Phaeleh I

4 Capítulo 4 - Apreensão


Notas iniciais
Ilustreeu: Pessoinhas, olá! Que vocês amem ainda mais o Meine neste capítulo! Obrigada por comentarem. Nos amem mais ♥ Boa leitura!

Capítulo 4 — Apreensão

A expressão de Meine era cômica.

O que maldições eram aquelas imagens no livro?

Suas sobrancelhas estavam franzidas enquanto seu lábio inferior pendia para baixo. Ele fechou o livro num baque e respirou fundo.

Ele não era uma mulher, e ali mostravam homens e mulheres juntos em gravuras explícitas. Meine não sabia qual seria o seu papel, ou como santos iria funcionar com ele. Esse foi o ponto mais importante que seu amigo Wray esqueceu de ensinar-lhe.

Meine ouviu alguém na porta e sabia que pelas vozes que eram Svan e seu irmão Niels. Ele teve de pensar rápido em esconder seu livro e foi justo debaixo do colchão, pois não teria forma de procurar por mais lugares.

A porta se abriu com Svan e Niels discutindo algo que ele não compreendeu bulhufas.

– Estou te dizendo... Deixe-o se divertir conosco por uma noite. Os rapazes ficaram curiosos à seu respeito.

– De maneira nenhuma. — Retrucou Svan com uma carranca. Tão típico, pensou Meine. — Você o deu a mim, somente a mim. Agora quer dividí-lo com os demais? Não permitirei.

Niels cruzou os braços sobre o peito. — Nossa! Muito obrigado senhor-todo-ignorante! Eu dou-lhe o presente mais caro que pode imaginar... E nem ao menos para repartir um pouquinho comigo e o pessoal? Sabia que eles tiveram um papel importante na hora de escolhe-lo?

Svan se virou com uma fúria absurda e empurrou seu irmão com tanta força para fora da porta, que o fez cair de costas no chão do corredor, então bateu a porta antes que ouvisse resmungos. Ao terminar, ele estava olhando em um ponto fixo no chão de madeira de seu quarto e não parecia muito feliz.

Ele nunca parecia feliz, concluiu Meine em sua própria mente.

O albino franziu suas sobrancelhas e tomou coragem. — Ele é seu irmão! Você sempre é assim tão bruto?

Svan olhou para ele com uma raiva sem igual, sua carranca ainda mais profunda que o fez parecer o homem mais intimidador do mundo inteiro. Automaticamente o garoto se encolheu à cabeceira da cama, porém ainda olhava-o por baixo de seus cílios loiros.

– Você está defendendo-o? Ele passou o resto da tarde me propondo ter você para se divertir com os outros rapazes. Você vai aceitar isso? Acaso queres agir como uma prostituta? Pois ele pensa que é assim como você é. — Svan tinha se aproximado alguns passos até então. Sua expressão, de zangada tornou-se zombeteira. — Mas é capaz que você realmente seja, não é coisinha? Afinal, por mais que Niels tenha te comprado com a promessa de que era virgem, posso eu acreditar nisso?

Meine olhou para o chão quando seu coração fora apunhalado duramente pelas palavras do homem. Seus olhos foram inundados com lágrimas e ele não queria apenas chorar, mas sim bater seus punhos fortemente em Svan. — Você é tão grosso! Odeio você!

Os lábios do Berserker se curvaram para baixo e sua carranca voltou. — Isso não é surpresa para mim. — Disse ele em desgosto, indo até o guarda roupa antigo de madeira. — Não espero e nunca vou esperar que um dia goste de mim.

Os olhos de Meine cresceram de tamanho e ele levou o punho até eles para enxugá-los das lágrimas. — Mas Van... Eles só queriam se divertir comigo. O que tem demais em brincar?

Svan fechou suas mãos em punhos quando sua mandibula cerrou com força. Mas... Então ele lembrou da sua conversa com Meine mais cedo. Seria isso o que chamavam de Inocência? Porque estava sendo o cúmulo. O garoto não iria passar dessa noite sem obter o conhecimento cruel que ele estava buscando.

