Pictures of Us
5 Mommy Issues || Oliver
Notas iniciais
Felicity apertava minha mão com uma força que uma pessoa tão pequena não costumava ter, me lembrando de não irritá-la a ponto de levar um ocasional tapa com a aquela mãozinha. No momento, ela não estava irritada (pelo menos não comigo!), mas parecia bem nervosa, por isso meus dedos sofriam.
Um apito alto soou, a voz educada de uma mulher anunciando a chegada do voo de Las Vegas, destino Star City, e minha namorada levou a mão ao coração, seus dedinhos juntos fazendo um movimento engraçado e veloz, seus olhos conferindo a saída por um longo tempo, como e calculasse quanto tempo levaria para correr até lá.
― Ela não pode ser tão ruim ― tentei amenizar o clima, sem querer conseguindo toda aquela raiva voltada para mim.
Oh, Deus! Acabei de liberar o Kraken?
― É tão ruim, Oliver, ela pode ser tão ruim. É minha mãe!
― Mas isso não seria um motivo para não ser tão ruim? ― argumentei.
― Sério? Oliver Queen, filho de Moira Queen ― retrucou.
― Touchè. ― Tive de assumir, balançando minha cabeça em modo afirmativo, reconhecendo sua lógica. ― E é legal que já estamos confortáveis para fazer piadas sobre minha família complicada.
― Desculpa, desculpa ― pediu, me abraçando. ― Eu só estou nervosa, faz tempo que ela não conhece nenhum dos meus namorados e Donna Smoak pode ser bem... ― Fez sinal de garras e um grunhido esquisito.
― Amor, olha... Vamos ficar bem, okay? Eu trabalho com o pai das minhas ex namoradas, recebo doses de superproteção e amor paterno todos os dias, estou quase imune a isso.
― Você não conhece minha mãe. Oh, você não sabe de nada, querido. Ela não é como um poço que pode encher de amor e então pronto, está mais para areia movediça que suga toda sua...
― Bebê! ― O grito nos atingiu antes mesmo que víssemos de quem se tratava.
Felicity cobriu o rosto com ambas as mãos, murmurando um “Ai, meu Deus” baixinho. Sorri do seu pequeno ataque, lhe abraçando mais forte. A figura que se materializou na nossa frente parecia uma caricatura de tudo que se falava sobre Vegas. Vestido curto, justo e cor de rosa, saltos altos e batom também pink.
Tudo bem, agora eu entendia metade das preocupações da minha namorada.
― E lá vamos nós, conhecer minha sogrinha. ― Quase tive que erguer Felicity do chão para levá-la até onde sua mãe estava.
― Oi, mãe.
― Filhinha! ― Donna a engoliu em um abraço. ― Senti tanto sua falta, você está tão linda nessa sua roupinha de uma senhora de quarenta anos.
― Mãe, são minhas roupas de trabalho ― Felicity se justificou. ― Esse é o Oliver.
― Meu Deus, ele é tão lindo ― falou baixinho, não tenho certeza se era para ter saído em voz alta. ― Prazer, Donna. ― Estendeu a mão para mim, que aceitei para um cumprimento, mas sem esperar, fui puxado para um abraço como o que ela deu na filha.
― Vejo de onde Felicity puxou... ― Procurei algo para relacionar as duas quando ela me soltou, mas nada além da cor dos cabelos se destacou. Ambas era mulheres bonitas, mas tão diferentes que não dava nem para comparar. ― ...o cabelo loiro.
― Ela pinta ― Donna me confidenciou.
― Okay, já foi demais. Oliver, pode pegar as malas da mamãe? ― Felicity pediu e enlaçou o braço no da mãe, a arrastando na frente.
― Não vamos passar o dia juntos, nós três? ― questionou desgostosa.
― Eu liberei minha tarde para sairmos, e Oliver vai nos encontrar depois do trabalho.
― Bebê, como você consegue só pensar em trabalho e sair da cama com esse corpo sexy disponível para... ― comentou olhando de relance para trás.
― Mãe, fala baixo!
Felicity até podia reclamar do amor sufocante da mãe, para por enquanto, eu estava amando minha sogra.
~
― Detetive Queen, minha sala ― Lance me chamou, e eu finalmente pude parar de fingir que fazia algo para de fato fazer. ― Algum desenvolvimento no caso do assassino da caixa de correio?
