Pessoas de Chumbo

1 Pessoas de Chumbo.


Em 3000 a.C., pessoas passavam horas,dias,meses e anos carregando blocos de alvenaria, suas mãos e pés brasil expostos à todos, como a mais fascinante atração. Dançavam e cantavam aos céus aos estalos que se perdiam no ar, lágrimas manchando as faces das pessoas sem-rosto.

Em 146 a.C., pessoas, assim como Tântalo, assistiam em desespero as farturas que passavam diante de seus olhos, tão perto, mas tão distante. Controlar-se-iam todos os dias, brincando de trabalhar para não brincarem de invejar. E em determinado momento, alguns se cansavam de brincar e agiam — e enquanto suas ações se calavam aos poucos, aqueles que ainda brincavam mantinham seus olhos firmes no chão, determinados a manter suas mentes sãs, nem que seja por mais alguns segundos.

Em 1192, pessoas eram escudos em meio à nevasca, alinhados entre si como peças de lego nos campos de batalha. Alimentados com promessas vazias, tomavam a frente com Scimitares erguidas, cabelos negros escondendo o desespero em seus olhares. E ali, centenas de milhares de flechas formaram um carpete vermelho, no qual seus inimigos desfilavam.

Em 1640, pessoas exclamavam um grito mudo em meio à multidão, suas mentes desesperadas querendo desvendar o porquê de estarem rodeadas por lindos e agonizantes tons de laranja, suas peles sucumbindo ao calor do momento, manchas vermelhas tingindo o altar.

Em 1856, pessoas eram perderam a noção de tempo e espaço, vendo o mundo de cabeça para baixo, o certo e o errado separados por um cachimbo de bambu. E com certa estranheza, estátuas vivas indagaram-se internamente sobre algumas manchas claras perdidas em um mar negro, com uma forma engraçada que lembrava uma íris.

Em 1942, pessoas cansadas de verem vermelho escreviam cartas em letras trêmulas sem terem certeza se algum dia elas chegariam aos seus destinos.

Em 2015, pessoas sofrem com a Lua como companhia, confessando sentimentos amargos às estrelas, lágrimas banhadas de prata pela luz do luar. Não ousam demonstrar tais facetas ao mundo, por motivos desconhecidos por todos e – talvez – até por eles.

Pode ser que isso seja uma consequência proveniente da nossa história conturbada. Tendo a acreditar que seja o raciocínio mais lógico. Ao longo dos séculos, aqueles que ousaram transparecer qualquer indício de fraqueza tiveram diversos destinos, nenhum deles agradável. “O mundo é dos fortes”, é o que dizem.

Acontece que esquecemo-nos de que pessoas são pessoas, em qualquer época, em qualquer lugar. Pessoas têm fome, frio, medo, dor. Pessoas têm família e amigos. Pessoas têm sentimentos. Pessoas têm tudo isso, assim como eu e você.

E pessoas são feitas de carne. Estamos longe de sermos indestrutíveis e não somos feitos de chumbo, ainda que sejamos obrigados a fingir que somos. Há, claro, a possibilidade de que eu tenha feito um equívoco – uma possibilidade, admito, que é até bem provável – porém não acredito que nosso mundo possa se modificar em um tempo tão curto. Descobrimos e ainda estamos descobrindo muitas coisas, é verdade. Entretanto, o cérebro humano é e será por um bom tempo uma incógnita.

Fingir, por medo do futuro.

Fingir, para sobreviver.

Notas finais
Bem, se vocês entenderam, já estou contente hahaha estou aberta à sugestões, críticas construtivas e quaisquer comentários!

Essa sou eu, num dia de chuva, dando uma de filósofa.

P.S.: a história está como "tragédia" porque eu não posso falar que é uma história feliz - mas ela se passa no mundo real, e não achei outra classificação melhor.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!