Peço que leia esta ironia

1 Peço que leia esta ironia


Notas iniciais
Baseado em acontecimentos que ocorreram comigo, o autor.

Enfim, esta história não é poética e nem muito formal. Apenas um testemunho claro e sem dissimulação de um garoto que sofreu um pequeno acidente e por uma ironia do destino, refletiu sobre sua condição.
Antes da queda, eu a minha família havíamos ido no shopping center para comprar um tênis novo para mim, com finalidades esportivas. Levamos o meu tio que sofreu um acidente de moto e perdeu grande parte da mobilidade.
Carreguei-o por todo o logradouro (em uma cadeira de rodas), levei-o ao banheiro, rimos de piadas velhas e sem graça. Compramos o bendito tênis e nos divertimos.
Voltamos para casa, logo tirei o calçado da caixa e o calcei, estava pronto para o vôlei. No meio da chuva e relâmpagos, minha querida mãe me levou. Cheguei e descobri que não teria treino até a segunda semana de janeiro, eu deveria ter consciência da informação uma semana antes, todavia faltei demasiadas vezes.
Resolvi jogar com o pessoal, com um saque estrondoso fiquei rindo da recepção do outro lado, e eles também riram. Um jogo coletivo e engraçado, nada além. Subi para o ataque e após um bloqueio espetacular de um amigo meu, adversário, caí e com uma torção magérrima levei-me ao chão.
Senti o estalo, a dor e fiquei ali, fui socorrido pelo bloqueador que me levou ao banco mais próximo e chamou um funcionário para prestar os primeiros socorros. Após as perguntas regulares, saiu e voltou com um objeto peculiar: a cadeira de rodas.
Sim, essa é a ironia. Carreguei meu tio o dia inteiro e chegou a noite, sorrateiramente, pôs-me para deitar e ainda carregou-me. Ironia do destino, estupefato destino.
Não chorei de dor, porém entrei em prantos quando cogitei a ideia de ter sofrido uma lesão séria que me impedisse de praticar o tão desejado esporte. Segunda e quarta o handebol, e terça e quinta o grandioso vôlei.
15 dias engessado, remédio para dor e estou “curado”. Torção no joelho, nada muito grave, pense pelo lado bom, poderia ter sido muito pior, imagine se a queda rompesse minha medula espinhal e me impedisse não só de fazer esporte, mas de locomover.
Um médico jocoso, um enfermeiro risonho, uma atendente atenciosa e a mulher que tirou a chapa muito aprazível. Sem dúvidas, nada acontece por acaso.
No início, chorei desolado e agora... Rio sem precedentes, da minha situação, tornei-me acrobata para descer da cadeira, deitar-me. E o primeiro banho então, a perna inteira imóvel, imagine um camelo tentando passar pelo orifício da agulha, tenebroso.
Porém, aqui estou eu, firme e forte, e como já disse ao enfermeiro que tirava sarro e me fazia rir, “pronto para outra”.
Vale lembrar, antes do término, a vida de deficiente físico é muito mais difícil do que eu pensava e para realmente saber qual a sensação do sofrimento, da debilidade, da vulnerabilidade, é necessário passar por provas que te mostrarão até onde você iria na dependência destes problemas.
Adeus. E agradeço a todos que leram este texto. Espero que sirva de exemplo.

FIM
12/12/2014

Notas finais
Algo do tipo já aconteceu com vocês?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!