Notas iniciais
Ehhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!! Uru Take-Hime na área, postando uma nova oneshot: Photograph!

Tudo bem pessoal? Já faz um bom tempo desde que eu escrevi minha primeira oneshot de SNK, também era uma RiRen e espero que gostem dessa aqui também ^^ Foi algo suave, inspirado na tirinha de onde tirei a imagem de capa.

Sem mais delongas: Boa Leitura!

O inverno de Nova Iorque poderia ser bem rigoroso às vezes, por isso as pessoas tratavam de se agasalhar bem e manter-se fora do frio cortante direto. Aos que andavam pelas ruas dividindo espaço com a neve, apenas desejavam chegar logo em seus destinos e poderem se aquecer de alguma forma. O rapaz enrolava mais uma vez o cachecol em torno do pescoço para que pudesse proteger toda aquela parte, além de deixar um pouco levantado para cobrir parte do rosto. Se sentia um tanto “fofo” com todos aqueles casacos, mas acabaria congelando se não fosse assim e para se distrair do clima, sacou o celular do bolso e começou a checar se não havia recebido nenhuma mensagem nas redes sociais ou no e-mail. Não demorou muito para ele seguir para a galeria de fotos, escolhendo uma imagem em particular para visualizar melhor.

Ali estava ele, há seis anos em seu primeiro ano de colégio, com uma expressão espantada e um sorriso desajeitado porque a pessoa ao seu lado havia lhe dado um beijo na bochecha no momento em que tirou a foto. Ele foi seu professor naquele ano, mas iria para outro colégio no ano seguinte e provavelmente não se veriam mais. Outros alunos tinham medo dele, mas não era o seu caso... Na verdade o admirava por considerá-lo brilhante! Por isso mesmo, dias antes das aulas acabarem e nunca mais ter a chance de vê-lo, chegou repentinamente segurando o celular e pedindo por uma foto. Só não contava com aquele beijo na bochecha... Algo que nunca soube o motivo. Talvez tivesse ficado tão surpreso e curioso sobre a razão disso que ainda guardava aquela foto, mesmo depois de tanto tempo. Se pelo menos pudesse vê-lo outra vez...

Eren guardou o celular novamente e ergueu o rosto, parando para esperar o sinal para atravessar a rua e assim seus olhos vaguearam para o outro lado, arregalando-os em seguida por reconhecer a figura de seu antigo professor caminhando ali e seguindo na direção oposta. Continuava o mesmo... Os cabelos curtos e negros balançavam a medida que caminhava, a expressão séria parecia cravada em seu rosto e o olhar penetrante que era capaz de fazer qualquer aluno tremer de medo. Mal acreditava que era ele mesmo ali do outro lado da rua, a poucos metros de si quando tinha acabado de pensar nele e o acompanhou com o olhar até se dar conta de que tinha a oportunidade que tanto queria para falar com ele. Girou nos calcanhares e começou a caminhar no sentido oposto, um pouco mais apressado já que queria alcançá-lo logo e não perdê-lo de vista.

Teve um pouco de dificuldade para cumprir seu objetivo, ainda mais que seu rosto ficava voltado apenas à figura do professor e com isso acabava esbarrando em outras pessoas ou até mesmo batendo em algumas coisas da calçada. Ia acabar se machucando sério em qualquer momento... Mas não se incomodava muito com isso agora, apenas queria chegar até ele. Quando finalmente o viu parar na calçada esperando o sinal para atravessar a rua, era sua chance! O sinal estava aberto para si e atravessou a passos largos, então assim que alcançou o mais velho, seus braços automaticamente acabaram envolvendo-o em um abraço surpresa que nem mesmo ele esperava dar. Só estava muito contente de encontrá-lo e abriu um sorriso largo por isso, notando que o rosto do professor ficara na altura de seu peito. Havia encolhido? Não, certamente era ele que havia crescido.

- Maldito! – a voz irritadiça alcançou seus ouvidos e em seguida sentiu sua perna ser chutada, o que o fez ganir e se afastar – Quem pensa que é para... Yeager? – parece que finalmente o professor notou por quem havia sido abraçado.

- Ai... Implacável como sempre, Sr. Ackerman. – respondeu com divertimento, embora sua perna estivesse doendo agora – Desculpe, o assustei não é?

- Mas é claro! Que ideia foi essa de surgir de repente e me abraçar? – a expressão séria de Levi se tornou ainda mais fechada – Continua um pirralho impulsivo mesmo depois de todos esses anos?