― Podemos parar apenas um segundo para comentarmos quão show é esse caso? Um serial killer que deixa o nome de suas próximas vítimas em caixas de correio abandonadas pela cidade e liga avisando meia hora antes de matar, colocando toda a polícia atrás dele numa caçada humana? Eu que criei o nome ― completei orgulhoso.
Okay, não era um caso bonito, mas aquele bandido estava desafiando minha inteligência e capacidade como detetive, assim como a de todos envolvidos no caso, o que era mais empolgante do que nossas costumeiras apreensões de drogas e prisões de batedores de carteira.
― Que bom que alguém está se divertindo com todas essas mortes ― retrucou não dando importância nenhuma à minha animação.
― Não estou me divertindo com as mortes, mas com a possibilidade de vingá-las ― o corrigi. ― E sobre o caso, depois da última morte há duas semanas, não recebemos mais nenhum comunicado. Estamos fazendo uma busca minuciosa nas caixas de correio, mas ainda nada.
― Não podemos ficar parados esperando já ser muito tarde.
― Encontramos um DNA na última caixa. Não está no sistema, mas o Allen está trabalhando em algo, ficou de me dizer logo que tivesse algum resultado.
― Ótimo, me mantenha informado. Dispensado. ― Levantei para retornar para minha mesa, então lembrei de algo e voltei a sentar. ― Eu disse dispensado, Queen.
― Eu sei, só... Posso te fazer uma pergunta?
― É sobre algo que está trabalhando?
― Não, é sobre meu tempo namorando suas filhas ― falei com cuidado e ele bufou. ― Eu era um genro muito ruim?
― Claro, você era o cara que dormia com minhas princesinhas, eu te odiava.
― É, mas fora esse detalhe.
― Sei lá, Queen, você era normal. ― Deu de ombros.
― O que eu fazia que você não gostava? Como melhorar, qual o melhor jeito de tratar? O que fazer para agradar essas pessoas que sabem que eu já vi a bunda das filhas delas? ― Joguei a enxurrada de questionamentos para cima dele.
― Oliver, só coloca uma coisa na cabeça: elas são nossos tesouros, como você gostaria que tratassem o seu tesouro? Se faça essa pergunta e você vai ficar bem ― orientou. ― Por que essas perguntas agora, posso saber?
― Conheci minha sogra hoje e vou sair com ela mais tarde.
― E desde quando você se preocupa em agradar os pais das suas namoradas?
― Desde que essa é especial. ― Lance estreitou os olhos para mim. ― Não que Laurel e Sara não fossem, elas eram ― esclareci com as mãos espalmadas na direção dele. ― Só que Felicity pode ser a escolhida, sabe?
― Interessante ― murmurou com a mão no queixo. ― Boa sorte então, Queen.
― Valeu. ― Fiquei de pé para sair de sua sala. ― Aliás, talvez eu te apresente para Donna, ela com certeza viraria seu mundo, capitão.
― Passo ― dispensou. ― Volte ao trabalho.
― Uns beijinhos não lhe fariam mal ― soltei o comentário já na porta de saída, sendo quase acertado por um grampeador antes de fechá-la.
~
O shopping estava particularmente cheio aquela noite, pessoas andando de um lado a outro com suas sacolas de compras, conversas animadas ou até mesmo mal-humoradas. Procurei os cabelos loiros de Felicity por cima de toda aquela balbúrdia, ela havia me mandado mensagem dizendo para encontrá-la ali depois do expediente, só então iríamos jantar com Donna Smoak.
A avistei sentada em um dos bancos. Havia trocado os saltos por tênis e a saia lápis por jeans, mas não parecia nada feliz ou animada de estar ali. Me aproximei por trás do banco, colocando as mãos em seus ombros e me inclinando em sua direção.
― O que fizeram com você? ― Felicity fez um beicinho de drama, estendendo os braços para mim como uma criança. Dei a volta no banco e a abracei.
― Tarde mais longa da minha vida, ainda bem que você está aqui agora. ― Se aconchegou melhor a mim, cheirando meu pescoço e me fazendo cócegas.
― E onde sua mãe está?
― Comprando lingerie, e eu me recuso a participar do show de horrores.
