Phaeleh I

36 Capítulo 36 – Descoberta


Notas iniciais
Miky: Olá meus amores *-* Aqui está mais um capítulo bem recheado... e hum, esse tem ceninhas quentes! ♥ Apreciem a leitura!

Quando Wray acordou, ele estava sozinho.

Enfim sentia-se melhor depois de ter adormecido por um longo tempo. Era noite, então imaginou que Meine estaria a dormir consigo como fez durante todo o dia. Ele havia acordado do coma recentemente e sua melhora era significante. A verdade era que ele nunca antes havia se sentido assim tão bem.

Estava plenamente ciente de que não estava curado, mas parecia que a maior parte de sua doença havia sido extinguida. O que foi para si como um motivo de comemoração.

— Quem sabe poderei viver melhor... por mais tempo. — Ele sorriu para si mesmo e se recostou à cabeceira da cama.

Decidiu que um livro cairia bem agora, mas... sentia-se tão bem que um sentimento profundo se acendeu dentro dele. Uma quentura, justo em seu abdomen inferior.

— Onde está...? — Ele procurou desesperadamente na escrivaninha, mas seu livro de kama sutra não estava lá. Wray soltou um longo suspiro lembrando-se de que tinha emprestado à Meine. Não era como se ele pudesse pedir de volta, mas ele tinha algum interesse em comprar um livro novo da próxima vez em que viajasse para o além-mar.

Por hoje ele teria que se contentar apenas com o que tinha em mente, as lembranças das posições e suas fantasias costumeiras. Sua virilha estava doendo com o tanto de tempo em que esteve se segurando, ou diría que realmente estava tornando-se casto por consequência de sua doença. Sentindo-se melhor agora, ele poderia enfim ter algum alívio. No entanto, Wray não queria que terminasse tão rápido.

A porta estava fechada, não trancada, porém ele não se daria o trabalho de levantar-se e ir até lá trancar. A única pessoa que poderia vir a entrar era Meine, então ele se manteria atento para não ser pego no flagra.

Trouxe o cobertor mais para cima do quadril, ainda permanecendo recostado contra a cabeceira, e com certa dificuldade, além da ansiedade, desfez dos botões da calça de pijama, e a deslizou até as coxas. Seu pênis já estava tão duro como rocha apenas por ele ter se instigado com o pensamento de tocar-se para sua libertação. Oh céus como Wray sentiu falta de dar este tipo de prazer a si mesmo.

Mordeu seu lábio inferior no sentimento de ter uma de suas mãos tocando seu mastro, apertando-o suavemente enquanto ele passou a acariciar-se com a outra mão por onde lhe era mais sensível.

— Tão bom... — Murmurou a si mesmo, arfando. Se sentia maravilhoso.

Wray fechou os olhos e sua imaginação passou a esquadrinhar toda uma cena, e naquela cena, os principais personagens eram ele e Skylar.

Oh seu doce Skylar. Sentia tanta a sua falta e em momento algum, aquele que tanto amava, veio lhe visitar. Até mesmo se preocupar. Estava esperando que Skylar viesse para ver como ele estava, ou...

— Tsch.

Não importa se ele ainda estava chateado pelo que o outro lhe dissera da última vez, ele não lembraria disso agora, ele não traria isso à tona enquanto estava se masturbando.

Dane-se problemas, apenas queria fechar os olhos e aproveitar da sensação deliciosa que seu corpo sentia apenas instigado pela sua imaginação maliciosa, onde Wray estava vestindo os mesmos pijamas e Skylar estava se desfazendo de suas vestes de guerreiro. Wray estava atrás de sua casa, apenas em seu pequeno jardim, recostado contra a parede de pedras. Não havia ninguém que pudesse vê-los daquele ângulo, mas ainda sim eles corriam o risco de serem pegos no flagra.

Skylar tinha o tempo inteiro aquele olhar malicioso, cheio de desejo e perversão. Enquanto Wray estava de uma forma que ele nunca e jamais se permitiria estar, apenas em sua imaginação mesmo para acontecer.

Como um cãozinho assustado.

— Sky... O que vai fazer comigo? — Perguntou em sua mente, seu indicador estava aos lábios enquanto ele comia seu amante com os olhos.

Skylar tinha aquela expressão de um urso predador. Ele fez questão de retirar peça por peça de roupa, deslizando suas calças por último e mais lentamente, estimulando a ansiedade em Wray.

