Dirigimo-nos ao balcão do Empire State Bulding. Um segurança levantou os olhos de sua revista e quadrinhos e nos encarou.

— Estamos quase fechando – ele disse.

— Sexcentésimo andar – respondeu Rebekah distraída.

Ele bocejou. Eu não tinha certeza se ele era humano ou não.

— Não existe o sexcentésimo andar, garoto – ele respondeu – Vão embora.

Rebekah se debruçou no balcão.

— Escuta, eu estou sem muita paciência e você sabe que eu sou meio-sangue – ele encarou-a boquiabeto – Eu já vim aqui varias vezes e se você não nos deixar entrar, ele vai tirar a calssa e você não quer um sátiro desfilando no seu saguão não eh? Ia ter que explicar muita coisa.

Ele pensou por um segundo, depois apertou um botão e o portão de segurança se abriu.

— Elevador a direita, acho que você conhece o caminho – ele disse enquanto voltava a ler sua revista em quadrinhos.

— Não vou com vocês – anunciou Thales – Os deuses me assustam. Vou voltar para o Acampamento.

— Tem certeza? – eu perguntei.

— Cem por cento – ele respondeu.

— Como vai voltar – perguntou Rebekah.

— De taxi – ele disse apontando para a rua.

— Ate parece – ela riu e jogou-lhe a chave da moto de Apolo – Pode pegar emprestada.

— Mesmo? – ele encarava o chaveiro como se não pudesse acreditar.

— Tenho um pegasus agora! – ela disse rindo – Não vou precisar disso por enquanto.

Thales saiu pela porta na mesma hora que entramos no elevador.

Aquela musica chata de discoteca estava tocando nos autofalantes do elevador, Satayin’ Alive, por isso minha felicidade quando as portas se abrira já ia ser enorme mesmo sem a vista de tirar o fôlego.

Um caminho de pedras flutuantes dois mil metros acima de Manhattan levava ao Olimpo.

O Olimpo fora construído no topo decapitado de uma montanha, o cume coberto de neve. Palácios se sobrepunham, todos com colunas brancas, terraços dourados e braseiros de bronze. Vários jardins com oliveiras e roseiras se espalhavam entre as mansões. Havia um mercado a céu aberto com tendas coloridas, um anfiteatro e do lado oposto, um hipódromo e um coliseu.

Era uma cidade grega, mas nova, brilhante sem ruínas e flutuando acima de pessoas enfeitiçadas com a nevoa.

O maior de todo os palácios era uma replica invertida do castelo de Hades. Tudo reluzia em branco e prata. Apesar de eu não gostar muito de Hades, senti pena dele, afinal, ninguém merecia ser banido daquilo. Subimos os degraus para o pátio central. Ali eu podia ser a sala dos tronos.

Chamar aquele lugar de sala era menospreza-lo completamente. Eu nunca havia visto algo tão magnífico antes. Altas colunas brancas suportavam um teto abobadado no qual giravam inúmeras constelações. Doze tronos estavam dispostos da mesma maneira que os chalés do Acampamento. Os únicos tronos ocupados eram os dois últimos. Zeus e Hera encaravam-nos com interesse.

Sentado em um terno de platina maciça estava Zeus. Ele estava exatamente igual a como eu o vira em meu sonho. Ele usava o mesmo terno de risca de giz azul escuro. Sua barba bem aparada era cinza-escura e preta, seus olhos tinham o tom cinzento de uma tempestade e eu não pude deixar de ter medo de sua expressão severa.

Rebekah se ajoelhou e eu me aprecei em fazer o mesmo. Zeus parecia continuar me encarando.

— Senhor – disse Rebekah devagar – Com a sua permissão, queríamos apenas entregar os seus convites.

Zeus assentiu e ela entregou os convites, primeiro para Hera e depois para Zeus.

— Peter Johnson e Rebekah Brunette, não é? – perguntou o deus.

— Sim, senhor – eu respondi.

— Duas transgressões – ele comentou.

Rebekah levantou a cabeça e encarou o Senhor dos Deuses diretamente. Por incrível que pareça, não tenho certeza de qual das duas expressões era mais assustadora.

— Se me permite dizer, senhor – eu pude perceber um tom sínico em sua voz, mas não sei se foi evidente para Zeus – Você mesmo já cometeu algumas transgressões não é mesmo? Quer dizer, Theron, Demon e Thalia são seus filhos, e são ótimas pessoas. Muitas dessas transgressões são. Percy Jackson salvou o mundo e era uma transgressão de Poseidon. Nico e Peter também são muito simpáticos. Se você se preocupasse em conhecer as pessoas antes de julga-las, perceberia que muito do que fala não é verdade.

Um trovão sacudiu o salão e as narinas reais de Zeus tremeram de raiva.

— Acho melhor eu esperar no saguão – ela disse enquanto recuava. Depois se dirigiu a mim – Te espero la embaixo.

Zeus começou a dizer alguma coisa, mas ela interrompeu-o. Acho que ela estava com desejos suicidas.

— Desculpe, mas alguém tinha que te dizer isso! – ela acrescentou no momento em que saiu do palácio.

Eu estava indo atrás dela, mas o deus me chamou.

— Garoto – eu recuei e me virei em sua direção, então ele continuou – Quero que se lembre que nenhum deus ou deusa pode manter uma relação amorosa de longo prazo com um mortal. Isso, Peter Johnson, fará sentido em breve. Você já é um transtorno por ser fruto da quebra de um juramento sagrado, não vai querer causar mais problemas. Você já pode ir.