Phantomhive
12 A vingança de Amanda
Notas iniciais
Capítulo 12: A vingança de Amanda
18 anos antes, Londres.
Amanda tinha dois irmãos mais velhos: Claus de 26 anos e Susanna de 19, de longe a sua favorita.
Tendo apenas oito anos, Amanda era a mais bajulada e a mais querida. Mas de todos na família, quem mais a bajulava era sua irmã Susanna. Suh, como Amanda a chamava, era a irmã perfeita.
Susanna brincava com a caçula sempre que podia, lia para ela dormir todas as noites. A única que conseguia arrastar Claus para piqueniques no jardim e fazê-lo rir. Suh era uma daquelas pessoas cheias de vida. Era sempre alegre e sorridente. Para ela parecia não existir tempo ruim ou assunto que terminasse rápido. Ninguém ficava triste, calado ou quieto ao seu lado. Ela sempre iluminava o ambiente e contagiava a todos com seu sorriso.
Como seus pais estavam sempre ocupados com assuntos empresariais e sigilosos, Susanna tentava ao máximo não deixar que Amanda sentisse falta deles. De fato, Suh tornou-se mais que uma irmã, mas pai, mãe e amiga.
Amanda admirava a irmã e sonhava ser como ela. Susanna tinha cabelos cacheados e amarelos como ouro, seus olhos eram de um verde intenso, marca de toda a família, exceto Amanda. Seus cabelos loiros platinados eram lisos e quase brancos, seus olhos, âmbar como a seiva de uma árvore. Mas Suh sempre dizia que Amanda era a mais linda de todas, pois era a única diferente naquele mar de idênticos olhos verdes.
Amanda Midford tinha também oito anos quando viu aquele homem pela primeira vez. Vestia preto, era alto, tinha enigmáticos olhos castanhos e era extremamente bonito. Amanda já havia percebido que seus pais tinham certas reuniões que não queriam nem mesmo que eles soubessem com quem era. Essas reuniões eram com aquele homem. Amanda continuou espiando os homens entrarem na sala de reuniões. A figura de cabelos pretos se destacando em meio aos loiros.
– O que está fazendo, Nanda? – Susanna chegou por trás de fininho, fazendo a menina saltar de susto.
– Quem é aquele moço? – Amanda apontou para o sujeito de preto. Ao fitar a figura, a expressão de Susanna ficou pesada.
– Aquele é o senhor Michaelis, ele é dono de parte das empresas Midford, está aqui para negócios, apenas isso.
– Pensei que a empresa fosse só do papai.
– Uma parte sim. E um dia, essa parte vai pertencer a Claus, a você e a mim, e com ela algumas responsabilidades que você não precisa saber agora. Mas a parte daquele homem sempre será dele. Só me prometa uma coisa, Nanda, jamais fale com aquele homem quando estiver sozinha nem aceite nada que ele lhe propor.
– Mas... ele não é amigo do papai e da mamãe?
– Amigos? Aliados seria a palavra mais correta. Somente prometa Amanda. – A jovem segurou a menininha pelos ombros olhando fixamente em seus olhos, queria que a pequena percebesse que não estava brincando.
– Eu prometo Susanna.
Susanna nunca saberia, mas a pequena Amanda ficou cada vez mais fascinada por aquela estranha figura. Mas não pretendia quebrar a promessa feita à irmã. Pelo menos não até sua vida começar a mudar de forma cruel.
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Nessa mesma época, Susanna se apaixonou cegamente por um homem chamado Hector MacDonald. Amanda o odiava, dizia que ele tinha nome de comida e que não ia com a cara dele. Susanna dizia que ela estava apenas com ciúmes porque teria que dividi-la com outra pessoa. Suh ficava muito feliz quando o via e o tal MacDonald tratava sua irmã com muito carinho. Mesmo assim, se emburrava toda vez que ele vinha visitar Suh. Claus dizia que era pirraça de criança. Amanda até tentava ser amigável com o cara, mas sua fúria subia sempre que ele a chamava de “Pequena”, nunca Amanda, sempre Pequena. A menina tinha certeza de que ele nem sabia seu nome.
Tão rápido quanto o namoro, foi o casamento. Amanda achava que Suh estava enfeitiçada, o que ela terá visto naquele cara sem graça? E Susanna Midford passou a ser Susanna MacDonald, o que Amanda continuou achando horrível. Suh merecia um sobrenome melhor, um marido melhor.
Amanda sentiu-se muito só sem a irmã. Claus estava sempre ocupado com o trabalho na polícia e nunca foi do tipo animado. Seus pais sempre resolvendo negócios que ela não podia saber, como se uma menina de oito anos ligasse pro que eles faziam. Tamanha foi a surpresa da loirinha quando, ao voltar da lua de mel, Susanna chamou Amanda para morar com ela. Seus pais até gostaram da ideia, seria bom para a caçula se afastar um pouco e ficar com a irmã, mas, deveria voltar para casa quando tivesse 17 anos, para a iniciação, como todos da família fizeram.
