Pictures of Us
10 Because You Loved Me || Felicity
Notas iniciais
Meus dedos movimentam-se rápidos pelo teclado enquanto mamãe continuava mais uma de suas intermináveis histórias por chamada de vídeo sobre seu dia de trabalho e sobre a Jenifer Roberts.
Até onde prestei atenção, Jenifer era uma garçonete rival no bar onde ambas trabalhavam. Jamais poderia contar, mas eu achava toda a situação muito divertida. Para quem estava acostumada com os xingamentos diários de Tommy e Caitlin, pó de mico no uniforme, salto quebrado e trocar creme de rosto por creme de pé era até muito engraçado.
― …como uma macaca, era do jeito que eu estava me coçando, filhinha. Mas ela que me aguarde! Tomara que goste de azul, pois vai ser a cor que cara de pau dela vai ficar quando eu… Felicity! ― gritou, me fazendo dar um salto de susto e bater a mão no copo de café, o derrubando inteiro no meu teclado.
― Que droga, mãe! ― reclamei, pegando alguns lenços de papel para enxugar aquela bagunça. ― Olha isso aqui.
― A culpa disso é sua, passarinha. Quando disse que podíamos conversar por vídeo-chamada, não achei que seria eu falando para ninguém.
― Estou aqui ― me defendi. ― Só precisava terminar essa petição, mas deixa pra lá. Posso mandar mais tarde e preciso de um teclado novo. ― Torci o nariz. ― E ter que encarar aquele antipático do Jordan.
― Aquele bonitinho do almoxarifado? Conheci quando fui te visitar daquela vez, beija bem aquele garoto, hein?! Aqueles armários têm história para contar!
― Eca, mãe, eca! ― Fiz uma careta de nojo. ― E aquele safado ainda fica dando em cima de mim depois de pegar minha mãe?! Cafajeste.
― Eu sou bem pegável, bonitinha ― se defendeu.
― Oh, não duvido disso, mamãe. Tenho mais traumas de infância sobre isso do que você calcula.
― Por falar nisso… ― continuou com interesse. ― Qual é a daquele amigo do seu namorado, o moreno bonitinho com cara de safado?
― Mãe, pelo amor de Deus, o Tommy não! ― refutei a ideia na hora, apoiando o celular no monitor do computador e à minha frente para lhe dar atenção integral. ― Era só o que me faltava.
― Qual o problema? Ele me deu maior mole quando nos conhecemos. ― Podia parecer um comentário inocente, mas eu tinha plena ciência que se não cortasse aquela ideia agora, ia rolar com certeza.
― Claro que ele deu, mas você não vai fazer isso porque eu estou implorando, okay? ― Podia parecer uma pergunta, mas estava mais para uma exigência.
― Tá bom, filha! Você faz um drama como se fosse devorar o menino ou coisa assim, eu, hein?! Não que essa não fosse realmente a inten… ― Tapei os ouvidos com os indicadores e comecei a repetir vários "lá lá lá" para ouvir as obscenidades que viriam daquela conversa. ― Com quem você aprendeu a fazer escândalo? ― mamãe perguntou na cara de pau como eu fosse a pessoa indiscreta da família e ela a comportada.
― Advinha... ― Ela jogou a cabeça para trás rindo.
― Culpada ― assumiu, erguendo uma mão. ― Mas ainda falando em delícia…
― Mãe!
― Falando em polícia! ― se corrigiu. Cínica. ― Falando na polícia delícia, como vai meu genrinho lindo, maravilhoso, gostoso? Estou com tanta saudade dele, aquele menino é de ouro, já amo como um filho. Não que eu pareça ter idade para ter uma cria daquele tamanho ― se gabou, arrumando as longas ondas loiras. ― Pareço?
― Nossa, eu não lembro de receber elogios tão efusivos seus, e olha que eu sou sua filha ― me queixei.
― Por isso já estava implícito. Mas é que o Oliver me dá atenção e não fica corrigindo meu comportamento e meu vocabulário a cada dois segundos. E ainda me traz presentes.
― Ele é um puxa saco!
― Não enrola, garota, quando ganho meus netinhos?
― Mãe! Eu não te contei aquela história do teste negativo de gravidez pra você ficar me cobrando criança todos os dias.
― Querida, se os dois querem, não vejo motivo para esperar. Aposto que Olizinho não me negaria bebês fofos e de olhos azuis.
― Ainda bem que quem engravida sou eu ― falei encerrando aquele assunto até no máximo a nossa próxima conversa. ― E, respondendo à sua pergunta, tá tudo bem com ele. Com a gente.