— Vou devorá-lo... — Nu, como veio ao mundo, Sky se aproximou de Wray que se encolheu como uma donzela virgem.

Wray abriu os olhos. Não era para ser assim. Por que ele tinha que se imaginar uma donzela virgem? Céus! Um cãozinho assustado?

Ele fechou os olhos mais uma vez, tentando ser mais criativo em sua fantasia.

Sky foi bruto em abrir sua camisa de pijama, estourando todos os botões. Ele não a retirou, mas abaixou até seus cotovelos. Ele espalmou o seu peito... e o Wray real, abrira os botões de sua verdadeira camisa de pijama e tocou um mamilo. Em sua imaginação era Skylar lambendo uma de suas protuberâncias, mordiscando, e Wray gemia sem reservas, sua ereção formando uma tenda em suas calças de algodão.

Seu pênis real vazou gotas e gotas de pré-sêmen. Wray mordeu seus lábios para não gemer, tomando seu falo novamente para acariciá-lo suavemente. Não queria perder tão rápido, estava tão bom, tão gostoso.

Seu próximo pensamento fora em outro cenário, consistia em estar na cozinha de sua casa, onde Skylar praticamente lançou seu braço sobre a mesa, derrubando todas as louças que estavam sobre ela, inclusive a velha toalha xadrez que a cobria. Wray caíra contra a mesa com seu traseiro para Sky que o apalpou, ainda vestido.

Wray gemeu quando suas calças caíram aos seus pés e magicamente sua camisa desapareceu, fazendo mais fácil para ele. No momento em que as mãos de Skylar tocaram sobre sua pele, as garras de Wray arranharam toda a madeira de carvalho quando ele gemeu entre os dentes. Skylar se inclinou sobre ele e o calor de seu corpo deu-lhe uma sensação tão boa, tão...

Wray sentiu tanta saudade.

Saudades daquele beijo único, porém inesquecível.

Ele queria tanto ser abraçado e abraçá-lo, o único dono de seu coração. O único que ele verdadeiramente amava, do qual nunca tivera coragem para se confessar.

Wray fechou os olhos com força e acariciou-se mais intensamente com a imagem de Skylar tocando seus cabelos e os deixando de lado para beijar sua nuca. Foi um estremecer tão bom, mas não se comparou quando aquela língua morna deslizou por toda linha da coluna até atingir o início de suas nádegas, permanecendo ali em uma lambida ou outra.

Ele foi a loucura. Nunca antes, nem mesmo com as imagens do kama sutra, onde ele se imaginava em mil posições com Skylar, nunca antes sentira tamanha excitação.

Skylar apalpou suas nádegas e as abriu, assoprando sua entrada pedinte.

Wray abriu os olhos, ofegante, seu pênis estava tão duro e molhado contra seus dedos melados. Ele fechou seus olhos novamente, apertados, ao que sua outra mão tocou suas bolas, acariciando-as lentamente e descera por seu períneo.

Skylar penetrou sua língua em seu ânus. Wray contorceu-se completamente, estremecendo por inteiro quando aquela lingua quente e molhada penetrava sua entradinha, entrando e saindo várias vezes, sondando-o. O Wray de sua fantasia gemia enquanto era lambido e servido como o melhor banquete para Skylar que o devorava. Suas nádegas arderam por como as mãos grandes do guerreiro as apertavam.

Seu amante deixou-o com um suspiro de resignação. No entanto em seguida Skylar inclinou-se sobre ele e virou o seu rosto, aproximando-se o suficiente para beijá-lo. Um beijo aberto, onde suas línguas trabalharam uma na outra, Wray provando de seu próprio gosto nos lábios de Skylar. Ele o beijou por um longo tempo, até que levou sua lingua úmida para a orelha de Wray, que em sua mente, era pontuda como a de seu lado elfo.

O arrepio provou ser três vezes pior.

O Wray real tocou sua própria abertura real, sentindo a falta de lubrificante. Sabendo que não iria correr atrás de um agora, enquanto estava dentro de um episódio erótico mental, lambeu os seus próprios dedos, tendo certeza de encharcá-los em sua própria saliva e os levou até sua abertura, gemendo ao contorná-la. Ele tinha uma coisa sobre ser tocado lá, o que diabos era isso? Os homens normais não deveriam sentir esse mesmo arrepio que ele sentia. O sentimento que irradiava quando se tocava lá, era irresistível. Seus dedos tinham que penetrá-lo, e ele não se contentou com apenas um.

