Pesadelos - Nightmares
1 Prólogo
Meu nome é Luke. Tenho 13 anos, moro com minha irmã. Minha mãe me odeia, eu não existo na minha sala. Tenho pesadelos estranhos, amo comer massas mais que tudo. Sabe, uma vida muito normal.
Vim para tentar uma vida nova, não deu certo — como sempre -, acabei sendo mais violentado do que antes. É de se esperar, já que a vida tem sempre um jeito de te destruir. Mas eu sempre me adapto, mesmo que todos conspirem contra mim, até mesmo a minha família. Minha irmã por exemplo, ela não costuma ser gentil, principalmente quando estou dormindo:
– Ei! Luke acorde, hora da escola! — Ela gritou, como se não fosse o bastante derramar um balde de água fria no rosto. — Sim, e desculpe por te deixar encharcado... — Mangou.
– Desculpar-se não é o suficiente... Espero que seu filho não tenha rasgado ou babado nos meus livros do colégio...
– Ah... Avisou muito tarde... — Ela apontou para um bebê loiro e gordo que mastigava a capa do meu livro de física.
– Se estão fazendo de tudo para me irritar, não funcionou... ainda.
Minha irmã suspirou, decepcionada, foi ao banheiro, pegou uma toalha e tentou secar meu cabelo. Depois de algum tempo, ela começou a afagar minha cabeça. Eu estranhei, óbvio:
– O que pensa que está fazendo?
– Nada, só me lembrando de quando você era pequeno. Era tão fofinho me irritando com uma voz amável... — Ela me imitou — "Irmãzinha, pare de me abraçar, isso é irritante". Era sempre tão inacessível e fofo.
Demorei um pouco para entender o que ela estava falando, aquela mulher só sabe falar coisas sem sentido? Ano passado eu teria arrancado a cabeça dela, e ainda me chamava de fofinho? É completamente irritante o quanto ela me enche.
– Certo, hora do café, hoje tenho um trabalho para fazer na casa de uma amiga.
– Que amiga?! — Ela perguntou enciúmada — Não é justo, hoje é sábado, dia de pizza.
Dia de pizza? Eu havia me esquecido, todos os sábados eram os meus dias preferidos. Dia de massas, e consequentemente hoje era a vez da pizza. Quase me arrempendi o suficiente para largar o compromisso e ir com minha irmã. Bem, quase. Eu não iria deixar de ganhar a nota da prova por uma pizza. Afinal, se eu passasse, poderia ter quantas pizzas que eu quizesse.
– Me responda, Luke! Quem é a garota? — Minha irmã gritou, me tirando do meu transe estratégico.
– A garota mais bonita do colégio... — Menti, tentando irritá-la — Ela é bem Gata!
Minha irmã corou de tanta raiva, só faltava fumaça sair de seus ouvidos. Aquilo era a única coisa vantajosa de morar com minha irmã, se vingar e irritá-la.
Desci as escadas escorregando no corrimão, dei várias voltas antes de chegar em segurança no andar debaixo. Quase ia me esquecendo dos meus livros. Parecia que minha irmã sabia exatamente o que eu pensava, ela gritou:
– Lukezinho, você ia deixar meu bebê come-los!
Ela jogou a mochila com todos os livros que faltavam, inclusive o mastigado. Não perdi tempo, passei quase voando pela cozinha e pequei um sanduíche que minha irmã havia deixado para mim como café. Antes de sair minha irmã me avisou:
– Se você se esfregar com essa tal de amiga, eu...
Não esperei para ouvir o resto, bati a porta e saí de casa antes que ela pudesse dizer algo impróprio para menores. Atravessei o jardim. Passei na frente da casa do vizinho, ele tinha um Rotweiller com quase minha altura, mas mesmo sendo uma raça que costuma ser hostil, aquele cachorro era doce, e fofinho.
– Ei Guliver! — Gritei para o cachorro, ele retribuiu com um latido. — Até depois!
E lá fui eu, deixando Guliver alegre, com um pequeno rabo balançando.
Depois de aproximadamente 5 minutos de caminhada e quase 3 atropelamentos à minha pessoa, eu encontrei minha parceira de trabalho, que também iria comigo até a casa de minha amiga. Quando ela me viu, começou a se arrumar, típico de garota quando vê alguém conhecido. Ela sorriu e disse:
– Que coincidência! — Ela riu — Não sabia que iria encontrar você aqui!