― Opa, opa! Ruga entre as sobrancelhas, nariz mexendo, desviou o olhar. O que há de errado com meu lindinho? ― questionou alarmada, quando nem percebi que fiz aquelas coisas. ― E nem tente negar, Felicity! ― me cortou quando pensei em arrumar alguma desculpa. Droga.
― Ah, sei lá. Estava tudo perfeito, nossa viagem e melhor ainda quando voltamos, mas desde o casamento de uma amiga que fomos semana passada, ele parece distante, meio que me evitando.
― Ah, só isso? ― Fez pouco caso do meu desabafo.
― Valeu pela preocupação, mãe ― ironizei.
― Não, filha, não quis diminuir seu drama nem nada, mas é que você pensa demais sobre tudo. Deixa as coisas andarem.
― Não gosto quando não posso manter as coisas sob controle.
― Pessoas não podem ser mantidas sobre controle, bebê ― aconselhou. ― Você tem alguma dúvida que ele te ama?
― Nenhuma.
― Então deixa estar, querida. Você pode ver que surpresas boas vêm daí. ― estreitei os olhos para tela, aquilo estava estranho.
― Por que tenho a impressão que não está me contando algo? Também te conheço bem, Donna Smoak!
― Filhinha, tenho que ir. ― Não respondeu minha pergunta, soprando beijinhos para a câmera.
― Não vai não, volta aqui, mãe!
― Te amo, bebê. Manda um abraço apertado pro meu genro, e pro Thomas, um beijo de ling… ― Tapei os ouvidos novamente, elevando meus gritos sobre a voz dela. ― Tchau, Lissy. ― E encerrou a ligação.
― Tá aprontando ― murmurei sozinha. ― E olha essa bagunça, Deus.
Levou um tempinho para organizar os papéis que haviam se perdido e conseguir recuperar com sucesso meu teclado do banho de café. Sem visitinhas para você, Jordan!
― Doutora Smoak, chegou aqui uma caixa de evidências do caso Swan ― nosso porteiro me avisou por ligação.
― Ótimo, mas eu sou apenas auxiliar desse, pode mandar para a sala da doutora Snow. Obrigada, Sidney. ― Já ia desligar quando ele continuou a falar.
― Doutora Snow não está no prédio, e aqui diz pra entregar em mãos.
― Não está? Estranho, ela não me disse que precisaria sair, Caitlin sempre avisa ― falei quase comigo mesma. ― Vou pedir pro Roy buscar aí, tudo bem?
― Senhor Harper também não está. ― Okay, se tudo parecia estranho antes, estava ficando confuso agora.
― Estou descendo aí, Sidney.
― Melhor trazer ajuda, são duas caixas grandes.
― Tudo bem, estou indo.
Passei pela sala de Curtis e meu amigo também havia tomado um belo chá de sumiço. Aliás, alguém estava dando uma festa do chá e não me convidaram?
Pedi ajuda a um auxiliar jurídico que encontrei livre perto do elevador e peguei as caixas, ouvindo um pedido de desculpas do porteiro por não poder ter saído do seu posto para me ajudar. Deixei todo o material na sala da minha amiga, já com o celular em mãos para ligar para ela e descobrir onde todos haviam se metido. E como uma conexão mental estranha, logo que desbloqueei o aparelho, a tela acendeu com a foto dela, anunciando uma chamada.
― Onde você se enfiou, criatura? ― atendi sem a menor paciência para as justificativas dela.
― Lissy?
― Roy e Curtis estão com você? ― perguntei nem dando espaço para que ela falasse. ― Eles também sumiram.
― Lissy, me escuta...
― Chegaram umas caixas com arquivos do caso Swan, coloquei na sua sala. Aliás, carreguei uma caixa super pesada, você deve um café para minha dor nas costas ― exigi.
― Felicity, presta atenção.
― E se vocês estão em alguma festinha por minhas costas, vão me pag...
― Felicity, Oliver foi preso! ― me interrompeu aos gritos e meu coração parou.
― O quê? ― Minha voz falhou na hora. ― Como assim preso, Cait, o que aconteceu? Oliver não faria nada...
― A gente sabe que não faria, todo mundo sabe que não, mas... ― Ela parecia procurar as melhores palavras para me dar a notícia. ― Olha, Lissy, não sei exatamente o que rolou, mas o capitão Lance já conseguiu que transferissem Oliver para a delegacia dele, Kara acabou de me ligar.
― Espera um segundo... ― Franzi a testa estranhando aquilo, correndo por minha sala em busca da minha bolsa e casaco. ― Por que falaram com você e não comigo?
