Picture Of You
1 Capitulo Único
Caminhávamos a passos lentos.
O sol de outono brilhava intensamente sobre nós, as folhas caiam suavemente sobre o gramado formando um tapete de cor amarelo-avermelhado a nossos pés descalços. Geralmente o outono é minha estação favorita, onde a natureza mostra sua verdadeira beleza, seu brilho, suas transformações, o outono me lembra o amor, tão inconstantes como as folhas das arvores. Mas naquele ano, não era na beleza do outono que meus olhos buscavam, não era o calor daquele sol que meu corpo queria. Pequei a maquina fotográfica Polaroid antiga, que carregava pendura em meu pescoço, pronto para tirar mais um foto. Ele parecia não se importa, continuava a caminhar ao meu lado distraído com seus olhos sendo ofuscados pelo Sol. Mostrei-lhe a nova imagem recém tirada e ele sorriu em resposta. Nesse momento me perguntei internamente se conseguiria viver sem esse sorriso. Um sorriso doce, sincero, delicado e capaz de mudar meu mundo. Perda? Essa palavra me fazia tremer. Não podia perdê-lo e nesses pensamentos tenebrosos tirei mais uma foto. E mais uma, mais uma, mais uma. Até ouvir sua gargalhada soar descontraída. O encarei confuso e um tanto surpreso. — O que houve Yunho? – me perguntou em um tom curioso e gentil. Dirigiu a palavra a mim pela primeira vez desde que começamos a caminhar, isso a mais ou menos uma hora. — Nada – sorri sem jeito de dizer o que realmente sentia. Medo. — Yunho – Pronunciou meu nome daquela forma que me causava arrepios — eu conheço tudo sobre você, e sei quando está mentindo! O que dizer depois disso? Ele realmente me conhecia melhor do que a mim mesmo, ele sabia decifrar meu olhar, mesmo que pra mim os dele fosse uma imensidão de puro mistério, mas que eu sempre escolhia me perde. Encarei o horizonte, as montanhas como um borrão azul distante. – você sabe o que estou sentindo com tudo isso, não sabe? — sei Voltei a olhar em seus olhos diante dessa afirmação tão simples e tão significativa, meus olhos se encheram de lagrimas de saudade. — e por que não faz isso passar? — por que não posso – sua expressão se tornou melancólica, vi seus lábios tremerem e tive o desejo de selá-los com os meus e dizer a ele que está tudo bem. Mas não fiz. Continuamos a caminhar silenciosamente. Ele se sentou embaixo de uma árvore no alto de um morro e eu me sentei ao seu lado, de onde estávamos, era possível admirar um pequeno riacho diante dos monumentos cobertos pelas folhas. Ele fechou os olhos e recosto sua cabeça no tronco daquela antiga arvore. Os raios do sol tocavam delicadamente seu rosto, fazendo o parecer uma pintura, surreal de tão belo. Não perdi tempo e comecei a tirar mais e mais fotos, como se daquela forma pudesse o guarda inteiramente para mim, para sempre. Mas na verdade, era isso que eu queria. Egoistamente, eu queria o aprisioná-lo só para mim, não o deixar ir. Queria todo o amor e a atenção que ele sabe dar. Apesar de ter certeza de que ele sabe meus sentimentos, apesar de saber que ele me correspondia, eu nunca havia o dito, pelo menos não enquanto ele ouvia. E me arrependo imensamente disso. Olhando seu rosto tão perto, sua pele me parecendo tão real. Será que a vida me dava uma nova oportunidade? Pensei, enquanto repassava as fotos tiradas. Meu Deus, quanta coisa perdi por covardia. Quanto tempo desperdicei por medo de tentar, quanto amor deixei de dar aquele corpo por preconceito. Sinto vontade de rir de mim mesmo em ter pensado nele apenas como um jogo. Mas definitivamente, não o deixarei escapar das minhas mãos mais uma vez, não deixarei os dias virarem anos. Voltei a olhar sua face angelical e hesitante, a toquei. Fria, pálida. Abriu lentamente seus olhos me encarando inexpressivo. Imediatamente, com todo meu coração e tudo que guardei por todo esse tempo dentro de mim eu desabafei. — JaeJoong, eu te amo! Senti-me incrivelmente mais leve, como se um peso tivesse saído de minhas costas. Mas ainda sim, ainda sim a dor que o causei e o tempo que esperei para dizer meus sentimentos era algo que sempre me acompanharia e me atormentaria. – eu te amo, por favor, me perdoe, por tudo... Senti o sabor salgado das lagrimas que não demoraram a molhar meu rosto, precisava chorar, eu não chorava há anos, desde aquele dia, me tornei oco por dentro. Mas naquele momento estava lavando minha alma, estava liberando tudo que evitei sentir por todo aquele tempo. Inesperadamente, senti um toque frio em minha mão meu coração voltou a bater como nunca bateu antes quando vi sua mão sobre a minha. Nossos olhos se encontraram e ele sorriu. — eu sei, você já havia me dito isso... – disse calmamente. Apenas o encarei sem compreender. – na ultima vez que nos encontramos... Não tive reação diante de suas palavras. Como ele poderia ter me ouvido, como poderia? — Jae... — eu sempre estou perto de você, não te deixei por nenhum momento desde... – deixou as palavras subentendidas no ar. Engoli seco com as recordações que me passaram à mente. – eu o ouvi, como sempre ouço quando você grita meu nome...
