Notas iniciais
Para os meus leitores de Light e Darkness, mas principalmente para a Maya.

Bônus (I)

“I love the way you are
It's who I am, don't have to try hard
We always say, say like it is
And the truth is that I really miss”

“Cause you, love, love, love
When you know I can’t love
You love, love, love
When you know I can’t love you”

∂

Sempre que Peter Chy a observava de longe, seu coração acelerava.

Na realidade, ele não a conhecia.

Nunca falara com ela.

Não era seu amigo.

Mas ele sabia de uma coisa sobre ela: ele a amava. Sem saber como, sem saber porquê, mas a amava. Era como um daqueles romances clichês e a primeira vista que sua mãe, Vinola Chy, adorava ler. Ele gostava do modo que o sol batia em seus cabelos cinzentos e os deixava brancos. Gostava de como ela franzia a sobrancelha a olhar para o sol, como se dissesse: “Por que você existe mesmo?”. Ele achava aquelas lentes cinzas – tinham de ser lentes, correto? Não existiam olhos dessa cor. – extremamente belas.

Mas só havia um não-tão-pequeno problema: Ahri nunca olharia para alguém como ele. Talvez, ela olhasse para alguém como o seu irmão Senki, porém, para todo o seu azar, ele era só o japinha bonitinho e magrelo.

Não era o tipo de Ahri, para completar o clichê.

Por que diabos tudo tem de ser tão estupidamente comum e impossível?

Ele chegava a pensar em seus momentos mais desesperados que tudo ficaria bem; um dia ensolarado ela iria notar quão incrível ele era e decidiria que estava perdidamente apaixonada por ele.

Não pense nisso. Você não está tão desesperado... ou está?

Ahri o confundia por demais. Ela era como um mistério insolúvel e longe demais do alcance dos seus dons. Longe demais do alcance de qualquer um. Ahri era demais até para o detetive de Sir Conan Doyle.

Então, sua linha de pensamento foi subitamente interrompida por um sentimento clássico de observação.

Oh não.

Era Ahri. Ela o pegara observando-a! Ele estava ferrado.

Caso algum dia ele pensara em ter alguma chance com ela, essa chance estava acabada. Totalmente acabada. Soterrada.

Ela deve pensar que eu sou um maldito stalker.

Ela se levantara. E estava vindo exatamente em sua direção.

“Que porra você estava fazendo, Chy?”

Oh-Oh. “Eu só estava observando aquele carvalho.” Gaguejou. Ela o intimidava. E muito. E isso a tornava sexy, muito sexy.

“Que coincidência que eu estava lá, Chy!” ela rosnou. “Você estava olhando para mim! Mas porque sete infernos você estava fazendo isso?”

“Distração.” Respondeu prontamente. “Meu olhar caiu ao acaso em você.”

“Não é a primeira vez.” A Morrigan respondeu.

“E se não tiver sido?” perguntou, antes que pudesse se controlar. O que eu fiz? Decidiu consertar o erro. “Eu poderia querer avaliar o material que meu irmão disse ter usufruído.”

Ele finalmente conseguiu mudar o foco da conversa. “O que?” sua voz tinha um tom incrédulo, mas brincalhão. Um tom que ela nunca usaria ao falar sobre ele. “Senki agora diz que está usufruindo de mim? O garoto perdeu a noção.”

“Por quê? Você gosta de alguém?” ele perguntou, uma esperança boba subindo no seu peito.

“Não, pelos calções coloridos de Merlim, é que eu sempre pensei que ele gostasse de Karen.” Ela respondeu, como se somente a possibilidade de ela gostar de alguém fosse impossível. E era mesmo.

Karen era a irmã gêmea de Ahri, totalmente diferente da outra. Karen não tinha nenhuma alteração corporal como Ahri, com aqueles olhos perfeitamente verde-esmeralda e os seus cabelos loiros.

Mas Peter nunca perderia um segundo em que poderia olhar para Ahri para se virar para Karen.

