Notas iniciais
Só um aviso: Para boa mente poluída, meia insinuação basta.

Aioria entrou na casa de Sagitário e estranhou o irmão não estar lá para recebê-lo, normalmente,ele não precisava nem mesmo chegar ao segundo degrau e seu irmão já estava o esperando, mas então lembrou-se do que Shaka disse quando passou pela casa de Virgem “Saga e seu irmão devem estar em uma reunião urgente, os dois estão na casa de sagitário há algum tempo. Deve ser algo importante, você não deveria atrapalhar, Aioria”

Mas então o garotinho decidiu que qualquer coisa que estava sendo tratada as 3 da manhã poderia ser tratada às 6 horas da manhã e seus assuntos com seu irmão eram mais importantes. Então sem medo continuou a subir pelas demais casas, tomando cuidado para não acordar os jovens amigos que as protegiam.

Ao passar pela casa de Libra encontrou Camus deitado no chão de mármore parecendo um tanto quanto doente. Quando o pequeno cavaleiro de leão perguntou ao amigo o que fazia lá ele lhe deu uma pequena explicação sobre como a casa de Libra ficava praticamente o dia inteiro na sombra e a de aquário estava bem na região iluminada pelos raios mais cruéis do sol e por isso naquele verão escaldante a casa do jovem cavaleiro de Aquário estava inabitável e ‘parecendo um forno’.

Depois explicou que não conseguia fazer seu cosmo resfriar a grande casa o suficiente e sempre que dormia o calor voltava com força total então o garotinho imaginou que não haveria problemas se ele viesse passar uma noite na casa de Libra, afinal não havia ninguém lá mesmo.

Aioria nem sequer pode discordar com a lógica de Camus, primeiro porque o outro era infinitamente melhor que ele nessa coisa de lógica e segundo porque realmente estava quente aquela noite. Ainda mais para alguém que gostava tanto do frio, o jovem Aioria só podia imaginar quão torturante aquele verão estava sendo para Camus.

Ao passar pela casa de escorpião, a única coisa que ouviu foram os roncos de Milo, que parecia contente o suficiente largado no meio do hall de sua casa abraçado em um ursinho de pelúcia.

E finalmente Aioria chegou onde queria.

Seus passos ecoavam pela casa de seu irmão, que normalmente era muito bem protegida e não era muito amigável com intrusos, mas aquela noite ela estava completamente inofensiva.

O garoto caminhou até a porta que levava ao quarto do irmão e tentou abri-la, apenas para descobrir que estava muito bem trancada. Isso era estranho, Aioros nunca trancava a porta de seu quarto.

“Nii-san, preciso falar com você” ele chamou num misto de tédio e irritação ao bater na porta “Nii-san! A sua reunião pode esperar! Nii-san é importante” importunou para deixar sua presença bem clara para o mais velho “O santuário todo está dormindo, qualquer que seja a ameaça dá pra espera até amanhã”

O garotinho ouviu barulhos de passos do outro lado da porta, assim como algumas risadas, havia pelo menos duas pessoas ali “Nii-san?”

“Já vou!” o mais velho gritou por detrás da porta “estamos só...”

“Terminando a reunião” a voz de Saga completou a frase de Aioros. Algo na voz de ambos parecia estranha, mas Aioria não conseguia identificar o que exatamente. Logo Aioros abriu a porta do quarto e Saga passou por ele e o irmãos mais novo “nós terminamos esse assunto amanhã. Boa noite”

“Bem, se vocês ainda não terminaram, eu volto depois” Aioria começou.

“Não, não precisa, Aioria” Saga o interrompeu “definitivamente terminamos por hoje” ali estava de novo aquela coisa estranha na voz do cavaleiro que o garotinho não conseguia identificar. Mas sentia como se o cavaleiro de gêmeos estivesse escondendo alguma coisa “tenham uma boa noite” acenou para os dois e saiu da casa de Sagitário.

