Physis
14 Capítulo 14 - A Primeira Carta
Notas iniciais
Já haviam se passado alguns dias desde que a carruagem saíra do castelo, a paisagem já começava a mudar. A tonalidade da grama se tornara mais escura e a mata mais fechada, a luminosidade também diminuíra.
Selene se reclinou no encosto carruagem, suspirando alto e pensado no que deixou para trás. Ela fechou os olhos pensando no que faria para lidar com Tess e Emile.
– Al? — chamou a princesa.
– Sim, meu bem? — respondeu o mais velho, acordado de um cochilo leve.
– Você já quis... Sabe... Tirar umas férias da sua vida? — perguntou ela com o olhar vago. Albert riu.
– Você ainda é muito jovem para pensar assim — algumas marcas de riso se realçaram em seu rosto.
Selene ficou com o rosto emburrado e seu colar reluziu de leve. Estava pronta para responder tal comentário quando ouviu uma batida leve na janela. Albert se levantou para abri-la e lá estava ele: um belo falcão majestoso de penas brilhantes e bico afiado.
– Acredito que seja para você, querida — disse Albert estendendo o braço para que o pássaro pudesse se apoiar. Na perna do falcão havia uma carta que foi desamarrada gentilmente por Selene. Ela conhecia aquela ave. Conhecia bem até demais. Desenrolando o papel de pergaminho ela podia ver a tão conhecida caligrafia caprichada e redonda finalizada com aquela assinatura familiar. Seus olhos ficaram mareados e suas mãos tremiam levemente.
Selly,
me sinto realmente envergonhado por tudo que aconteceu. Tão envergonhado que não tive coragem de vê-la partir. Não consegui simplesmente olhar nos seus olhos e dizer o que sinto. O quanto eu gosto de você. E a falta que eu sinto de segurar suas mãos entre as minhas.
Nestes dias que não nos vimos eu pude pensar muito sobre nós. Por isso, gostaria de lhe fazer um pedido: envie para mim seu colar, para que eu possa me lembrar de você enquanto não retorna. Em troca, enviarei de volta algo para que você possa se lembrar de mim também.
Saudades.
Tess
Selene franziu a testa diante do pedido. O que Tess faria? A princesa foi tomada pela curiosidade e decidiu acatar ao pedido, deixando a carta de lado enquanto tirava seu colar de pingente vermelho.
– O que está fazendo? — perguntou o velho pegando a carta para lê-la também.
– Vou mandar para o Tess — respondeu a garota, amarrando o colar na perna da ave.
– Como assim mandar para ele? O que ele fará isto? Sua avó foi quem lhe deu este colar! — Albert pôs-se na frente de Selene, começando a desamarrar o colar do falcão, tirando as mãos da princesa do caminho.
– Al, o que está fazendo??
– Impedindo você! Você não pode fazer isto! — Albert segurou Selene pelo pulsos, esperando uma reação agressiva, mas nada aconteceu. A princesa parou de se mexer.
– Al... — o cabelo ruivo cobria-lhe a face, mas era possível ver lágrimas finas deslizando por suas bochechas. — Al, eu preciso fazer isso, está bem? Você pode me entender?
A princesa olhou nos olhos do amigo e o mais velho pôde ver toda a tristeza do mundo refletida nos olhos de esmeralda. O Conselheiro manteve o olhar por alguns minutos, o silêncio quebrado apenas pelo som das patas dos cavalos.
– Está bem. — disse ele soltado os pulsos da garota — Mas ao menos deixe-me amarrar um lenço em volta para que ninguém veja.
Albert puxou um lenço de seu bolso, e a ave partiu assim que o laço foi finalizado.
– Vamos ver no que dá... — disse ele enquanto Selene debruçava-se sobre a janela, seguindo a rota do falcão até onde seus olhos alcançavam.
Fale com o autor