Não exatamente buscando, mas foi inevitável ter se transformado em um escravo sexual, e agora tinha que arcar com sua posição.

– Eu vou mostrar-lhe exatamente de que forma eles querem brincar com você, Meine. — Svan disse roucamente desde onde estava. Seu olhar fitou com frieza o menino a olhá-lo amedrontado. Imediatamente Svan deixou de se preocupar em ser intimidante... Ele não estava falando com um de seus guerreiros ou com qualquer outra pessoa. Apenas assustar um garoto bobo não lhe fazia mais do que um covarde.

Isso o fez engolir em seco.

– Venha ser útil. — Svan foi até a porta da casa de banho em conjunção com seu quarto. Meine pulou da cama e correu atrás dele, porém esbarrou nas costas do homem e quase caiu para trás se não fosse por um punho do líder se fechar em seu braço. Meine se encolheu, Svan tinha lhe apertado justo em seu braço ferido, onde seu ombro ainda possuía um curativo.

Quando percebeu o encolher de dor de Meine, rapidamente retirou sua mão olhando culpado, porém desviado sua face.

– Retire suas botas e a camisa, e venha me ajudar com o banho. Seja rápido.

Meine rapidamente fez como o líder havia mandado, no entanto parou enquanto desabotoava os botões da camisa branco gelo que usava. Ele havia dito para ajudá-lo com o banho? Vergonha imediatamente o inundou e o rosto dele ao que o fez tornar-se rubro.

Entretanto... Ele entrou na casa de banho e foi surpreendido ao encontrar Svan completamente do modo em que veio ao mundo. Gloriosamente nu e de costas para ele enquanto deixava a banheira de madeira encher com água quente.

– Gosta do que vê? — Svan perguntou depois de algum tempo sentindo o calor do olhar de Meine em seu corpo.

Não tinha como Meine não admirar um corpo desses. O homem era tão grande e musculoso... Já o havia visto com o peitoral nu, parecia ser um costume dos Berserkers, desde que fazia frio por aquelas bandas mesmo no verão. Meine colocou as mãos sobre os olhos, evitando ter de ver as partes intimas do guerreiro, isso era tão embaraçoso!

– Vamos... Não há nada aqui que você não tenha. — Disse a ele em zombaria. — Venha esfregar minhas costas.

– Si-Sim!

Svan entrou na banheira com um suspiro alto de alivio ao se sentir tão bem com a água quente acariciando seus músculos doloridos e acalmar todo o estresse que pendurava em seus ombros como chumbo. Aos poucos se sentiu esvaindo. Ele mergulhou a cabeça na água e então se sentou normalmente de volta na banheira de madeira, divertindo-se por um momento ao ver Meine atrapalhado em tentar se aproximar com as mãos sobre os olhos.

– Pode olhar agora, já estou na banheira. — Ele quase quis rir quando o garoto soltou um baita suspiro de alivio, mas Svan congelou na imagem de Meine sentado à beira da banheira de madeira.

Ele fez como ele havia dito, retirado sua camisa assim como o colete que costumava vestir e as botas, apenas permanecendo com sua calça de couro branca. A única que ele tinha. Mas não era isso que o tinha feito congelar e nem a expressão curiosa e rosto corado do albino, mas foi ver pela primeira vez seu peito nu.

Svan jurava que Meine era diferente, claro, ele era albino, porém vinha mais do que isso. A pele de Meine era perfeitamente sedosa apenas ao olhar. Se sentiria como pelúcia ou veludo ao tocá-la? Ele era ainda mais branco em seu peito, tão alvo que fazia um enorme contraste com a pele bronzeada de Svan. E seus mamilos... Como pequenos morangos cor de rosa, e pareciam provar macios, embora Svan estivesse com o desejo de chupá-los até que se tornassem picos.

Ele se segurou porém, não era como se ele fosse tão fácil descontrolar por alguém assim.

Oh não, ele acabou de descobrir que estava praticamente perdendo o controle. Desviou seu olhar então para um ponto qualquer sobre a parede.

