Phyllobates terribilis
1 Viúva Negra
Notas iniciais
Sebastian encarou o teto, enquanto sentia as vias aéreas superiores se fechando, refletindo sobre aquilo.
Seu coração acelerava em uma arritmia desenfreada, prestes a explodir, e tudo no que conseguia pensar, era que não havia cheiro nenhum naquele perfume.
Como era possível?
Seu corpo convulsionava, superaquecia enquanto as células batalhavam contra o veneno que já havia se infiltrado em suas veias.
A dor era lancinante, como mergulhar no oceano sendo puxado pelas ondas sem nunca conseguir retornar.
O Sistema Nervoso Simpático continuava a trabalhar de maneira alucinante. O coração continuava a acelerar. A respiração já não tinha mais controle; seus pulmões estavam paralisados.
Sebastian sentiu os olhos revirando na órbita, sentiu a boca seca enquanto tentava gritar por ajuda e o corpo suava.
Lembrou-se do sorriso de Julie, do momento em que ela cavalgava sobre ele, trazendo-lhe o orgasmo mais incrível que já havia tido em toda sua vida.
O coração bombeou o sangue pela última vez, fazendo com que o veneno exposto na pele se espalhasse ainda mais rápido, como o veneno daquela rã, que tinha como única funcionalidade parar todos os órgãos. E isso era exatamente o que acontecia agora. Como era mesmo o nome dela? Ah, Phyllobates terribilis.
O coração de Sebastian parou. Seus rins falharam. Os outros órgãos se desligaram no momento em que o fígado intoxicou-se.
− Dei um jeito nele. – Foi a última coisa que ouviu. E a última visão que teve na vida, foi a daquele sorriso terrível.
Aquela mulher era uma Víuva Negra, e ele havia sido apenas mais um risco em sua lista.
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