Não pense que os pais de Claus, Susanna e Amanda eram negligentes ou frios com os filhos, pelo contrário, sempre fizeram de tudo para que nada faltasse aos três, seguindo o exemplo dos pais, os filhos mais velhos faziam o mesmo com os irmãos mais novos. A família tinha um legado importante, um legado com responsabilidades perigosas. Além disso, as empresas da família, embora não passassem de uma máscara social, não deixavam de exigirem atenção também. Por estas razões estavam sempre atarefados. E tinha o Michaelis. Eram aliados, sim, mas se tratando de alguém como ele, não se podia dizer com certeza até que ponto. Pois para aquele demônio, os Midford nunca foram mais que um estorvo necessário. E que a verdade seja dita: eles estavam nas mãos do Michaelis e não o contrário. Ninguém podia culpa-los por querer manter os filhos protegidos. Pena que estavam enganados, logo Amanda descobriria que sua antipatia natural pelo agora marido de sua irmã tinha propósito.
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Susanna tinha dezenove anos, mas já trabalhava na principal empresa Midford, afinal, era uma das acionistas. Hector também tinha uma empresa, Amanda não fazia ideia do que o homem fazia, só sabia que a empresa dele nem de longe era tão grande quanto a de sua família. A princípio, o casal trabalhava o dia todo e Amanda passava o dia na escola. A menina saia da escola às três da tarde, Hector atenciosamente se ofereceu para buscá-la já que a escola ficava mais perto do trabalho dele do que do trabalho da Susanna. Hector a deixava em casa e voltava para seu trabalho. Os dois mais velhos retornavam às seis e jantavam juntos, jogavam, nos finais de semana passeavam em diversos lugares. Parecia uma família feliz. Parecia.
Amanda ainda tinha nove anos, quando começou a achar que, talvez, tivesse sido muito injusta com Hector. Se Suh o amava, então ela devia se esforçar para gostar dele também, agora que fazia parte da família. No entanto, apenas um mês após aquela feliz rotina diária começar, aquilo aconteceu pela primeira vez. A primeira de muitas.
Foi numa segunda-feira, Amanda estranhou quando algo na rotina se alterou. Naquele dia, quando Hector a pegou na escola, ele não a deixou em frente à casa e voltou imediatamente para seu trabalho, não, naquele dia ele decidiu entrar com ela. Estranhou mais ainda quando o ouviu trancar a porta a chave. Sentiu os batimentos de seu coração aumentarem pouco a pouco quando ouviu os passos dele na escada e quando ele a seguiu até seu quarto. Ela esperou que ele saísse, mas não saiu. Hector começou a dizer-lhe várias coisas, mas o pânico crescia de tal forma que ela nada conseguia entender, seu corpo apenas dizia “fuja!”. Quando ele começou a tocá-la em lugares que jamais poderia e a acariciá-la de um jeito que jamais devia, Amanda se assustou. Tentou desvencilhar-se daquele homem asqueroso, tentou gritar por socorro, mas ele a segurou pelos braços, jogou-a sobre a cama, tapou sua boca e disse em seu ouvido:
– Cale essa boca, sua vadiazinha! Ou eu mato você e a idiota da sua irmã. Não vai querer que nada de mal aconteça a Susanna, não é? Seria uma pena se você me deixasse zangado e eu tivesse que descontar nela. Você não ia querer isso, ia? Eu fiz uma pergunta, putinha. RESPONDA!
Ele prendeu os cabelos da menina entre os dedos puxando os fios com força, fazendo a menina gritar e chorar.
– N-não... não machuque minha irmã... – dizia entre soluço e lágrimas.
– Boa menina. Agora, fique quietinha... não se mexa...
Amanda sentiu aquelas mãos subirem por sua coxa, entrando sobre a saia de seu uniforme escolar. Sentiu sua roupa íntima ser arrancada de seu corpo e... não queria pensar no que estava acontecendo. Começou a olhar para o teto, fixando os olhos e a mente em cada detalhe da madeira do forro, dando a maior atenção... possível... a... cada estria... cada.. .nuance.... a cor, o verniz,...que tipo de madeira seria aquela... de que árvore terá vindo? Com certeza uma.... Uma bela e majestosa árvore, que habitava uma linda floresta... Com montanhas... Campos verdes, vales, céu azul, pássaros... Muitos pássaros. Mas... Mas... A pobre árvore fora cruelmente arrancada de seu lugar e transformada em algo que não queria, condenada a permanecer presa naquele quarto, sendo obrigada a presenciar tão vergonhosa cena, a única testemunha da pobre menina que lhe olhava fixamente, pedindo socorro para os restos do que um dia foi uma majestosa árvore. Amanda começou a engasgar-se com o próprio choro e sentindo uma dor terrível gritou, o homem deplorável usou um travesseiro para abafar seus gritos e continuou movimentando-se até que a menina desmaiasse.