– Sério? — Tentei parecer surpreso. — Mas parecia que você estava me esperando...
Ela corou, olhou para o chão e começou a brincar com o cabelo, fazendo pequenos cachos no cabelo cinza com pontas azuis. O nome dela é Rin, todos da minha turma falam que ela gosta de mim. Com certeza não, já que nenhuma garota iria perder o seu tempo comigo, e eu as tratava do mesmo jeito.
– Q-que calor está fazendo, não é? — Rin tentou puxar conversa.
– Rin...
– O-o que?
– É manhã e está fazendo quase 15° aqui fora... — Suspirei — É tecnicamente impossível você estar com calor.
Rin me olhou mais vermelha do que estava anteriormente. Ela engoliu a seco e me propôs:
– Eu posso está com calor... Bem, deixa para lá, vamos para casa de Julie logo?
– A coisa mais sábia que disse até o momento...
Acho que fui um pouquinho rude. Tá bom, peguei pesado. Mas não tenho culpa, sou ignorante, e daí? Nós chegamos, meus ouvidos já estavam cançados, já ouvira um boato que garotas falavam demais, mas Rin? Não aguenta mais, ela nem sequer tomava fôlego. Os primeiros minutos da conversa eu entendi, mas o resto era blá,blá e blá.
– Então, o que você acha da Julie? — Rin me perguntou.
– Que? — Perguntei sei entender.
– Você gosta dela?
– Não...
– Gosta de alguma garota da nossa sala?
– Repitindo: Não...
Ela pareceu um pouco desapontada. Ainda bem que eu já havia tocado a campanhia e o irmão de Julie nos recebeu. Acho que garotas ainda são seres desconhecidos pelo homem, em um estante, Rin tentava flertar comigo, agora ela estava babando pelo rapaz. Cara, só por que ele tem cabelos dourados e olhos azuis? Ah, e ele era 2 anos mais velho do que nós.
– Entrem — Ele falou, e nós entramos.
A casa de Julie era um pouco modesta, pois alí só morava ela e o suposto irmão. Depois de babar pelo rapaz, Rin voltou a me perseguir, agora ela estaria tentando agarrar meu braço. Enquanto isso, Julie estava se "arrumando". Então Rin voltou a me perguntar:
– Você não gosta de ninguém mesmo? Nenhuma garota tem chance?
Resolvi ser gentil:
– Claro que tem... Você tem grande potêncial.
– D-deixa disso! Pare de flertar comigo!
Cara, vou matar aquela garota. Se não fosse a minha irmã, eu com certeza fornecia o troféu de ouro da pessoa mais irritante que eu já conheci. Eu iria acabar com a vidinha miserável daquela menina naquela hora, se não fosse pela chegada de Julie.
– Pessoal? Eu tenho que ir à um encontro, estou bonita?
Meus olhos seguiram a voz. Bonita? Mais parecia um espantalho mal maquiado usando as roupas da minha tátátátáravó. Estava incrívelmente ridículo. Ela com certeza não sabia se maquiar, muito menos arrumar o cabelo. O batom estava todo borrado, com manchas cor-de-rosa na testa, e os cabelos tinham cachos mal pranchados. Ela parecia que estava vestindo uma garrafa.
– E-está... — Rin deu um sorriso e fez sinal de aprovação com as mãos — Perfeito, não é Luke?
– Veio perguntar ao cara errado... Prrr... — Falei com difículdade, mas sem rir. Sou bondoso — É... Sei lá.
– Grande comentário! — Julie falou com sarcasmo — Estou horrível!
– Se sabia a resposta, por que deu o trabalho de perguntar? — Praguejei.
Eu me esforço para não rir, faço um comentário gentil e o que recebo? Um tamanco jogado na minha cabeça.
– Ai! Você é maluca? — Gritei com Julie, praguejando.
– Sou, principalmente quando você não me apoia ou é gentil comigo!
– Quem você acha que sou? Seu marido? — Perguntei, revoltado. — Não necessito te venerar!
