Notas iniciais
não sabia como por na fic mas o epílogo se passa dois anos depois do último capítulo. o frank ainda não saiu da clínica, mas o gerard já. eu não quero dar muito detalhe, a base eu dei. eu quero que vocês imaginem o final que mais gostarem, o destino deles estão na mão de vocês. :3

Tocou o pincel vazio contra a vazia e límpida tela do quadro, manchando-o com um tom bege escuro. Puff, fora formado um borrão sem forma, todavia extremamente aconchegante como se Gerard já tivesse visto alguma vez. Ledo engano. Aquela sensação era pura e simplesmente devido ao contato com a arte que não fosse um tanto trágica.

Ele queria cores. Cores preenchendo não só a superfície – agora quase- branca, mas também sua alma nova, onde fora descartada grande parte de suas mágoas; pronta para se encher de alegrias e novas experiências. Pelo menos hoje, iria deixar de lado as cores mórbidas que um dia já pintaram a desgraça da humanidade para irradiar a sala apagada da clínica com alguma paisagem surreal, reflexo de seu espírito com sede de felicidade. Aquela sala de recreação nunca fora tão viva, e os doutores estavam de prova, confiando em suas visões e audições como nunca. E ele devia isso à apenas uma pessoa: Frank.

E este no momento batia os dedos tatuados contra a corda do violão empoeirado abandonado pelos pacientes problemáticos. A música adentrava nos ouvidos do artista e fazia seu coração transbordar pela paixão dividida pelos dois; aquilo o inspirava um bocado. Não precisava vê-lo para saber que estava sorrindo, a música tocada ali transpassava todo seu amor, e o sentimento ali era recíproco.

Aquilo o fazia ansiar para ter sua obra completa por mais que ainda não decidisse o que seria exatamente pintado. Até agora seguia seu puro extinto e deixava sua mão ágil correr livremente para gravar a completa essência de seu coração.

Gerard aprendera a dar valor às coisas. Aprendera a usufruir de cada sentido que possuía não só individualmente, mas também em conjunto; como em uma obra de arte em que cada cor se completava. Aprendera a respirar; a aproveitar tudo o que havia e que antigamente toda sua dor o tornava cego, não o deixando enxergar a beleza em sua volta.

Ele sabia, fora uma tarefa difícil se convencer que a vida era o presente mais gratificante que alguém poderia ter. Era ciente de que quase ninguém dava o devido valor; bem como ele costumava fazer em companhia de algumas seringas com heroína. E agora que via tudo com outros olhos, via o quão estúpido era.

Era como se além de ter dado olhos novos, Frank também lhe proporcionasse os ombros para ampará-lo com o excesso -ou a falta de- claridade que o mundo tinha.

Às vezes perguntava se o efeito dos remédios tivesse lhe presenteado com um amor imaginário e que Frank simplesmente não existia.

- Você realmente existe? – Não era como se ele tivesse pensado em perguntar isso. A questão simplesmente lhe escapou da boca. Corou levemente por se sentir um completo bobo.

Frank parou de tamborilar as cordas do violão e virou-se para Gerard, mesmo que este ainda estivesse encarando a palheta de tinta sem realmente prestar atenção nela. Depositou o violão delicadamente em cima da mesa e deitou-se no banco em que há pouco tempo estava sentado. Frank pedira para Gerard não olhá-lo enquanto estivesse tocando, pois assim a música se tornaria mais melodiável aos ouvidos do artista. E ele poderia concordar com isso, por mais que achasse magnífico poder ver o músico tocar e cantar como se estivesse lançando fragmentos de sua alma pelo ar, fazendo-o arrepiar algumas vezes. Não queria interrompê-lo, pelo jeito Frank pareceu disposto a parar a canção para conversar com ele.

- Heey... quem tem esquizofrenia aqui sou eu, esqueceu? Veio aqui pela bipolaridade ou amnésia? Se for, sinto lhe dizer, você está no lugar errado – Frank respondeu cantarolando em um sorriso travesso, enquanto descansava as mãos sobre a barriga.

Gerard ainda não conseguia entender como ele poderia ser tão gracioso diante de algo tão negativo como o que ele tinha, e ainda conseguia manter o bom humor para fazer piadinhas a fim de alegrá-lo. Finalmente virou-se para ele e em um ato idiota, molhou a ponta do dedo com um pouco de tinta verde que havia na palheta de cores em sua mão, sujando o nariz de Frank com uma gotinha dela.

