Peter estava quase caindo no sono quando escutou um barulho de sinos, quando voltou a si deu um pulo da cama e a viu, sininho estava olhando pra ele, então ele a segurou nas mãos a abraçando, eles ficaram ali um bom tempo matando a saudade. Então Peter perguntou:

-Sininho por que você me deixou?

Ela lhe contou o ocorrido, deixando Peter extremamente furioso e com os olhos lacrimejando em puro ódio ele disse:

-Talvez devêssemos mata-lo?

Por mais que sininho odiasse aquele que a separa de seu lar e também de seu melhor amigo, ela preferiu apenas perdoar seu mal feitor, além disso não queria retornar a sua prisão, logo proibiu Peter de mata-lo.

-Sininho você pode me fazer voar novamente?- ela assentiu desesperadamente, ela ansiava pelo retorno a terra do nunca por anos – Eu poderia levar alguns amigos, que já não suportam mais essa vida?- novamente ela assentiu a ideia de novas amizades a fazia vibrar por dentro, percebeu que Peter estava mais humilde do que nunca.

Naquele exato momento o garoto se levantou, e só então ela pode perceber o quanto Peter Pan havia crescido, ele estava muito mais alto e musculoso, mas mesmo assim ainda possuía o olhar mais travesso e inquietante de todo o mundo, sim ele havia crescido fisicamente, porém jamais deixaria de ser o Peter Pan o garoto que não crescia.

Ele corria entre as cinco camas do cômodo, acordando cada um dos garotos que estavam dormindo. Então em um sussurro sua voz ecoou pelo quarto:

- Vocês se lembram que eu havia dito sobre uma terra onde a liberdade era a principal lei, onde palavras como crescer, responsabilidade não faziam parte do vocabulário ? Bom hoje eu irei retornar ao meu lar e se estiverem dispostos a me acompanhar me sentirei muito honrado!

Um garoto um pouco mais baixo que Peter, com cabelos negros e olhos igualmente negros, disse voltando a sua cama:

-Peter! Acho melhor você voltar a dormir, aparentemente o trabalho não fez bem a você, sua garotinha!

Sininho se sentiu ofendida por Peter, então voou sobre Peter espalhando o máximo possível de seu pó e sussurrou ao seu ouvido: tenha pensamentos felizes!

Em questão de segundos ele estava flutuando em meio ao quarto, os garotos ficaram estupefatos, então ele exibiu um sorriso de vitória e então voltou a falar:

- Quem quer ir comigo? A mas que indelicadeza a minha, me desculpe Sininho, deixe me apresentar meus novos amigos!- Peter se aproximou de um garoto pequeno, moreno e magro de cabelos raspados e olhos amarelados curiosos- Este é Willian.- Depois se aproximou do garoto que o havia ofendido a alguns instantes- Este é Magnus.

-Prazer Sininho!-Disse o garoto soando maravilhado com a fada.

Peter se aproximou de um garoto pequeno aparentava ter em média uns doze anos, magricela de cabelos ruivos e sardas por todo o rosto, seus olhos estavam elétricos — Enzo !

-Si-Si-ninho estou realmente encanta-ta-do-do!

Depois mostrou a sininho outros dois garotos um de cabelos castanhos encaracolados e olhos também castanhos seu rosto era um pouco angular chamado Juan sorriu para Sininho, como a maioria dos garotos encontrava-se tímido e maravilhado em relação a fada e por fim Peter apresentou lhe um menino gordinho de cabelos castanho claro, olhos mel e com lindas covinhas ao sorrir que se chamava Ian.

Quando as apresentações terminaram, Pan pediu a fada que espalhasse o pó nos garotos, alguns segundos depois ele disse:

-Bom agora tenham pensamentos felizes! – Embora Peter soubesse que para os meninos era difícil encontrar lembranças felizes, acreditava que eles se sairiam bem, afinal não é todo dia que se pode voar, pelo menos não na Inglaterra.

-Onde fica a Terra do Nunca Peter?

- Segunda à direita e sempre em frente até o dia amanhecer!

Depois de alguns quase tombos e palavrões, finalmente todos estavam aptos a voar, então Magnus, o mais observador entre os garotos disse:

-Não quero chegar de pijamas ao meu novo lar!

Bom, ele não era o único, os garotos colocaram uma roupa mais “apresentável”, aquelas que eles eram obrigados a usar aos domingos, ou quando, alguém estava interessado em adota-los.

E então antes que alguém chegasse para impedir a partida deles, eles saíram pela janela rumo a Terra do Nunca. O caminho foi muito divertido, os garotos riam e gargalhavam, flutuam pelo céu, sentiam que o mundo era só deles e que tudo era possível.

Peter havia se esquecido da sensação de liberdade que o voo proporcionava, tinha esquecido se de como as estrelas brilhavam mais quando estava à cima da cidade e durante alguns breves momentos Peter desaparecia entre as nuvens para pregar peças em algumas estrelas ou tentar apaga-las como sempre fazia... Antes de ser afastado de sua vida.

Quando ele retornou junto aos garotos Ian se aproximou de Peter e perguntou:

- Peter o que tanto tem lá?

-Bom costuma ter sereias...

Aparentemente a ultima palavra mencionada vez todos ficarem em silencio. E logo Juan não conteve-se e disse:

-Elas devem ser lindas!

Peter e sininho riram.

-Por que vocês estão rindo?- Willian parecia preocupado.

-Porque se eu fosse vocês eu perderia as esperanças com as sereias... a não ser que vocês queiram acabar mortos no fundo do mar...

-Até parece que eu iria querer algo com alguma rabo de peixe! – Disse Juan desesperado para não parecer um bobo diante dos amigos.

E novamente todos riram e continuaram a viajar entre risos, brincadeiras, empurrões entre outras coisas.

Depois de algum tempo eles finalmente estavam na atmosfera da Terra do Nunca, mas algo estava diferente... Os risos e piadas pararam bruscamente e todos fitaram a paisagem, atônitos.