra ferrar com tudo.

–Se servi de consolo, eu também não queria que nosso reencontro fosse assim.

Karina procurou argumentos para rebater aquilo, mas tudo que se passava pela sua mente era que ele provavelmente tinha planejado lhe reencontrar, e isso mexeu com ela, mas ela não admitiria.

Então ela ergueu os olhos e encarou Pedro. Era a primeira vez em cinco anos que eles se olhavam daquela forma, com tanta intensidade. Um tentando ler o pensamento do outro, um querendo matar a saudade do outro apenas com um olhar. Mas não era assim tão simples, e o telefone fixo tocou pra lhes lembrar isso.

Karina alcançou o aparelho que estava na mesinha de centro, bem perto de si.

"Fala."

"Karina, onde você está? Pensei que disse que estava vindo para o hospital ver sua irmã a 4 horas atrás!"

"ÔÔ pai, cê tá ligando pro telefone fixo, acha que eu tô aonde?"

Pedro não evitou a risada ao ouvir a lutadora falar aquilo. "Sempre doce." Ele pensou.

"Karina, olha o respeito."

"Foi mal, tive um imprevisto."

"Um imprevisto? Sua irmã estava no hospital! Que imprevisto foi esse?"

"Eu... eu meio que fui atropelada." Ela disse a contragosto "Mas eu já tô legal. Tô em casa, e amanhã eu passo aí, o.k.?"

"Meio que atropelada?! Era só o que me faltava. Eu estou indo praí, agora."

"Não precisa, já falei que tô legal."

"Te conheço Karina. Chego aí em 30 minutos."

"Pai, o senhor... Pai? Pai?"

Ele já havia desligado.

–Droga seu Gael. -ela resmungou.

Pedro a observou praguejar baixo e resolveu que era hora de ir.

–Eu acho que já vou indo. -ele se levantou. -Tchau Karina.

–Tchau Pedro. -ela o seguiu com os olhos até a porta.

Quando ele estava para sair parou e olhou para ela.

–Desculpa.

–Tudo bem, eu não devia ter atravessado a rua daquela forma.

–Eu não estou falando disso. -ele deu um sorriso sem graça e fechou a porta atrás de si.

Karina ficou em silêncio por algum tempo. Apenas absorvendo tudo que havia acontecido em seu dia. Desde seu pai lhe ligando para avisar que Bianca estava no hospital, até Pedro quase lhe atropelando. Realmente o destino odiava ela.

Encontrar Pedro daquela formar estava fora de cogitação. Aliais, reencontrar ele estava fora de cogitação de qualquer que fosse a forma. Depois de 3 anos sem qualquer contato 'cara-a-cara' com o rapaz, Karina começou a achar que nunca mais falaria com ele novamente, mesmo com tantas coisas os ligando.

"Eu não estou falando isso."

Por que ele tinha que voltar depois de 5 anos?

Por que ele tinha que continuar causando essas sensações nela depois de 5 anos?

Karina se levantou do jeito que pôde, se apoiando nos moveis e nas paredes, derrubando uma coisa ou outra pelo caminho, depois de algum tempo chegou ao seu quarto e se sentou na cama enquanto vasculhava a mesinha de cabeceira. Logo retirou um álbum grosso e colocou sobre seu colo enquanto se ajeitava na cama.

O álbum era todo personalizado, com uma foto de Pedro e Karina já na capa, e gravado em letras cursivas "Perina". Pedro havia lhe dado no aniversário de um ano de namoro, duas semanas antes dela descobrir tudo e eles brigarem feio. Aquele era o único presente dele que ela guardara.

No álbum haviam fotos deles, desde o primeiro beijo até tudo que haviam vivido. Karina abriu o álbum.

~

Karina desembrulhou o presente, rasgando todo o papel de presente sem a menor cerimônia.

–Sempre delicada, hein Esquentadinha?

–Que é Moleque, quer que eu guarde a embalagem ou o presente?

–Quero um beijo. Pode ser?

Karina fez feição de quem está pensando, e logo em seguida beijou o garoto. E se voltou para o presente.