- Combina com seus olhos – Gerard deu a desculpa, como se soubesse exatamente o que estava fazendo – Aliás, seus olhos combinam com vários tons. Eles são meio indefinidos e expressivos, já percebeu? Transmitem o que se passa nessa sua cabeça doida. São os olhos mais belos que eu já vi. – crispou os lábios, indeciso sobre continuar o diálogo – Dá para se perder neles... – completou em um sussurro quase inaudível.

Frank sorriu com o elogio repentino deixando todos os seus dentes a mostras. Aquilo fez seu coração aquecer e se lembrar o quão importante Gerard se tornou em algumas semanas de internação. Lembrara-se da primeira vez que vira ele, caminhando pelo segundo andar, mal humorado. A partir daquele momento, Frank soube que ele não era apenas mais um. A carga de angústia guardada dentro daquele corpo era tão grande que o ar ficava negativamente mais denso toda vez que o artista permanecia perto dele. E era justamente isso que fez com que se apegasse tanto a ele. Não que ele pudesse comparar suas dores, mas sim porque aquele silêncio perturbador da parte do maior era quase como um pedido de ajuda. E ele estava disposto a não só dar apenas uma mão, mas tudo o que ele precisasse para se recuperar.

Então ele olhava para ele agora e percebera que aquilo nunca fora em vão. Gerard era pintor e a própria obra. Que ao ver de Frank, nascera com beleza; porém com o tempo a falta de atenção e circunstâncias da vida o fez parecer feio, como se esta fosse uma sujeira difícil de se retirar. E o músico se sentia feliz em poder restaurá-lo.

Levantou-se um pouco e apoiou uma das mãos no banco, e com a outra retirou uma mecha de cabelo que insistia em cair nos olhos de Gerard. Grudou seus lábios no dele carinhosamente e roçou rapidamente seu nariz no dele, deixando-o esverdeado. Frank deu um risinho e arqueou as sobrancelhas, satisfeito com o que acabara de fazer.

- Meus olhos combinam com o seu – Deu os ombros, tentando imitar Gerard, falhando. – O artista sorriu, assentindo fracamente. Olhou profundamente em seus olhos novamente e sentiu um frio percorrer por toda sua espinha. Déjà vu.

Frank o olhara com ternura do mesmo jeito quando Gerard havia anunciado que após a saída dele da clínica psiquiátrica, ele voltaria novamente, mas como voluntário. Poderia fazer qualquer coisa, só queria ajudar quem precisava, só para poder ver pelo menos um olhar de agradecimento, como se aquilo o alimentasse. E ainda como presente, poderia ver a evolução do tratamento de Frank. Ajudar, espalhar arte e amar o músico: Essas eram suas prioridades. E estava completamente satisfeito vivendo disso.

Porém, o déjà vu não parecia se prover daquela antiga cena. Era algo mais novo, mais fresco em sua memória. Uma mudança brusca de Frank o fez acordar de seus pensamentos. Esse agora estava sentado, olhando por cima dos ombros de Gerard, com uma expressão surpresa.

- Gerard, você sabe o que desenhou? – Perguntou ele com a voz embargada, voltando a encarar o artista. Este chacoalhou os ombros, com as sobrancelhas arqueadas.

- Eu não sei... provavelmente fora uma paisagem – Respondeu Gerard, quase como se estivesse perguntando. Olhou lentamente para o quadro e se espantou ao se deparar com o que pintara.

Os olhos de Frank.

Notas finais
Bom, esse é o fim da fic. Eu queria agradecer a todos os leitores! Todos mesmos, até os sumidos. Vocês foram minha única e verdadeira fonte pra terminar isso aqui. Eu já tava quase desistindo, mas quando eu vi que vocês gostaram, obviamente que eu tive motivações. Confesso que não consegui deixar o fim do jeito que eu queria, sei que ficou meio confuso, mas de uns tempos pra cá fiquei com um bloqueio mental do cacete. então qualquer coisa, me manda uma mensagem que eu explico direitinho. De qualquer modo eu estou satisfeita. Mais uma vez agradeço muito, muito mesmo. Nunca achei que eu ia receber esse tantão de reviews. Vocês são demais. ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.