Diante de meu empoeirado piano

Canto minha última canção

Em vão será meu apelo a Deus

Para teus belos olhos azuis voltar a ver...

Perceber que não mais te tenho ao meu lado

Árduo são minhas mãos ao tocar as teclas de marfim

E assim então, lembrar-se de nossos belos duetos.

Sonetos que com tanto carinho escrevi

E reli várias e várias vezes para então compor ao teu lado, e só ao teu lado.

O brado de meu sono eterno.

Espero que de onde estejas me observando

Orando e talvez chorando por minha tristeza angustiada

Desesperada atitude tomarei se não conseguir esquecer seus belos olhos azuis.

Caindo em um eterno fardo

Ao alto levando minhas mãos e começo a orar

Pensar em como seriam meus dias se ainda estivesse ao meu lado

Dois braços a mais, junto a mim, compondo em nosso piano de marfim.

Perderei meu sono, minhas riquezas, tudo.

Ao fundo do poço chegarei

E me enterrarei nele mesmo se desejares

Aos andares, lanças teu perfume suave, que não mais posso sentir.

Ó ingrata morte, já levaste minha família, levaste meus amigos.

Mastigo todos os dias o pão, amargo em minha boca.

Oca de palavras belas, amargurada e calejada de chorar.

E clamar para que, com piedade

Talvez em um ato teu de caridade, não leves minha princesa dos olhos azuis.

Minha única família, minha querida filha...

Notas finais
Espero que tenham gostado
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!