Ela ficou vermelha de raiva, parecia até um tomate. Inflou as bochechas, cruzou os braços e virou de lado me chamando de "Rude". Minha definição para garotas: seres alíenigenas monopolizadores que veio a terra dos homems para fazer de nós escravos. Por que elas me julgam tanto? Mereço esse castigo de viver ao lado de garotas psicopátas?
Rin viu que eu nessecitava de uma ajuda urgente, então mudou de assunto:
– Bem, já que você vai sair em um encontro, como nós vamos fazer o trabalho?
– Fácil, só adiarmos. Aliás, o praso de entrega é só para o final do mês!
Foi o cúmulo de minha paciência, bati meus pés no chão com força e gritei:
– Então por que diabos não nos ligou informando?
Julie deu um pequeno sorrisinho malicioso, pegou um cachecol que era do seu irmão e colocou no meu pescoço. Depois me analisou, com um olhar crítico. Estranhei e resolvi questionar:
– O que foi?
– Nada, vendo se você fica melhor com as roupas do meu irmão... — Julie me respondeu com aquela típica cara de pau.
– Para que motivo?
– Não lhe contei? Você vai comigo e com meu namorado — Ela apontou para Rin — E você também. Afinal, teremos um encontro duplo!
Definitivamente... Foi a gota d'água, não aguentei ou nem sequer tentei suportar a raiva que eu sentia naquele momento. Simplesmente gritei com toda a voz que podia colocar, nas seguintes palavras:
– QUEM VOCÊ PENSA QUE É PARA MANDAR EM MIM? — Controlei a intensidade da minha voz: — Graças a você, eu perdi o dia da pizza! Cara, ia ter pizza até no almoço!
A única que se abalou foi Rin, que um pouco encolhida, puxou a manga do meu braço e falou:
– Se você quizer, nós podemos ir a pizzaria...
– Mas você detesta pizza... — Comentou Julie
Gostei da nobre atitude, Rin é legal, mas eu ainda estava zangado com Julie. Mas tem uma coisa mais importante: Quem é o indivíduo sem noção que detesta pizza? Falando sério, nunca vi uma pessoa nascer com esse problema cerebral, só sei de uma coisa, a doença está em um estado crítico. E depois ainda me chama de louco ou neurótico.
Julie ainda continuou insistindo em me irritar:
– Garoto, você poderia pelo menos deixar de ser criança e esquecer um pouco a pizzas...
Segurei a minha extrema vontade de dar um soco na face da minha suposta "Amiga Idiota com Problemas Cerebrais". Felizmente, eu fui treinado como um cãozinho, apenas para abafar minha raiva. "Você é muito violento...", dizia minha psicóloga, "...tem de aprender a controlar seus sentimentos". Baboseira, fui para a clínica apenas para ganhar alguns calmantes com desconto.
– Tá, você venceu, vou comer pizza sozinho. Não quero ir à encontros idiotas... — Falei com ignorância.
– Que garoto insuportável! Poderia fazer esse favor à Rin, acho que ela gostaria de comer uma pizza contigo...
– Hum, acho que... Não...
Julie me encarou com uma cara tipo, "vou matar você". Coitada, não sabe o quanto já fui ameaçado com caras feias, o efeito é totalmente nulo. Mal sabe ela que eu consigo ser bem mais desprezível do que já sou.
– Tudo bem, então vá embora! — Rin gritou comigo, consequentemente com raiva.
– Certo, é para já! — Respondi.
Saí da casa dela, e fiz o prazer de fechar a porta com uma batida imensa. Quebrou a marceneta, mas mesmo assim valeu a pena.
Enquanto andava na rua, eu pensei em analisar minha vida e meu estado atual. Sentei no banco de uma praça e olhei para o céu. Estava nublado. Exatamente como naquele dia. O dia em que perdi quase toda minha família, na qual era uma única pessoa. Por que o mundo faz de tudo para me tirar as coisas que mais são importantes para mim?
Aquela perda me transformou. De princípio, achei que era uma espécie de ilusão, infelizmente não era. Quando a verdade caiu sobre mim, foi no mesmo dia da cerimônia de descarte ao corpo, que era como minha família costumava definir. Dizia:
"Nem sempre o enterro é um ato triste, nem belo. Pior para comemorações. Simplesmente, você descarta o corpo de maneira elegante. Afinal, para eles, não passam de corpos fedorentos e sem vida, e nenhuma lembrança é recordada depois de algum tempo..."
