Foram quatro anos sem nenhum tipo de relacionamento amoroso. Foquei nos estudos e na igreja.

Concluí o Ensino Médio. Cursei Práticas em Telemarketing. Ao completar 18 anos, corri atrás do meu primeiro emprego.

No início de 2004, fui aprovada no processo de Recrutamento e Seleção de uma empresa que terceiriza o serviço de telemarketing para trabalhar no SAC de uma empresa de telefonia.

Foi empolgante receber meu primeiro salário. Não era muito, só o suficiente para uma garota de 18 anos. Gastava com roupas, sapatos, cabelo, unha, bijuterias, saía com os amigos. Mas, claro, contribuía com as despesas de casa. Valor simbólico. Às vezes questiono como conseguia distribuir meu dinheiro. Naquela época não ficava endividada.

E nesse emprego conheci Petyr. A atração foi instantânea e o namoro rápido. Ele estava com 24 anos e já estava na empresa há um ano. Almejava o cargo de supervisão. Saímos umas três vezes e fiquei "caidinha". Queria me namorar. Teria que pedir permissão aos meus pais. Hesitou por um tempo, por fim concordou.

Papai não ficou nem um pouco satisfeito. Por premeditar sua reação, conversei com ele antes do Petyr conhecê-lo. Quem mais me ajudou foi minha mãe. Argumentou que eu já era adulta. Precisava confiar no meu julgamento. Retrucou que ele me pressionou tanto para ficar com Joffrey a ponto de eu desistir do garoto. Apelou dizendo que eu iria namorar escondido. Que poderia fazer coisa "errada". Que poderia engravidar. Enfim, convenceu-o a conceder sua permissão e ser agradável com o pretendente.

Eu estava determinada a levar esse namoro com bases cristãs.

Foi difícil. No começo, os beijos e carinhos eram controlados. Com o tempo, a intimidade e o desejo aumentava. Tudo era intenso. A paixão aflorava o cheiro, o toque, o sabor, o calor.

Só podíamos ficar no meu quarto de porta aberta. O quintal virou nosso playground. Fazíamos "sala". Conversávamos. Assistíamos a um filme. Finalmente, corríamos para o nosso aliado. Conhecia os pontos estratégicos.

A gente brincava. Nada comparado ao que já havia feito. Com ele eu só usava calça para dificultar a diversão. Não chegar ao extremo. Ele acreditava que, além de ser meu primeiro namorado, eu era virtuosa e não entendia muito sem ser beijo na boca.

Rolava beijo quente de língua. Espalhava-se pelo pescoço. Mordidas e lambidas. Lóbulo da orelha. Aproveitava-se de quando eu apostava numa blusa decotada. Intentou diversas vezes mamar nos meus seios. Ai! Como eu queria! Mas não deixava. Acariciava com as mãos. Aliciava meu bumbum. Coxas. Agarrava com força. Sobre a roupa. Encostava -me na parede. De costas para ele. Pedia pra rebolar no pinto dele. Ou me botava contra o muro. Durante as carícias simulava o ato sexual.

Insistiu. Persistiu. Não permitia ir além disso. Por isso, depois de um pouco mais de quatro meses de namoro, desistiu.

Arrasada. Palavra que me descrevia naquele momento. Piorou quando ele trocou de horário no trabalho. Alegou ser difícil olhar pra mim. Lembrava de nossos bons momentos. Penoso tirá-lo dos pensamentos. Um mês após o término, descobri que ele estava com outra menina. Partiu meu coração em mil pedaços.

E na "fossa" conheci Tyrion. Na estação de trem em Bento Ribeiro. Há tempos que me notava. Não teve coragem de me dirigir a palavra. Naquele dia específico, sentiu o impulso em conhecer-me melhor. Elogiou-me. Sentou-se ao meu lado.

"Com licença!"

Observei e acenei com a cabeça. Sorriso sem-graça.

"Bom dia! Prazer, meu nome é Tyrion."

Querendo ser educada, respondi.

"Bom dia! Sou Sansa."

"Sansa, não pude deixar de reparar em você, especialmente hoje. Você está linda."

Também era um "gato". Loiro. Olhos verdes. Pouco mais alto do que eu. Porte atlético sem exagero. Corte militar. Farda.

"Nos conhecemos?"

"Oh, não! Não. Vi você algumas vezes esperando o trem. Acreditava que nunca iria ousar conversar com você. Enfim, hoje aconteceu. Está simplesmente maravilhosa. Não pude resistir."

Franzi a testa.

"Não pense isso. É sempre linda. Por algum motivo, hoje te achei encantadora. Creio que pra parar de perder tempo e vir me apresentar a você."

"E porque resistiu por tanto tempo?"

"Receio. De me rejeitar. De ter namorado."

Enruguei o queixo.

"Meu trem está vindo. Como sempre nos encontramos por aqui, podemos 'bater papo' novamente."

Fiquei radiante o dia inteiro. Ansiosa pelo dia seguinte. Arya, amiga do trabalho, questionou se Petyr havia dado notícias.

"Quem?"

"Nossa, já esqueceu? Parece tão feliz. Diferente dos últimos três meses..."

Ri. Contei que um rapaz havia dito o quanto eu era linda, maravilhosa e encantadora. Que nos veríamos no dia seguinte.

"Que bom, espero que você esqueça aquele traste."

E ele se aproximou. Todos os dias. Nos conhecendo.

Dois anos mais velho que eu. Cabo do exército. Vila Militar. Regimento de Cavalaria. Almejava a carreira militar. Morava há cinco anos em Bento Ribeiro. Mudou-se para o Rio com a mãe após o divórcio dos pais. Mato Grossense. Cuiabá.

Com um mês de paquera. Pediu o número o do meu telefone. Ligava sempre. Enviava SMS. O assunto nunca acabava.

Certo dia, comentei que gostava de flores. Especialmente, rosas. Presenteou-me com uma rosa vermelha colhida no jardim da mãe dele. Escolheu a mais bonita. Convidou-me para sair. Combinamos para o próximo final de semana.

Pelo que passei com Petyr, fiquei com receio de levar o Tyrion para casa. Saíamos nas folgas dele. Não demorou muito para questionar porque ainda não havia solicitado que me acompanhasse até em casa.

"Pensei que acharia ser cedo. Podemos ir hoje. Se quiser." sorriso de orelha a orelha

Sem surpresa nenhuma papai não gostar dele também. Tratou-o bem por causa da minha mãe e de mim.

Engatamos o namoro.

Sarra-sarra bobo como era com Petyr. A diferença era que me respeitava por saber a minha religião. Isso me atiçava. Saber que iria até onde eu permitisse, me encorajava a ceder mais.

Portanto, das mãos passou para língua. E esquentando. O aliado fiel. Quintal. Comecei a chupar o pau dele. Brincava com meus seios.

Após sete meses, chamou-me para divertir-nos em um lugar reservado. Hesitei. Não compreendia o "lugar reservado". Garantiu-me que não extrapolaria meus limites. Falei que refletiria a respeito. Para mim significaria um "passo" a mais na relação.

"Claro, só se você quiser."

Lindo. Gentil. Maravilhoso. Como eu era apaixonada por ele. E o desejo imenso que sentia por ele. Por me conhecer. Sabia que se fosse ao motel perderia a virgindade. Porque eu queria isso com ele.