Perversão

22 Capítulo 22


“Eu não fui totalmente honesta. Na verdade, quando você disse que ninguém quis assumir eu deveria ter intervindo. Tyrion tem estado presente no acompanhamento da gestação.”

Sua expressão muda. De apenas um ouvinte para um ouvinte decepcionado.

“Você contou a ele e o tem permitido acompanhar? Vocês tem se visto regularmente? Ao menos tem certeza de que ele é o pai? Por que não me contou antes também para que eu pudesse estar ao seu lado?”

“Como eu havia lhe dito, eu não queria este fardo pra você. Você é tão jovem. A grande probabilidade é que seja seu ou dele. E ele era meu namorado quando começamos nossa relação. Ele ainda é meu namorado. Além do mais, ele já tem uma carreira. Teve tempo para curtir a juventude. Eu queria esperar nascer, para fazer o exame do DNA. Se desse negativo pra ele, eu falaria com você. Eu só não queria...” soluço, as lágrimas brotando aos olhos conforme ele se afasta de mim “ eu só não queria que você se responsabilizasse sem ser o pai. Que você tivesse a oportunidade que ele e eu tivemos de vivermos nossa juventude.”

“Deveria ter me dado a opção de escolha. Eu sou adulto. Posso tomar minhas decisões. Não tem o direito de definir minha vida. Talvez o meu jeito de viver minha juventude seja diferente da experiência de vocês dois.”

Outro tapa sem mão. Já não tenho palavras. E as lágrimas escorrem pelo meu rosto.

“Não deve se emocionar desse jeito. Pode fazer mal ao bebê. Venha. Estou chateado, contudo mais preocupado com seu recente estado.”

Abraça-me. Acalenta-me. Outra surpreendente reação.

“Espero que agora você me permita participar. Ainda mais que tenho 50% de chance de ser o pai da filha da mulher mais linda do mundo.” sorri

“25%.”

“O que?”

“25%. Essa é a chance que você e o Tyrion dividem. Os demais 50% são repartidos entre os outros parceiros que tive nessa mesma época.”

“E quantos seriam esse restante?”

“Você não iria querer saber... é improvável, pois sempre fiz questão da proteção. Apenas vocês dois tinham privilégios.”

“Seu namorado tem dormido com você?”

“Não, não. Já fazia um tempo que não sabia o que era sexo. Parei com a minha vida depravada. E ele não quer ficar comigo desse jeito.” sorrio sem graça apontando para a barriga

Acha graça. Cessa as perguntas. Deitamos novamente. Sente o chute da bebê. Sorrimos. Conversamos sobre ela. Mostro-lhe a ultrassonografia. Adormecemos.

Revezo entre ambos para me acompanhar aos exames e consultas. O oficial não fica muito feliz. Não lhe dou escolha. Ele não quer, porém relembro-lhe que o G. também pode ser o pai e que tem todo o direito de estar ao meu lado também. Ambos me presenteiam com acessórios para o quarto. Roupinhas. Necessidades de recém-nascidos. Às vezes creio que competem entre si. Meu romance também sugere nome para ela: Nycolle. Agrada-me.

Os papéis se invertem. O segundo lugar se torna o primeiro. Tyrion permanece preso às suas depravações. Desempenha sua responsabilidade de pai. Mas se afasta como namorado. Com isso, Gendry ganha espaço. Passa mais tempo comigo. Tornamo-nos exclusivos. Instiga sensação de segurança.

Mesmo apaixonada por Gendry e gostar do rumo que nossa história está desenvolvendo, sinto estranheza na mudança. Às vezes meu consciente pesa. Como alguém pode amar duas pessoas? Aquele quem eu sempre acreditei ser o amor da minha vida. Temos um passado muito latente. E no entanto será tudo o que teremos se a nenê não for sua. Confesso que já me conformei com essa situação. O carinho que sentimos um pelo outro já não inclui romantismo, transformara-se numa singela amizade.

Sinto dores no ventre. Encontro-me na 42ª semana de gravidez. Contrações. Envio mensagem para o G.. O outro está de plantão.

Ligeiro. As bolsas da maternidade estão prontas há 3 semanas. Pega as chaves do meu carro. Graças a Deus que conseguiu habilitação para estar pronto neste momento. Corre para a maternidade em Bangu. A bolsa estoura no meio do caminho. Peço que entre em contato com a minha mãe. E com o Tyrion.

Eles estão sendo civilizados por mim e pela criança. Ambos anseiam ser o pai. Combinaram de estar presentes no parto. Há algum tempo que não discutem sobre o DNA. Terei que impor. Estranho esse momento ter chegado tão depressa. Angustiante.

Afasto os pensamentos. Agora é hora de focar na minha filha. O médico diz que preciso aguardar a dilatação. Pouca diferença. Não precisarei esperar tanto.