Em sua mente, Wray empurrou Skylar e o mesmo caiu sobre o tapete onde Aricin costumava dormir muitas vezes quando não o fazia no porão. A lareira estava acesa, mas não fazia qualquer diferença em sentir calor, desde que eles estavam queimando o fogo do inferno em seus corpos.

— Wray?! O que está fazendo? — O Skylar de sua fantasia perguntou assustado, suas roupas se foram magicamente e Wray estava sobre ele, completamente nu e excitado.

— Eu vou comer você, Sky... — Ele ofereceu uma lambida por seus lábios e o assaltou em um beijo quente e molhado, enquanto seus quadris se moveram sobre o mastro de Skylar que estava tão duro quanto ele. Seu amante era tão maior, apenas em pensar no sentimento de tê-lo entrando dentro dele... Tão grosso e duro, quebrando todas as suas barreiras.

Wray se moveu sobre o pênis de Skylar e o encaixou em sua abertura já bem lubrificada em suas fantasias, onde Skylar grunhia em puro prazer, quando Wray descia sobre ele com um gemer irresistível.

O Wray real não estava aguentando mais tocar a si mesmo e segurar o prazer que lutava para emergir. Seus dedos foram profundamente em seu ânus, eram três deles, imaginando ser o pênis grande de Skylar o penetrando fundo e batendo justo ao seu ponto doce. A coberta havia deslizado para o lado, ao que Wray se arrastara deitado na cama enquanto se acariciava muito, em suas fantasias mais loucas, imaginando Skylar entrando e saindo dele muito, beijando todo o seu corpo, ou que o próprio Wray o fizesse. Ele mesmo imaginou seu próprio pênis violando Skylar. Oh céus, se ele não perdeu neste último pensamento.

Ele era um passivo, mas em suas fantasias, ele poderia fazer o que quisesse.

Skylar gozou duro dentro dele, e foi tanto que ele estremeceu realmente e gozou tudo sobre sua mão e sobre seu abdomen, não resistindo em soltar um delicioso gemido de prazer para concretizar todo o prazer que o percorreu. Seu corpo tremeu completamente e entrou em um curto de tempos resistindo a si mesmo, ao que agora ele realmente pode aliviar-se.

Wray caiu contra a cama depois de se contorcer, ofegante e com um sorriso bobo em sua face. Este com certeza era um lado seu muito privativo. Puxou novamente as cobertas para o seu quadril, sem se preocupar em subir as calças pelo momento. Aquilo realmente cansou.

O que ele não esperava, era olhar para sua direita e ver a porta entreaberta.

Meine estava lá completamente enrubescido, com suas mãos cobrindo sua própria virilha.

Oh merda. Meine assistiu tudo!

Wray não se lembrava se alguma vez ele sentira seu rosto esquentar tanto, até mesmo suas orelhas ficaram quentes.

— Meine...? Você... viu?

O elfo assentiu tão envergonhado que parecia querer se enterrar no buraco mais próximo.

— Eu... Wray... eu... — Ele apertava sobre sua virilha, sua expressão dizia eu me sinto tão culpado, mas estou tão duro.

Wray teve que rir depois dessa. Ele bateu as mãos contra a testa e caiu de volta contra a cama. As lágrimas surgiram em seus olhos e ele não conseguia deter a gargalhada que eclodiu por sua garganta. Estava nervoso e tão constrangido que poderia morrer – deuses, seu melhor amigo o viu se masturbar. Isto, definitivamente, era o bastante para que se envergonhasse. Entretanto, uma parte de Wray, de fato, não se importava muito – ele confiava em Meine para tudo e aceitava seu próprio corpo, sem qualquer vergonha, por mais quebrado que fosse.

A reação de Meine estava sendo bastante engraçada – ou simplesmente estava de tão bom humor por se sentir melhor e mais leve que via graça em tudo e coisas tão singelas como aquele flagra não eram o bastante para despertar pouco mais de um desconforto.

— Meine – Wray, ainda sorrindo e com os olhos muito brilhantes pelas lágrimas, olhou-o com bastante interesse e curiosidade. Meine engoliu em seco nervosamente – Você... alguma vez já se tocou?

O rosto pálido de Meine adquiriu uma tonalidade berrante de rubro, como se suas bochechas estivessem quentes a ponto de entrar em ebulição.