― Amiga, problema no telefone, vai saber, ela só disse que você tem que ir para delegacia agora. Eu te encontro lá se precisar de alguma coisa.
― Tá bom, tá bom, estou indo.
Saí às pressas da defensoria, mas demorei mais do que o previsto por causa de um problema no esgoto, o que fez o todo quarteirão da delegacia ficar interditado, e eu tive que estacionar bem longe.
Já entrei no prédio procurando alguém conhecido, mas Kara não estava em sua mesa, nem Tommy ou Sara. Suspirei de alívio quando Diggle veio em minha direção.
― Graças a Deus, Dig. ― Corri ao seu encontro. ― O que aconteceu, e o Oliver?
― Sala de interrogatório 3, mas espera... Felicity! ― Ainda tentou me parar, mas eu já corria na direção da sala. Só ficaria tranquila quando soubesse que tudo estava bem.
Quando entrei, ele estava sozinho, os pulsos algemados na mesa, cabisbaixo. Mas quando ergueu o olhar para o meu, um pequeno sorriso se formou em seus lábios.
― Peixinho, graças a Deus! ― Segurei suas mãos, sentando na cadeira em frente à sua. ― Você está bem, o que aconteceu? Por que você ainda está algemado? Cadê o Diggle?
― Babe, calma. ― Apertou meus dedos entre os seus. ― Foi uma coisa estúpida ― falou como se estivesse com as próprias ações.
― Não se preocupa, vou dar um jeito. ― Tentei passar segurança, mesmo estando muito nervosa. ― Eu só precisava te ver, ver se você estava bem, agora vou pegar o auto da prisão, a gente vai resolver tudo direitinho, amor. ― Segurei seu rosto entre as mãos, deixando um beijo em sua bochecha. ― Ah, e te soltar, essas algemas são desnecessárias ― fiz questão de esclarecer, já que aquele era um detalhe que havia me irritado. Como as pessoas do próprio distrito dele haviam deixado isso acontecer? Aliás, onde estava Tommy e seus escândalos quando a gente precisava? ― Vai ficar tudo bem ― prometi, já indo em direção à saída.
― Amorzinho, espera ― pediu, já me parando com a mão na maçaneta.
― Eu já volto, eu só preciso ir pegar seu auto de...
― Eu sei, só me deixa dizer uma coisa antes. ― Meu queixo quase foi ao chão quando ele soltou as mãos como se elas nunca estivessem estado presas às algemas.
― Como você se soltou de repente? ― Apontei para meu namorado, quando ele ficou em pé. ― Que roupas são essas? ― Só então pude notar que seu constante estilo jeans, camiseta e jaqueta havia sido substituído por roupas que pareciam ter saído do final do século passado. ― Oliver, o que está acontecendo?
― You are my fire. The one desire ― começou a entoar em uma harmonia conhecida.
― Okay, agora você está cantando a introdução de I want that way. Oliver, porque você está cantando Blackstreet Boys? E desde quando você canta?
― Believe when I say. I want it that way. ― Minha cara devia estar muito engraçada, a expressão entre chocada e querendo rir, tamanho o absurdo da cena.
― But we are two worlds apart. ― Soltei um gritinho quando de trás do vidro falso, uma luz acendeu revelando Barry, que continuou a cantar a segunda estrofe da música, usando umas roupas brancas e folgadas parecidas com a de Oliver, enquanto a melodia soava pelas caixas de som da delegacia. ― Can't reach to your heart. When you say. That I want it that way.
Oliver segurou minha mão, e, ignorando todas minhas perguntas silenciosas, beijou o dorso da minha mão, me guiando para o lado de fora até chegar na área das mesas deles, onde não havia nenhuma das pessoas de quando eu cheguei.
― Tell me why... ― Meu namorado maluco e surpreendentemente com uma boa voz continuou, mas minha maior surpresa foi quando a versão particular da minha boyband preferida entrou para fazer coro a ele.
― Ain't nothin' but a heartache ― Curtis, Roy, Barry e Tommy surgiram muito afinados, fazendo uma dancinha coreografada igual a do clipe. Levei ambas as mãos à boca. Não queria rir, mas estava muito engraçado. E fofo.
― Tell me why...
― Ain't nothin' but a mistake.
― Tell me why...
― I never want to hear you say. ― Bati palminhas quando Roy subiu o tom, me soprando um beijo no final do verso.
― I want it that way ― Oliver falou essa última frase ao meu ouvido, me dando um selinho e sumindo em uma das salas. Quando pensei em segui-lo, Tommy chamou toda a atenção para si na segunda estrofe.