Mamãe chega logo depois. T. informa que está tentando conseguir liberação do trabalho. Gendry permanece ao meu lado. Segura minha mão. Faz carinho nos meus cabelos. Há um misto de felicidade e preocupação em sua expressão.

Uma hora se passou. Ainda estou à espera. A enfermeira mede a dilatação novamente. Comunica ao médico que já está no ideal. Tyrion chega no momento em que me levam para a sala de parto.

O momento mais emocionante da minha vida. O primeiro chorinho da minha filha. E tal como clichê, ela silencia-se tão logo a colocam no meu colo.

Minha mãe e os homens da minha vida adentram o quarto. Ela roda de colo em colo. Emocionados. Empolgados. Palavras somem num momento como esse. Após a mamada, mamãe a deita no bercinho. Dorme como um anjinho. Um soninho inocente. Puro.

O médico conversa brevemente. Diz que em dois dias poderei ter alta. O parto correu bem. Ela estava bem. Chama-os para o exame. Colhe amostra de sangue dos possíveis pais. O DNA dela será retirado da placenta. Trinta dias de espera do resultado. Até lá registrarei apenas em meu nome. Foi outra briga entre Tyrion e Gendry. Ambos queriam registrar previamente. Cada um tinha o seu argumento. Botei um ponto final ao determinar que ela teria apenas a mãe na certidão enquanto não se determinasse a paternidade. Com muita relutância, concordamos os três com o nome de nossa pequena: Nohemya.

Em casa, recebemos visitas. Arya e Rickon. Amigos do grupo. Daario. Margaery e Tommen. Myrcella. Robb. Meu pai cede e se permite conhecer a neta. Não aceitou o modo de concepção. Isso porque não imagina a realidade. Minha esperança é de que ela seja de um dos meus dois amores. Vovô coruja.

Um mês viram dois. Três. Ninguém se prontifica de saber o resultado. Eles não fazem questão. Certamente minha princesinha também não fará. Acredito que seja pelo mesmo motivo que o meu. Aquele que não for o pai, sairá perdendo. Meus sentimentos não permitem que eu esclareça essa dúvida. Ela ama aos dois. Já os reconhece. Pais babões. A devoção de ambos com ela complica ainda mais tomar essa decisão. Aprenderam a compartilhar seu amor sem competir. Quer dizer, às vezes acontece. Porém respeitam os limites do outro. Conseguem estar no mesmo espaço sem confrontos. Minhas duas grandes paixões uniram-se em prol do bem-estar da nenê.

Aos poucos, meu atual namorado muda-se para minha casa. A desculpa é ajudar com a filha. Os pais dele não apoiam. A decisão é dele. E minha. Um paizão pra Nohemya.

Tyrion gosta de mimá-la. Presença constante. Também ajuda bastante com a filha.

A pressão de meus pais sucumbe à curiosidade. E numa tarde em que me encontro sozinha. Minha bebê adormecida. Checo o resultado online. Estremeço. Olho novamente. Não consigo acreditar. Imprimo. Repenso em como entregar-lhes. É um direito do qual abrem mão. Pelo mesmo motivo que eu, até hoje. O temor do negativo. A emoção que sucederá ao conhecimento. A atitude.

Preparo-lhes um jantar. Convido Tyrion para juntar-se a nós naquela noite. Arrumo a mesa. Cuidadosamente enrolo ambos os papéis. Estrategicamente ponho ao lado do prato. E espero.

Gendry é o primeiro a chegar. Elogia a mesa posta. Agradeço-lhe com um beijo. Aviso que aguardaremos o outro componente desse triângulo. Assistimos a um filme. Boto Nohemya para dormir. Essa será outra noite decisiva. Para nós duas. Saberemos quem nos ama de verdade.

Ressoa a campainha. Recebo-lhe com um abraço apertado. Direciono-os a copa. Servem-se do jantar. Entre risadas, vídeos e fotos, começo a falar.

“O motivo de eu ter feito esta noite especial é porque eu verifiquei o resultado.” protestos “Eu sei, que vocês dois se consideram pais de Nohemya. Acredito que ela é uma garotinha muito sortuda por ter dois pais que se importam. Sei que vocês temem se magoar com a resposta. E eu também. Mas precisamos pensar além disso. Protelamos. A hora é agora. Há dias que a dúvida me atormenta. Precisava de um ponto final. Coloquei a resposta ao lado de seus pratos. Quando sentirem-se à vontade, leiam. Peço que o façam aqui. Hoje. Nesta mesa. Que não deixemos amanhecer sem que nós três saibamos a verdade.”

Concordam.

“É melhor que façamos isso juntos.” apoia meu atual namorado

“Bem, eu não aguentava mais a tortura. Apesar de amá-la de todo meu coração.” completa meu ex-amante

Entreolham-se. Apossam-se do papel que determinaria o rumo de nossas vidas daquele ponto em diante. Chocados. Trocam. A mesma reação.

“Sansa, eu não acredito.” desabafa Tyrion