Ansiava pela presença dele. Por seu músculo potente entrando e saindo da minha cavidade. Quente e molhada.

Sempre que podíamos, íamos ao motel saciar com vigorosidade nossos desejos.

No entanto, com nossa intimidade crescendo, começou a pedir coisas que eu não estava pronta e nem sabia se um dia estaria. Enviava uns vídeos bizarros para o meu e-mail.

Inacreditável como na mesma época Petyr voltou para minha vida. E a marcar presença. Trabalhar no mesmo turno que eu. Havia conseguido a promoção que tanto almejava. Supervisor. Agora ele era o meu chefe.

Eu não me abalei. A ferida havia se curado. Apaixonada por Tyrion. Apesar de incerta. Além das esquisitices, brigávamos muito por causa da implicância da mãe dele.

Petyr "dava em cima" de mim direto. Chegava mais cedo. Esperava por mim. Almoçava no meu horário de lanche. Tirava o descanso na hora de eu ir embora para me acompanhar até a porta do edifício. Tratava-o como chefe.

Então, me chamou na sala de reuniões. Sabia que não era para discutir sobre trabalho. Mas utilizou-se desse artifício. Aproveitou-se do meu resultado na monitoria. Ao terminar o discurso, levantei para retornar a "vaia". Disse que gostaria de conversar sobre outra coisa. Sentei-me novamente.

Pegou na minha mão. Sem graça, soltei. Discorreu o quanto sentia minha falta. Que cometeu um erro ao terminar comigo. Com a Lysa ele tinha sexo, mas não o prazer e o desejo de quando "brincávamos".

Respondi-lhe que o que aconteceu entre nós ficou no passado. Ali não era o lugar para tratarmos desse tipo de assunto. Aliás, não havia lugar para revivermos nosso relacionamento. Respeitei o namoro dele. Pedi que respeitasse o meu.

Nos dias que sucederam, ficou tranquilo. Apenas me acompanhava no intervalo. Perguntou se podíamos ser amigos. Conversávamos sobre qualquer assunto que não envolvesse Petyr — eu — Tyrion.

Um ano de namoro com Tyrion. Conseguiu folgar no dia. Programou de me buscar no final do meu expediente às 14h. Curtiríamos a dois num lugar aconchegante. Depois, jantar romântico.

Dei um toque para o celular do meu amor. Como ele não atendeu, imaginei que estivesse dirigindo. Fiquei aguardando na porta do prédio. De repente senti alguém puxando meu braço. Um beijo selou meus lábios. Depois só vi flores espalhadas. Meu ex e meu atual rolando no chão.

Gritava pedindo para pararem. Estava nervosa. Puxei o Tyrion pelo braço. Petyr foi pra cima para golpeá-lo. Me coloquei na frente. Quase me acertou.

"Você não tem esse direito." esbravejei

"Mas ele começou..."

"Não, você começou." revidou Tyrion ameaçando um soco

"Petyr, você começou. Por que fez aquilo?"

"Eu já não aguentava mais me contentar apenas em conversar com você..."

"Sansa, quem é esse palhaço?"

"Meu chefe..."

"O ex dela..."

Respondemos ao mesmo tempo.

"Seu chefe ou seu ex?"

"Ambos." Petyr e eu em sincronia

Mandei o Petyr calar a boca e voltar para o setor. Como estava irritada. Ainda tentou bancar o durão, mas acabou subindo.

Tyrion ficou desolado. Disse que eu havia mentido pra ele. Brigamos. Fomos até o carro discutindo. Rebati dizendo que não menti.

"Quando você me questionou sobre meu ex, eu falei que não gostava de comentar sobre relacionamentos passados. Isso gera ciúmes e brigas."

"Mas ele trabalhar com você é diferente..."

"Não é, não. É pior. Você ficaria desconfiado. E ele voltou para o meu turno há pouco tempo. Quando nosso relacionamento acabou, ele trocou de turno para não ter que me encarar. E agora que ele terminou com a garota da noite, voltou para o dia. Além da promoção..."

"Está sabendo muito da vida desse cara. Soube disso nas conversas que andam tendo?"

"Olha só, a gente só conversa durante o horário do meu lanche que coincide com o almoço dele. E nunca estamos sozinhos. Cumpro meus 15 minutos apenas. Não dá chamar necessariamente de conversa. Por favor, não vamos permitir que este incidente estrague nosso dia. Queria tanto curtir com você. Gosto tanto de você. Sabe que sou loucamente apaixonada por você."

Mentira. Eu sabia que ele almoçava no mesmo intervalo que eu para poder ter um tempo comigo. Sempre sentava ao meu lado. Conversava só comigo.

"Gosta? Apaixonada? Um ano e isso é tudo o que sente por mim? Por que? Você ama essa cara? Ele sabia que você tem namorado?"

"Claro que sabia. E óbvio que não amo. Amor pra mim é maior que o tempo. Maior que tudo. Quero ter certeza desse sentimento..."

Nada adiantava. Quanto mais eu tentava me explicar, mais enfurecido e cego ele ficava.

"Quer dizer que não tem certeza do que sente por mim? E como ele sabia que você tem namorado se a conversa integra outras pessoas?"

Cansei. O aniversário de um ano de namoro havia sido um fiasco. Tyrion não estava afim de superar da situação. Que raiva do Petyr!

"Tyrion, eu vou embora. Está impossível argumentar com você. Vou pegar um ônibus, descer na Central e voltar de trem."

Ele ficou vermelho.

"Você quer voltar pra ele, né?"

Chorei. Não aguentei mais segurar. Chorava copiosamente.

Foi então que ele aquietou-se. Ficou me olhando enquanto eu me desmanchava. Não tinha forças para falar. Só chorava.

Tentou me abraçar e eu saí fora.

Quando eu finalmente consegui conter minhas lágrimas, em meio aos soluços retruquei.

"Me leva pra casa, por favor?"

Não nos dirigimos a palavra em nenhum momento durante o trajeto e nos dias que se seguiram.

Dois dias sem aparecer no trabalho. Liguei informando que não estava me sentindo bem. Precisava refletir. Cortei contato com todos nesses dois dias. Meus pais ficaram preocupados.

Pensava em sair do emprego. Justo agora que pretendia ingressar na faculdade. Não queria olhar para o Petyr. Sentia vergonha. Imaginava meus colegas cochichando contra mim.

Tinha que definir minha vida. Não podia continuar parada. Então fui trabalhar.

Soube que Petyr havia sido suspenso no restante do fatídico dia e no posterior.

A coordenação me chamou. Por pouco não fui dispensada.

À noite fui à casa do Tyrion. Dona Joanna me atendeu. Disse que ele não estava e que nem retornaria.

Tentei ligar pra ele. Não consegui. Não me atendia. Nem retornou.