Eu costumava a pedir que distanciasse esse pensamento de sua cabeça, mas ela ainda continuava a repetir frases melancólicas. Isso sempre me preocupava. A depressão dela aumentava frequentemente, até que chegou um certo dia que ela não se suportou mais. Ela simplesmente acabou com sua aflição, transformou o vazio em coragem e habilmente se drogou e deixou sua alma queimar, junto com seu corpo.
Fechei os olhos, me livrando de meu pensamento, era difícil se recordar sem ter uma dor por ela. Depois de um tempo, eu me levantei e continuei meu rumo. Não sei se era apenas impressão minha, mas o mundo parecia mais descolorido e triste. Precisava tomar meus remédios novamente, ou eu poderia acabar piorando.
Teria chegado em casa, se não fosse um pequeno contra-tempo. No meio de uma avenida, havia um carro de polícia. Não apenas um, mas vários, no mínimo dez. Estranhei. Normalmente a rua da minha casa é bem tranquila, essa é a primeira vez que vejo um tipo de movimento como esse.
Me aproximei e decidi perguntar a um policial gordo que estava agachado se protejendo detrás da porta do carro. Ele se virou para mim, assustado e confuso:
– Ei guri! — Ele puxou meu braço, me deixando detrás da porta também — Tem que ir para casa, aqui é perigoso demais para crianças!
– Ah, legal. Por que o perigo?
– Ora, não soube do homem louco que escapou do hospício?
– Hum... Não...
Eu me lembro de um cara maluco que sequestrou garotos para... ninguém precisa saber. Esse cara começou a pertubar a cidade quando eu tinha uns 10 anos de idade. Ele ainda conseguiu pegar o meu vizinho, que na época tinha 9 anos, o resultado não foi muito bom. O garotinho foi torturado enquanto estava preso sem água ou comida. Quando foi libertado, o menino não era mais o mesmo, ele ficou insano, louco, vivia falando sobre cenas macabras e etc.
O pior de tudo, ele acabou se suicidando na fachada de sua casa. Todos do bairro ficaram completamente assustados. Até a sua mãe ficou depressiva. Bem, mas já faz a quase 4 anos.
O policial me liberou depois de algum tempo "especionando" e "certificando" de que nem um psicopata poderia atacar por aqui. Depois que cheguei a minha rua e virei a esquina, vi minha casa, o carro da minha irmã ainda estava em frente a casa, e o quarteirão estava vazio demais. Estranhei e corri para dentro.
Estremeci quando vi o estado da casa. As paredes estavam molhadas, ou melhor encharcadas. Um cheiro forte penetrava até o fundo de minha alma. O líquido era álcool. Corri até o quarto de minha irmã, bloqueando o cheiro com a manga do meu casaco. Outro susto. Minha irmã estava totalmente amarrada, seus olhos estavam molhados, como se ela estivesse chorado. Olhei para cima, e quase vomitava.
Um bebê estava amarrado de cabeça para baixo, sangue saia de um enorme corte no estômago. Era o meu sobrinho. Não aguentei, desabei no chão. Por que? Já haviam levado minhas irmãs mais próximas, e para piorar, meu sobrinho também. Injusto. Mundo injusto. E também quem teria feito aquilo?
Peguei minha mochila e a joguei no chão, espalhando o conteúdo, principalmente meus remédios. Eu agarrei meu calmante e tirei 6 comprimidos. Engoli como se comesse Tic-Tacs. Nem essa quantidade de misturas químicas foi capaz de apaguizar meus animos. Foi inútil, nem mesmo deu um indício de sono. Tudo estava confuso. Olhei novamente para minha irmã. Eu a desamarrei e coloquei sua cabeça no meu colo.
Enquanto eu limpava o sangue do rosto da minha irmã, eu pensava nos momentos que havia passado com ela. A maioria das vezes, eram brigas e confusões. Me lembrei do dia em que nossa outra irmã havia falecido. Minha irmã me consolou e me apoiou, mesmo assim, eu ainda consegui uma doença.
