Perversão

12 Capítulo 12


Havia seis meses que não me procurava como mulher.

Entreguei nosso nome para oração. Jejuei. Pedi conselhos ao pastor. O fim lastimável chegou. Encontraram-no aos beijos em uma das salas de reunião com a filha do pastor, Myranda. Escândalo. Abafaram.

Ramsay pediu o divórcio. Consenti. Cinco anos da minha vida jogados fora. Três de casamento. Larguei a igreja. Retornei à casa de meus pais.

Myranda engravidou. Casaram-se às pressas. O sonho dele se realizou.

Arrasada não descrevia nem metade da situação em que me encontrava. Continuei seguindo em frente. Prestei concurso para professora universitária. Passei para a Estadual do Rio de Janeiro.

Ainda frequentando a hidroginástica eventualmente. Gendry sempre conversava comigo. Papo normal.

Certa vez, ele indagou sobre meu marido. Que não estava mais vendo ele me levar. Corrigi-o. Contei que não estávamos mais casados. Nada além disso. Expliquei que nem sempre casamentos dão certo por muito tempo devido a insistência da curiosidade. Aproveitou que eu estava encostada na parede. Prensou-me contra ela. Elogiou-me. Chamou-me de linda. Tentou beijar-me. Só deu tempo de virar o rosto. Foi na bochecha. Para ele não ficar mal (e porque eu estava lisonjeada). Retribui. Na bochecha.

O problema era grande. Ele tinha apenas 16 anos. Retratei-me afirmando que, apesar de tudo, ainda haviam sentimentos. Que ele era novo e deveria sair com garotas da idade dele. Depois desse fato, ainda conversávamos ocasionalmente. Até que um dia, parou de ir às aulas.

Completei o ano letivo no colégio. Pedi pra sair pois não aguentava mais cruzar com Ramsay no corredor.

Alojar-se na casa dos pais pode ser complicado. Decidida a alugar uma casa assim que recebesse meu primeiro pagamento na Universidade.

Para me animar, Arrya convenceu-me a irmos num bar requintado. Duas coisas em mente: nada de beber até cair e nada de homens. Curtir e relaxar. Lema do momento.

Havia se passado um pouco mais de três meses. A última prova de concurso seria em 15 dias (a que eu passei). Estudava com afinco de domingo a domingo, nos horários vagos. Mergulhava em simulados.

Minha amiga disse que deveria espairecer. Já tinha estudado mais cedo. Resolvi seguir seu conselho.

Conversávamos tranquilamente. De vez em quando, aparecia alguém convidando-nos a dançar. Aceitei por duas vezes. Esclareci que seria apenas dança. Arrya, entretanto, empolgou-se com um "cara". Implorei que não me abandonasse. Previa que isso iria acontecer. Virei "vela". O carinha grudou nela feito chiclete. Bancou a bebida dela.

Decidi ir embora. Sabia que ia para o motel com ele. Ainda insistiu que eu ficasse mais um pouco. Respondi que era tarde. Iria deixá-la se divertir. Ele ficou satisfeito.

Nesse ponto, nunca tive coragem de transar com alguém que havia acabado de conhecer. Tinha que conhecer primeiro. Rolar uma paquera por um tempo, pelo menos.

Quando eu estava saindo, senti uma mão tocando meu braço. Virei-me para ver quem me segurava. Encontrei um rosto amigo.

"Sansa, imaginei que fosse você. Como está? Quanto tempo..."

"Oi! Verdade, já faz muito tempo... Estou bem e você?" beijinhos no rosto

"Bem também. Já estava de saída?"

"Sim, mas porque minha amiga me trocou por um cara que acabou de conhecer."

"Você também.? Meus amigos me abandonaram. Vim para distrair um pouco do trabalho e logo arrumaram companhia." risadas

"Também vim na intenção de espairecer a mente. Mas, enfim, sozinha..."

"Não mais. Importa-se de lhe pagar uma bebida?"

"Claro que não. Seria ótimo."

Continuava bonito. Havia me esquecido do quanto era. Apesar dos nossos altos e baixos, nossa época foi maravilhosa.

"Ainda servindo?"

"Engrenei na carreira militar. Fui transferido para o Mato Grosso do Sul. Fiquei três anos lá. Fiz faculdade de Administração. Sou 1º tenente agora. Até os 35 anos pretendo sair a capitão."

"Poxa, fico feliz que tenha dado tudo certo pra você. Sua mãe não ficou chateada com a sua transferência?"

"Ficou, muito. Me ligava toda hora. Só atendia fora do serviço. Já havia sido chamado a atenção por meus superiores e era motivo de chacota para os colegas. Expliquei a ela, mas você a conhece. Fez chantagem emocional. Então tive que tomar uma decisão difícil. Só falava com ela quando estava em casa. Disse que haviam proibido o uso de celular no quartel. Seria preso se estivesse portando. Pra ela, quando eu não estava no quartel, estava em casa, senão não me divertia."