–Pê... -ela olhou o álbum maravilhada. -É lindo.

–TomTom me ajudou. Estamos sempre rodeados de câmeras, não foi tão difícil. Agora achar uma que você não estivesse me batendo antes do namoro, isso sim foi tarefa de mestre. -ele deu aquele sorriso que o fazia fechar os olhos, e Karina o deu um beijo rápido.

–Bobo. -ela abriu um álbum, e uma frase ecoou em sua mente: "Sabe do que você tá precisando?" -Eu não acredito! Como...?

–O vicio do Johnny serviu pra algo. Ele gravou, daí foi só achar o melhor quadro e revelar. -ele sorriu satisfeito com o brilho nos olhos da garota. -É o nosso primeiro beijo Esquentadinha, precisava da primeira página."

~

–Você está vendo isso de novo, filha?

Karina não percebeu seu pai no batente da porta de seu quarto, de tão imersa que estava em suas lembranças. Gael tinha uma chave, ela devia ter lembrado.

Ela limpou as lágrimas que havia derramado, fechou o álbum e encarou seu pai. Ele continuava o mesmo, até as roupas eram parecidas com as do tempo que ela tinha 17 anos, só havia mais alguns fios brancos.

–Não te ouvi chegando. -ela deu um sorriso. -Te daria uma abraço se meu tornozelo não doesse tanto quando tento ficar em pé.

Gael foi até a filha e lhe deu uma abraço, e estudou a bota ortopédica que ela usava.

–Como você conseguiu isso, hein?

–Você me ligou falando de Bí. Acabei atravessando a rua com o sinal fechado para pedestres. -ela disse, dando de ombros.

–Ô filha, você poderia ter atendido ao celular.

–Eu... -Karina estudou a cama, e se lembrou onde estava seu celular. -Droga!

–Que foi?

–Eu esqueci meu celular no carro do Pedr... -ela se calou, e desviou o olhar. -Nada.

–Karina. -Gael usou seu tom severo, -Você esqueceu seu celular no carro do Pedro. É isso que você ia dizer?

–É. -ela murmurou. -Esquece isso...

–O que você estava fazendo com esse infeliz?

–Eu tinha que dá um jeito de voltar pra cá. -ela continuou sussurrando.

–E como...? Pensei que fazia mais de cinco anos que vocês não tinham contato.

–É, faziam.

–Ah não. -Gael suspirou se levantando da beirada da cama. -Não vai me dizer que você voltou com esse moleque?!!

–E qual seria o problema? Eu voltei a falar com a Bianca, não voltei? Qual seria o problema de voltar com Pedro? -Karina se irritou.

Gael sempre culpava mais o guitarrista do quê a filha mais velha. Não que ele ignorasse a participação dela em toda aquela história, ele não ignorava, mas com o tempo apenas Pedro havia se tornado o mal de todo o acordo.

–Eu não... Você não... -ele respirou fundo. -Vocês voltaram ou não?

–Não! Eu não falava com ele há mais de cinco anos. Nem saberia que ele voltou de mais uma de suas turnês e está na cidade se ele não tivesse praticamente me atropelado. Feliz?

Karina tinha lágrimas nos olhos ao acabar de falar. Odiava não ter controle de suas emoções quando se tratava de Pedro, ainda mais depois de tanto tempo.

Ela secou as lágrimas e desviou o olhar para um ponto fixo na parede.

–Filha?

–Eu tô bem.

–Não, não está. Prova disso é você está olhando esse álbum de novo. -ele se sentou novamente e abraçou a filha mais nova. -Você não precisa se fazer de forte para mim, K.

–Eu sei. -ela soluçou. -Mas eu não quero falar sobre isso.

Notas finais
Hello guys. Estou aqui às 06:19 (meu horário de ir para escola) terminando de revisar o capítulo, mas ainda estou com um pouco de sono, então me perdoem se tiverem erros. Gostei bastante dos comentários, favoritos e número de acompanhamento apenas com o prólogo. Vocês são demais. Assim que puder responderei todos. Espero que vocês tenham gostado do capítulo. Comentem! Comentem! Beijos.