A última coisa que eu pensei, foi em hoje de manhã, de como fui arrogante, arrogante e egoísta. Podia ter pelo menos sido mais gentil e amável com minha irmã.
Meus pensamentos foram interrompidos quando eu senti duas mãos me envolvendo. Uma em volta do meu pescoço, fechando minha garganta. E a outra, bloqueando meus gritos e fechando minha boca. E então, fui arrastado para a escuridão. Depois disso, só vi o nada, graças ao pano que amarraram sobre os meus olhos.
Senti que me jogaram em um pequeno quarto, e que eu não estava sozinho. Estava amarrado em uma cama, com os braços e pernas presos com uma corda, e meus olhos ainda estavam vendados. Ainda sem ver, eu conseguia ouvir do silêncio, uma respiração lenta e profunda. Cada vez, eu conseguia ouvir com mais nitidez, como se a coisa que estava fazendo aquele ruído, se aproximasse cada vez mais de mim. Mais perto. Mais próximo. Até chegar a sussurrar no meu ouvido:
– Está pronto, garotinho? — Era uma voz masculina — Você é bem bonitinho, dá até pena fazer isso com você... Quem sabe eu poderei pegar leve.
A dor foi a única coisa que consegui definir para o que estava acontecendo comigo. Nem mesmo eu sabia. Algo me cortou no braço, senti o sangue escorrendo até meu ombro. Depois, fizeram um corte no meu estômago, de um lado a outro. Foi tão profundo que eu me senti como se fossem tirar minhas tripas para fazer linguiça.
Depois de algum tempo gritando e me contorcendo de dor, retiraram minha venda. Agora eu estava em outro lugar. Mas parecia uma jaula, com grades enferrujadas e úmida, ficava tão abarrada que eu mal podia respirar, sem pensar na escuridão. Olhei para minhas feridas, meu braço estava inchado ao redor do corte. Minha barriga estva muito pior, parecia que haviam cortado com um machado, estava muito fundo e não parecia que iria parar de sangrar. Eu tinha feridas que nem eu havia sentido a dor. Todas inflamadas.
A minha frente havia uma espécie de gaiola para pássaros. Era impressão minha ou eu vi uma sombra lá dentro? Não, era verdade, havia alguém alí, como eu, torturado e cortado. Tentei focalizar minha visão, mas estava escuro demais. Então optei para a comunicação:
– Oi?
– Ah... Novato? — Respondeu uma voz feminina — Bem-vindo à sala da tortura...
Depois de um tempo, minha visão foi se acostumando com a escuidão e logo pude ver uma menina de quase 16 anos. Ela era bonita. Tinha olhos escuros, cabelos longos e cacheados da cor de ouro. Ela estava com roupas longas e bem feitas, cheia de laços e babados. Seu rosto estava maquiado, principalmente na região dos olhos, onde a cor preta era predominante.
– Bem... Mais outro azarado dos sonhos? — Continuou ela.
– O-o que? — De imediato fiquei confuso — Azarado é meu sobrenome, mas que papo é esse de... Sonhos?
Ela sorriu de leve. Um sorriso de pena. Aquilo me deixou repulso, já estava cansado de receber as atitudes de arrogantes. Sempre que eu entrava na clínica, era recebido com um sorriso daqueles. Era irritante como as pessoas olhavam para mim e soltavam risos de solidariedade, como se eu estivesse prestes a perder minha vida. Mesmo com uma atitude tola de uma garota tola, resolvi perdoar.
– Bem... — A garota continuou — Meu nome é Yorishi... Eu serei sua guia... por enquanto.
Tentei arrancar alguma informação dela virando a cabeça para o lado, como um garoto retardado.
– Você irá entender depois. Mas agora... — A sua face ficou séria — Precisa sair daqui, rápido, pense em algo! Sei que conseguirá! Aposto em você! Lembre-se, outras pessoas já escaparam daqui...
Depois que ela disse isso, sumiu como pó rosa. Aquela foi a hora certa de fazer cara de idiota, mas incrivelmente minha previsão não havia acertado dessa vez.
Analisei a cela, não havia nada, a não ser por uma colher torta suja e um carpete de terra. Bingo! Tirei o carpete e joguei-o para o lado. Não pensei duas vezes antes de saltar dentro do finíssimo túnel escuro.
Fale com o autor