Pesadelo | Amor Imortal 01
24 Capítulo 25
Notas iniciais
Maximus estava sentado na cadeira do seu escritório, ele havia permitido que todos os seus escudos caíssem naquele momento para se desconectar de tudo o que acontecia lá fora e dar paz para a sua mente. No entanto, a forma que ele encontrou para esquecer seus problemas foi pensar na única pessoa que estava fazendo seu reinado cair por causa das duvidas que trouxe com a sua chegada.
Sua mente era um tormento puro sobre a decisão que havia tomado mais cedo em quanto caminhava pelo castelo e percebeu a presença de Ellylan o seguindo cautelosamente como um pequeno bichinho de estimação que não desejava ficar sozinho. Ela havia tentado bravamente ser discreta em quanto fazia isso após o arcanjo tê-la deixado em seu novo quarto, mas falhou antes mesmo de começar desde que Maximus podia sentir as vibrações de sua alma toda agitada.
— O que está fazendo?— Ele perguntou ao se virar na direção dela, a deixando surpresa por ele tê-la descobrido tão rapidamente.
Ellylan havia congelado no lugar que estava, mas depois de alguns segundos sua primeira reação foi usar uma de suas mãos para colocar seus cabelos tão negros atrás de sua orelha, um sinal claro de que ela não sabia o que dizer. O arcanjo arqueou uma de suas sobrancelhas, a intimidando para falar.
— Eu não quero ficar sozinha naquele quarto.— Ellylan sussurrou, desviando seus olhos para todos os lugares que estava logo atrás do anjo para não demonstrar sua fraqueza, seu medo.
— Seu quarto agora é o mais próximo que existe do meu,— O anjo disse friamente, um tom que era automatico dele quando falava sério, quando sua mente construia planos e não algo intencional.— Não há mais riscos.—
— E você não pode dormir em um quarto ao lado do meu?— Ellylan perguntou de forma mal humorada, provavelmente por causa de seu tom.
— Não.— O anjo decidiu provocá-la.— Então supere isso.—
Maximus deu suas costas para Ellylan e passou a caminhar novamente, Elly continuou o seguindo, menos cautelosa dessa vez já que ela sabia que o arcanjo estava ciente de sua presença.
— E pare de me seguir.— Ele voltou a falar depois de um tempo em silencio.
— Não.— Ellylan o respondeu de forma mais mal humorada ainda.— Supere isso.—
Maximus sorriu para o caminho em sua frente e então parou sem ter mais nenhuma outra opção do que fazer, pois essa humana o perseguiria para qualquer lugar que estivesse indo até ter o que desejava. Ele se virou novamente para ela até encontrar aqueles olhos azuis que haviam pequenas pintinhas negras que manchavam aquela cor tão linda.
— Eu não estou deixando meu quarto por causa de uma humana.— Ele disse sarcasticamente, mudando seu tom na palavra “humana” apenas para provocá-la.
Em resposta, Ellylan apenas deu de ombros ao mesmo tempo que tentava esconder toda a sua ira por ter sido chamada de humana de maneira tão amtipática.
— Bem, então eu a colocarei para dormir no quarto dos meus tenentes.— Maximus falou.— E imagino que você se sentirá mais confortável junto com Gate e Patrick.—
— Não!— Ela se desesperou.
— Supere isso, Elly.— Maximus não pode deixar de sorrir dessa vez quando imitou o movimento de dar de ombros dela e quando estava prestes a se virar, ela o segurou. Seus dedos pequenos e frios agarraram a ponta de uma de suas asas e quando ela percebeu o que fez, Ellylan deixou de usar tanta força para segurá-lo, mas não o soltou.
Dessa vez, o arcanjo do inferno não ousou brincar com essa humana tão aterrorizada devido ao que viu na noite passada, quando seus olhos se encontraram novamente com os dela, Maximus viu que era hora de acabar com as provocações. Então, ele levou uma de suas mãos até o topo da cabeça de Ellylan e bagunçou seus cabelos lisos e macios após tocá-los.
— Você irá dormir próxima de mim.— Ele disse seriamente.— Muito próxima.——
— Espere...— Ellylan falou depois de soltá-lo, mas Maximus não lhe deu atenção novamente. O arcanjo caminhou e aproveitou o momento que ela estava paralisada para não correr o risco de ser seguido novamente.— Por que você ressaltou essas palavras?—
A mente de Maximus voltou para o presente no momento que o som de alguém batendo em sua porta surgiu, a pessoa do lado de fora nem ao menos esperou pela ordem que o permitiria entrar, apenas entrou sem pensar nas consequencias. Considerando que Ellylan entrava sem bater, só poderia ser Patrick que demonstrou um pouco de respeito ao seu lider quando anunciou sua entrada.
O arcanjo encontrou os olhos de seu tenente no momento que ele entrou, a cor dos olhos de seu amigo eram um misterio que até hoje Maximus não teve a chance de decifrar para compreender o motivo de serem tão diferentes, tão cheios de segredos que apenas o anjo e Morgan possuíam acesso da verdade.