— Eu... Eu... Não exatamente... – ele rodava os olhos por todo o quarto, sem jamais fitar Wray, que se divertia com sua reação.

— Como não exatamente? Ou você se toca ou não se toca.

— Só... só quando... Deuses, Wray! – Meine gemeu, cobrindo o rosto carmesim com as mãos. Então, ao se dar conta de que sua ereção estava visível para quem quisesse ver, ele voltou a cobrir o membro rijo entre as pernas, cabisbaixo – Eu... Só com Svan, eu...

Wray sorriu.

— Eu entendi. – interrompeu-o suavemente.

— Isso... – Meine ergueu os olhos muito lentamente para ele e havia um misto de constrangimento e curiosidade em sua face – É normal? Digo... Não é considerado perversão?

Wray tombou a cabeça para o lado, franzindo uma sobrancelha em confusão.

— Perversão? Quem disse isso?

— Na aldeia onde eu morava, era nos ensinado que esse tipo de... – Meine mordeu o lábio inferior, como se buscasse desesperadamente por palavras que expressassem adequadamente o que se passava em sua mente conturbada – Prática era perversa.

Wray suspirou. Como poderia haver se esquecido? Em muitas terras no além-mar havia a crença de que o sexo era igual à sodomia, principalmente quando relacionado a dois homens. O conhecimento de seu próprio corpo era considerado errado e pecador, como a coisa mais horrenda e atroz que alguém poderia cometer. Meine, como não era um viking berserker, não era tão conhecedor de seu próprio corpo, tampouco o aceitava com tamanha liberdade. Era curioso, de fato, mas não corajoso o bastante para ir contra o que lhe foi doutrinado em prol de conhecer a si mesmo mais intimamente.

Determinado a mudar este ponto de vista, ele afastou a coberta e retirou todas as peças de roupa que o cobriam. Meine saltou, abrindo os olhos enquanto seu rosto esquentava. Completamente nu, Wray se levantou e abriu os braços para que o albino pudesse vê-lo em sua totalidade. Nenhum berserker se envergonhava dos dotes que os deuses lhe haviam dado. A nudez não era um problema para eles. Ele viu os olhos de Meine descerem involuntariamente por todo o seu corpo, fixando-se no membro saciado.

— Wray? – indagou, inseguro.

— Quando você me olha assim – Wray perguntou, olhando-o fixamente os olhos – Acha que sou perverso e depravado?

Meine rapidamente negou com a cabeça.

— Claro que não!

Wray permitiu um diminuto sorriso repuxar as comissuras de seus lábios.

— Meine, dar prazer a si mesmo não é errado. Você está se conhecendo, descobrindo seu corpo. E – um sorriso malicioso assumiu a ternura em seu semblante – quanto mais você se descobre, mais sensível você se torna.

Meine olhou para trás e, conferindo a privacidade de ambos, fechou a porta. Inalando fundo como se buscasse por coragem para seguir adiante, ele arrastou os pés para mais perto de Wray, curioso, temeroso e envergonhado ao esmo tempo.

— E... com quanta frequência se pode fazer isso?

Wray riu. Meine estava fazendo daquela conversa algo quase clandestino.

— Sempre que você quiser. – respondeu com simplicidade – Seu corpo não é algo separado de você. Ele é você – Wray apontou para o peito de Meine, que se mostrava extremamente intrigado sobre o assunto. – Isto – ele apontou agora para o pênis ereto de Meine, que parecia implorar para saltar de sua calça – é seu melhor amigo.

— O quê? – Meine guinchou. Wray, incapaz de resistir por mais tempo, estalou em sonoras gargalhadas – Como assim, Wray?

— Oh, deuses – ele ria, passando uma mão nos olhos lacrimejantes – Sabe, Meine, a sua vida sexual também influencia na sua saúde mental, espiritual e física. Todas estão correlacionadas.

Meine assentiu, absorvendo lentamente as informações. Certamente, era muita novidade para ele.

— Wray – murmurou.

— Sim?

— Tenho uma pergunta.

— Diga então.

O que mais ele poderia querer saber?

— Aquilo que você fez... atrás...

Meine deixou que as palavras pairassem no ar, incompletas. Era incapaz de articular a pergunta como desejava, pois se sentia extremamente curioso e ainda envergonhado pelo que acabara de ver. Sentia um fogo febril em seu ventre que parecia suplicar para sair, enviando uma onda de ânsia para seu membro que o deixava desesperado para... ser tocado.