"Nossa..."

"Mas pior mesmo foi quando eu voltei no meado do ano passado e decidi morar sozinho. Continuo morando próximo o suficiente para ajudá-la de vez em quando e longe o suficiente para ter direito a ter uma vida."

"É mesmo... Onde?"

"Marechal Hermes. Agora é sua vez, como está sua vida? Namorando?"

Pergunta clássica de alguém que está interessado em algo mais que amizade.

"Separada há pouco tem. Formada em História e fiz mestrado em Cultura e Social do Brasil. Trabalho como professora numa escola particular para o Ensino Fundamental e em colégio Federal para o Ensino Médio. Atualmente, estou tentando concurso para lecionar em universidade."

"Que bom! Sua carreira está decolando. Mas você está separada? Do seu namorado?"

Pronto. Tocou no assunto que eu não estava afim de falar a respeito.

"Não, eu casei. Após três anos de casamento, ele pediu o divórcio. Estamos agindo o processo."

"Que chato! Vocês tem filhos?"

"Não, não temos. Não tenho."

"Ah, sim! Está afim de ir embora? Posso te dar uma carona pra casa..."

"Você está bem para dirigir?"

"Estou, não bebi quase nada. Ainda mora em Bento Ribeiro?"

"Sim, temporariamente na casa dos meus pais."

Voltamos conversando sobre assuntos diversos. Evitamos abranger a minha recente separação.

"E você? Casou?"

"Não, ainda não encontrei alguém especial. Além de estar me dedicando à carreira militar."

Doeu. Um tapa sem mão. Eu o considerei durante muito tempo como sendo o homem da minha vida. Mesmo após a união com o Ramsay. Ouvir isso foi como se a terra se abrisse para eu cair lenta e infinitamente.

Enfim sugeriu de esticarmos para a casa dele. Tomarmos uma taça de vinho, um licor. O que eu quisesse. Conversarmos à vontade. Ou assistirmos a um filme. Sem maldade. A hora que eu achasse que devesse ir pra casa, ele me levava.

Refleti. Separada. Um homem lindo e que eu sabia que era gostoso ao meu lado. Poderia não acontecer nada demais mesmo. Que mal iria fazer? Um marido que eu havia amado e me apunhalou pelas costas. Aceitei.

Tomei licor de caju. Ligou a televisão. Telecine Action. Amo. Carga Explosiva. Super. Quase meia-noite. Conversamos. Assistimos ao filme. Tyrion pegou na minha mão. Puxou-me para perto dele. Encostou minha cabeça no ombro. Cafuné. Bom. Sussurrou que eu estava linda. Mais do que na última vez que nos vimos. Virou meu rosto de encontro ao seu. Selou meus lábios com beijo sereno.

Parecia que nada havia mudado entre nós. Sempre havia sido ele e eu. Cochichou revelando que não se casou porque a única mulher que desejou passar a vida ao lado, se encontrava naquele momento em seus braços.

Tremi. Precisava ouvir aquela declaração. Beijei-o intensamente. Um homem de verdade sabe conquistar uma mulher. Reconquistar. E levá-la pra cama.

Entreguei-me ansiando seu calor. Seu toque. Sua rigidez.

Escorou-me no sofá. Ajoelhou-se. Tirou minha calcinha. Apoderou-se de um óleo. Esfregou-o na minha xaninha. Quente! Chupou-a devagar explorando cada espaço. Assumiu o controle do clitóris. Massageava-o com a língua acelerando aos poucos. Acariciava meus seios. Quase atingia a loucura extrema quando mudou de tática. Mordeu e beijou minhas coxas. Desenhou minha virilha com a língua. Brincou com meu umbigo. Adulava minha barriga fora de forma. Despiu-me do vestido. Circulou meu mamilo com a língua lentamente. Lambeu o biquinho. Agarrou meu seio com a boca. Chupou devagar. Manipulava meu grelo com o dedo no mesmo ritmo. Aos poucos foi aumentando a intensidade. Eu me retorcia. Gemia. Urrava de prazer. Meu corpo não resistiu. Desvaneceu seu desejo.

Tyrion nem pensou. Meteu o membro rijo no meu buraco. Puta que pariu! Estava tão sensível. Movimento gostoso. Beijava meu pescoço. Mordia o lóbulo da minha orelha. Posicionou-me de lado. De quatro. Só faltou me virar do avesso. Disposto a me prover prazer. Cansei de tanto prazer. A melhor transa da minha vida.

"Como me arrependo de ter lhe deixado. Você foi o único homem que realmente amei."

Sentimento transbordando do coração.

Recomeçamos a sair. Transar. A ter um relacionamento. Optamos por uma relação aberta. Amizade colorida. Cansada das cobranças e expectativas. Não pretendia casar novamente. Ao menos, não tão cedo.