― Talvez eu devesse ir lá, sua mãe é bem gata ― propus.
― Eca, não me faz vomitar agora, peixinho! ― Comecei a rir das caretas de nojo dela.
― Vai ficar tudo bem, meu amor. ― Beijei seus cabelos. ― Não é como se ela fosse do tipo que vai oferecer dinheiro apenas para algumas pessoas selecionadas por ela irem nas suas festas de aniversário de criança.
― Não, ela só vai dar cima de todo homem entre 18 e 60 anos que ver no shopping numa tarde de quinta-feira.
― Isso é um desafio de mães complicadas? Okay! ― Aceitei, me separando dela um pouco, usando aquilo como distração e porque eu simplesmente não conseguia aceitar perder qualquer competição. ― Minha mãe demitiu nossa governanta faltando apenas duas semanas para a aposentadoria dela, só porque a coitada deixou manchas de dedos em uma das pratarias da casa.
― Metade das roupas da minha mãe está coberta de lantejoulas.
― Minha mãe instalou um chip rastreador no meu gesso quando quebrei o braço com doze anos!
― Minha mãe me ensinou a colocar uma camisinha numa banana quando eu tinha apenas oito.
― Minha mãe pagou a melhor amiga da minha namorada, para me seduzir e me dar um fora, só porque não aprovava a relação.
― Uau, isso é horrível, Oliver! ― exclamou pasma.
― Então acho que ganhei. ― Dei um selinho de comemoração em seus lábios. ― Felicity, obviamente não sou ninguém para falar como deve ou não se sentir sobre sua mãe, mas até onde percebi, ela te ama e se preocupa com você.
― Eu sei, eu só queria não ser tão sufocada por todo esse amor.
― Só mais algumas horas. ― Fiquei de pé, estendendo minha mão para ela. ― ― Vamos encontrar sua mãe, tem um restaurante com uma deliciosa comida italiana, nosso nome em uma mesa e vários tópicos de conversa constrangedora nos esperando.
― Não vejo a hora ― ironizou, aceitando minha mão para levantar, a soltando em seguida. ― Mas espera aqui, vou chamar ela. Acredite, você ver minha mãe só de calcinha causaria mais traumas em mim do que em você ou nela.
Quando Felicity entrou na loja, percebi que perto de onde estávamos parados, havia uma barraquinha de flores. O conselho do Lance voltou à minha mente. Se eu tivesse uma filha, eu ia querer que o namorado ou namorada babaca dela lhe desse flores, assim como para a mãe dela. Comprei duas tulipas e voltei para a porta da loja.
― É impressão minha ou ele fica mais bonito cada vez que o encontramos? ― Donna sorriu charmosa para mim, tomando a frente em seus saltos altos enquanto Felicity carregava todas as sacolas vindo logo atrás da mãe. ― Ei, Oliver.
― Isso é para minhas garotas Smoak. ― Estendi uma flor para cada, então peguei as sacolas das mãos de Felicity e ofereci meu braço para Donna.
― Olha que menino bonito e gentil você arrumou, filhinha! ― elogiou, se agarrando a mim. ― Ainda bem que comprei uma coisa pra você, está em uma das sacolas, é um conjunto de renda preto, vocês dois vão...
― Mãe!
― Você vai amar ver nela, é uma fio dental perfeita ― cochichou apenas para mim, me fazendo sorrir, mesmo tendo ficado meio encabulado.
― Sua filha é perfeita em qualquer roupa e sem nenhuma roupa também ― devolvi baixinho, e a mulher pareceu amar minha resposta. Oba, ponto para o Queen.
― Não a incentive! ― Felicity bateu a bolsa em meu braço quando passou por mim para validar o cartão de estacionamento.
― Vamos, sogrinha, temos um jantar delicioso esperando por nós no meu restaurante preferido. Hoje todos nós vamos quebrar a dieta.
― E depois, umas bebidas na casa do meu bebê, que tal? Não se preocupe, os pombinhos podem arrulhar à vontade, tenho sono superpesado ― sugeriu maliciosa.
― Gosto de como sua mente trabalha, Donna.
― Do que estão falando? ― Felicity voltou, nos olhando desconfiada.
― Pombos, álcool... ― desconversei.
― Sexo.
