Piano de Marfim
1 Piano de Marfim
Diante de meu empoeirado piano
Canto minha última canção
Em vão será meu apelo a Deus
Para teus belos olhos azuis voltar a ver...
Perceber que não mais te tenho ao meu lado
Árduo são minhas mãos ao tocar as teclas de marfim
E assim então, lembrar-se de nossos belos duetos.
Sonetos que com tanto carinho escrevi
E reli várias e várias vezes para então compor ao teu lado, e só ao teu lado.
O brado de meu sono eterno.
Espero que de onde estejas me observando
Orando e talvez chorando por minha tristeza angustiada
Desesperada atitude tomarei se não conseguir esquecer seus belos olhos azuis.
Caindo em um eterno fardo
Ao alto levando minhas mãos e começo a orar
Pensar em como seriam meus dias se ainda estivesse ao meu lado
Dois braços a mais, junto a mim, compondo em nosso piano de marfim.
Perderei meu sono, minhas riquezas, tudo.
Ao fundo do poço chegarei
E me enterrarei nele mesmo se desejares
Aos andares, lanças teu perfume suave, que não mais posso sentir.
Ó ingrata morte, já levaste minha família, levaste meus amigos.
Mastigo todos os dias o pão, amargo em minha boca.
Oca de palavras belas, amargurada e calejada de chorar.
E clamar para que, com piedade
Talvez em um ato teu de caridade, não leves minha princesa dos olhos azuis.
Minha única família, minha querida filha...
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