– Esfregue minhas costas. — Ordenou ele e Meine se apressou para obedecê-lo, encontrando uma esponja vegetal e sabão cheiroso. Ele fez a combinação e lentamente passou sobre os ombros de Svan. O homem apenas relaxou e fechou os olhos se concentrando.

O loirinho albino estava indo bem esfregando-lhe as costas, ele até se sentiu bem com isso, em ter Svan relaxado e curtindo enquanto ele o massageava com a esponja.

Não até que ele escorregou para dentro da banheira, quase se afogando no colo do Líder e mais tarde descobrindo que fora o homem a tê-lo puxado junto a ele.

– Você me molhou Van! — Meine resmungou querendo a todo custo sair da água como um gato molhado contra o seu prazer. Svan o puxou de volta para o seu colo e envolveu os seus braços firmemente em torno da cintura do menino, evitando assim sua fuga. — Me deixe sair!

– Não vou deixar! — Ele apenas apertou Meine em seus braços. — Você já fez seu trabalho esfregando minhas costas.

Meine olhou sobre o ombro para o rosto do homem que parecia tão bom sem estar franzindo sempre a testa. Ele parecia um tanto... Normal.

– Você é bonito Van. — Disse em sua inocência, e notou quando os olhos do outro homem escureceram e algo pressionou no fim de suas costas. — Te-Tem algo... Uh... — Seu rosto de tornou de um profundo vermelho quando se deu conta de que Svan estava ereto contra ele.

– Então você me acha bonito? — Svan moldou Meine em seus braços de modo que seu peito largo e musculoso embalasse as costas esguias do albino. Se sentiu tão bem tê-lo contra o seu corpo duro. Não era como nada que ele havia sentido antes... Não se comparava a uma garota, ou qualquer dos amantes masculinos que Svan tinha se aproveitado. Meine tremia suavemente contra sua pele e sua própria era quente mesmo na água, ele também parecia estar arrepiando-se.

Svan não se atentou ao resto do banho. Ele estava indo brincar com seu doce escravo.

Ele saiu sem dificuldades da banheira e carregava Meine em seu ombro. O menino tremia pior agora como se tivesse sido tirado de sua zona de conforto. — Acalme-se... Não é como se você estivesse indo para ser morto agora. — Svan acalmou-o batendo levemente em seu traseiro redondo. Ele não se importou que ambos estivessem encharcados, ou como deixou um rastro molhado até a cama.

Ele colocou Meine em seus pés, vendo-o encolher em seus olhos e olhar envergonhado debaixo de seus cílios.

– Vo-Você vai... Fazer aquelas coisas do li-livro... — Meine gaguejava e choramingava ao mesmo tempo.

– Livro? Do que está falando? — Svan se sentou à beira da cama e puxou Meine pela cintura para próximo dele, trabalhando nos cadarços que seguravam suas calças. As mãos pequenas do garoto imediatamente foram para as suas.

– Não... O que está fazendo?

– Vamos brincar, Meine. Você deve estar nu se quer brincar comigo.

Embora Meine quis chorar de vergonha, ele segurou o olhar de Svan nele e apenas assentiu, levando suas mãos ao rosto que queimava de um vermelho profundo. — I-Isso é tão vergonhoso... Tenho vergonha Van...

Svan olhou para o rosto do garoto, onde ele havia fechado seus olhos com força e fazia um beicinho com aqueles lábios tão rosados. Sentiu novamente aquele sentimento tão gostoso dentro dele e ao mesmo tempo tão estranho. Parecia como se seu coração estivesse inundado de...

Ele sentiu o desejo enorme de poder beijá-lo. Mas Svan nunca beijava o seu parceiro, isso se sentia mais íntimo que o próprio sexo para ele.

Meine gritou quando suas calças caíram por suas pernas, permanecendo sua peça íntima e igualmente encharcada. Suas mãos voaram para proteger suas partes íntimas do olhar de Svan.

– Do que você tem vergonha? Não tenha vergonha de mim. — Svan segurou os pulsos de Meine para deixarem de cobrir sua intimidade da qual havia apenas uma cueca branca praticamente transparente por estar molhada.