“Está tão calor que vocês dois até fizeram uma reunião sem camisa” Aioria riu “imagine só o que o Mestre do Santuário iria dizer, ‘blablabla desrespeito as formalidades blablabla uma reunião de verdade deveria ter trajes sérios blablabla’ ”

“Ah sim... Ele iria ficar bem... Chocado se soubesse” Aioros comentou vagamente, sem conseguir conter um leve sorriso de traçar pelos seus lábios. Sorriso tal que Aioria prontamente interpretou como sendo causado pela sua imitação ‘quase’ perfeita do Mestre do Santuário “o que queria tanto falar?”

“Eu...” o sorriso do garotinho logo foi substituído por um vibrante rubor em suas bochechas “não ria, ok?”

“Eu jamais riria do meu irmãozinho” Aioros sorriu e se agachou para poder observar o irmão com mais atenção. O que quer que fosse era algo que incomodava o pequeno.

“É que eu tive um pesadelo...” o mais novo confessou “ e foi com você aí eu queria ter certeza se você estava bem, Nii-san”.

“Como pode ver, eu estou muito bem” Aioros sorriu para o irmão e bagunçou os cabelos do menino “sobre o que foi seu sonho?”

“Eles te matavam” Aioria contou “Os outros cavaleiros eles te perseguiam e te matavam e te chamavam de traidor” embora fizesse um esforço tremendo para não chorar uma lágrima correu dos olhos do garoto “e... E então todo mundo te odiava e me odiava” a voz dele já estava chorosa, mas mesmo assim ele não chorou “eu não quero que matem meu Nii-san” e com isso abraçou o irmão.

“Isso jamais vai acontecer” o mais velho tentava acalmar o irmão “eles são nossos amigos, jamais fariam uma coisa assim comigo. Os cavaleiros protegem uns aos outros e não se matam.”

“Mesmo assim... Eu só queria ter certeza que você ainda estaria aqui” o garotinho abaixou a cabeça, apoiando a testa no ombro do irmão.

“Vá pegar uma água para se acalmar” Aioros decidiu se levantando “hoje você vai dormir aqui” sorriu antes de virar de costas e entrar em seu quarto.

O rosto de Aioria se iluminou e ele logo correu para a cozinha para pegar uma água e enxugar suas lágrimas, feliz por passar a noite com seu irmão e ele estar são e salvo. Tomou dois copos, só então percebendo o quanto que o calor e suas lágrimas haviam o deixado desidratado e correu para o quarto do irmão “hey, Nii-san” ele chamou ao pular na cama “porque você trocou os lençóis?”

“Ah...” Aioros encarou o irmão levemente surpreso pelas habilidades de observação dele “o antigo tinha um tecido muito quente. Não íamos conseguir dormir nesse calor com ele”

“Oh, por isso que vocês estavam no quarto, Saga devia estar te falando alguma coisa importante enquanto você arrumava a cama e eu atrapalhei, não é mesmo?”

“Exatamente” Aioros concordou enquanto se acomodava em sua cama e então Aioria percebeu aquela mesma entonação de que ouvira na voz de Saga, a que parecia que havia alguma coisa a mais naquela história, mas sua animação por estar com seu irmão logo varreu esses pensamentos de sua mente e o impediu de pensar com mais afinco sobre o assunto.

“Você parece bem mais animado” o mais velho comentou encarando o irmão.

“É que você está vivo!” o pequeno sorriu animado “o sonho tinha sido tão real e eu tinha ficado com tanto medo... E agora você está aqui e está bem. Eu não posso ficar feliz pelo meu irmão estar bem?”

“Claro que pode” Aioros fez um cafuné no irmão “mas não se preocupe, eu estarei para sempre junto com você”

O sorriso de Aioria simplesmente cresceu mais ainda, mas logo ele foi substituído por um longo bocejo “Boa noite, Nii-san” o pequeno logo se esparramou na cama, jogando um braço e uma perna em cima do irmão.

“Boa noite, Aioria”.

Notas finais
Todos esses panacas são bebês preciosos e eu ainda não superei nenhum deles. >.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!