– Vá se lavar sua vadia imunda! — disse Hector antes de voltar para o trabalho. Amanda ficou sozinha e nua, se sentindo a pior das criaturas.
E a nova rotina foi estabelecida. Hector sabia que Susanna chegaria só as seis, então ele tinha três horas para fazer o que quisesse com a pequena Amanda. A menina passava o dia em agonia, e começava a entristecer a cada hora do relógio, temia aquela hora miserável da tarde em que ele vinha busca-la. Pensava em fugir, mas tinha medo de que ele tentasse algo contra Suh. Pensou em contar para a irmã, mas ele ameaçou matar as duas caso ela contasse, além disso, sentia tanta vergonha de si mesma que nem sabia como dizer uma coisa dessas a alguém. E o pior de tudo, Suh realmente amava aquele canalha. Susanna, assim como todo mundo, achava que ele era um homem respeitável, carinhoso, bondoso, mas ninguém sabia como ele era de verdade: um monstro.
Pouco tempo depois, Suh ficou grávida. A gravidez deixou a mulher muito debilitada, mas estava muito feliz porque ia ser mãe. No último mês de gravidez, Hector insistiu numa viagem a Liverpool, o que era desaconselhável, visto que a esposa poderia dar a luz a qualquer momento. Mesmo assim foram os três nessa viagem. Como era previsto, as dores de parto vieram em Liverpool. Era até morbidamente irônico, mas, enquanto Susanna sofria as dores do parto num quarto de hospital, sua pequena irmã, de dez anos apenas, sofria por ela, uma dor mais terrível ainda num quarto de hotel.
Hector ouviu o telefone tocar. Tapou a boca da menina e atendeu. Era uma enfermeira avisando que sua esposa tivera uma menina. “Tem olhos verdes como a mãe e saúde de sobra!”, Amanda conseguiu ouvir a enfermeira no telefone. Hector levantou-se e mandou que Amanda arrumasse tudo. Amanda estava tão ansiosa para ver a sobrinha, que nada que aquele homem fizesse ao seu corpo ou dissesse poderia deixá-la triste. Nada exceto a notícia que foi dada a toda a família.
O bebê nascera morto.
Foi o que Hector disse a Susanna e a família. Mas Amanda ouvira bem a enfermeira dizer que era uma menina saudável. Não sabia o que aquele crápula tinha feito, mas de uma coisa tinha certeza, sua sobrinha estava viva.
Após a suposta morte do bebê, os três voltaram para Londres. Suh nunca mais foi a mesma. Teve depressão e passava mais tempo dopada sob efeito dos antidepressivos do que acordada. Deixando o caminho livre para seu odioso marido. E o tempo foi passando.
Amanda tinha dezesseis anos, oito deles foram felizes, oito deles sendo abusada diariamente por aquele que mais odiava no mundo. Amanda não chorava mais, tinha ódio e raiva. Ainda olhava para o teto tentando se distrair, mas agora, ficava planejando formas de se vingar.
Poderia voltar para casa de seus pais, mas nunca deixaria a irmã nas mãos daquele monstro. No entanto, Suh ficava cada vez mais doente, até Amanda perceber que Hector a estava envenenando. Aquela foi a gota d’água. Amanda tomada de fúria tentou agredir o homem, no entanto, por ser mais fraca, foi facilmente dominada. Como punição, tentou estuprar a adolescente ali mesmo na sala. Amanda tentava afastá-lo de todas as formas possíveis.
Acordada pelo barulho, Susanna caminhou cambaleante até a sala e, chocando-se com a cena, imaginou estar num pesadelo. Gritou para que Hector soltasse sua irmã. O homem saiu de cima da jovem segurando-a pelos cabelos.
– O que você está fazendo? – não acreditava em seus olhos.
– Não é óbvio! Ou será que você é tão burra que eu vou ter que explicar? – estava tão transtornado e bêbado que desistira de bancar o bom moço.
– Por que está falando assim? – a voz saiu sem força.
– Você é uma idiota mesmo. Todo esse tempo e nunca se deu conta de que eu fodia sua irmã? – Susanna começou a chorar, aquele homem parado a sua frente não era seu marido.
– Isso é verdade Nanda? – Amanda nem sequer conseguia levantar os olhos para a irmã – Oh, meu Deus!
– Vamos pequena, diz pra ela como nos divertimos desde o dia que você chegou aqui. – Hector tocou o seio da jovem que continuava desferindo socos tentando libertar-se.
– Não toque nela!
Suh marcou cinco dedos no rosto do marido. Mas este retribuiu com um tapa mais forte ainda, fazendo a mulher cair no chão.
– Sua vagabunda, não serve nem pra morrer, quanto tempo terei que esperar até que morra de uma vez?
