Pertenço a você
4 Capítulo 4 - Delírio
Notas iniciais
A semana se passava tranquila, só via Ruby na sala dos professores para falarmos de trabalho e ela era completamente formal ao meu lado, ouvi alguns professores comentando o quanto ela era linda e isso me deixou confusamente incomodada, disfarcei, claro. Na sexta tive a tarde livre e uma aula a noite, logo após a aula da noite decidi ir a biblioteca procurar algo para ler no fim de semana, não havia ninguém no segundo andar já que a maioria dos alunos estavam em aula ou indo embora, para minha surpresa Ruby estava em um dos corredores com pelo menos uns cinco livros nas mãos e procurando por outros, pensei em falar com ela mas me arrependi e quando ia passar direto para o corredor seguinte fui avistada. Droga!
Ruby: Belle, por favor, pode me ajudar? – ela disse com uma voz baixa como quem temesse minha reação. –
Belle: Ah sim, claro, do que precisa? – tentei ser gentil como seria com Regina caso fosse ela, caminhei em sua direção fitando-a de perto. –
Ruby: Estou à procura de algo para ler no fim de semana e não consigo me decidir, daqui a pouco estarei com todos os livros da biblioteca em mãos. – a mulher sorriu intercalando seus olhares entre mim e a imensidão de livros no corredor e em seus braços. –
Belle: Tem alguma preferência? – ela balançou a cabeça dizendo que não. Sorri olhando os cinco livros que a mulher tinha em mãos, um mais sem sentido do que o outro. – Deixe me ver aqui. – caminhei deslizando meus dedos sobre os inúmeros livros daquele mesmo corredor. – Esse você vai gostar. – a entreguei um livro relativamente grosso. –
Ruby: Delírio? Hm do que se trata? – a mulher me entregou os livros que tinha em mãos e passou a fitar o que eu tinha a entregue, folheou rapidamente e me olhou curiosa. –
Belle: Como eu posso explicar, bom... o amor é constatado como a pior doença de todas, o governo achou uma maneira de erradicar a doença e as pessoas são curadas quando completam 18 anos. Só que a mocinha da historia antes de ser "curada", bom, ela se apaixona, e a questão é, depois de sentir os sintomas "tão horríveis" ela não sabe mais se quer a cura, o resto você tem que descobrir lendo... – a fitei com certo desafio nos olhos. –
Ruby: Parece bem interessante, fiquei curiosa quanto a essa... cura pro amor. – seu tom de voz mais pareceu algum tipo de indireta que eu ignorei devolvendo aos devidos lugares os livros que ela havia me entregue, parei com um último de biologia que me chamou atenção, era um livro repleto de imagens de animais, ri como quem não acreditasse no que via. –
Belle: Você ia mesmo levar esse? – a olhei espantada a mostrando a capa do tal livro. –
Ruby: Tem centenas de figurinhas de animais, eu gosto de figurinhas de animais. – sim, eu lembrava das centenas de figurinhas de animais que Ruby grudava em um mural enorme que a mesma tinha em seu quarto, sorri ao lembrar, seu jeito bobo como quem tentasse me convencer, arrancou-me outra risada, dessa vez uma risada incrédula. –
Belle: Você não existe. – falei inclinando-me para guardar o ultimo livro no seu devido lugar e fui surpreendida com os braços de Ruby me envolvendo por trás, congelei-me por completo ao sentir seus seios em minhas costas, por um segundo quis empurra-la e sair correndo, mas era tão incorretamente bom e sincero que me deixei ceder por aquele momento. – O que está fazendo? – falei quase em um sussurro sem me mover com medo de que ela parasse. –
Ruby: Sei que me odeia, sei que prometi deixa-la em paz, mas por um único minuto deixe-me sentir você, um único minuto eu te imploro. – meu silêncio foi a resposta que Ruby precisava, seu nariz percorria meu pescoço se deliciando em meu perfume, sua respiração me causava arrepios visíveis, seu nariz agora dava lugar aos seus lábios que desfilavam sobre meus ombros, os braços de Ruby me apertavam forte com medo que eu fugisse, por instinto ou desejo levantei meu braço encaixando minha mão nos cabelos da mulher forçando ainda mais seus lábios contra meu pescoço, senti meu sexo pulsar, total falta de controle, despertei imediatamente percebendo o lugar em que estávamos. –
Belle: Me solta, para Ruby, para. – falei tranquila a afastando de mim lentamente, estávamos ofegantes, aparentemente excitadas, Ruby me olhava como quem implorasse por mais, fui o mais forte que pude olhando para todos os lados com medo de alguém ter visto e balançando a cabeça compulsivamente em sinal negativo buscando controle. –
Ruby: Não pude resistir, sinto muito, não acontecerá outra vez. – disse rápida completamente sem graça pela atitude, ajeitava os cabelos que eu havia bagunçado. –
Belle: Estamos na universidade, temos sorte de ninguém ter nos pego e de aqui não ter câmeras. Não teríamos o que explicar. – arregalei os olhos demonstrando o medo diante da situação. Peguei o livro que Ruby havia deixado na estante e a entreguei. – Leia, você vai gostar. – caminhei devagar até a saída do corredor, já havia esquecido o que ia fazer ali. –
Ruby: Se não estivéssemos aqui então eu poderia ter continuado? – revirei os olhos como quem não acreditasse no absurdo que ela dissera. – Semana que vem digo o que achei do livro. – Ruby praticamente gritou para que eu a ouvisse, mas sai quase correndo temendo não resistir novamente e voltar lá para terminarmos o que tínhamos começado. –
A insistência e ousadia daquela mulher ainda era a mesma, foi assim quando éramos jovens e melhores amigas, meu medo de estar enganada quanto aos meus sentimentos me fizeram evita-la de todas as formas e lá estava ela insistindo e ousando até o dia que meus muros caíram e aceitamos nossos sentimentos, ou melhor, os meus. Ruby pode até ter me amado em algum momento, mas não foi forte suficiente para se manter depois que seus pais morreram naquele acidente, na verdade, nada na vida dela se manteve depois do que houve.
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