Svan lambeu os lábios com o pequeno pênis de Meine semi-duro, ele puxou o garoto para se sentar em seu colo com uma perna de cada lado de seu quadril. Meine se sentou hesitante, ele tinha evitado a todo custo ver como Svan se encontrava duro e carente, e quando finalmente olhou para "aquilo" entre as pernas dele, seus olhos se arregalaram, algo queimou dentro dele em um sentimento estranho que irradiou por toda sua espinha até seu íntimo, e se tornando pior quando a língua do outro homem veio para sua orelha pontuda, provocando-lhe arrepios.

O líder dos Berserkers tomou a pequena mão de Meine para seu próprio membro carente e o garoto estremeceu completamente ao tocá-lo. Svan olhou para onde estava sendo tocado e ele se tornou tão pior, tão necessitado. Fazia tempo que não tinha alguém lhe tocando assim e foi tão prazeroso... Ele se sentiu ainda melhor vendo a forma como Meine estava reagindo.

Tão doce... Tão inocente.

Svan sentiu seu coração disparar quando um baixo gemido deixou os lábios do menino com o simples fato de que ele estava tocando-o

– Isso... Massageie bem assim... — Mostrou-lhe como mover a mão deslizando por todo o comprimento. Svan tomou da gaveta algo de óleo lubrificante e cheiroso, ele respingou um pouco na mão de Meine facilitando as coisas.

Meine apenas deixou o seu rosto contra o ombro do líder, ofegando ele próprio enquanto acariciava o outro homem. Svan observou bem quando a outra mão livre do garoto fora contra sua própria ereção formando uma tenda abaixo da peça intima que ele ainda levava.

– Nnn... — Gemeu ele ao tocar a si mesmo enquanto dava prazer a Svan. — Van...

– Está indo bem... Continue assim Meine. — Svan estava ofegante, mesmo que Meine estivesse tocando-o sem qualquer experiência, apenas seguindo da forma como ele havia dito. E embora fosse amador, foi completamente instigante e trouxe-lhe um prazer tão bom, tão gostoso que Svan não podia ao menos descreve-lo.

Ele jamais imaginou que o simples toque de um elfo lhe fizesse se sentir tão bem. Svan substituiu a mão de Meine sobre o pênis do menino, pequeno, mas que havia se tornado mediano estando duro, pela sua própria. Ele havia abaixado a peça intima de forma que embalou aquele membro gotejando em seus dedos, passando a acariciar-lhe o mais delicadamente possível, e os gemidos de Meine em seu ouvido foram como a canção mais bela, ele até sentiu beijos molhados em seu pescoço e percebeu que era o menino cedendo-lhe o carinho.

Aquele sentimento... Aquele sentimento estranho enchendo o seu peito era tão bom. Era como se não pudesse afastar Meine de si, se separar dele. Ele o queria, de verdade o queria perto e junto.

Svan soltou um forte grunhido quando ouviu o ofegar de Meine apressar e então ele afundar o seu rosto em seu ombro, abafando um longo gemido quando ele gozou. Svan não demorou que fizesse também, depois de ver o garoto alcançar o climax, ele encontrou sua própria libertação.

Ele queria mais... Ele sabia que precisava, porém, era a primeira vez para Meine, ele sentia isso. Sentia a aura virgem em torno do garoto dizendo-lhe o quão puro e inocente ele era. E não seria dessa forma que iria corromper-lhe.

Svan abriu a gaveta do criado mudo e tomou alguns lenços de algodão, limpando a ambos da bagunça. Meine ainda tinha a cabeça em seu ombro e respirava difícil. Era estranho para o líder ter experimentado aquela posição, com o albino em seus braços tão relaxado e que em segundos depois transformou-se em um abraço.