– Pensei que me amasse... – as lágrimas pingavam no tapete.
– Amar?! Só me casei com você por causa da suas ações naquela empresa. Venho envenenado você há anos e mesmo grávida, não morreu, tive que mandar sumirem com aquela criança, até parece que eu iria aturar choro de bebê. Mas você morreu? Não! Vocês duas só servem na cama, mesmo.
– Você fez o quê com a minha filha?
Amanda não lembra exatamente o que aconteceu depois disso, mais se recordava de que todos começaram a bater e a arremessar coisas até sentir uma forte pancada na cabeça e apagar. Quando abriu os olhos, estava dentro de um carro parado no meio de uma floresta. Sua cabeça latejava. Suas mãos estavam amarradas. Quando olhou para o lado viu Suh. Chamou-a até que ela despertasse. Susanna estava com um ferimento na barriga, sangrava muito. Suh precisava de socorro, Amanda tentava livrar-se das cordas.
– Me desculpe, Amanda. Eu não fazia ideia... Eu, eu devia ter notado... me perdoe – chorava desconsoladamente.
– Não se preocupe com isso, Suh. Eu suportaria qualquer coisa por você. É isso que irmãs fazem.
Amanda não sabia, mas aquelas palavras entristeceram Susanna mais ainda. A jovem conseguiu se soltar e disse que ia buscar ajuda. Mal se afastou do carro, algo em sua mente estalou. Por que Hector as deixaria no meio da floresta? Por que não matá-las logo? Só se...
Virou-se para o carro e viu que este estava vazando gasolina, correu o mais rápido que pode gritando pela irmã.
– SUSANNAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
A explosão que se seguiu foi tão grande que seu impacto e os estilhaços jogaram Amanda longe, as chamas logo se espalharam pela floreta. Amanda ainda não estava morta, ainda. Não conseguia se levantar. Queria chorar, mas não conseguia. Estava com tanto ódio, tanta raiva daquele maldito pedófilo. Susanna sempre o amou, e ele desde o inicio apenas fingiu, tudo o que queria era dinheiro. Nunca o perdoaria por macular o seu corpo, nunca o perdoaria por fazer sua irmã sofrer, nunca o perdoaria por matar Suh.
Se ao menos ela pudesse viver, nem que fosse mais um dia, para se vingar dele. Daria qualquer coisa para vingar-se, fazê-lo sofrer como ela sofreu, matá-lo com suas próprias mãos. Daria qualquer coisa por vingança... qualquer coisa.
– Parece que alguém clama por meus prestimosos serviços. – Amanda ergueu os olhos e viu uma figura alta em pé ao seu lado. – Percebo que o incêndio se espalha rapidamente, se pretende continuar deitada aí vai acabar morrendo queimada.
– Eu conheço você... Da casa de meu pai... Senhor Michaelis. – falava com esforço tentando respirar.
– Sebastian Michaelis, o demônio. Agora a pouco disse estar disposta a dar qualquer coisa em troca de vingança. Eu posso conseguir isso... em troca de sua alma.
– Eu aceito.
– Compreende que ao termino de nosso contrato, após eu conseguir sua vingança, sua alma será minha, e você consequentemente morrerá? Não há mais volta para aqueles que têm a alma devorada. Mesmo assim, aceita fazer o contrato?
– Sim. Tudo o que eu mais quero, é que aquele homem morra.
O moreno estreitou os lábios num sorriso malicioso. Depois fez uma reverência para a garota ainda no chão.
– Neste caso, serei seu mais leal servo. Qual sua primeira ordem, minha Lady?
– Tire-me daqui.
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Foi noticiado que uma mulher e uma jovem tinham morrido num incêndio florestal. Hector deve ter achado que seu plano funcionara perfeitamente. Só não esperava que o testamento de Susanna passasse todos os seus bens para sua irmã mais nova, e até que estava pudesse assumir legalmente posse de seus bens ou em caso de morte da mesma, tudo passaria para o poder de seus pais. Havia uma clausula que impedia que qualquer bem, ação ou imóvel pertencente a família Midford saísse do poder da família Midford, com o selo real para dar validação. Hector não conseguiu botar as mãos em um tostão sequer do dinheiro da falecida esposa.
Depois que Amanda se recuperou, Sebastian a levou para a mansão dos Midford. Sebastian tinha algumas tarefas importantes a cumprir e Amanda precisava fazer a iniciação.
O senhor e a senhora Midford não ficaram muito felizes ao saber que a filha tinha feito um contrato com um demônio, ainda mais depois de saber da morte da outra, mas por insistência da Amanda e do Sebastian, todos concordaram em agir como se Amanda tivesse realmente morrido.