Ele desejava que Svan estivesse ali. Ele precisava do seu amor para tocá-lo, para seduzi-lo, para levá-lo ao ápice enlouquecedor de um intenso orgasmo.

Desde que despertara sexualmente, amadurecendo para essas experiências, nunca passara por sua cabeça que poderia ele mesmo dar tanto prazer a si quanto se estivesse com Svan. Não que não desejava seu berserker para lhe aliviar a dor na virilha, a necessidade premente de liberar aquela tensão interna – com Svan tudo era melhor. Todavia... poder fazer isso... essa pequena independência que lhe parecia tão deliciosamente errada... estava seduzindo-o.

Meine nunca pensara que poderia haver um lado seu perverso – um que não se importaria de imitar o que vira Wray fazer apenas para sanar a curiosidade que sentia a respeito de ser capaz de enfrentar o medo de fazer algo que muitos achavam errado. Inconscientemente apertou a cabeça de seu pênis e suas bochechas arderam com a onda de prazer e vergonha que o percorreu. Wray, todavia, não pareceu reparar nisso.

— Penetrar-me? – Wray perguntou tranquilamente, intrigado.

Meine molhou os lábios. Sua admiração por Wray apenas crescia – como ele era capaz de falar tão abertamente a respeito de um assunto tão constrangedor e tão íntimo?

— Você não se envergonha de falar sobre isso, Wray?

Daquela vez, Wray corou e coçou a nuca, parecendo um pouco tímido.

— Não exatamente. Eu aprendi a me aceitar, a não ter vergonha de mim. Só quero que você entenda que nada disso é errado. Você deve amar seu corpo tanto quanto quem você é. Eu amo o meu. Você ama o seu, Meine?

Meine assentiu veementemente.

— Sim. – reforçou.

Wray anuiu sutilmente, aprovando sua resposta.

— Então cuide bem dele.

Meine se aproximou mais para que pudesse lhe falar baixinho. Sentia que estavam gritando e que as paredes eram capazes de transmitir a conversa para toda a aldeia e mais além. E ninguém podia se inteirar do que discutiam tão secretamente – era muito íntimo.

— Como se penetra a si mesmo? – sussurrou.

O rubor de Wray aumentou. Olhando nos olhos de Wray, sentiu-o apenas segurar seu pulso e elevar sua mão entre eles, mostrando seus dedos.

— Com isso. E – ele estendeu a mão livre para pegar atrás de si um vidro estranho e pequeno sobre a mesinha ao lado da cama, trazendo-o para o diminuto espaço que os separava, de forma que Meine também pudesse observá-lo. – óleo é bom para facilitar a entrada.

— Como faço isso?

Wray suspirou. Estava se sentindo um pouco pervertido ao ter de explicar tanto a Meine sem o conhecimento de Svan – também não se acreditava capaz de fazê-lo caso Svan soubesse ou se estivesse presente, o que o fez chegar à conclusão de que era melhor manter aquilo como um segredo entre eles. Munindo-se de coragem, ele rumou para a porta que Meine fechara, sabendo que o elfo acompanhava cada passo seu com o olhar, esperando entender como poderia dar prazer a si mesmo.

Meine nunca havia se relacionado com homens, era óbvio que não saberia os procedimentos necessários para... isso. Wray também acreditava que sequer se aproximara o bastante de mulheres para ter uma diminuta base.

Não estou corrompendo-o. Estou lhe passando um conhecimento importante para sua vida e Svan é estúpido demais para fazê-lo.

Wray se certificou de que a porta não seria violada por outros que tentassem entrar em seu quarto e, reunindo confiança para seguir em frente, voltou-se para Meine.

— Eu vou te ensinar – murmurou – Mas é um segredo nosso. Está bem?

Meine assentiu com a cabeça.

— Acha que Svan se excitaria se... me visse fazendo o que você fez?

Um meio-sorriso malicioso cruzou os lábios de Wray.

— Oh, acredite em mim, Meine, qualquer um que visse isso, homem ou mulher, se voltaria louco de tesão. É natural.

Meine assentiu com a cabeça, mostrando-se levemente aliviado. Wray, por sua vez, dirigiu-se até a arca aos pés da cama, abrindo-a e revirando-a em busca de... Ah, aqui! Ele pegou um pano limpo de algodão.

— Dispa-se – ordenou.