― Okay, já chega. ― Felicity nos separou, pegando a mãe pelo braço. ― Você nos encontra lá, querido? Me manda o endereço por mensagem. Vamos, mãe!
~
― Vai, Oliver, me conta como vocês se conheceram. ― Donna deixou seu prato de lado para puxar o assunto comigo.
― Felicity não te contou?
― Ela contou a versão chata e sem detalhes. Quero saber a sua.
― Mãe, deixa o cara terminar o jantar em paz. ― Sorri para ela, demonstrando que estava tudo bem.
― Nos conhecemos em um bar, e ela me deu um fora. Vários, na verdade ― completei reflexivo, sorrindo ao lembrar da nossa primeira conversa.
― Filhinha!
― Mas eu sou bem insistente, então acabamos juntos. ― Donna suspirou como uma adolescente olhando para nós dois. ― Até a manhã seguinte quando Felicity incorporou a megera advogada de defesa e acabou comigo no tribunal.
― Bebê, quantas vezes já disse para parar com isso? ― ralhou com a filha. ― Teve aquela vez com aquele ruivinho bonito e agora com Oliver.
― Mãe, aquele cara era um estelionatário que minha cliente estava processando, eu não ia sair com ele ― se justificou como se fosse óbvio. ― Eu nem precisava te falar isso, pelo amor de Deus.
― Só estou dizendo, às vezes você escolhe demais. Não é como se ele fosse um assassino ou coisa assim. ― Donna deu de ombros, ainda firme em seu ponto.
― Ele pegou seis anos de cadeia!
― Mas poderia sair com três, você mesma disse ― retrucou. ― Só dizendo, Danny teria sido um ótimo genro.
Aquela era de longe a conversa de mãe e filha mais estranha que eu já tinha presenciado, e olha que cresci com duas Dearden na minha casa.
― Mas ainda bem que não foi, ou não teríamos esse jantar interessantíssimo, não é? ― me manifestei piscando para minha sogra, e Felicity murmurou um “me desculpe” para mim, segurando minha mão.
― Com certeza. Danny podia ser bonito, mas você, querido? Uau! Parece um super-herói disfarçado com todos esses músculos e sorriso alinhado.
― Os dois querem que eu lhes dê privacidade, ou... ― Felicity brincou, então sorri, beijando seus cabelos. Aquele cheiro de morangos era um dos meus preferidos do mundo todo.
― Não vejo a hora de ter uns cinco netinhos que serão a misturinha de vocês dois. ― Donna falou afinando a voz, foi quando minha namorada, que levava a taça aos lábios, começou uma crise de tosse. Comecei a passar a mão em suas costas e lhe oferecer água, pois ela já começava a ficar roxa. ― Muito cedo?
― A gente ainda não pensou sobre ― justifiquei, rindo sem graça.
― Pois deveriam ― aconselhou. ― Se planejam ter sete filhos, melhor começar logo, Felicity não vai ficar jovem para sempre.
― Mãe! ― Felicity, já recuperada da crise, repreendeu a mãe, mas eu não fiz nada além de rir.
Eu também concordava que seria muito cedo para crianças, mas não conseguia imaginar tê-las com outra pessoa que não fosse Felicity. Eu poderia estar sendo precipitado, só namorávamos a alguns meses, mas era como eu me sentia e só torcia para minha loirinha sentir o mesmo.
― Oliver?
Como um vampiro emocional que suga a alegria de quem está perto, meu sorriso morreu apenas ao ouvir uma voz que não ouvia há tempos, e nem precisei olhar para sentir toda a tensão que se instalou no ambiente. Donna a olhava confusa, e quando Felicity se virou para ver quem me chamava, a reconheceu na hora, segurando minha mão com mais força.
― Não vai sequer destinar um olhar para sua mãe? ― perguntou com a voz fria.
― Mãe? ― Donna soou animada. ― Quais as chances, isso é maravilhoso! Prazer, Donna Smoak. ― Felicity negou com a cabeça, mandando a mãe ficar quieta, e graças aos céus, dessa vez ela entendeu.
― Não vai me apresentar suas amigas, Oliver? ― Apertei os olhos com força, tomando coragem e uma respiração profunda. Se eu não falasse nada agora, ia sobrar para as Smoak e isso eu não permitiria.