Na iniciação, Amanda passou a compreender a relação de sua família com o Michaelis, e porque um dependia do outro embora as duas partes não se gostassem. Conheceu a história de Sebastian, de sua família, e do segredo que os Midford escondiam do demônio: a verdade sobre a morte de Lilian Cavendish. Compreendeu seu papel como membro daquela família e começou a treinar para fazer o que todos os Midford faziam.
Para todos os efeitos, Amanda Midford estava morta. Mudou seu nome para Amanda Villefort. Conforme Sebastian havia lhe orientado, tornou-se a dama que devia ser. Era estranho, mas aquele ser vil a tratava com o respeito de um verdadeiro cavalheiro. Diferente de muitos humanos.
Em decorrência de suas obrigações e das obrigações do moreno, a vingança de Amanda foi adiada. Depois de sete anos divididos entre Rússia e Cairo, Sebastian retornou com uma garota e um homem a tiracolo, dois novos cães, ou melhor, membros do seu grupo. A loira tinha então vinte e quatro anos. E Sebastian continuava tão belo quanto era quando a mulher o conheceu há dezesseis anos.
Hora de começar a vingança.
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Atualidade, Londres.
Depois de tantos anos, Hector MacDonald prosperou muito no mercado financeiro. Sua empresa atuava na área de construção Civil. O que as pessoas desconheciam era todo o esquema de corrupção criado por ele. A ficha do cara estava tão suja, que Sebastian até se sentiu um pouco desapontado, achou que daria um pouco mais de trabalho deixá-lo encrencado. Enquanto analisavam tudo o que havia conseguindo sobre e contra Hector, o moreno disse algo que Amanda não conseguiu esquecer: “Humanos, colocam a forca no próprio pescoço e deixam a corda a disposição do primeiro que se sentir tentado a puxar”.
Amanda deu duas missões a Sebastian, a primeira era entregar Hector em suas mãos a segunda, achar a filha da Suh. Como Sebastian dissera, Hector já estava com a corda no pescoço, só precisavam apertá-la um pouco mais. Hector devia primeiro perder a sua suposta honra, o dinheiro e por último, a vida. E assim a vingança aconteceu.
Disfarçado, Sebastian fez Hector perder mais e mais dinheiro em jogo, primeiro erro dos humanos, cair em jogatina. Hector ficou devendo uma fortuna para Sebastian e para outros caras barra pesadas, convidados ao jogo pelo próprio Sebastian, ideia da Amanda. Sebastian, sob o pseudônimo Stan, afirmou ter conhecimento do esquema que Hector tinha de contrabando e tráfico, usando sua empresa de construção. “Stan” informou saber de um comerciante Chinês interessado em alguém que facilitasse o comércio de seus ‘produtos’ no país. Como a quantia a ser paga pelo serviço era exorbitante, Hector concordou. Depois de algum tempo trabalhando com o comerciante chinês, este apresentou a Hector alguns japoneses interessados nos mesmos serviços. Ganancioso como sempre, Hector irresponsavelmente aceitou o transporte de uma carga grande de drogas e outros produtos ilegais, que deveriam ser distribuídos pela Inglaterra em meio aos materiais de construção. Os japoneses até pagaram metade do combinado adiantado.
Mas a carga sumiu. Toda ela.
Descobriu tarde demais, que os japoneses eram da Yakuza, e estes começaram a ameaçá-lo de morte caso a carga não aparecesse. Hector pediu um prazo. Não podia chamar a polícia, esta poderia descobrir o seu esquema e estaria mais ferrado ainda. Ligou para Stan, talvez ele conhecesse alguém que pudesse emprestar dinheiro ou que precisasse de um serviço. Stan aconselhou Hector a pegar um empréstimo no banco.
– Com os bons resultados financeiros de sua empresa, banco nenhum se recusará a fazer um empréstimo, claro que eles desconfiarão de um empréstimo de 200 milhões de libras esterlinas. Então peça metade do valor, diga que é para a melhoria do local de trabalho dos funcionários ou em novos equipamentos de segurança, essas baboseiras de preocupação com o próximo atraem os bancos, mas na verdade só estão interessados em ganhar mais. Você paga a Yakuza e pede mais tempo até conseguir o restante.
Assim fez Hector, com o empréstimo do banco em mãos, sentia que havia tirado um peso das costas.
– Eu falei que funcionaria. – dizia Stan num bar do submundo de Londres. Bêbados, contrabandistas, criminosos e prostitutas andavam ali, disfarçados de damas e cavalheiros. Havia fumaça de cigarro por todo ambiente, pessoas jogavam e o cheiro predominante era de álcool. – Por que você não relaxa um pouco, vamos comemorar, nos divertir. Tem alguma ideia?
– Tenho sim. – Hector apontou uma prostituta com a cabeça, devia ter no máximo dezenove anos.
– Aquela não – reprovou Stan – é muito velha, queria uma mais nova.
– Mais nova que aquela? Então você gosta de ninfetinhas, é? Você tem bom gosto, carne nova é a melhor. Como eu sempre digo: quanto mais velha, mais usada. Vem comigo, te mostro onde conseguir umas, afinal, estou te devendo uma.