Ele viu Meine tragar, obedecendo-o, inseguro. Wray fechou a arca, o coração galopando no peito pelo nervosismo. Meine tirou peça por peça, expondo cada pedaço de pele pálida. Era magro e pequeno, com traços andrógenos e belos. Wray o achava incrivelmente delicado e bonito. Seu pênis apontava para cima e ele corou ainda mais ao tê-lo exposto. Meine molhou os lábios, enrubescendo até as orelhas pontudas quando Wray, também nu, parou diante de si.

— E-E agora? – gaguejou.

— Tem certeza de que quer isso? – perguntou, sentindo no ar e no coração a insegurança e o temor que irradiavam de Meine, sobrepondo-se a curiosidade.

— Eu quero, é só que... estou traindo Van?

Wray fez uma careta.

— Claro que não. Pelos deuses, Meine, não vou transar com você.

Meine acenou com a cabeça.

— Eu sei. Confio em você, Wray. Só precisava ter certeza. Então... o que devo fazer?

Wray inalou fundo, receoso.

— Tem certeza disso? – repetiu.

— Si-Sim, eu... eu tenho.

Ele estava absurdamente nervoso, era fato. Wray meneou a cabeça, tentando reunir em mente várias formas de como prosseguir com aquilo. Uma ideia, de repente, ocorreu-lhe. Ambos estavam muito nervosos e incertos, como se pisassem em ovos. Wray não estava acostumado a lecionar... aquilo. Tampouco Meine estava apto e maduro o bastante para explorar sua sexualidade individualmente. Wray sabia que seu corpo deveria ser cultuado – ele era valioso. Mas Meine não sabia disso e, Wray estava convicto, eles não seriam capazes de fazer muita coisa se estivessem um olhando para o outro. Eram melhores amigos, pelos deuses! E, acima de tudo, Meine queria Svan para aquele tipo de atividade, assim como Wray desejava fazer com Sky.

Uma coisa era certa – Wray possuía muito fogo contido e acumulado sem ter com quem compartilhar. Sem um parceiro para ser consumido e para consumi-lo. Às vezes, suas mãos não eram o bastante para saciá-lo e ele esperava... algo a mais. Mais intenso. Mais quente.

Ele colocou o óleo sobre a cama e, como Meine confiava nele, usou o pano para venda-lo, amarrando-o atrás de sua cabeça, cobrindo totalmente seus olhos.

— Wray? – Meine indagou, estremecendo.

— Quando seus olhos estão fechados – ele disse baixinho – quando você não pode ver... Você se torna mais sensível.

— Como vou saber que estou fazendo certo?

—Você saberá. Você sentirá. Agora – Wray pegou o óleo novamente e estendeu uma mão para segurar a de Meine, erguendo-a devagar – Você não sabe o que esperar, não é? Você anseia e sente os nervos à flor da pele, esperando por um toque, uma lambida, uma mordida, um beijo... O que vai acontecer é uma surpresa.

Meine suspirou.

— Sim.

Wray despejou o óleo abundantemente nos dedos de Meine, vendo-o pingar para o chão.

— Toque-se, Meine. Imagine Svan com você, fazendo o que você gosta, e deixe sua mão assumir. – sussurrou. Sua voz estava ficando mais grave, mais rouca, o timbre soando mais potente e cavernoso que o habitual. Hesitante, Meine ergueu a mão seca para um mamilo. Esfregou a ponta do indicador sobre ele em movimentos circulares, pressionando suavemente. Ele começou a se intumescer, excitado, endurecendo. Como reação imediata, seu pênis enrijeceu ainda mais, oscilando suavemente. Meine mordeu o lábio inferior, como se tragasse um gemido e, inconscientemente, seus quadris ondularam, como se penetrassem algo invisível. Ao observá-lo, Wray sentiu que seu próprio membro acordava para a vida, erguendo-se em um banho de calor, implorando por ser tocado, por ser aliviado. Wray respirou fundo, tentando controlar seu desejo ascendente. Circundou Meine, colocando-se atrás dele. – Traga sua mão livre para trás.

Meine sabia o que Wray quis dizer. Enquanto apertava e puxava seu próprio mamilo, esfregando-o em seguida apenas na ponta dura, obedeceu, descendo a outra mão para suas nádegas. Em sua mente, era Svan o chupando. Sua língua brincando, açoitando de lado a outro, o mamilo excitado. Seus lábios se entreabriram quando a excitação se elevou insuportavelmente, enlouquecendo-o. Uma mão tocou sua nádega, massageando-a, e ele suspirou e gemeu, incapaz de se conter.

