Perto do Fim

1 Capítulo 1 - Chegada.


Tive que ir buscar minha irmã menor, Emily, no ballet mais tarde hoje. Eu estava dirigindo, Em estava no banco de trás e cantava a música " I'm So Sorry" dos smiths, ela cantava tão alto e tão bonito. Ao meu lado estava Sophie, cantava junto com Em. Seus cabelos ruivos voavam, agora ela estava com a cabeça para fora da janela, sorrindo e gritando. Estávamos bêbados demais. A música estava quase no fim "Oh, it was a good lay, good lay, good lay, ooooh It was a good lay". Eu estava correndo muito, e chegando em uma curva tentei desacelerar. Acordei num pulo, sempre o mesmo sonho. Olhei no relógio, 7h45. Eu estava atrasado, meu ônibus partiria ás 8h10. Precisava correr e me arrumar. Não daria tempo. Levantei da cama em um pulo, saí pegando qualquer calça jeans e blusa branca. Calcei meu tênis preto. Fui ao banheiro apenas para escovar os dentes, olhando no espelho pude notar, o corte acima da sobrancelha estava quase totalmente cicatrizado. O corte nos meus lábios já estava bem melhor. Deslizando minha mão até o final de minha blusa, levantando-a pude ver que o da barriga estava curado. Lavei meu rosto, peguei minha bagagem, e ultrapassei a porta do meu quarto sem olhar para trás. Passando pelo corredor, pude ver uma foto de Em com seu ursinho de pelúcia favorito, Senhor Fofinho. Peguei-a para mim, enfiando-a na minha mochila. Minha mãe estava sentada no sofá quando percebeu que eu estava descendo as escadas, virou para mim e disse:

– Espero que me perdoe um dia por não te perdoar, Rupert. — Seus olhos estavam inchados de tanto chorar.

Não conseguia mais olhar para o rosto dela sem a culpa me invadir por completo, conseguia ver meu reflexo pelos seus olhos cheios de lagrimas. Eu odiava vê-la assim, a culpa é toda a minha. Sai pela porta de frente, sem nem mesmo dar adeus à ela. O táxi já me esperava. Olhei no relógio do celular 7h55. Tentei não olhar para trás.Chegamos a rodoviária. Entreguei a quantia que o taxista cobrou e saí do carro. Peguei minhas malas e fui em direção a saída dos ônibus. Estava tudo pronto. Daqui a alguns minutos, eu estaria longe de Londres. Entrei no ônibus, sentei ao lado de uma senhora com bochechas rosadas, ela sorriu para mim. Me esforcei e retribui.

– Ei, garoto! Já chegamos em Wells. Você desce aqui? — Uma voz velha e feminina, ecoava na minha cabeça e então eu acordei, meio sem saber onde estava.

– Desculpe, o que disse?

– Wells...Chegamos. Você fica aqui, garoto? — disse a senhora do meu lado.

– Oh, sim! Obrigado senhora, é...Obrigado mesmo. — e parti dali em busca de minhas bagagens e saí do ônibus. Wells, era uma cidade extremamente medieval, suas estruturas eram conservadas e tudo ali tinha algum tipo de história. 12 mil habitantes. Aquela ideia fez com que eu me sentisse enjoado. Logo quando saí da rodoviária, avistei um homem alto, com os cabelos loiros escuros assim como eu, com os mesmos olhos, fumando. Era meu pai, John. Ao me ver, um quase sorriso se formou. Ele caminhava até meu encontro. John me abraçou e disse:

– Rupert! Há quanto tempo? Eu te vi desse tamanho — fazendo gestos com sua mão, e levantando sua mão para um pouco acima de seu quadril, representando minha antiga altura.

– Incrível o desenvolvimento humano, não? Principalmente quando se passam 6 anos. — Me arrependendo de ter falado, no exato momento que as palavras saíram da minha boca.- Desculpe, eu estou cansado...

– Entendo. E Rupert, sobre sua irmã...- O interrompi antes de terminar a frase dizendo:

– Por favor, podemos não conversar sobre isso? Eu não quero ouvir. — A música ecoava em minha mente "Why do you come here? And why,why do you hang around.I'm so sorry, I'm so...". Ficamos em silêncio até chegarmos a velha casa de meu pai, ela era quase toda feita de pedras cinzas, se não fosse pelo contorno em madeira branca. E sua sacada de madeira. Meu pai ofereceu ajuda para pegar minhas malas, mas antes mesmo dele pegar, já estavam em minhas mãos. Meu pai foi me guiando até a porta da frente, ao entrar na casa, pude reparar que a parede da sala era completamente repleta de prateleiras repletas de livros. E entre elas, estava uma televisão. E logo na frente, e um sofá de três lugares branco. A cozinha ficava logo ao lado, e ali a escada. Fui em direção as escadas e logo no fim, havia um corredor com três portas. A da esquerda o quarto de meu pai, a do meio o banheiro e terceira o meu antigo atual quarto. Passei pela porta, e logo percebi o quão ele tinha mudado. Havia um guarda-roupa de madeira marrom, uma cama de casal, uma escrivaninha e duas prateleiras acima dela com livros. Em cima da cama, uma pintura de" mulheres no jardim" imitando a do pintor Claude Monet. Desarrumei minhas malas e tentei deixar o quarto mais confortável possível. Ao lado da cama, havia uma pequena mesa com uma luminária. Ali coloquei o porta retrato da Em. Deitei na cama, e adormeci olhando para a fotografia.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Ficou meio muito sem sentido?