— Pela sua cara, imagino que esteja pensando em Ellylan.— Patrick sorriu radiantemente, sendo ele outro seguidor avido de Diane.
— Você deveria parar de ouvir as conversas de minha irmã,— O anjo falou, se encostando em sua cadeira.— Ela não sabe o que diz quando fala que estou me apaixonando.—
— Claro.— O tenente concordou falsamente.— O motivo de tratá-la como uma princesa é por desejar acessar as memórias dela o mais rápido possível.—
— Essa é a intenção.— Maximus murmurio, se afundando ainda mais em sua cadeira por causa do aparente mau humor que estava o consumindo por causa de Patrick e suas brincadeiras.
— Meu amigo, não se esqueça que ela já confia em você com corpo e alma.— Ele disse.— Esse plano já falhou antes mesmo de começar.—
— Mas...—
— E você sabe disso.— Patrick adicionou ao cortar o arcanjo do inferno.— Não use desculpas.—
— Tudo bem.— Maximus suspirou, admitindo sua falha.— Eu não consigo tratá-la de outra maneira a não ser essa... Apenas parece errado considerar Ellylan nada além do que especial.—
Outro sorriso rediante apareceu no rosto de seu amigo, mas Maximus decidiu cortar essa alegria antes que chegasse nos ouvidos de Diane a conversa que eles estavam tendo.
— Mas eu não estou apaixonado por ela.— Ele deixou aquilo claro.— Ellylan, para mim, é como um cristal que se partirá na próxima queda, algo para ser cuidado e protegido de todo o mal.—
— Isso é melhor do que nada.— Patrick deu de ombros.— Mas ela pode facilmente quebrar ao saber que você não pode se apaixonar por ela algum dia.—
— Então vamos deixar que Ellylan se iluda com isso.— Maximus falou friamente, apesar de não gostar da ideia.— Ela se esquecerá dessa paixão por mim no momento em que voltar para o seu mundo.—
— Suas soluções são muito cruéis aos sentimentos dela, ainda mais quando pode sentir todas as vibrações da alma de Ellylan quando o assunto é você.—
— Ela é humana, Patrick.— Maximus disse, desviando seus olhos para um ponto fixo atrás de seu tenente.— Não uma angelical, um anjo ou imortal. Apenas humana... É melhor para ambos que a realidade esteja bem exposta.—
— Você tem razão.— O tenente falou de maneira pensativa.— Mesmo que seja surpreendente que uma simples humana tenha consiguido sua atenção, em algum momento ela irá partir.—
Maximus sorriu e olhou para o seu tenente, para seu amigo que chegou nesse posto por causa de sua ousadia. — Ellylan está longe de se encaixar nos termos de uma simples humana.—
— De qualquer maneira,— Patrick se tornou sério novamente ao mudar de asssunto.— Você já possui outro plano para acessar as memorias dela?—
— Não.— Maximus disse sem nenhuma emoção.— Agora meu único foco é o baile de Diane e encontrar quem ousou matar dentro do meu castelo. Quando tudo isso se resolver, pensarei em outra forma para ajudar Ellylan.—
O arcanjo empurrou sua cadeira para trás até que tivesse espaço o suficiente para que ele se levantasse. Sua intenção era a de sair para sua varanda e voar sobre o oceano até que uma certa convidada chegasse em seu reino, mas antes que isso se realizasse, ele viu a escuridão que atormentava os olhos verde água de seu tenente.
— Você está bem?— Maximus perguntou como um amigo, sua postura de líder deixada de lado para cumprir o seu papel.
— Apenas tentando me acostumar com todo o impacto de ter estado em um lugar publico.—
Maximus o encarou.— Eu sabia que era um erro permiti-lo acompanhar Ellylan e Diane.—
— Mas você mesmo disse que não era a melhor opção ficar sempre se escondendo atrás dos muros do castelo, Max.— Patrick adicionou e com razão.
Já faziam mais de 100 anos que Patrick e seu pai haviam se tornado demonios e se juntado a Maximus para fazerem parte de seus soldados e, ainda assim, a capacidade que Patrick adquiriu, em sua transformação de um corpo sem alma, de poder ver um ato que alguém mais se arrepende continua sendo um mistério. E tudo piorava quando esse estranho poder invadia a privacidade de até mesmos outros anjos.
Patrick era um demonio e ele deveria estar a baixo de todos anjos e angelicais, mas essa capacidade de ver aquilo que não deveria, de cavar uma mente para encontrar um segredo sombrio, o deixava a cima de muitos. E esse era o motivo dele ser um segredo guardado no inferno.
Morgan disse que os olhos de seu filho sempre foram verdes, mas após a alma dele ter sido arrancada para ficar sobre a proteção dos arcanjos, a cor havia se tornado naquele verde água meio brilhante. Até hoje ninguém questionou o motivo de seus olhos serem tão diferentes, pois a cor hipnotizava qualquer um a ponto de considerar aquilo bonito ao invés de anormal.
