Physics
3 Cap 02 – Another day another drama [parte final.]
Notas iniciais
Narrado pelo David ;D
Já se passou um mês desde que comecei a dar aulas por aqui. A turma é boa, são alunos concentrados parecem gostar de física, exceto ela. Livie odeia física e foge dela como o diabo da cruz, mas eu estou disposto a mudar isso. Agora estou na sala do 3º ano, a aula seguinte era vaga e como sempre, eu não tinha idéia do que iria fazer. Talvez navegar na Internet da sala da coordenação fosse uma boa. Ouvi a sineta tocar e recolhi os trabalhos de classe, me despedi da turma e segui para a coordenação, que estava vazia. Coloquei a mochila de lado e liguei o computador, abrindo o youtube e pesquisando alguns vídeos sobre futebol. Aos poucos a sala foi se enchendo de alunos expulsos de classe, professores em horário vago e claro, os coordenadores.
- Alguém viu o Juan? – ouvi a voz de Nathalie, uma aluna do 1º ano. –
- Ele saiu, Nathalie. – o professor de Inglês respondeu. – Algo importante?
- A gente queria pegar os livros de Geografia Física, o professor Robson pediu. – ela disse, fazendo a Livie surgir. –
- Senta aí, ele deve ta chegando. – a professora de Matemática disse, enquanto via uma revista de moda. –
- Mas é muita falta do que fazer. – Livie encostou-se na parede ao meu lado, olhando o computador. – É pra isso que se paga o colégio? – ela riu. –
- Você joga paciência nas minhas aulas e eu nunca reclamei. – falei e ela fez cara de idignada. –
- Vou reclamar com a coordenação! Ninguém tem prova pra corrigir, exercício pra criar, nada? – ela ria baixinho, falando comigo. –
- Estamos no segundo mês de aula, que provas você quer? – a olhei. Já tinha te esquecido do jogo que passava na tela. –
- Sei lá. – ela sentou na cadeira ao meu lado. – Não tinha um time melhor pra torcer, não?
- Como assim? Milan é o melhor do mundo, sabia? – a olhei, meio idignado. –
- Prefiro o Real Madrid. – ela deu ombros. –
- Você gosta de futebol? – a olhei. –
- Curto. Não acompanho todos os campeonatos, mas ainda assim, curto. – ela arrumou a saia, que estava curta demais. –
- Vocês duas também? – Juan chegou, olhando Nathalie e Livie, as únicas alunas que sobraram ali. –
- Livros de Geografia Física. – Livie ficou de pé, indo até bancada. –
- Aqui. – ele entregou os livros e as duas dividiram. –
- Tchau professor. – ela se despediu e saiu. –
- Manchester United ganhou o último jogo. – Juan comentou. –
- Você devia torcer times melhores, sabia? – Thompson riu. –
- Falou aí, Olympique de Marseille. – Juan riu. – Ta na hora de tocar o sinal. – Ele disse e eu fechei as páginas, pegando meu material e tampando meus ouvidos ao ouvir a campainha estridente. –
- Alguém cria uma lei que obrigue as escolas a usarem campainhas menos estridentes? – comentei, saindo de sala e verificando que minha aula agora seria no 2º ano F. Pior turma da escola, não se consegue dar aula ali. – Bom dia gente. – entrei na sala e todos se sentaram. Os olhei meio assustado. – Tem uma bomba aqui e ninguém avisou? – perguntei e eles riram. – O que deu em vocês? Cadê a bagunça? – coloquei a mochila na mesa, não sem antes verificar se não havia cola, sabão, sapos ou sei lá mais quê. –
- Todo mundo aqui bombou em todas as matérias, professor. – Julie disse. –
- Como assim, bombaram? – sei na mesa, olhando-os. Ou aquilo era mais uma armadilha, ou realmente tínhamos problemas. – São a pior turma, mas tem as melhores notas.
- Disseram que nosso comportamento estava inadmissível, apesar de notas perfeitas, estamos todos na recuperação até o fim do ano, caso continuemos do mesmo jeito. – Marcos disse, me olhando triste. –
- Queria ajudá-los, mas acho que a coordenação tem razão. – falei. –
- Não é mais coordenação. – Francis riu, lá de trás. – Dessa vez foi o diretor que veio aqui e deu a maior bronca.
- Então que tal se mostrarem bons alunos? Isso não mata, sabia? – falei e eles riram. – Cara feia e bagunça não vão mudar a fama de vocês. Então que tal mostrar pra todo mundo que são bons alunos? Aposto que ninguém bomba mais.
- Vamos estudar o quê hoje? – Clara sorriu e todos abriram seus notebooks e seus cadernos começando a prestar atenção na aula. Nunca dei uma aula tão tranqüilamente e tão cheia de perguntas e dúvidas, mas sem nenhuma conversa. –
- Gente, adorei a aula, de verdade. – falei e eles sorriram. – Parabéns, foram ótimos alunos.
- Seria bom se todos nos elogiassem como o senhor. – Julie disse. – Bom intervalo, professor.
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