- Acho que sim... – não se incomodava de ser chamado daquela forma, pelo menos não por ele – Foi à emoção de te encontrar, desculpe novamente. Como está? Ainda dá aula?

- Estou bem... – o menor observava atentamente o outro, pensativo – Sim, dou. Mas espero que não seja por muito tempo... Definitivamente eu não tenho paciência para esse bando de babuínos sem um pingo de modos.

- De fato, você nunca pareceu ter muita paciência com seus alunos... Por isso me perguntava por que escolheu ser professor. – Eren foi sincero, voltando a sorrir – Eu estava pensando em você agora a pouco e como mágica o vi logo em seguida do outro lado da rua, então eu pensei que fosse o destino e vim até aqui... Podemos conversar?

Aquele garoto sempre foi deveras espontâneo, era o que passava na cabeça do professor no momento. Dizer algo assim com tanta tranquilidade para outro homem que fora seu mentor um dia era sinal de muita coragem ou muita burrice, não sabia definir qual se encaixava melhor para ele. Por fim concordou com um aceno de cabeça e podia jurar que se Yeager fosse um cachorro, estaria com o rabo balançando de tanta alegria. Aqueles olhos verdes cheios de emoção lhe lembravam da época em que lecionou em seu colégio, quando ele era o único que parecia lhe encarar sem um pavor excessivo e sim com admiração. Um mistério que não conseguia decifrar, afinal sabia ser extremamente rígido com os alunos e não era surpresa que alguns chegavam a odiá-lo, mas Eren parecia ser sempre o extremo oposto disso.

Começaram a caminhar lado a lado e o mais novo perguntou se poderiam comprar algumas bebidas no caminho, o que outro concordou em fazer já que também estava com vontade de tomar algo. Pararam em um pequeno mercado e encheram a cesta com garrafas, levando-as até o caixa e Levi fez questão de pagar, mas deixando todo o peso para o outro carregar. Apertaram um pouco o passo ao notar que começava a nevar e eles não queriam sentir mais frio do que já estavam sentindo, então quando se deu conta Yeager já estava no prédio onde o professor morava e subindo de elevador com ele até o andar certo. Era a primeira vez que ia à casa de alguém assim e se sentia mais agitado do que o normal. Quando entraram no apartamento, tirou os sapatos como ordem do mais velho e seus olhos verdes percorreram tudo com grande interesse e curiosidade, finalmente se vendo livre do peso que carregava ao colocar as sacolas sobre a mesa da cozinha.

- É um belo apartamento e está impecável... Mora aqui há muito tempo?

- Me mudei para cá faz dois anos. – o professor se sentou em uma das cadeiras e em sua mão trazia o abridor de garrafas e apoios para evitar que a mesa ganhasse marcas de copo – Gosto de manter tudo bem organizado e limpo... Pode-se dizer que tenho mania de limpeza.

- Hm... Já esperava por isso, você ficava mais irritado quando chegava à sala e encontrava tudo uma zona. – Eren riu ao se lembrar da expressão demoníaca que o outro exibia nesses momentos e fazia todos se assustar – Mas diz que não quer continuar como professor por muito tempo...

- É uma profissão desgastante e não me sinto mais realizado com ela. – Levi explicou, abrindo uma das garrafas e serviu ambos – Não vou sair da escola realmente, estou apenas tentando ser promovido... Virar diretor é minha intenção.

- Ah, entendo... Mas ainda assim pode ser mais desgastante já que vai ter que lidar com os problemas que surgirem e encontrar soluções para a instituição.

- Isso não será problema. Colocarei todos na linha ou eu não me chamo Levi Ackerman! – e lá estava a expressão assustadora no rosto alheio, mas só fez com que o mais novo sorrisse e isso intrigou o professor – Porque está com essa cara de idiota?

- Eh? Nada demais... – acabou rindo sem jeito e levou uma das mãos a nuca – Só fiquei um pouco nostálgico ao te ver. Já faz seis anos e ainda assim você não parece ter mudado nada... E eu fico feliz por isso.

- Yeager... – o menor controlou suas palavras e decidiu mudar de assunto – Vai ficar olhando para minha cara ou vai beber?