– Pode ir na frente, eu pago a conta.
– Stan, você é o cara.
Sebastian ficou olhando o homem se afastar cambaleante.
– Sua alma é tão deplorável que jamais a comeria, poderia morrer de asco.
Sebastian, ou Stan, seguiu Hector até uma casa que nada denunciava o que ocorria dento dela. Uma mulher gorda trouxe uma menina de uns treze anos ou menos que logo desapareceu com o Hector.
– Vai escolher a sua? – disse a gorda numa voz insuportável.
– Acabei de perceber que não trouxe minha carteira.
A mulher o olhou como se ele fosse um bocado de lixo.
– Não tem dinheiro, não goza. – disse num rosnado.
Assim que saiu da casa, Sebastian pegou o celular.
– Boa noite. Meu nome é Stan e gostaria de fazer uma denúncia...
Em poucos minutos a polícia invadiu a casa prendendo todos que estavam lá, incluindo o Senhor MacDonald. Estranhamente, a polícia encontrou no local um envelope contendo uma relação com nomes e fotos de todos os envolvidos no esquema de corrupção de menores assim como todos os clientes daquele lugar. Hector usou o dinheiro do banco para pagar a fiança. Mas estava sob investigação e por onde andava na rua, todos o apontavam como pedófilo.
Hector mudou-se para Liverpool para escapar da Yakuza. O que foi conveniente para a loira e o moreno. Sebastian descobriu que Hector havia entregado a filha para adoção, era questão de tempo até descobrir quem era a menina certa.
Amanda deu a Sebastian um pendrive que deveria ser instalado no computador pessoal do MacDonald sem que este percebesse. O pendrive transmitiria para o computador da loira qualquer coisa que ele acessasse. Sebastian foi, mas voltou estranho.
– O que ouve?
– Perdi o pendrive.
– O Senhor Perfeição perdeu o pendrive?
– Sei exatamente onde está, senhorita Amanda. Irei pegar amanhã, assim que possível. Ah! Tenho uma ótima notícia, creio que encontrei sua sobrinha.
– O quê?! Como pode ter certeza?
– Ora, os olhos verdes de sua família são inconfundíveis.
– Ela tem olhos verdes? E como ela é?
– Exatamente como Susanna era aos dezessete anos.
Logo Amanda notou que não era a única a aparentar contentamento. Sebastian estava de alguma forma diferente, seus olhos tinham um brilho que ela nunca vira antes.
– Quem mais encontrou? – ele não poderia mentir pra ela.
– Um jovem. Amigo de sua sobrinha ao que parece.
– E o que há de especial nesse jovem?
– Como?
– Você não esqueceu o pendrive, deixou-o de propósito. Algo nesse jovem o atraiu. A alma dele é melhor que a minha?
– Infinitas vezes.
– Sua sinceridade me assombra. Qual o nome dele?
– Ciel.
Amanda ficou parada. Os dois se entreolharam de modo significativo como se chegassem a uma conclusão comum.
– Bom, se o deseja. Deverá fazer o máximo para levar o nosso contrato a termo.
– É muita bondade sua, minha Lady – curvava-se para a loira.
– Pare com isso, já disse para me chamar apenas de Amanda.
Amanda e Sebastian alternavam sua vingança com o trabalho nas Empresas Midford. A pedido da própria Amanda, Sebastian aproximou-se mais de Ciel. Amanda conseguiu entrar para a mesma turma da irmã de Ciel na faculdade, precisava saber mais sobre ele e sobre sua sobrinha, cujo nome era Elizabeth Wilson. Não, em breve seria Elizabeth Midford, como sempre deveria ter sido.
Os crimes e os desaparecimentos constantes complicavam as coisas. A polícia estava mais preocupada em encontrar o serial killer que assombrava o país do que julgar Hector ou investigar suas falcatruas.
– Sebastian! – chamou Amanda. E algum tempo depois o moreno apareceu. – onde estava? Por que demorou tanto?
– Estava no Darjeeling tomando chá com o Ciel. Ontem ele me convidou para ir ao Cinema com a irmã. Eu ia perguntar qual o cinema, mas você me interrompeu, qual é a emergência?
– Vejo que Ciel gostou de você. Bem o computador começou a rastrear o Hector. O pendrive funciona. Ele está começando a desviar dinheiro da empresa para uma conta separada.
– Acha que ele pretende pagar a Yakuza ou fugir?
– Para mim tanto faz, faça com que a Yakuza diminua o prazo dado a ele.
Sebastian fazia o máximo para atender todas as ordens de Amanda da melhor maneira possível, e para colher o máximo de informações sobre Elizabeth e sua família, mas o moreno também gastava muito tempo com Ciel. Amanda não podia culpá-lo. Ciel não era apena uma alma desejável era também um dos escolhidos da Rainha. Não era de se surpreender como Sebastian estava atarefado tendo que se dividir em três tarefas diferentes e ainda tentar ganhar a confiança daquele garoto.