Quando Patrick saia para lugares publicos, com pessoas que nunca viu ou que não era acostumado, sua mente se tornava uma perturbação constante desde que ele perdia o controle de seu poder e passava a ver todos os arrependimentos daqueles que encontravam o seu olhar. Maximus já havia falado diversas vezes que essa era a melhor maneira para encontrar uma forma de bloquear essas vissões e se não houvesse nenhum botão que acabasse com essa tortura, Patrick se acostumaria. No entanto, seu tenente optou por ficar fechado em seu castelo, deixando claro para Maximus e Morgan que esse poder apenas lhe trazia a tortura dos pesadelos.
Então o arcanjo decidiu que era correto fazer da maneira de Patrick, ele permitiu que seu amigo se escondesse e escondeu o segredo dele até mesmo de seus irmãos. Katherine já havia sofrido demais para que Maximus permitisse que isso acontecesse com outra pessoa que ele considerava como alguém muito importante.
— Se mantenha recluso até que sua mente se acalmente.— Aquilo foi uma ordem de um arcanjo que havia sido criado para liderar o inferno.
Patrick movimentou sua boca para dizer suas próximas palavras, mas uma batida na porta interrompeu suas reclamações antes mesmo de começar. Um bater tão suave que mesmo que Maximus não pudesse sentir as vibrações daquela alma tão alegre, tão solitária, ele ainda saberia que era Niffie que estava do lado de fora do seu escritório.
A porta foi aberta antes mesmo que Maximus tivesse a chance de dizer que ela podia entrar, o que o fez pensar que todas as pessoas em seu castelo estavam precisando de uma reeducação para acabar com esses maus habitos.
— Olá, Max!— A cabeça dela apareceu em um vão da porta, seus cabelos negros caidos em uma cascata para o lado que seu pescoço estava inclinado.— Psso entrar?—
— Entre.— Ele resmungou.— Não é como se uma resposta diferente dessa fosse mudar suas ações.—
Niffie sorriu alegremente e entrou no comodo como se estivesse em sua própria casa. Ela encontrou os olhos de Patrick primeiramente antes de dizer qualquer outra palavra para o arcanjo que estava em frente do soldado.
— Patrick.— Ela movimentou sua cabeça em um sinal de respeito, mas no momento que o tenente sorriu, eles se abraçaram como se fossem melhores amigos. Maximus revirou seus olhos por causa da alegria desnecessaria dos dois. Faziam apenas alguns dias que eles haviam se visto para agirem dessa forma.
— Vocês podem parar com isso agora.— Maximus falou, encarando seus amigos como se fossem aberrações.
— Oh, Maximus, você sabe que eu estava esperando Niffie aparecer apenas para persuadi-la a desistir de seu casamento.— Patrick brincou.— Não estrague o momento.——
— E não fique todo mal humorado.— Niffie adicionou, se torcendo nos braços de Patrick para encontrar o olhar do arcanjo.— Para uma pessoa apaixonada, você já deveria ter deixado de ser tão amargo, Max.—
O anjo arqueou sua sobrancelha e encarou Patrick de uma maneira ameaçadora. Seu tenente apenas deu de ombros ao mesmo tempo que fazia uma careta.— Não me olhe assim, isso é culpa de Diane.—
— Na verdade, isso é culpa sua, Maxxie.— Niffie defendeu Diane.— Você não consegue ser discreto sobre seus sentimentos.—
Maximus encarou Niffie e Patrick em silencio em quanto eles riam, o que o deixou com ainda mais raiva.
— Você,— Agora, a paciencia do arcanjo tinha acabado. Ele caminhou até Patrick e o agarrou em seus ombros para empurrá-lo até a saída daquele comodo, antes que seu mal humor aumentasse e a próxima a se retirar da sala fosse Niffie.— Vá arrumar o que fazer.—
— Hey!— Patrick protestou, mas Maximus bateu a porta na cara dele antes que outro protesto se manifestasse.
— E você,— Ele fuzilou Niffie.— Não me chame de Maxxie e não acredite no que as pessoas dizem.—
— Tudo bem.— Niffie suspirou ironicamente.— Mas ainda assim eu estou aqui à seu pedido por causa de Ellylan.—
— É um favor.— Maximus decidiu lembrá-la.— Não um treinamento para um pedido de casamento.—
— Se é o que você diz...— Niffie deu de ombros e logo em seguida caminhou até sua mesa para se sentar na cadeira que Maximus estava antes de se levantar. Ela pegou uma caneta e um papel em branco que ali estavam e os aproximou dela. Maximus encarou cada movimento de Niffie com cautela e não disse nenhuma palavra sobre sua ousadia.— Um vestido para Ellylan...— Ela murmurio pensativa.
— Crie algo único para mim, Niffie.— Maximus sorriu.— Único igual à Ellylan.—
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