Svan sentiu cada músculo do seu corpo se retesando à medida em que a compreensão do que se passava penetrava a bruma entorpecente do prazer que acabara de ter – os braços magros deslizaram por seus ombros largos e, ao não conseguirem se fechar em toda a sua longitude, subiram para enlaçar seu pescoço em um abraço delicado. Ele ficou totalmente incapaz de reagir, desarmado ante a reação tão natural do seu escravo – Meine esfregou a ponta do nariz na curva de seu pescoço antes de enterrar o rosto ali com um suspiro satisfeito e... Agradecido.

Aquilo tudo era muito estranho.

Por que sua coisinha o estava abraçando?

Ninguém o abraçava.

Svan olhou para baixo, sem saber o que fazer. Provavelmente deveria empurrar o fedelho para o chão por tamanha ousadia, mas... Ele estava bastante confortável, o que o surpreendia ainda mais. Hesitante, ergueu as mãos, sem ter real certeza de onde pô-las. Com um grunhido mais dirigido a si mesmo que a qualquer outro, tocou as costas de Meine, exatamente na base da coluna. Instantaneamente o menino se esticou, estremecendo.

Oh, era um ponto sensível, então? Interessante.

Svan passou as pontas dos dedos naquela região em uma carícia suave, descendo em direção às nádegas e subindo para a linha da espinha outra vez. Meine, então, pôs-se rígido e ergueu a cabeça, franzindo o cenho. Estava abrindo a boca para dizer algo que se perdeu quando estremeceu outra vez pela carícia, e Svan jamais saberia o que tinha pretendido falar.

Sentia-se extremamente desejoso. Em sua mente, várias imagens sensuais perpassavam em uma sucessão bastante criativa de erotismo desenfreado, todavia... Tinha de ir devagar. Não mais porque Wray lhe pediu para ser cuidadoso com seu protegido, mas porque... Diabos. Parecia inconcebível fazer mal a Meine. Havia algo em torno dele, algo inominável e inexplicável, que o fazia travar ante a perspectiva de lhe impingir dor, qualquer que fosse. E, ah, Svan sabia que doeria mais se Meine estivesse assustado.

Segurando o menino pela cintura, forçou-o a se erguer, pondo-o em pé entre seus joelhos.

– Vá dormir – grunhiu.

Ele ainda estava desejoso do seu pequeno escravo. Queria fazer muito mais do que apenas ser tocado, mas... Merda. Merda, merda, merda. Malditas promessas aos outros e a si mesmo. Estava ficando mal-humorado pela libido acesa e não completamente saciada, estava aborrecido por ter de se conter. Passou uma mão pelo rosto e logo pelo cabelo, jogando as mechas para trás.

Seu corpo exigia mais do que aquilo. Ele precisava.

Respirou fundo e...

– O quê? – rosnou, sobressaltando-se quando a mão que lhe dera tanto prazer instantes atrás pousou suavemente no alto de sua cabeça. Ele não era acostumado a receber carinhos, tampouco fora educado para ser suave ou considerado com estranhos. Todavia, sentir aqueles dedos timidamente acariciando seu couro cabeludo, enrolando-se nos fios, enquanto os olhos escuros o fitavam sem medo ou receio... Que merda de incômodo era aquele em seu peito? Sentiu uma onda de serenidade banha-lo como um acalentador abraço. Inalou fundo e soltou o ar em um bufo. – Quer dizer algo, Meine?

Meine negou suavemente com a cabeça.

– Você parecia perturbado.

Svan uniu ainda mais as sobrancelhas.

Por que alguém que sequer o conhecia saberia dizer quando seu humor mudava, quando sequer seu irmão o percebia?

– E onde isso te importa, coisinha?

– Meu nome é Meine – ele disse, recuando um passo e extinguindo a deliciosa carícia. Svan se amaldiçoou mentalmente por tê-lo feito parar, pois estava muito bom, entretanto, não se desculparia ou voltaria atrás. Viu Meine vestir a calça adequadamente, cobrindo-se de seus olhos. Svan não se incomodava com a nudez; em seu clã, as pessoas eram acostumadas a ficar sem as indumentárias. Ninguém ali se envergonhava do próprio corpo. Na verdade, orgulhavam-se. Mas, também deveria se lembrar de que seu escravo vinha de outra tribo e seus costumes eram outros.