Certo dia Amanda teve que ir direto ao Darjeeling Chá procurar Sebastian. O informante ligou para ela avisando que o MacDonald tinha combinado de encontrar os homens da Yakuza para tentarem um acordo. A mulher entrou elegantemente no café, com seus compridos cabelos platinados ocultando a marca do contrato em sua nuca. Viu Sebastian conversando com um rapaz, um jovem muito bonito por sinal.
– Sebastian. Desculpe interromper, mas está na hora.
– Oh, sim. Perdoe-me, distrai-me. Este é Ciel.
– Ciel Valentine. – o garoto a cumprimentou. Era realmente uma sensação incrível olhar para aquele garoto. Depois de ouvir tanto sobre ele, saber tanto sobre ele.
– Então este é o Ciel?! Sebastian me falou de você. Prazer Ciel, Amanda Villefort.
Os dois se afastaram de Ciel e Amanda contou a Sebastian o que o informante havia dito. Se quisessem saber o que a Yakuza decidiria teriam que ir até lá, além do mais não podiam deixar aquele imprestável ser morto por mais ninguém além dela.
Sebastian voltou para despedir-se do jovem e a loira ainda disse:
– Não se preocupe Ciel, estou apenas pegando o Sebastian emprestado por uns tempos. – o que era verdade. Amanda era passageira, após o termino do contrato, Sebastian estaria livre para ficar com o garoto e sua alma, se conseguisse convencê-lo. Quando estavam na porta, Sebastian virou-se e disse “ Ciel, você fez a pergunta errada”. Sebastian estava tão empolgado que Amanda ficou se perguntando sobre o que os dois conversavam.
No fim Hector conseguiu mais alguns dias. Desesperado, acessou sua conta e tentou fazer a transferência de todo o dinheiro desviado para uma conta pessoal, da qual, posteriormente, retiraria o dinheiro para pagar a dívida que só aumentava. Estava finalizando o processo quando clicou em confirmar transferência, algo estranho aconteceu. Todo o dinheiro foi enviado para várias outras contas desconhecidas. Ele tentou parar o processo, mas não conseguiu. Estava falido, arruinado e não tinha como pagar os mafiosos.
Felizmente, naquela mesma noite, umas duzentas instituições de atendimentos a crianças que sofreram algum tipo de agressão, receberam uma considerada doação em dinheiro em nome do senhor e da senhora Stan.
Logo Hector recebeu a visita dos mafiosos japoneses que quase o mataram espancado, quase. Alguém avisou a policia sobre um tumulto na vizinhança. Hector tentou fugir de carro. Sebastian o seguiu até a saída de Liverpool e conseguiu provocar um acidente. Reconhecido como fugitivo, Hector foi detido. Deixando Hector sob o poder da policia por uns tempos, Sebastian olhou no relógio, com sorte conseguiria chegar à casa do Ciel antes da meia- noite. Tinha até uma chamada perdida do garoto no celular, ele devia estar bravo, com certeza. Sorria só de imaginar o rosto zangado dele.
Sebastian e Amanda decidiram deixar Hector sofrer um pouco na prisão. O momento de Hector morrer se aproximava e consequentemente, a sua morte também. Era hora de colocar outro plano em ação. Conhecer Elizabeth, Liza como gostava de ser chamada, e aproveitar o máximo de tempo possível com ela.
Planejou uma festa na piscina. Com muita gente, a garota não estranharia. Amanda ficou espantada com a semelhança de Liza e Suh. Sim, Elizabeth herdara cada detalhe de sua mãe, era reconfortante saber que a sobrinha em nada se parecia com aquele homem horrível, e o melhor de tudo, jamais saberia dele. As duas se tornaram muito amigas, Liza era tão cheia de vida quanto Susanna. E descobriu que a jovem realmente amava aquele garoto, que apesar de ser seu namorado, parecia não corresponder o mesmo sentimento. Seria sina de família, apaixonar-se por alguém que não sente o mesmo? Ciel não era mau garoto, Amanda tinha certeza, ele se importava e cuidava de Liza, mas não retribuía o amor que a menina demonstrava, mas Liza não se dava conta disso. Talvez Ciel e Liza ainda fossem muito jovens para perceber o que ela já havia percebido.
A verdade é que aquele garoto estava destinado a outro, sim, a outro. E ninguém conseguia impedir esse outro de conseguir o que queria. Por isso, não foi surpresa quando Amanda pegou os dois se beijando na sala do piano. Sebastian era realmente um ser impossível, conseguia até mesmo seduzir garotos inocentes.
– Não sabia que gostava de meninos. – ironizou assim que ouviu Ciel sair pela porta da frente.