— e por que não me responde? — eu respondo, mas você está culpado demais se culpando para conseguir me ouvir! – disse sempre se mantendo sereno. — eu sou culpado... — não! – seus dedos frios tocaram seu rosto. – Yunho, esse é o meu destino, e nada pode mudá-lo... — não, não, não... – me descontrolei. – se eu não tivesse sido tão duro com você, se eu não tivesse dado importância ao que as pessoas poderiam achar de mim se eu me preocupasse apenas em ser bom pra você, nada daquilo teria acontecido, você ainda estaria comigo... – minha voz se resumiu a apenas soluços. — Yunho, esqueça tudo aquilo, esqueça suas lembranças, me causam dor... – segurou meu rosto com suas mãos. – entenda você não tem culpa ninguém tem. — Eu perdi tanto não é?! – sorri amargamente. – poderíamos ter sido felizes juntos! — e não fomos? – me encarou esperando minha resposta. Eu fui feliz? Sim, eu havia sido feliz. Em cada minuto que vivi com ele, eu fui feliz, por que eu o amava, por que eu o amo. Mas ainda sim me sinto incompleto, pois nunca pude o mostrar esse amor. — eu só queria voltar no tempo e fazer as coisas diferentes, eu só queria que ao invés de grosserias eu tivesse dito palavras de amor, ao invés de te mandar ir embora eu tivesse te levado ao meu quarto... – parei de falar quando o remorso apertou meu peito. – só queria fazer amor com você, só por uma vez ter seu corpo... — eu estou aqui Yunho, o que está esperando? Eu mal pude acreditar em suas palavras e tão pouco pude controlar minhas emoções, em questão de segundos tomei seus lábios frios e pela primeira vez senti o sabor de sua boca. Pela primeira vez tive seu corpo em minhas mãos, tive sua pele contra a minha, mesmo frias, me aquecia com seus toques, pude finalmente dizer às palavras que tanto sonhei em dizer e pude ouvir sua resposta, mesmo que resumida em gemidos contidos. Nos amamos até o Sol se esconder. Ficamos deitamos juntos sobre a folhagem. Acariciava seu cabelo enquanto ele apoiava sua cabeça em meu peito. Não tínhamos palavras não tínhamos fôlego, mas mesmo assim ouvi sua voz fraca mais uma vez. — obrigado Yunho, esperei por isso a vida toda... eu te amo, mais do que você pode imaginar, mas... Mais uma vez o silencio. — mas... – disse o incentivando a continuar. — mas, você precisa me esquecer... Ouvir isso foi como ouvir minha sentença de morte. Esquecê-lo? Como ele podia me pedir algo assim, ele não entendia ele era meu tudo, meu único rastro de felicidade. — Jae... — me prometa, prometa que queimara essas fotos, e que nunca mais virá aqui... – fiquei em silencio, como poderia fazer isso? – me prometa! — assim, nunca mais irei te ver! — só por que não me vê não significa que não esteja com você. Eu sei o que está pensando... – levantou a cabeça para me olhar. – mas entenda, não há por que guardar essas fotos, não há por que continuar vindo a esse lugar, eu não sou nada disso, eu não estou aqui, por que eu estou dentro de você, eu sou esse amor que você carrega, eu sou você. Somos um. — eu prometo! – concordei depois de encarar seus olhos que me suplicavam em silencio. Mesmo me doendo essa decisão, eu faria. – eu vou te amar para sempre. — eu sei! – sorriu. – seja feliz, por que assim eu também serei! Eu não disse mais nada. Apenas fechei meus olhos e fui levado a um lugar distante, porém mais perto da realidade e quando voltei a abrir meus olhos lá estava eu, sozinho naquele campo deitado sobre aquela arvore e ao meu lado as fotos já amareladas por causa do tempo. Dez anos haviam se passado desde a ultima vez que estivemos ali juntos. Sempre sonhava com ele naquele mesmo lugar, Mas nunca de uma forma tão real. Então ele sempre esteve comigo, ele pode me ouvir. Recolhi todas as fotos do chão. Tinha uma promessa a cumprir. Desci o morro e andei a passos rápidos até está enfim entre aqueles anjos esculpidos tendo como campainha apenas aquele outono morno. Me ajoelhei em frente aquela lápide. Sentia sua presença ali. – Jae, me dê forças! Coloquei a mão no bolso na minha calça e peguei o isqueiro junto com uma carteira de cigarros, um vicio que tanto eu o pedia para parar, mas me pegou quando ele se foi. Peguei a primeira foto do chão, admirei a imagem pela ultima vez antes de queimá-la com a pequena chama do isqueiro. Fiz isso repetidas vezes e a cada foto queimada sentia sua presença mais distante. Quando não resto mais nenhuma fotografia, quando só restaram às cinzas, Tive a certeza de que sofreria, mas que continuaria seguindo em frente junto com esse amor que vai sempre se manter vivo em mim. Coloquei a maquina junto daquela lápide, não precisaria mais dela. Como não precisaria de mais nenhuma lembrança. — Adeus JaeJoong Levantei-me e caminhei decidido a não olhar para trás e nunca mais voltar aquele cemitério.Fim
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
Fale com o autor