Perto do Fim
6 Capítulo 6 - As semanas mais longas da minha vida.
Notas iniciais
As semanas que se passaram, foram resumidas em passar a semana jogado no sofá do Matt, do tipo, literalmente. Eu ainda não havia superado/entendido/tentado entender o fato de Sam ter sumido depois da noite que tive meus surtos. Matt havia me falado que, Naomi contara para Katherine que Sam contara a ela que precisava de um tempo para pensar. Tudo bem, tirando o fato dela ter ficado mais de duas semanas "desaparecidas", talvez eu esteja questionando tanto pelo fato dela não ter dito nada, não ter telefonado, não ter se importado em dizer que passaria alguns tempos afastada. Na última semana, eu, Matt, Kath e Naomi havíamos nos aproximado muito. Kath e Matt estavam ficando juntos algumas vezes, não como eu e Sam, era algo mais sério e constante. Então, eu passara muito tempo conversando com Naomi, para tirar o tédio e principalmente para aguentar o pseudo relacionamento meloso que os dois haviam reconstruído, — mesmo que não oficialmente — Matt estava radiando felicidade, e eu seria um péssimo amigo se dissesse que estou triste por ele. Naomi, em uma de nossas conversas "anti mattherine" (Katherine e Matt) me contara que era americana, nascera em Boston, pelo que lembro. E que achava engraçado o quão nossa pronúncia era certa. Me contara também sobre sua obsessão por Arctic Monkeys, uma banda indie britânica. Me ensinara algumas músicas, lia livros e me dizia suas sinopses. Contara que seu pai tinha uma grande empresa de pasta de dente, mas não tinha contado com ele. E que sua mãe havia se mudado para cá por tédio. Naomi era homossexual e dizia ter fortes atrações por Melanie, que agora estava com cabelo azul. De acordo com ela, azul deixava-a mais sexy. Tive de concordar.
Tínhamos combinado de matar aula todos nós e irmos para o parque. De manhã vesti um jeans preto, meu All Star e um moletom. Devia estar dormindo, após a ultima noite. Ele havia chegado quase 4h30 da manhã, eu ouvira seus passos até seu quarto. Sai de casa a parti em direção ao parque. O dia estava ensolarado e agradável, o que era raro. As gramas estavam mais verdes e havia cheiro de menta em meio ao vento. O que quase me fez lembrar de Sam, quase não, me fez lembrar completamente de Sam. As ruas estavam bem menos populosas do que costumam — geralmente — ser. Coloquei meus fones de ouvido e selecionei a música "Arabella" da banda que Naomi havia me mostrado outro dia. Pude sentir a fadiga em meus músculos, como lidar com o fato de ter 17 anos e a disposição de um velho de 84 anos? Dei um parada para respirar, e continuei. Chegando em frente a porta do parque, pude observar Matt, Kath e Naomi de longe. Matt estava com bermuda, blusa azul e tênis. Kath estava com um vestido creme, usando uma sapatilha vermelha. E quase mais longe, estava Naomi, lendo algo. Seu cabelo cor de cereja estava mais vermelho do que nunca, estava de short jeans, blusa branca e um All Star preto. Cumprimentei de longe, e caminhei até eles.
– FINALMENTE O CARA CHEGOU!! — Anunciou Matt, gritando para cidade inteira ouvir, o que não difícil, considerando seu tamanho.
– Ei Matt! — Dizia Kath.
– Eu acordei um pouco atrasado, acabei demorando um pouco.- respondi, inventando uma desculpa qualquer para ignorar o fato de ficar mais ou menos trinta minutos pegando fôlego. Naomi estava tão concentrada em seu livro que mal falou comigo, apenas sorriu. Sentei ao lado de Katherine, eu precisava perguntar sobre Sam.
– Katherine? Você tem notícias da Sam? Ela telefonou? Disse quando voltava? Ela está bem? — perguntei.
– Calma, garotão. Ela só mandou uma mensagem falando que estava tudo bem. Não disse nada além disso, acho que ela mandou ontem mas eu só recebi hoje. Então, eu não sei muito bem...
Me levantei e sentei ao lado de Naomi. Eu já estava cansando das variações de comportamento de Sam. Quando eu perguntara sobre seu passado para Katherine, ela só dissera que Samantha tinha tido problemas com álcool, mas havia algo mais, eu tinha certeza.
– Collins? Alô? Você está aí ou o que? Terra para Rupert. — Naomi dizia enquanto beliscava meu braço.
– Desculpe, eu estava...pensando.
– Sei bem, Samantha Miller também invade meus pensamentos algumas vezes.
– Como...? — Naomi me interrompeu.
