Petite Robe Au Revoir

1 Songfic - Petite Robe Au Revoir


Notas iniciais
Primeira e única songfic que já escrevi. Eu achei que ela ficou legalzinha, e a estou repostando. Da primeira vez que postei deixei apenas a música original, mas desta vez estou também postando uma tradução rápida que fiz para aqueles que não falam francês.

Entreguei os papéis recém-assinados e alguns um pouco amarelados ao advogado. Ele disse algumas palavras de consolo que eu não consegui distinguir. Virei meu olhar em direção ao relógio: faltava uma hora. Saí de lá em direção à limousine, onde o chauffer aguardava-me. Eu não conseguia falar, todas as frases queimavam antes de se permitirem ser pronunciadas. Mesmo sem quaisquer trocas de sons, ambos de nós sabiam a qual local o automóvel dirigir-se-ia. O sol, no resto do mundo, começava a pôr-se.

Sur le chemin de la maison, un soir d’été

No caminho de casa, uma noite de verão

Estávamos no caminho correto, mas decidi que parássemos antes do término da viagem. Toquei um pequeno sinal e ele parou o carro, em frente à floricultura. Ajudou-me a descer de lá e entrou comigo no recinto. Havia flores e bouquets por todos os lados. Optei por um bouquet de rosas violáceas. Irônico, não? Henry contou-me sobre elas em um diálogo alguns dias depois, mas talvez meu subconsciente já soubesse de tudo aquilo. Olhei para o grande espelho da loja e vi nele refletido um jarro de tulipas rubras, em cor de sangue. Lembrei-me de quando fomos ao campo de tulipas pela primeira vez. Desde então Elly passara a admirar tais flores. Todas as vezes que passeávamos comprava-lhe algum presente e as flores. Berne e chocolates alpinos, Bordeaux e ursinhos de pelúcia, Västerås e livros, Versailles e o vestido. Ah, o vestido. Era seu vestido favorito. E agora o vestido ir-se-ia. Todas as outras flores logo morreriam, e naquele momento eu levaria um novo bouquet de tulipas, que não pereceriam. Começara a chover, mas ninguém se alteraria por conta da chuva.

La pluie tout à coup se mise a tombée

A chuva subitamente começa a cair

Elle emporte le doux souvenir de mas vacances

Ela leva as doces memórias de minhas viagens

Et mes yeux se mouillent de larmes quand j’y pense

E meus olhos se molharam de lágrimas quando eu penso

La fille seule dans le miroir

A garota sozinha no espelho

Dîcoiffe ses nattes noires

Penteia suas tranças negras

Partimos finalmente em direção ao local no qual nos esperavam. Ouvi palavras de consolo, todas vagas, sentimentos vagos. Elly já estava em sua nova morada, ao lado de sua mãe, Madelline, após curtos sete anos. Trajava o vestido de Versailles, que nunca teria chance de tornar-se curto demais para seu alvo corpo. Comecei a chorar, tal qual a chuva que caia sobre nossas cabeças. Todos começaram a ir embora após certo tempo, até restarmos apenas nós cinco: Matt, Henry e Judy de um lado, Elly e Madelline de outro. Judy pediu para que fôssemos embora, em um gesto sincero. Sem resposta, curvou sua cabeça e foi embora também. Henry ficou sem movimento, em dúvida sobre o que fazer. Abracei-o, gesto ao qual ele me retribuiu. Estávamos os dois sem palavras, mas voltei com Henry para a château mesmo assim. A chuva ainda não parou. Adeus, pequeno vestido.

La pluie a la couleur

A chuva na cor

De mas pleurs

De minhas lágrimas

Petite robe au revoir

Adeus vestidinho

Petite robe au revoir

Adeus vestidinho

Baseado na música Une Fille Dans La Pluie, de Fabienne Harber. Todos os direitos reservados.

Notas finais
No trecho "Elle emporte le doux souvenir de mas vacances", souvenir pode significar memória ou souvenir mesmo. "Petite robe au revoir" pode ser traduzido como "Adeus, vestidinho" ou "Adeus, pequeno vestido".
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!