Pediu desculpas e segurou o copo, virando-o quase de uma vez nos lábios e com isso quase engasgou, fazendo Ackerman avisar que se derrubasse bebida na mesa ou no chão, era melhor se considerar um homem morto. Os dois iam bebendo e conversando, Eren contou que havia se formado no colegial sem problemas e que atualmente estava na faculdade, além de procurar um estágio para conseguir algum dinheiro e experiência. O papo foi fluindo e as garrafas iam ficando vazias, chegando ao ponto de ficarem bêbados, mas Levi ainda se mantinha mais consciente que o outro. Assim que esvaziou mais uma garrafa, Yeager debruçou-se sobre a mesa e tentou pegar algo no bolso da calça, trazendo o celular em mãos e com um pouco de dificuldade encontrou a foto que estava encarando mais cedo, esticando na direção do outro para que pudesse ver.

- Se lembra disso...?

- Porque você ainda tem isso? – Levi devolveu a pergunta, mas na verdade se lembrava bem daquele dia e se surpreendia por aquela foto ainda existir.

- Porque é o meu tesouro! – o mais novo devolveu com um resmungo de chateação, trazendo o celular para perto novamente e fitou a foto sem notar a expressão surpresa do outro por suas palavras – Eu sempre olhei essa foto e pensei... Porque me deu esse beijo? Eu não pedi e ainda assim...

- Isso lhe incomoda?

- Um pouco... Porque não sei o motivo. Eu era só mais um dos seus alunos, eu não acho que era alguém especial aos seus olhos. – apesar de estar falando um pouco enrolado, Levi ainda compreendia o que ele dizia – Mesmo que eu sempre tenha visto você assim...

- Como você me vê, Yeager?

- Hm...? – o mais novo estava começando a ficar sonolento, mas abriu um ligeiro sorriso – Sr. Ackerman sempre foi muito inteligente e nos ensinava com muito empenho. Apesar de parecer assustador, sei que pensava no melhor para nós... E eu sempre achei que tivesse uma aura especial ao seu redor. Algo que... Me fazia querer observá-lo o tempo todo...

- Oe! – o professor chamou assim que notou que ele acabaria dormindo ali – Não durma! Tem que terminar de falar.

- Ahn... Você é... Incrível. – Eren tentava completar o que queria dizer apesar da dificuldade em se manter acordado, era mais fraco para a bebida afinal – Sempre o admirei e... Sempre quis ser alguém que pudesse estar com você... Tão iluminado... Tão bonito...

- Já não está falando coisa com coisa...

O mais velho levantou da cadeira e se aproximou do outro, erguendo seu corpo com um pouco de dificuldade, mas ainda assim não era problema carregá-lo por ser mais forte. Foi até a sala e deixou o corpo do rapaz cair sobre o sofá, percebendo que apesar da sonolência ele ainda segurava o celular com firmeza contra o peito e suspirou, pensando em tudo o que havia escutado. Será que era só o efeito da bebida ou Yeager realmente estava demonstrando que pensava nele muito mais do que imaginara? E depois de todos esses anos, ainda fez questão de falar consigo e demonstrava uma alegria incomum ao estarem juntos. Acabou se inclinando ao fitar melhor o rosto alheio e assim como naquele dia da foto, depositou um beijo na bochecha alheia.

- De novo... – Eren resmungou ao notar o beijo, afinal não tinha adormecido por completo – Porque faz isso?

- Porque você é um pirralho que me confunde com suas palavras e expressões. – o professor devolveu com a expressão séria de sempre, mas seu olhar parecia mais suave – Sempre foi assim, desde que eu lecionava para você. Apesar de me temer, também tinha aquele olhar de encantamento sobre mim assim como fez hoje... Não faz mal devolver um pouco da atenção que você me dá.

- Mas tem que ser na bochecha?

- O que quer dizer com isso?

A expressão emburrada de Eren chegava a ser fofa por estar incomodado pelo mais velho não perceber seus verdadeiros desejos. Acabou segurando a gola da blusa alheia e o puxou para aproximarem-se o máximo possível, podendo assim roçar seus lábios nos dele. Se for para receber um beijo dele, então que fosse na boca como tanto queria e para sua surpresa, aquele contato rapidamente se tornou um beijo intenso. Mesmo que também tenha sido pego de surpresa, Levi não considerou uma ousadia ou falta de respeito... Aquela era a resposta para suas perguntas a respeito do rapaz e o sinal de que poderia deixar de vê-lo como seu aluno e sim como a pessoa por quem se sentia atraído mesmo depois de anos. Uma chama especial incendiou a ambos assim que se encontraram novamente e dessa vez poderiam sentir isso sem nenhuma restrição.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!