– Eu tenho ótimos ouvidos, — sorriu — escutei você conversando com Kath e imaginei que esse seria o motivo para tanta distração esses dias. Ela sumiu né? Não me surpreende, Sam é tão instável quanto a estrutura de um prédio velho e abandonado. Sabe, quando eu a conheci, ela me encantou completamente. Seu sorriso, seus olhos, até mesmo suas pernas finas. Chega ser incrível o fato em si. — Eu conhecia bem esse sentimento, era o efeito Sam, que provavelmente cada pessoa só consegue sentir ou presenciar uma vez na vida. Naomi e eu conversávamos o tempo todo sobre esse tipo de coisa. Ela me contara de seus casos com as meninas americanas, dizia sobre sua mãe não aceitar esse fato e ignorar quando ela tenta tocar no assunto. E eu realmente não me incomodava dela falar coisas assim.
– O problema de ser dependente tão facilmente, como eu, é que pessoas como Sam, vão e com elas levam tudo o que você tinha ou construiu. E isso pode soar o mais clichê e babaca das coisas clichês e babacas mas eu estou completamente apaixonado por seus cabelos, a forma que acaricia minha nuca, suas pernas, seu cheiro, até mesmo de seu cigarro. Adoro o fato de não ligar para nada. Sam é a única pessoa que da mesma forma que me leva ás alturas, me traz de volta ao chão.
– Meninas como Sam não se apaixonam, Rupert. Elas só precisam de distrações, e desculpe dizer, mas é isso que você significa para ela. — Naomi disse me um tom leve, conseguiu não fazer sentir totalmente uma bosta. Mas eu duvidava. Eu duvido que Sam não sentisse nada por mim, talvez não tanto e tão rápido quanto eu, mas ela sentia, tinha de sentir. Esse curto período que tivemos quase juntos, apesar de toda sua indiferença...Não poderia ter sido em "vão".
– Eu duvido. — respondi.
Antes de Naomi responder, Katherine a interrompeu dizendo que ia embora. Tinha teste no quarto horário e que tentaria entrar agora, no terceiro. Como eu só tinha aula de exatas hoje, preferi ficar no parque. Matt acompanhou Kath, de fato. Eu e Naomi ficamos ali. Conversamos sobre mulheres. Primeiro beijo, primeira transa e até mesmo primeiro cigarro.
Meu primeiro beijo foi com minha babá, ela tinha 16 anos e eu no auge dos 12 anos. Ela estava triste por algo que não recordo, mas me beijara como forma de amenizar.Primeira transa, 14 anos. Ela também era mais velha, Candice Coccla de 21 anos, desesperada. Primeiro cigarro, 13 anos. Eu via minha mãe fumando quase todos os dias, ela havia deixado sua carteira de cigarro na mesa e saíra. Quando ela voltara, encontrara eu fumando e com mais de 4 cigarros estragados porque não consegui acender eles. Eu nunca apanhei tanto em toda a minha vida. Naomi tinha dito idades parecidas com as minhas. A respeito da transa, ela me dissera que nunca havia sentido atração por um cara a ponto de ir para cama, até mesmo na época em que ela estava "confusa" a respeito de sua sexualidade. Jogamos papo fora e decidimos comprar cerveja, em uma — quase — loja que havia no parque. Estávamos quase tontos, mas não o suficiente para fazer alguma besteira ou melhor dizer, não o suficiente para eu surtar ou ter uma aparição ali mesmo. Apenas curtimos. Os olhos de Naomi cintilavam ao brilho do sol. Ficamos ali até o final de tarde, o sol já estava quase se pondo, então, decidi ir para casa.
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Em minha casa, tudo parecia exatamente como estava no começo do dia. Menos, é claro, o fato de Samantha Miller estar sentada na calçada. Usava seu vestido preto, com seus cortunos longos e floridos, fumando, é claro. Me aproximei dela, ela se levantou e disse:
– Não podia demorar menos? Céus, essa cidade é um ovo, ou você caiu no caminho e ficou deitado o dia todo no chão ou já me trocou por alguma vadia caipira.
– Eu? Trocar você por alguém? Se me lembro bem, quem estava agarrando o Scott, na ultima festa, era você. Até porque eu me lembraria de seus músculos em volta de minhas cinturas. — Ironizei. Sam riu.
– Ah, Scott. Se importou com isso? — Sam olhou, provocando. Fiquei em silencio por um tempo, então, perguntei:
– Você some por duas semanas e não me avisa absolutamente nada, e brota na calçada da minha casa. Eu não entendo você.
– Minha mãe estava doente. Eu tinha de ir, bem, foda-se. — Sam se aproximou e tentou me beijar, recuei. — Sério, Collins? Vai mesmo se fazer difícil logo agora? Deus...
– Eu só quero que pare de fazer isso. Você sempre brota do nada e me beija, nunca diz nada. Já tivemos algum tipo de conversa? — Não estava ligando para isso, apenas testei para ver sua reação.
– Qual é, Collins. Trabalho com linguagem corporal. — Ela sorriu, sim, aquele sorriso incontrolavelmente sexy. Então, eu não ligava se a conhecia mesmo ou não. Apenas fiquei um tempo a observando olhando para mim. E a beijei, esperando que não desaparecesse outra vez.
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