Como aquele tolo pudor.

– Eu sei.

– Então, diga Meine – falou em tom firme, apesar de seus dedos tremerem. Ele pigarreou – E onde isso te importa, Meine?

Svan arqueou uma sobrancelha.

– Eu sou o chefe. Falo como quiser.

Meine mordeu o lábio inferior em uma careta de aborrecimento que poderia ter sido fofa se Svan não estivesse tentando mostrar ao diminuto quem mandava ali.

– Mas não sou uma coisa, Van.

– É um escravo. – e estendeu a mão – Venha dormir. Agora.

– Certo, chefe.

A forma como disse “chefe” parecia evocar as mais vis injúrias. Svan esperou sentir raiva pela ironia carregada em sua voz, mas... Ele estava se divertindo. Sério?

Meine, ao invés de lhe tomar a mão como deveria, contornou a cama e se deitou na beira dela, puxando as peles por sobre a cabeça e desaparecendo em uma adorável bolotinha. Svan revirou os olhos e se largou, nu, sobre o colchão. Agarrou o novelo de peles distante de si e o puxou bruscamente para perto. Não parou para pensar nas implicâncias de seus atos ou em seus motivos para fazê-lo – Berserkers não sentiam frio com facilidade, mas, naquela noite, desejava sentir algum calor proveniente de um cálido corpo.

–*-*-

Uivos nas montanhas o despertaram no meio da noite.

Com o coração acelerado, Svan instantaneamente abriu os olhos, rígido, absorvendo os uivos não muito distantes de seu clã. A pressão em sua garganta o colocou em profundo estado de alerta e rapidamente reagiu, olhando para o lado e se preparando para matar quem tentava estrangula-lo.

Apenas para se deparar com uma longa perna esticada sobre seu pescoço.

Meine, ao que parecia, estava irrequieto, com as sobrancelhas tão franzidas que rivalizavam com sua carranca. Svan afastou a perna que comprimia sua traqueia para seu peito, vendo a outra de Meine sobre sua coxa. O rapaz tinha a cabeça quase pendendo para fora da cama, um braço estendido sobre o travesseiro e o outro sobre o estômago nu. Svan o ouviu grunhir em meio ao sono. Meine estremeceu quando os lobos uivaram outra vez, chamando-o.

A contragosto, sentou-se, sem desviar os olhos da diminuta criatura que dormia em uma posição sobrenatural. Por uma estranha e súbita curiosidade, estendeu a mão e tocou a orelha pontuda, afagando-a. Meine suspirou e sua expressão raivosa relaxou infimamente. Era a primeira vez que o via com um semblante tão feroz e se perguntou o que estaria vendo em sonhos.

Balançando a cabeça, Svan se levantou e puxou Meine para o centro da cama antes que caísse para o chão. Acomodou sua cabeça sobre um travesseiro fofo e puxou as peles que estavam quase no piso por sobre o diminuto corpo. Ele suspirou inconscientemente pela comodidade.

Mais uivos reverberaram por todos os lados.

Sabendo que ninguém o via e incapaz de resistir, Svan se estendeu sobre o corpo do elfo e, hesitante, esfregou o nariz em sua bochecha macia, inalando o aroma fresco e tranquilizante de sua pele. Lambeu a maçã do rosto de Meine antes de se erguer.

Não se preocupou em se vestir – totalmente desnudo, rumou para fora do quarto. Em sua sala estavam Niels e Wray, igualmente despidos, com os corpos adornados por pinturas azuis e incandescentes que percorriam em diferentes padrões rúnicos os braços, o peito, as coxas, as costas, o rosto. As de Niels contavam sua história, mas também simbolizavam coragem. As de Wray, ainda mais intricadas que as de seu irmão, significavam lealdade.

E combinavam com suas respectivas personalidades.

O ancião passou pela entrada de sua casa com uma terrina com tinta vermelha – o vermelho era a cor do líder. Sangue, amor e vida. Por isso apenas o chefe tribal usava a cor carmesim. Ao seu lado vinha sua neta, Freya, que o auxiliava. Eles curvaram as cabeças ao vê-lo em respeito e submissão.