Não podia refrear a si mesmo. Estava imerso em um banho de lava e cada pedaço de sua pele estava ansioso, sensível demais ao toque. A mão que afagava sua nádega, arrepiando sua pele, afastou-a da outra e ele estremeceu quando o vento frio do aposento tocou-o tão intimamente, fazendo seu membro saltar e doer.

— Van... – gemeu.

Dedos se fecharam em seu pulso, guiando sua mão.

— Toque-se.

Não foi a voz de Wray a que ouviu; foi a de Svan – profunda, um grunhido de desejo e voracidade, de fome irrefreável. Sua mente estava delirando na imaginação, afogando-o naquele mar de calor, de libido esfomeada. E seus dedos molhados e frios tocaram sobre o ânus, pressionando a entrada sem invadir. Aquele toque duro, porém suave ao mesmo tempo, voltou-o louco.

Então, as mãos se afastaram.

— Faça o que você gosta. Descubra-se.

Meine visualizou em sua mente Svan acariciando com seu dedo sua entrada quase fechada, pressionando e recuando, fazendo movimentos cíclicos e irregulares – hora indo muito rápido e com mais força, para então diminuir quando sua mão cansava um pouco, tornando-se mais lento e mais provocante, enquanto a boca chupava seu mamilo e o girava com a língua. Ele gemeu e arquejou, doendo, desesperado. Desceu a mão por seu peito e seu pênis vibrou, ansioso pelo toque. Todavia, torturou a si mesmo, contornando o membro em estado de agonia e prazer, até tocar as bolas. Acariciou-as, dando-se conta, então, de que seus quadris se moviam sozinhos, como se possuíam vida própria – eram movimentos instintivos, quase involuntários, o que reforçou o que Wray lhe dissera – o que estava fazendo era natural. Ele estava conhecendo a si mesmo. Descobrindo-se. E estava gostando. Ele apertou as bolas, afagando-as.

— Enfie.

Seu corpo obedeceu prontamente, forçando um dedo em sua entrada. Ele tencionou pela subida dor que se acendeu, pronto para recuar, mas uma mão o deteve, mantendo seu dedo ali dentro, invadindo-o, preenchendo-o.

— Entre e saia.

Em sua mente, era o pênis de Svan que o penetrava, mesmo que não fosse sequer comparável ao seu dedo. Ele obedeceu a ordem, entrando e saindo o dedo de seu ânus, sentindo uma queimação intensa e nada prazerosa. Aquilo doía.

— Dói – gemeu.

— Vai melhorar. Continue.

E ele continuou. Vai e vem, vai e vem, estocando o dedo dentro, até que a queimação foi ofuscada por um calor de prazer. Ela estava presente, mas começou a, progressivamente, tornar-se prazerosa. Ele entrou e saiu, aumentando a velocidade de seus ataques e, incapaz de resistir mais, caiu de joelhos no chão, agarrando o pênis e bombeando o quadril rapidamente no anel formado por seus dedos. Curioso a respeito de sua própria reação e arquejando e gemendo simultaneamente, colocou outro dedo, grunhindo quando a ardência retornou mesclada ao prazer. Sua respiração estava acelerada, desregulada, o coração galopando no peito. Ofegava por entre os lábios entreabertos, bombeando intensamente o quadril, apertando o friccionando toda a dimensão de seu pênis, seguindo o ritmo da forte invasão em sua bunda.

Mais. Mais. Deuses, mais. Eu quero mais.

A pressão em seu ventre aumentou. Estava chegando perto. Estava se dirigindo para aquele frenesi extasiado. Abruptamente, tudo eclodiu de dentro de si e seus movimentos aumentaram, mais rápidos, mais fortes, enquanto ele liberava todo aquele calor doloroso em uma erupção de alívio. Meine gemeu e arquejou, dobrando-se sobre si mesmo. Não acreditava já ter tido um orgasmo tão intenso. Apoiou-se nas mãos e nos joelhos, sentindo todo o seu corpo tremer e estremecer pelas ondas de liberação que ainda o atingiam, arrancando-lhe suspiros e uma expressão que mesclava dor e prazer. Sentiu a venda ser retirada de sua face, os cabelos caindo em torno do rosto. Tudo tremia, estava fraco. Não tinha forças para se manter firme. Seus dedos estavam dormentes pelo atrito intenso e o ar não parecia ser o bastante para seus pulmões.