― Am I, your fire? ― cantou passando a mão pelo peito e até erguendo um pouco a barra da blusa, fazendo aquela cara de safado. ― Your one, desire. ― Começou a fazer o sinal da cruz na minha direção. ― Yes I know, it's too late, but I want it that way. ― O moreno estalou os dedos, apontando para que Curtis tomasse a liderança do coro, o que ele fez.
― Tell me why...
― Ain't nothin' but a heartache. ― Enquanto cantavam, eles começaram a andar em direção ao lado de fora, não dando a mínima em levar tudo aquilo para um lugar público. Tudo bem por mim. Ainda olhei para a porta por onde Oliver tinha ido, mas Dig pareceu de algum lugar e me ofereceu aqueles troncos que ele chama de braços, me conduzindo para fora também.
― Tell me why...
― Ain't nothin' but a mistake. ― E coreografia seguia mais elaborada, agora com no espaço da rua.
― Tell me why...
― I never want to hear you say ― Roy novamente pegou essa parte para si, tornando-a quase sua a partir dali.
― I want it that way. ― Finalizaram com uma bonita harmonia, soprando beijos de despedida para ninguém em particular como se fossem verdadeiras estrelas do pop.
― Dig, o que é que está acontecendo? ― questionei a única pessoa que parecia normal ao meu redor, mas ele apenas sorriu para mim, me levando até um banco no meio da rua, em frente a um coração gigante feito de rosas no chão. Aquilo já estava ali quando cheguei? Vários curiosos já se acumulavam na calçada. ― Me fala.
― Você é inteligente, Felicity. O que acha que Oliver está fazendo? ― Franzi as sobrancelhas para o homem, que apenas sorriu maior. ― Aproveita. ― Fez carinho em meu ombro e saiu, foi quando a ficha caiu.
Oh, não! Não era o meu ou o nosso aniversário de nada, não era dia dos namorados, então só podia ser... Um pedido de casamento? Calma, Felicity, não surta. Não cria expectativas, pode nem ser isso, ele só está querendo ser engraçado, numa brincadeira envolvendo muita gente e muita produção, e um coração enorme de rosas vermelhas. Inspira, expira. Oh, Deus, acho que vou vomitar.
Um pigarro chamou minha atenção para Kara, que subia em um pequeno palco improvisado na borda calçada, então ela pegou um microfone e acenou animada e sorrindo para mim. A loira não estava vestida com suas roupas normais de trabalho, ela usava um vestido de festa e saltos como se fosse começar algum tipo de concerto.
― For all those times you stood by me. For all the truth that you made me see. For all the joy you brought to my life. For all the wrong that you made right. ― Levei a mão à boca novamente, mas ao contrário da primeira vez, eu estava tentando me controlar para não chorar. A melodia, o ambiente, a voz dela. Como assim todo mundo ali era cantor e a gente nunca foi em um karaokê antes? ― For every dream you made come true. For all the love I found in you. I'll be forever thankful, baby. You're the one who held me up. Never let me fall. You're the one who saw me through through it all.
― Me concede essa dança?
Oliver estava parado ao meu lado, havia trocado de roupa e usava smoking, e estendia a mão para mim, o sorriso mais lindo da minha vida em seus lábios. Perfeito. Segurei sua mão e uau, ele estava gelado. Talvez nem tanto quanto eu, mas ainda assim, claramente nervoso.
Está acontecendo. Senhor, controlai minha língua para não falar besteira justo agora! É só o que te peço.
Ele me conduziu até o centro do coração de flores e começamos a balançar ao som de Because You Loved Me, interpretado brilhantemente por Kara Danvers. Sério, essa menina devia se inscrever no The Voice ou Broadway. Por que choras, Celine Dion?
Descansei minha cabeça em seu peito, seu coração retumbava alto contra meu ouvido. Eu ainda sentia as borboletas querendo voar para fora do meu estômago, mas de algum modo, eu me sentia tão bem em seus braços. Não estava mais com medo do que viria a seguir, estava ansiosa por isso.
― You were my strength when I was weak. You were my voice when I couldn't speak. You were my eyes when I couldn't see. You saw the best there was in me. Lifted me up when I couldn't reach. You gave me faith 'cause you believed. I'm everything I am. Because you loved me. ― A cada frase cantada da última estrofe, Oliver repetia as palavras em meu ouvido e eu já chorava como uma viúva de guerra.
Quando a música acabou, apenas a melodia continuou a tocar ao fundo e todo meu nervosismo voltou quando ele segurou minha mão direita e ajoelhou na minha frente. Soltei uma risada esquisita, nervosa, constrangedora.
