Phobe
1 Phobe
Notas iniciais
2. Meus textos sempre são curtos, acostume-se.
3. Se gostar, mande um review :)
Phobe estava sentada naquele banco de praça durante toda a manhã. Estava passando a hora do almoço e a garota de cabelos castanhos ainda estava ali. Com um livro fechado no colo, o corpo voltado para a rua, com as crianças brincando as suas costas e a mente em qualquer outro lugar.
Achou que seria bom ler um livro perto das babás com suas crianças, espairecer a mente, mas, desde que sentara naquele banco, são saíra daquela posição. A fome ameaçava tira-la de seu transe, mas nada era forte o suficiente para fazê-la parar. No que estaria pensando? Ela ao menos deveria saber, mas não sabia. Palavras ao vento e pensamentos vazios; tentava formar ao menos uma frase que fizesse algum sentido, mas parecia tão difícil.
- Neutra, opaca, vazia, 11 e 10.
Os que passavam achavam gozado, a garota com os olhos vazios, encarando o nada, mas ela não percebia. Há muito deixara de ver e ouvir as pessoas ao seu redor. Tudo agora era uma imensidão branca onde letras formavam estranhas palavras que fugiam do sentido.
- Insossa, muleta, FOME!
Seu corpo pedia por comida. Não almoçara, não tomara café da manhã e nem ao menos jantara; mas ela não percebia a fome, apenas tentava encontrar algum significado na palavra a sua frente. – O que é fome?
E, finalmente, uma frase se formou, embaralhando letras na sua frente: Vem o homem mau.
Mas a garota não via o home, ela não via ninguém. E então, a grande tela branca começa a enrubescer, e é tomada de sangue. – De onde vem tanto sangue? Não há dor, apenas o sangue. E tentava encontrar as letras na imensidão vermelha. Parecia bem mais difícil agora, não haviam mais palavras, não haviam mais letras, nenhuma esperança de significado e de redenção, havia apenas a agonia e o desespero; afundar no sangue.
Enquanto isso, do lado de fora, pessoas começavam a se reunir em volta do corpo. Um carro, governado por um bêbado subiu a calçada e quase atingiu as crianças que brincavam. Estas conseguiram se salvar, mas a garota de olhos vazios não viu o carro. Havia sangue por todo canto. Sangue e Phobe, tentando formar palavras.
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