Pestanejou, tentando acostumar a visão à claridade do cômodo fornecida por tochas nas paredes. Depois de muito ofegar, olhou para o lado, apenas para encontrar Wray usando o pano para se limpar, igualmente ofegante, provavelmente por ter se dado prazer novamente.

— E então? – ele perguntou.

Meine mal tinha voz para falar e seu rosto estava quente pela vergonha que o embargou – não vergonha pelo que aconteceu, mas de tê-lo feito diante de seu melhor amigo.

— Foi... foi...

Ele não encontrava palavras para descrever sua emoção.

— Incrível? Inominável? Viciante?

Meine, sem muitas forças, surpreendeu a si mesmo ao rir.

— Sim – suspirou, sentando sobre as próprias pernas. Suor escorria por suas costas e fazia mechas de seu cabelo grudarem na nuca e nas têmporas. – Wray...

— É melhor você se banhar antes de sair daqui, mesmo que com água gelada. Qualquer um pode sentir o cheiro de sêmen no quarto e em nós dois.

Meine corou ainda mais.

— Farei isso – disse em um fôlego – Depois de recuperar minhas pernas trementes.

Wray riu – um sorriso infantil e luminoso, que Meine apenas agora notou o quanto sentira falta de ver. Seus olhos se encheram de lágrimas, borrando a imagem que ele tinha do mestiço mais lindo e admirável do mundo. Ele amava Wray tão fortemente e temera tanto que morresse...

A expressão divertida de Wray, subitamente, tornou-se preocupada e apreensiva.

— Meine?

Meine se lançou contra ele, abraçando-o com força, enterrando o rosto em seu longo cabelo branco.

— Que bom que está vivo. – sussurrou, apertando-o com toda a sua força.

–*-*-

O Jarl olhou, novamente, para o tabelião. Por não saber ler, ordenara ao velho homem, como de costume, que lesse a missiva em voz alta para que soubesse do que se tratava. Agora, após ouvir a mensagem três vezes apenas para confirmar seu conteúdo e estar convicto de que não entendera errado, um sorriso desdenhoso repuxou seus lábios. Sentado em uma cadeira de respaldo alto e largo como um trono, ele olhava do alto do tablado para os seus soldados de confiança – os mais fortes de seu exército.

Estava confirmada a localização do Phaeleh. Ah, como era bom ter poder. Enquanto ele fosse o Jarl, enquanto fosse tão friamente inteligente, ele poderia fazer o que quisesse e aquelas bestas podres estariam sempre curvadas diante de seus pés, lambendo seu caminho.

O plano mais ardiloso que já tivera em vida se desenrolava em sua mente, regozijando seu ego inflado e sádico. Ele segurou o queixo entre o indicador e o polegar, afagando a barba rala com apreço.

— Papai – a voz sussurrada e temerosa chamou sua atenção e ele olhou para o lado, para a figura de sua filha. Ela era pequena, de cabelos dourados e olhos castanho-esverdeados, sem qualquer força física ou algo de intimidador. Mesmo sua voz era suave. Era delicada demais para ser viking e ele ainda se perguntava como aquela bastarda nascera. – O Phaeleh...

— Me dará riquezas. Conquistas. É o que basta.

— Mas é um menino...

— E daí? Ele é benéfico. Está incomodada por ele?

Ela nada disse, mas ele podia ver a discordância em seu olhar. A garota não fora bem adestrada por seu punho, então.

— Papai...

Ele se levantou, aprumando os ombros e olhando para o contingente de homens presentes na sala. Todos o respeitavam pelo medo – ou eram forçados a segui-lo ou o seguiam por serem tão vis quanto ele próprio. E ele amava essa sensação de soberania. Com o Phaeleh ao seu lado, Inglaterra, Escócia e Irlanda seriam suas. Isto se não conquistasse muito além destes países selvagens.

— A partir de agora – sua voz trovejou pela sala, reverberando pelas paredes com intensidade. Cada olho ali presente estava voltado para sua imponente figura – Estou enviando a Svan dos Berserkers a seguinte mensagem: — o tabelião se apressou a escrevê-la em uma folha de papiro – Você tem uma semana para retirar seu clã das minhas terras. Caso contrário, todo o meu exército caçará cada Berserker existente em Saranmir até a extinção.

Continua...

Notas finais
Miky: Obrigada por ler ♥ Até a próxima!