– E não gosto. Meninos são irritantes, chatos e arrogantes. Eu gosto dele. Apenas dele.
– Você realmente gosta dele, não é? – dizia a loira distraidamente, deslizando os dedos sobre a tampa do piano, numa inscrição gravada na madeira numa letra fininha, “L. Cavendish”. – É realmente estranho alguém como você ter esse tipo de sentimento. Quando vi humanos mostrarem que não o possuem. Enfim, vim para tratarmos de todos os tramites legais para depois de minha morte.
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O fim se aproximava. Amanda tinha que entregar sua alma a Sebastian, mas tinha uma divida com Ciel, não precisava realmente dizer nada a ele, mas queria. Talvez fosse de alguma forma uma espécie de vingança contra Sebastian. Mas no fundo estaria ajudando os dois. Procurou o garoto e o orientou exatamente como agir para descobrir sobre Sebastian. Se Ciel realmente fosse, Sebastian teria que contar que é um demônio, sobre os Cães, a Rainha e todo o resto.
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Era quarta-feira, estava numa delegacia em Londres. Alguém pagou sua fiança. Quando saiu, viu Stan. Hector foi até ele. Stan disse que estava hospedado num hotel das proximidades, e que Hector poderia ficar com ele até que as coisas se resolvessem. Ele estava acabado, fisicamente falando. Seu estado era deplorável. Enquanto Stan colocava a chave na porta, disse:
– Tenho uma surpresinha pra você, acho que você vai gostar.
Hector começou a salivar só de imaginar que belezinha Stan teria conseguido. Fazia tanto tempo que não tocava em nenhuma. Quando entrou no quarto, viu uma menina sentada de costas sobre a cama. Quando segurou seu ombro, a menina tombou. Era uma boneca.
– O q...
Virou-se e deu de cara com uma mulher alta, de cabelos loiros platinados e lisos que desciam até a cintura. Olhos furiosamente âmbar. Segurando uma arma apontada para seu peito.
– Lembra-se de mim, Hector? – o homem a fitou confuso – antes de lhe dizer quem sou, quero que saiba que tudo que aconteceu com você foi por minha culpa. Eu fiz você perder no jogo, eu fiz com que você se associasse aos comerciantes errados, eu fiz com que a carga de droga desaparecesse, eu coloquei a máfia contra você, eu denunciei você para polícia, eu desviei seu dinheiro para instituições de caridade, eu fiz você chegar a esta condição miserável que você se encontra hoje, claro, que tudo isso com a ajuda de Sebastian, ou Stan, se preferir.
Hector viu Stan acenar sarcasticamente atrás da mulher.
– Quem é você? Por que está fazendo isso?
– Olhe bem, e veja a menina que você abusou por oito anos. – de repente uma luz se acendeu nos olhos do homem, finalmente reconhecendo aqueles olhos furiosos cor de âmbar.
– Impossível! Eu matei você.
– Sim, e eu voltei do inferno pra te buscar. – Amanda puxou uma faca das costas e perfurou o estomago do homem que gritou dolorosamente. – Isso é pelo que fez a mim e a minha irmã.
A loira o acertou com a coronha. Ele apagou.
Quando Hector acordou, estava todo ensanguentado, amarrado dentro de um carro no meio de uma floresta. Tentou desesperadamente se soltar, mas era inútil. A última palavra que disse foi uma que definia bem toda sua existência.
– Merda.
E explodiu.
Ao longe, Amanda e Sebastian observavam as chamas consumi-lo vivo.
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Amanda insistiu que queria morrer em sua casa em Liverpool. Por Sebastian tudo bem. Ele esperou que ela tomasse banho e vestisse sua roupa de dormir favorita. Sebastian achava até engraçado tudo o que os humanos faziam antes da hora chegar. Passavam a vida correndo atrás de coisas grandiosas, mas no fim, só pediam uma última chance de fazer algo tão simples como um banho. Amanda relaxou no banho e arrumou-se como sempre. Era como se preparar para dormir... Dormir para sempre.
– Quero que seja aqui, em frente à lareira, é... Aconchegante. Depois me leve para o quarto, quero que pareça que morri durante o sono. Depois estará livre.
– Foi uma honra servi-la. – e aproximou-se lentamente da mulher.
Pouco tempo depois, o moreno, agora saciado, pegou Amanda no colo e a levou até o quarto. Parou em frente à janela, segurando o corpo vazio, olhando para a chuva.
– Sei que queria morrer sob a luz da lua, infelizmente ela não apareceu hoje, nem o sol. Veja por este lado, minha Lady, o céu chora sua morte.
Sebastian acabara de pronunciar essas palavras e a porta foi aberta violentamente. Um Ciel furioso e transtornado entrando por ela.
– Ciel?!
Que curioso o destino, mal se livrou da Amanda e seu Ciel já vinha em seu encontro. Talvez o garoto não goste muito do que vai descobrir.
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