― Felicity... Babe ― se corrigiu com um sorriso. ― Você sempre diz que tenho as palavras certas, mas nunca foi assim, até você. E agora, tudo fui da minha cabeça. ― Respirou fundo. ― Você é minha pessoa certa, minha força, minha voz, meus olhos, meu tudo. Você briga por mim, e comigo quando precisa. Te amo por suas qualidades e ainda mais apesar dos seus defeitos. ― Meus dedos já não estavam dando conta de enxugar as lágrimas que desciam por meu rosto. ― Você é quem mais tem fé em mim, e a pessoa melhor que eu sou agora é porque você escolheu me amar, então... Felicity Smoak... ― Tomou uma respiração profunda, puxando um anel do bolso. ― Você me faria o homem mais feliz da face da Terra... Casa comigo? ― Balancei a cabeça afirmativamente com vigor sem nem pensar muito sobre. ― Sim?
― Sim, mil vezes sim. ― Seu sorriso agora era acompanhado de um suspiro aliviado. Como se em algum momento eu conseguisse dizer não para aquele homem fazendo aquele pedido. Sim, havia sido uma surpresa enorme, mas quando ele perguntou, não havia dúvida alguma. Era ele, para o resto da vida, Oliver.
A plateia gritou e aplaudiu, quando Oliver ficou de pé e colocou a aliança em meu dedo anelar, segurando nas laterais do meu rosto e me beijando. Tinha como aquilo ter sido mais perfeito e mais a cara dele? Engraçado e romântico, definição de Oliver Queen, meu noivo.
Eu não estava pronta para soltá-lo, mas senti algo macio tocar meu braço. E de novo, agora em meu rosto. Então o cheiro de rosas ficou ainda mais forte, e quando abri os olhos, estava chovendo pétalas de flores. Olhei encantada para cima, então para ele, meus olhos brilhando. Igualzinho nos contos de fadas que eu não acreditava mais desde os sete anos.
― Você fez isso?
― Com ajuda. ― Piscou para mim. ― Te amo.
― Te amo ― respondi, o puxando para outro beijo.
Minutos depois, já havíamos levado toda aquela bagunça para dentro da delegacia. Encontrei Cait, que junto com Sara haviam sido as responsáveis pelas pétalas voando do céu, e Thea, que cuidou dos figurinos e trocas de roupas.
― Ao Oliver e Felicity! ― O Capitão lance puxou o brinde. ― Que sejam felizes, e meu obrigado especial para Felicity, que conseguiu o impossível de fazer Oliver Queen cumprir horários. ― Apontou a taça em minha direção.
― Tem certeza que só está tão feliz porque as chances dele ser seu genro foram anuladas de vez, pai? ― Sara zombou abraçada ao capitão.
― Nem me fala, obrigado por isso também. Que alívio.
― Hey! ― Oliver reclamou. ― Enquanto pensava em todos esses meios de me ofender, conseguiu filmar tudo? ― E eu que nem percebi que estava sendo filmada.
― Tudo gravado ― confirmou. ― São imagens e tanto desses quatro aqui. ― Apontou para Tommy, Roy, Curtis e Barry, que ainda mantinham suas calças largas e jaquetas brancas.
― Sabem? Eu estou estranhamente confortável nessas roupas. ― Deu um giradinha. ― A gente devia formar uma boyband?
― Só se fosse oldband, né, querido? ― Caitlin caçoou. ― Já passou dos trinta, Thomas, se conforma. ― Ele fez beicinho e soltou um xingamento baixinho, que só ela escutou, lhe retribuindo com uma cotovelada nas costelas.
― E vocês dois estão bem com o casamento? ― Apontei para os briguentos. ― Acho que sim, até ajudaram. Obrigada por isso.
― Eu fui forçado, só pra deixar claro. ― Tommy ergueu uma mão.
― Mentira, você amou toda a ideia quando te expliquei ― Oliver o contradisse.
― Ollie, quando alguém me chama pra performar Blackstreet Boys, eu vou performar Blackstreet Boys, sem discussões. E também... Você podia arrumar coisa pior.
― Ah, esse é o primeiro elogio que você faz para mim! ― exagerei na emoção, soltando Oliver para lhe dar um beijo na bochecha.
― Sai fora, demônia! ― Me afastou, limpando o rosto energicamente.
― Enfim... ― Oliver me puxou de volta para si, envolvendo braço em torno dos meus ombros, erguendo a própria taça. ― Muito obrigado a todos que ajudaram, você fazem parte da nossa história, da parte mais bonita dela.
― Nós vamos nos casar! ― gritei animada.
― Nós vamos casar! ― ele também gritou, seguido por todos no local.
Até ali, aquele era o dia mais feliz da minha vida.
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