– A natureza está inquieta, meu senhor – murmurou o ancião. Svan se ajoelhou no chão e os dois se adiantaram para lhe pintar o corpo. Molharam os dedos na tinta, cujo receptáculo se encontrava no chão.

– Os guerreiros já foram convocados – notificou Niels.

Freya se colocou atrás de Svan para pinta-lo enquanto Baldr se ajoelhava diante dele.

Svan podia sentir as árvores absorvendo as energias que permeavam o ar e a terra – uma densa energia ruim, tão causticante que lhe fazia arder a pele. Algo maligno entrara em seus domínios, ameaçando seu povo. Os lobos estavam se reunindo, chamando as matilhas do norte, enquanto os ursos saíam de suas tocas. As folhas murchavam, indicando o caminho percorrido por seus inimigos, tornando fácil que fossem rastreados. Ele sentia a natureza clamando por ele, por sua proteção.

Por Odin.

Os Berserkers eram naturalmente ligados a tudo aquilo – a terra, ao ar, a água, a toda a natureza que os circundava, que os provia, que os fortificava. Ele, como chefe, era ainda mais sensível e mais forte. Agora, sentia uma terrível ânsia de destroçar, de destruir, de ver o sangue de seus inimigos e fazê-los pagar por invadirem suas terras e aterrorizaram os que estavam sob sua proteção.

Quando os desenhos antigos marcaram seu corpo em todos os cantos, ele se ergueu em toda a sua estatura. Niels estendeu sua espada embainhada e ele a colocou atravessada nas costas. Seu irmão carregava uma clava nas costas e Wray trazia seu inseparável arco inglês, que Svan lhe trouxera de presente de sua primeira incursão para o além-mar.

Olhou para cada um deles e aquiesceu com a cabeça. Os dois o ladearam, deixando-o seguir dois passos adiante, e saíram para a noite fria. A lua estava em seu ápice no céu e as estrelas estavam totalmente ocultas pelas nuvens plúmbeas. Svan encheu os pulmões de ar e uivou com toda a força para o alto, sentindo a eletricidade da energia percorrer todo o seu ser. A força da terra fluía por seus músculos, por seus ossos, por toda a sua férrea estrutura. Niels acompanhou seu uivo logo em seguida e o próximo foi Wray.

Skylar se juntou a eles, pareando-se a Wray.

À medida em que seus guerreiros pintados se revelavam, uivavam em resposta ao chamado, assim como os lobos das montanhas. O coro ressoou por entre as árvores, para além da fronteira da tribo. Quando, enfim, findou, Svan olhou para cada rosto diante dele. Os cavalos, sem sela, galoparam para eles, cada um encontrando seu parceiro de guerra. O garanhão negro de Svan – o maior semental de todos – parou a sua frente, batendo os cascos na terra e curvando a cabeça, como se pedisse para ser montado.

Todos os animais sentiam a aproximação dos elfos das trevas. E também se sentiam impelidos a defender seu espaço. Svan tocou o focinho do musculoso cavalo, afagando.

– Que Odin os acompanhe – ouviu Baldr dizer atrás de si. Com um aceno de cabeça, Svan agarrou a crina do animal e montou habilmente, vendo seus guerreiros repetindo o movimento, até que dezenas e mais dezenas de cavaleiros se estendiam diante dele.

– Vamos – rosnou.

Esporeou sua montaria com os calcanhares e disparou em uma corrida veloz. Os trotes dos cavalos faziam a terra tremer, como uma sucessão de tambores reverberando pelo vento, carregando uma mensagem de morte para aqueles que ousaram ameaçar sua tribo e suas terras.

Continua...

Notas finais
Miky-san: Olá queridos *--* gostaram do capítulo? Bem, na próxima conheceremos novos personagens :3 Obrigada a todos por lerem, espero que estejam curtindo! Perdoem qualquer errinho ok! Até o próximo domingo! Beijinhos