― Boa noite, mãe ― cumprimentei ficando em pé.
Ela ainda era a mesma. A postura requintada, roupas caríssimas, joias que não deveriam mesmo serem usadas na rua em uma noite comum, tudo para disfarçar seu interior perverso. Atrás de si, seu novo marido, Walter Steele se mantinha calado. Ele até era gente boa, segundo Thea, mas nunca se impunha diante dos desmandos dela.
― Apenas um “boa noite, mãe”, depois de quase um ano sem me ver? ― Moira sorriu para mim, um sorriso cheio de crítica e julgamento e destinou o mesmo para Felicity, mas o que me enervou de verdade foi a cara de desprezo que ela fez para Donna.
― Não faça uma cena, por favor.
― Eu sou uma Queen, meu bem, não faço cenas, mesmo tendo que segurar um comentário na ponta da língua sobre sua companhia... interessante.
― Essa loira capacete disse o quê?
― Okay, hora de irmos ao banheiro, mãe. Os Queens podem não fazer cenas, mas as Smoak amam um barraco. ― Felicity deu a volta na mesa, puxando a mãe consigo.
― Alguém só precisa dizer a ela que os anos 60 passaram e que pare de estrelar a própria versão diária de Hairspray. ― Donna saiu falando propositalmente alto até não poder ser mais ouvida pela distância.
― Quanta classe ― Moira falou com repulsa.
― Parabéns, ótima primeira impressão na minha namorada.
― E pensar que suas escolhas para relacionamento não melhoraram em nada em todos esses anos ― comentou tomando o lugar à minha frente. ― Uma dançarina de boate e a filhinha golpista dela? Isso é pior até que aquela psicopata, Sara Lance.
― Não, não senta! Elas saírem não foi um convite e, principalmente, nunca mais se refira a elas desse jeito, ou nem mais minhas assinaturas você verá todos os anos para manter a aquela maldita empresa.
― Oliver...
― Não, mãe! Droga, eu não aguento mais isso! ― exclamei elevando minha voz. ― Toda vez que você aparece, chega tentando acabar com tudo de bom que eu tenho. Sabe, eu tenho uma vida boa com meu emprego, meus amigos e Felicity, então não tenta estragar isso.
― Eu não estou tentando...
― Fica longe da gente! Ah, e já que pegou minha mesa, paga a conta. ― A deixei lá antes que falasse qualquer outra coisa. ― Vamos embora, babe. ― Cheguei onde Felicity estava, lhe entregando a bolsa e casaco dela e da mãe.
― Você está bem, amor? Parece afetado. ― Felicity se preocupou, passando a mão pelo meu rosto. Eu devia estar vermelho de raiva agora.
― Você não viu nada, aquilo foi tranquilo comparado os níveis de briga que já alcançamos antes. Só vamos embora. ― Ela assentiu, mas havia algo estranho em sua expressão, uma determinação que só via no tribunal.
― Pode chamar minha mãe no bar? Foi o único jeito dela não voltar lá na mesa e começar um barraco que seria no mínimo, televisionado.
― Claro.
Depois de buscar Donna e já estar de volta ao lugar onde deixei Felicity não a achei mais, mas só foi preciso um segundo para encontrá-la. Na mesa da minha mãe. Gritando com ela.
― E outra, seu filho é o cara mais esperto, doce e generoso que eu conheço, você deveria valorizá-lo mais. Ele se tornou esse homem incrível, mesmo com todos os traumas que a maravilhosa família Queen colocou nele e você deveria se orgulhar dele mais do que tudo! E mais uma coisa, da próxima vez que ofender a mim e minha mãe, vai levar uma na cara! ― Poderia ser considerada até engraçada a expressão atônita que Moira a encarava. Minhas namoradas ou a evitavam ou se sentiam intimidadas, era a primeira vez que alguma rebatia. E eu estava encantado, ninguém nunca tinha defendido minha honra antes.
― Caramba, eu amo minha filha. ― Donna sorria orgulhosa ao meu lado.
― Eu também ― murmurei sem ao menos pensar sobre. Eu estava apaixonado, sabia disso, mas amor era diferente, era mais. Nunca havia sentido por ninguém antes.
― Diz pra ela. ― Donna piscou para mim, saindo do restaurante e me deixando chocado com a descoberta.
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