Peter Johnson E Os Olimpianos
1 O PASSADO VEM ME ATRAPALHAR
Notas iniciais
Valerie.
Não conseguia me concentrar na prova de Geografia. Claro que meu DDA estava tendo uma boa influencia sobre isso, mas o real problema era que eu mal podia esperar para voltar ao Acampamento Meio-Sangue. Alias, todos la tem déficit de atenção. Bom, todos menos minha amiga Rebekah, mas como ela não é meio-sangue tudo bem.
Você pode estar se perguntando por que eu ainda estou a chamando de “minha amiga”, já que teve todo aquele negocio com Afrodite e eu descobri que amo ela. A verdade, é que eu sou um covarde. Não consegui dizer a ela, principalmente porque Zeus veio com aquele negocio de que nenhum deus ou deusa pode manter uma relação amorosa de longo prazo com um mortal e tal. Então, sim, minha amiga Rebekah é uma deusa e por isso continua sendo apenas minha amiga.
Aposto que você também já se esqueceu da minha prova de Geografia. Por falar nisso, eu mudei de escola. Parece que a garota que viu eu e Rebekah matando a hidra na frente da escola no ano passado contou ao direto e eu fui expulso. Agora eu estudo em uma escola bem mais próxima ao meu nível de inteligência. Mas mesmo assim não consigo me concentrar na prova de Geografia.
Duas fileiras à frente, Rebekah levantou a mão e uma professora se dirigiu a sua carteira. Elas conversaram por alguns instantes, depois a mulher pegou sua prova e minha amiga saiu da sala. Imediatamente levantei a mão.
– Terminou senhor Johnson? – perguntou a senhora Wileman enquanto pegava minha prova para olhar – Você não fez todas as questões.
– Eu... Eu fiz todas as que eu sabia a resposta – respondi me levantando e indo para a porta – Boas Férias, senhora.
Por sorte, consegui sair antes que Rebekah mudasse de corredor e eu não conseguisse mais segui-la. Durante todo o ano letivo ela saia da sala afirmando estar com alguma doença misteriosa e ia embora. Ela realmente parecia doente de tanto tempo que passava lutando com monstros ultimamente. Eu sabia que eles não haviam sido mandados por Hades, que dissera não querer que nenhum mal acontecesse a ela, mas não podia ter certeza sobre os outros deuses.
Os Olimpianos eram uma família complexa cheia de traições, brigas e ódio mutuo. Justamente por isso era muito difícil saber em que deus se podia confiar. Eles também não levam isso de família muito a serio e alguns são casados ate mesmo com irmãos, como Zeus e Hera.
De qualquer jeito, muitos monstros haviam atacado minha amiga no ultimo ano e eu realmente queria saber quem estava os mandando.
Depois de finalmente passar por vários corredores, saímos da escola. Rebekah fez uma mensagem de Iris para o Acampamento.
Quíron apareceu na neblina. Parecendo nervoso e mudando o peso de um casco para o outro (sim, cascos, Quíron é um centauro) e quando ele falou, sua voz soou tremida.
– Você precisa vir para o Acampamento – ele disse e depois olhou rapidamente para trás – É importante.
– Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou – Estão todos bem?
– Bem ate demais... – ele murmurou – Ninguém está machucado nem nada do tipo, não precisa se preocupar, só venha o mais rápido possível, entendeu?
– Prometo não demorar.
– É bom mesmo! Quanto tempo você precisa? É só aparecer aqui.
– Mas ate o taxi chegar ai e...
– Taxi, Rebekah, taxi? VOCE EH UMA DEUSA! NÃO PRECISA DE TAXI NENHUM! – dizendo isso, ele interrompeu a transmissão.
– Porque eu fico me esquecendo disso? Eu posso desaparecer. Eu posso desaparecer – ela repetiu para si mesma, depois se virou em minha direção – Você sabe que eu sei que você está ai não sabe?
– Como você percebeu? – perguntei irritado, era muito difícil se esconder de uma deusa.
– Você estava pensando, tentando se lembrar de alguma coisa não estava? – Assenti. Estava tentando me lembrar do que ela era deusa. Por sinal, era do pensamento, do futuro e do impossível – Enfim, tenho que ir ao Acampamento. Vamos?
– Claro! – me aproximei e segurei sua mão. No segundo seguinte eu estava na Colina Meio-Sangue ainda segurando a mão de Rebekah.
Roxane, a representante do chalé de Dionísio que tinha um bom soco de direita, veio correndo em nossa direção. Soltei Rebekah e pus as mãos nos bolsos.
– Não surte. Promete que não vai surtar? – ela perguntou a Rebekah.
– Prometo, eu acho.
– Espera, não prometa – ela mudou de ideia – Não pode cumprir. Caro que não pode! Eu surtei, você vai surtar muito mais. Você precisa ver!
– Do que você esta falando? – perguntei me intrometendo.
– Dele! – ela gritou.
– De quem, Roxane? – perguntou Rebekah.
– Não posso dizer, é melhor você ver sozinha não quero estragar a surpresa!
– Alguém pode me dizer o que esta acontecendo? – intervim.
– Só venham comigo – disse Roxane e começou a descida.
Seguimos a filha de Dionísio ate a arena. Ali encontramos quase todos os campistas se empurrando para ver algo. Conseguimos abrir caminho em meio à multidão e quando vi o quem estava no meio, fiquei em choque.
Rebekah congelou, formando a estatua humana mais linda do mundo. Ela nem mesmo piscava.
– Rebekah... – murmurei, antes que pudesse dar um passo na direção dela, outra pessoa fez isso.
O centro das atenções, um garoto alto de aproximadamente dezesseis anos e cabelos pretos se aproximou de Rebekah e a abraçou. Ela sorriu.
Nenhum dos dois disse nada, era como se estivessem satisfeitos em apenas estar juntos novamente. Não sabia qual dos dois estava com mais saudade do outro, nem qual estava mais contente, mas sabia quem estava mais irritado. EU. Não sei se alguma vez já disse isso, mas odeio ele. Odeio ele. Odeio ele.
Odeio Theodore.
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