É sarcástico que meu irmão queira uma das gêmeas e eu a outra. Bom, ao menos isso mantém aqueles olhos bem longe dela.

“Mas eu não esqueci que você estava olhando para mim, nem acredito que você estava observando o material que seu irmão usufrui. Vamos, me dê a verdade, Peter. Não pode ser tão ruim.” Sua voz emanava ironia.

“Seria incoerente se eu dissesse que realmente não te interessa?”

“Não, mas você me deixou curiosa. Fale logo antes que eu decida descobrir sozinha.”

Como ele se explicaria agora?

Bom, posso dizer que não vou falar, mas ela vai começar a fuçar minha vida e falar para todos que eu supostamente a amo. Posso falar, e ela vai rir de mim. Então eu posso rir junto e dizer que foi brincadeira. E vai me matar, porque Ahri Morrigan não é alguém para se brincar.

Ele iria morrer de qualquer maneira dependendo de sua resposta, então, porquê não arriscar morrer com uma honestidade disfarçada?

“Eu te amo.” Respondeu, tentando não tremer e permanecer sério.

Ahri também se tornou séria. “Não haja como uma criança e pare de brincar com uma coisa como o amor, Chy.”

Ahri virou-se rapidamente, dirigindo-se em passos rápidos para o carvalho que a apoiava antes. Peter não sabia se era verdade ou somente a sua imaginação, mas a inclinação de seu pescoço parecia sugerir que ela estava chorando.

Impensadamente, ele se levantou e correu atrás dela.

“Hey!” chamou. “Eu não estava brincando.”

“O quê?” Ela parecia surpresa: o seu olhar era alarmado.

“É, isso mesmo.” Sua voz tinha mais certeza. Certeza e confiança. “Quer dizer, eu nunca sou capaz de fazer meu olhar sair de você. Eu gosto do seu jeito bizarro e desbocado. Até mesmo dos seus defeitos eu gosto. E mesmo que você seja impossível para mim, uma utopia irrealizável, eu não consigo parar de acreditar em nós. Mesmo que não exista nós.”

“Chy...” ela começou.

Ele sorriu para ela. Um sorriso tranquilo, como ele nunca dava desde que ela virou seu mundo de cabeça para baixo. “Não precisa tentar me consolar, nem me devolver aquele clássico de você não faz meu tipo ou o não é você, sou eu. Eu sobrevivo mesmo tendo um sonho tão impossível quando esse. Eu vou superar você um dia.”

Ahri parecia engasgada. “E se eu não quiser que você me supere?”

A chama da esperança reacendeu. Cautela, seu idiota. “O que quer dizer com isso?”

“Não é como se eu te amasse, mas... e se eu quiser tentar algo? E se eu talvez pudesse pensar num futuro distante em eu e você estejamos juntos?” ela perguntou. “Então, eu acho que para o bem de todos, talvez você pudesse tentar me manter em mente por mais um tempo.”

“Eu poderia ter uma garantia dessa promessa?”

Ela riu. “Não, nunca.” Ela retorquiu. “Mas será que você olharia para mim caso eu fosse constante e mantivesse as minhas promessas?”

“Não. E caso sim, eu olharia para Karen.” Observou ele, rindo junto com ela. “Será que eu tenho permissão para realizar um sonho um pouco mais alcançável?”

Ahri piscou, como quem já tivesse captado a ideia. “Bom, não tem ninguém por perto... Vá em frente, Chy.”

E quando ele encostou seus lábios nos dela, foi mágico. Não magia como aquela que faz aparecer coisas inexistentes. Mas uma magia única, que faz as pessoas sentirem um calor no corpo todo, uma sensação de que o mundo pode ser seu se você tiver essa magia do seu lado.

O nome dessa magia é amor.

∂

Notas finais
Obrigada por lerem. :)
Caso quiserem deixar um review, obrigada. Se não, tchau.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!