Pesadelo Real- A Rosa
4 Capítulo 3
Notas iniciais
POV Lorena
De repente, lembrei-me do que Nathaly havia me dito, ''aproveite para conhecer seus colegas de quarto’’, pensei. Quando alguém me cutucou no ombro e eu me assustei. Virei-me e vi uma garota de estatura média ao lado de um menino um pouco maior que ela. A garota tinha cabelo moreno e cacheado, que escorria como uma cachoeira negra até a cintura, seus olhos eram castanhos como avelã. Vestia uma blusa azul claro que caía nos ombros, uma calça jeans preta com rasgos e uma sapatilha azul marinho.
– Han. Com licença. Você que é a tal de Lorena, nossa nova colega de quarto? – perguntou a garota.
– Sim. – respondi – E vocês?
– Eu sou Mily Louvorei. Mas pode me chamar só de Mily. Sou do dormitório 4. – falou a garota apontando para o dormitório com paredes cor gelo E esse é Matheus Bradshaw, do 3.
Matheus tinha cabelos morenos e cacheados, ele era magro, alto e tinha olhos verdes.
– Oi. E bem vinda. – ele falou sorrindo.
– Oi. E obrigada. – sorri de volta.
– Ah! E aquele é Jay. – sussurrou Mily enquanto apontava discretamente para um garoto que estava sentado na cama do dormitório 1.
Estranho. Como eu não o vira antes?
Jay tinha cabelo castanho claro e olhos azul-esverdeados. Vestia um moletão cinza e calça jeans.
Ele estava escrevendo em um caderno de capa preta. Parecia que eu o conhecia de algum lugar. E quando pensei nisso, acabei tendo uma sensação forte dentro de mim. Não sabia o que realmente era.
Então, Jay olhou para mim, estreitou seus olhos e fez uma careta. Instantaneamente, senti minhas bochechas corarem. Se era de raiva ou vergonha, eu não sabia.
– Não liga para ele. – falou Matheus fazendo beicinho.
– Mas então, como você veio parar aqui? – perguntou Mily.
Devo admitir que relembrar isso era doloroso, mas eu deveria guardar essa mágoa para sempre e deveria estar pronta para recomeçar uma nova vida para mim, iniciando por ali mesmo. Então contei para eles, sempre levando os fatos para o lado positivo.
*****
Após eu ter terminado, me senti um pouco mais aliviada de certa forma. E digamos eu um pouco mais curiosa também.
– Mas e vocês? Quais são suas historias? – perguntei.
Mily franziu a testa e fez biquinho. Acho que falei demais... mas sua expressão logo se suavizou e ela sorriu.
– Meu passado não é uma história, são apenas ocorridos maldosos que ficam no seu coração para sempre, sem causar problemas, é claro. Mas que me obrigo a tirar da cabeça, pois aí sim não daria um bom resultado...
– Lá vamos nós mais uma vez... – resmungou Matheus.
– Shh!! Deixe-me filosofar! – retrucou Mily. – Mas continuando... Minha mãe me abandonou antes mesmo de eu completar um ano, me deixando sozinha com meu pai, que 13 anos depois se mudou para só Deus sabe onde, me deixando aqui.
– Sinto muito... – lamentei. Sua historia de vida parecia ser pior que a minha, de certa forma.
– Sente nada! – Mily ria enquanto falava. – Nem eu sinto! Nunca gostei do meu pai. Sua vez, Matt.
– Não tenho muito o que dizer do meu passado. Meus pais se mudaram para o Canadá, e me largaram aqui aos meus 10 anos. E nem se lamente, garota! – Matheus se precipitou.
E juntos, começamos a rir, até que eu, ainda segurando a barriga, pedi:
– E ele? – perguntei apontando para Jay.
– Ninguém sabe. Apenas Nathaly e Luna. Mas elas se negam a nos contar algo. – respondeu Matheus.
– Apenas sabemos que ele esta aqui há mais tempo que qualquer outro interno. Digamos que ele tinha um ano quando ele chegou, aparecendo do nada no pátio do internato cantando a mesma musica de sempre. – disse Mily.
– Musica? – perguntei.
– Ele esta quase sempre cantando a mesma musica. Bem... depois dos 10 anos passou a cantarolar a musica mas mesmo assim era a mesma. Como é mesmo a musica, Matt?
– No terceiro aniversário do sol e da lua, a rosa negra apareceu – cantou Matheus fazendo uma vozinha fina – entre a justiça e a vingança, a desigualdade virá ou alguma coisa do tipo.
De algum modo, eu reconheci aqueles versos. Mas não lembrava de onde ouvira ou o que significavam.
– Cara, o Jay não tem essa vozinha fina, não. – comentou Mily.
– Eu sei. – respondeu Matheus.
– Então por que...?
– Porque essa é a voz que eu uso para cantar.
– Hum. O.k. então.
E assim nós ficamos conversando por um longo tempo. Até que Jay levantou-se da cama e guardou o caderno onde escrevia. Ficamos observando enquanto ele se aproximava de nós e acabou esbarrando propositalmente em meu ombro, antes de sair pela porta.
– Que horas são? – perguntou Mily à Matheus, que olhou para seu relógio verde e preto em seu pulso.
– Pois é. Estamos 4 min. atrasados. – ele respondeu.
Lembrei-me que às 20 horas haveria o jantar. E foi ai que eu me toquei que Mily já estava do lado de fora do quarto, sendo seguida por Matheus.
Ela sentou-se no corrimão azul marinho da longa escada que eu sabia que viria pela frente. E logo depois, ele parou no primeiro degrau, ao lado dela. E juntos, olharam para mim, enquanto fechava a porta atrás de mim.
Quando cheguei perto o suficiente dos dois, Mily começou a deslizar pelo corrimão enquanto Matheus pulava de três em três degraus. E eu, lerda como sempre, desci um degrau de cada vez.
No fim da escada havia um corredor cinza com duas listras horizontais que se estendiam pela parede. A cada dez passos meus, uma nova porta de madeira aparecia.
E enfim, chegamos no fim do corredor, que dava em uma porta dupla de dois metros e meio.
– Chegamos – cantarolou Mily, enquanto abria a porta.
Fale com o autor